de-clínio

sem inspiração. sem saída. com vontade de reagir.

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matança de animais: um pernilongo muito do safado ficou me enchendo o saco agora há pouco. dançou inúmeras vezes ao redor do meu braço, enquanto isso eu repetia mentalmente o mantra “lavra, safado”. não lavrou. aí não tive escolha, fui lá e PEI! nele – já era. escolheu a pessoa errada pra fazer gracinha.

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o Malcher disse que não vai bater ponto no Carnaval do Mal. é pena. fosse eu, me jogava lindo – nem que fosse pra falar mal depois. se liga, puta!

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cursinho. Tylenol. bandas de emocore nos canais musicais. acordar cedo pra pegar fila no banco. ter de mastigar os alimentos. putaquepariu, ninguém merece.

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retinas

doutor Pablo disse bem: pra passar na segunda fase do exame da OAB, eu tenho que ser estóico. não ter fraquezas. não fazer certas coisas, nem pensar em certas coisas. vamos lá, força, faltam só três semanas. depois eu posso voltar a surtar…

ig nobel

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA, BURRO DEMAIS…

Tailândia (PA) entra no mapa do tsunami

por Eliane Cantanhêde, colunista da Folha

Depois de dias procurando uma família maranhense que teria viajado para a Tailândia na época do tsunami que matou mais de 280 mil pessoas na Ásia e na África, o Itamaraty descobriu que ela estava bem mais perto. Pai, mãe e cinco filhos estavam sãos e salvos numa outra Tailândia, muito longe da tragédia: uma pequena cidade no sul do Pará. Sim, existe uma Tailândia no Brasil.

Essa é uma das curiosidades de 33 dias de buscas encerradas ontem, quando o Itamaraty encontrou o último dos 411 brasileiros que estariam na região atingida. Todos da lista estavam vivos. Os brasileiros mortos na tragédia foram a diplomata Lyz Amayo e seu filho, Gianluca, 10.

A família do Maranhão chamou atenção dos diplomatas desde o início por dois motivos: incluía crianças – cinco de uma vez – e fugia da regra de que a grande maioria dos procurados era do Sul e do Sudeste.

Recebida a informação de um vizinho maranhense, diplomatas e funcionários iniciaram imediatamente a procura. Na Polícia Federal, não havia registro de passaportes emitidos naqueles nomes. Na própria Tailândia, a asiática, também não havia registro de entrada.

O ministro Manoel Gomes Pereira, diretor do Departamento das Comunidades Brasileiras no Exterior do Itamaraty e chefe das operações, sacou então o “Plano B”: ligou para o prefeito da cidade de onde partira o telefonema, a pequena Zé Doca, no Maranhão, para pedir mais informações.

“Sim, excelência”, respondeu o prefeito do outro lado. E no mesmo dia tudo estava esclarecido: com uma rápida pesquisa, quase de boca em boca, a prefeitura descobriu que a família simplesmente mudara para Tailândia, no Pará. Ao ver pela TV a tragédia “na Tailândia” e o apelo para avisarem de brasileiros na região, o vizinho confundira os destinos e se precipitara.

trato é trato

acho que já falei isso aqui, mas eu fiz um acordo com a Fernanda, uns tempos atrás: nada de surtos, nada de palas, nada de ficar pancada antes da hora – no caso, a nossa hora é março. ela na Inglaterra, eu no DF – e nossa sanidade vem junto. ôm namah shivaya.

boa nova

passei pra segunda fase do exame da OAB, com a pontuação mínima necessária (46 pontos, de um total de 100).

eu tinha acertado quarenta e três questões. dois dias depois da prova, a entidade anulou duas e minha pontuação subiu para 45. na quinta, quando a lista de aprovados foi divulgada, anularam mais uma… e então eu passei.

falando sério, eu não merecia passar. sabem quantos dias eu estudei? ZERO. quantas horas? ZEEEEEROOOOOOO. mas agora meu pai voltou a falar direito comigo :)

the space between

tem certas horas em que você está de pé

olhando alto

pra cima

firme como uma rocha, decidido feito um general romano

aí vem a rasteira

e em poucos momentos você se vê no chão

machucado

sujo

tentando demonstrar que não houve prejuízo nenhum, tampouco dor

mas entre uma coisa e outra, você está no ar

flutuando

sem saber exatamente o que está acontecendo

sem ver que alguma coisa mudou ou está mudando

e eu estou exatamente assim agora

aliás, estou assim desde ontem

não tenho certeza de nada do que acontece(u)

ou deixou de acontecer

estou apenas naquele momento posterior a estar de pé

e antes de sentir o gosto do chão

pode ser, de verdade, que eu consiga me equilibrar e não cair

as chances são boas, até

mas é inevitável não pensar no pior

coloquei o “This is hardcore” pra tocar

cada nota

cada verso meticulosamente colocado

eu não consigo fugir de mim mesmo

eu não consigo fugir deste disco

às vezes a impressão é a de realmente estar indo para um lugar solitário –

o chão, talvez?

sim, o chão. ninguém te ama quando você está na merda

mas eu ainda não cheguei lá

talvez nem chegue

talvez seja culpa da inversão térmica ou da boca equivocada de um bêbado

talvez, talvez, talvez

enquanto isso, o que eu sou?

um corpo levitando no ar,

uma alma em busca de sustentação?

quase em pé, quase no chão – mas absolutamente nada, enquanto isso

e até que as coisas se resolvam.

o desperdício

às vezes a vida parece um monte de desperdícios. pilhas e pilhas de coisas gastas pra nada, ou quase isso. quase nada não é nada, nada é algo a menos que seja tudo. gaste as pilhas, tudo delas, e faça nada. menos é o novo mais, e eu estou mais ou menos certo disso.

*

fui a Taubaté com o Bruno deixar meu diploma na seccional da OAB, que fica numa casa bonitinha. tão bonitinha que não merecia ter essa finalidade. era pra abrigar gente feliz, pô.

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Bright Eyes. Arcade Fire. Kasabian. Feist. Twilight Singers. Air. Kings of Convenience. não está mau. ainda vou baixar umas velharias tipo Black Grape, T.Rex, Talking Heads e Spacemen 3, pra coisa ficar melhor ainda. yeah.

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continuo morrendo de vontade de chorar, mesmo sem saber porquê. isso é uma descerebração, e descerebrações não levam a nada. mesmo. na pior das hipóteses, a sanidade não te deixa andar pra trás ou, como prefere o David Byrne, crescer pra trás. eu tô falando, falando e falando, e não chego a lugar nenhum. devo parar de escrever e começar a chorar agora?

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se essa história do Ryan Adams lançar três discos esse ano for verdade, acho fé de começarmos a campanha pela canonização do rapaz.