cha cha cha
a Gabi me mandou uma direta no blógue dela, uns dias atrás, pra eu parar de reclamar da qualidade do meu blógue. vendo os dois postes de ontem, eu diria que gostei. mas ainda tá fraco, esse foi um bom momento isolado…

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Grécia e Bulgária
e quando as tropas que se diziam aliadas deixaram o meu país, depois daqueles anos de fogo e chuva nas ruas, meu coração não vestiu preto ou sentiu saudades daquelas marchas, paradas e exercícios militares. não, não: ele batia aliviado, por saber que, devolvendo a soberania a quem de direito, era como se o mundo voltasse ao seu devido lugar. o engraçado é que meu coração pensou exatamente a mesma coisa quando da chegada dos aliados, mas talvez apenas porque as forças inimigas fossem um remédio mais amargo ou, como prefiro dizer, uma praga. mas para toda Praga existe uma primavera, e foi então que as flores voltaram a crescer. eu já não as tinha nas mãos, porque queria um jardim bonito pro caso de alguém passar ali no futuro. e eu sei que vai passar, e que não vai arrancar uma rosa sequer do jardim. e nem o meu coração de quem é o legítimo dono.

musicforthemorningafter
trinta de maio, mas se fosse nove de junho, vinte e quatro de junho, primeiro de julho ou doze de agosto, certamente seria a mesma coisa. são as horas que passam, o frio que me revira na cama, a busca pela coragem de encarar tudo e fazer rock and roll lá fora. eu quero acordar.

*

acordei. desci cambaleando do segundo andar, enchi um copo de água, um-dois-três e lá foi o líquido por dentro de mim. sacodir a cabeça não vai fazer o vento frio deixar de entrar em casa, achar que tudo vai se resolver não obsta a necessidade de trabalhar pra isso. talvez o caminho passe por uma bebida doce e a disposição de encarar o chuveiro, pra início de conversa. acabar com os lamentos em forma de miados, tocar o escritório, conter a vontade de chorar que aparece e vai embora como se fosse uma onda batendo nas pedras, antes que o “água mole em pedra dura” acabe por me encher de buracos, como se o vazio já não existisse.

*

o banho mais parece uma sauna, e eu me pergunto, com o shampoo em mãos, se beber metade do fraco vai me limpar de tudo aquilo que eu sinto. infelizmente, não há detergente no mundo que me faça um favor desses, então o jeito é me cuidar, qualquer que seja o perigo a ser enfrentado. entrar no barco mas não deixar que o lago decida vou parar, fazer a barba pela milésima vez e olhar pros dois lados ao atravessar a rua no Setor Bancário Sul (talvez olhar pro terceiro lado, o de cima, pra ver se não vem chuva ou um piano vindo do céu), ouvir o Nirvana tocar a couve de “The man who sold the world” e ter a leve impressão de que a música fala de mim. tomar mais coragem ainda, fechar o registro do chuveiro e vestir-me antes que a frente fria faça maiores estragos.

*

mas essa neblina não passa…

quanto tempo vai ser
até que eu te esqueça, boneca
aposto que ainda vai demorar
(…)
talvez você não tenha me lido direito
as luzes se apagaram e você não entendeu
eu toquei a sua música, eu errei a melodia toda
(…)
sinto como se me livrasse de todas as minhas coisas
como se desaparecesse em meio à neblina
os carros aceleram, meu estômago grita
como uma gangue de cães famintos

se eu tivesse uma pedra agora, seriam 50% de chances de ela estourar na sua janela. e 50% de que eu nunca a jogasse, em nada ou ninguém. e zero de eu enfiá-la no bolso e mergulhar no lago, rumo ao fundo. está frio demais, e eu não iria tão baixo por sua causa, pode apostar.

*

mas não, eu não vou me abater. estou a um nó de gravata de conseguir o que eu quero.

queda de rendimento
o feriadão pesado me mandou direto pra cama. meu sono acumulado é tão grande que até parece que eu nunca durmi na vida. acho que é verdade. vou ali acertar as contas com o travesseiro e não volto mais.

sintetize
sexta à noite eu ouvi “Beat acelerado”, do Metrô, numa FM daqui, e constatei que, passados vinte e um anos do lançamento dessa música, ela continua sensacional. e não me saiu da cabeça desde então.

(essa é dedicada ao Pablo)