ornitorrinco
Goa tem abrigado, nos últimos tempos, uma nova modalidade de turismo, que nada tem a ver com suas belezas naturais e nem com gente doidona que quer dançar o trance: o turismo de monção. noutras palavras, Goa está recebendo turistas do Médio Oriente que vão pra lá para… ver a chuva, artigo raro nas paragens de origem. então tome gente de Dubai, Qatar, Bahrein… todo mundo mostrando a chuva pra molecada, já que água, pra eles, só aquela do golfo, depois do oceano de farofa que é a vegetação da região.

isso vem sendo muito bom pro estado, já que as monções correspondem à baixa estação da turma que viaja com o rabo cheio de drug. você pode ler a matéria aqui. depois que li-a, fiquei com vontade de fazer o mesmo no Brasil: quero trazer brasilienses para Deprelândia, para que os primeiros possam ver a chuva, artigo raro no Planalto Central, em todo o seu esplendor. desde sábado, só chove aqui.

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tô gostando dessa história de ser “correspondente” do Diário da Manhã no róque. pelo visto, eles também. hoje saiu minha matéria sobre a apresentação do Elvis Costello em São Paulo, dêem uma olhada. lá não tá escrito, mas eu liguei pro Alê durante “So like candy” e “Alison”… e deu caixa. metaforicamente, isso quer dizer que ele está por cima das situações descritas por essas músicas. na prática, isso quer dizer que a bateria da Nokia não presta.

Jerusalém
então hoje rolou o casamento da Virgínia, e lá fui eu ser o padrinho. no civil, claro. não sabia bem o que fazer, mas aí me disseram que era só assinar o livro e não fazer gracinhas. mesmo assim, não deu pra resistir e eu falei “tsc tsc tsc” na hora em que a oficial do cartório disse que o regime adotado pela Virgínia e pelo Thiago era o da separação total de bens. quem entendeu a piada riu, especialmente as mulheres. detalhe que eu e a Isabel chegamos um pouco atrasados porque eu achei que era no outro cartório de Deprelândia 2, mas nada que comprometesse o cronograma.

depois daquilo, forçando o climatizador do carro, fomos pro rega-bofe num buffet (pronuncia-se “buféte”) em Deprelândia. o menu, reduzido, incluía frango assado e arroz com legumes – que não comi. preferi ir de lagarto recheado, arroz branco e batatas, esses tubérculos onipresentes na alimentação ocidental. rolou ainda uma farofinha meio úmida e salada – eu não vou a rega-bofes para comer folhas, sinto muito. então comemos, bebemos Coca-Cola, falamos mal dos outros e assistimos uma galera se embebedar até as cinco da tarde, quando o aluguel do espaço do buffet expirou e tomei o rumo de casa.

engraçado é que sempre que rola um casamento eu fico imaginando se um dia vou me casar: será? duvido. como diz o Marcelo, tenho muita auto-piedade, e como diz o Pedro, falta objetividade. esse negócio de relacionamentos é complicado demais – ou então o complicado sou mesmo eu. pode ser. talvez eu ainda tenha, como o Hugh Grant, que passar por mais três casamentos e um funeral até que o meu saia. o segundo casamento, o do Alexandre, é em maio. eu não faço questão do funeral, até porque não sinto vontade de matar ninguém, a não ser no sentido literal, aquele que provavelmente só eu entendo quando falo. sei lá. não me imagino me relacionando com alguém. a Carol diz que eu sou muito imaturo pra essas coisas, deve ser verdade. também é verdade que eu não faço nada pra reagir e que eu tô de saco cheio dessas coisas, provavelmente da minha vida e desse poste também. então chega, vou lá assistir “Alguém tem que ceder” – mas esse alguém não sou eu, já que não reúno, no momento, condições emocionais para tanto.