menos é o novo mais

tem uma hora no “Alfie” em que o Jude Law se pergunta “como alguém pode se contentar com uma só [mulher]?”.

caso um dia eu o conheça, vou explicar a ele. bem explicadinho, pra que não reste dúvidas.

mais regist(r)os

depois que saí da faculdade, com o livro em mãos, fui até a casa do Rogério, onde conheci a mãe dele e conversei com ela e o pai dele – nosso amado antisocial estava banhando. massa. entreguei ao Rogério a cópia do “Fisherman’s woman” que tinha feito pra mim – acho que ele vai fazer uso melhor dela. conversamos um pouco, e foi estranho… às vezes faltava assunto. sei lá. talvez fosse circunstancial, talvez não.

saindo da casa dele coloquei o “Astral weeks”, do Van Morrison, e fui pra casa enquanto o sol se punha. na estrada, o céu estava tão bonito que eu não conseguia deixar de pensar em como eu queria que ela estivesse ali, pra mostrar-lhe aquele roxamarelo que não vou conseguir pintar em tela, nunca na minha vida. e enquanto o Van Morrison suspirava, eu queria chorar. fiquei com os olhos vermelhos, mas nenhuma lágrima ousou irromper naquele momento, e foi então que cheguei em casa, sem saber pra onde ir. com um belo livro em minhas mãos, é verdade – talvez deva começar por ele.

regist(r)os

gravei uma cópia do “A love supreme”, do mestre John Coltrane. cd-rs de jazz são uma armadilha, pois o som nunca fica do jeito exacto. pois bem, fui a Lorena e pus-me a ouvir o disco.

uma reta e uma curva depois de ter entrado na estrada, vi uma grade diagonal crescendo velozmente no meu retrovisor. com barras no tecto. pensei “c******, é a nova V50!”, e fiquei eufórico. tinha de fazer alguma coisa. baixei o vidro e, enquanto era ultrapassado numa curva a 110 km/h, gritei “NICE CAR, MAN!” – alguém que tem uma Volvo nova deve saber inglês, pensei. bom, era uma V70 2.0 turbo, “apenas” 81 cavalos mais forte que meu Polo.

o motorista não viu minha tentativa de comunicação, que colocou nossas vidas em risco. como forma de pagar tributo à V70, então, decidi escoltá-la até Lorena. e assim procedi: mantive uma distância segura e acompanhei o ritmo do motorista da Volvo, que às vezes chegava a 140 km/h – e eu atrás, o volante sambando em minhas mãos. tudo embalado por “A love supreme”.

amor supremo, essa marca. loucura.

*

fui à faculdade porque o doutor Pablo disse que tinha uns papéis para me entregar. confesso que pensei que eram as minhas provas de Processo Civil e Internacional do terceiro bimestre – minhas, do Rogério, da Virgínia. ele sempre me diz pra que eu treine minha intuição, e dessa vez ela foi pega de calças curtas: ganhei um presente. aliás, ganhei o presente… uma cópia do “Livro do desassossego”, do Bernardo Soares, heterónimo do Fernando Pessoa. fera demais. li o prefácio, agora há pouco, e já encontrei umas dez idéias geniais. vindo do Fernando Pessoa e do doutor Pablo, tem mesmo que ser genial…

(continua. eu acho)

varandinha

ufa, finalmente: depois de três endereços em um mês, eis que o definitivo estreou. palandi.com… é até sonoro. e faz uma mala e tanto. um dia vou ter uma grande corporação nas mãos, e aí vou ter de registar um outro domínio para abrigá-la. provavelmente vai ser palandi.co.jp ou palandi.it, já que grandes corporações geralmente não ficam em países como esse aqui.

enfim, sejam bem-vindos. alguém quer chá?

lâmina entrando no abdome

“Fisherman’s woman”, novo disco da Emiliana Torrini (o primeiro disco dela em seis anos) é uma merda. com ême maiúsculo. ela mudou de estilo, ouviu muito Carla Bruni, Smog e Nick Drake, e fez um lance folk-acústico. pra quem foi produzida pelo Roland Orzabal e fazia tweepop electrónico no “Love in the time of science”, é uma grande mudança.

pera lá, pera lá: eu adoro folk. mas o disco ficou um lixo. e a culpa, toda ela, é das composições. letras ruins, arranjos que parecem ter sido feitos de última hora (meu deus! ela teve seis anos!), essas coisas. a sério: decepção quase total, que só não foi maior porque eu adoro aquele inglês com sotaque mineiro dela (by the way, ela é islandesa). mas, tristemente, melhor esquecer. o disco sai amanhã no Reino Unido.