na fronteira do erudito

pô, muito massa isso aqui.

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a vitória

Radiohead

“Hail to the thief” (Parlophone)

vamos aos fatos: esse disco não é a revolução. tristeza? um pouco, talvez. mas o que seria a revolução em 2003? um ataque no Oriente Médio? esse filme eu já vi. e no sexto longa-metragem do Radiohead, o que dá pra fazer é dizer: finalmente um pouco de pop. e esse pop que exala de “Hail to the thief” traz tristeza, de duas maneiras diferentes. a primeira reside no fato de boa parte das músicas ser carregada de depressão, daquelas que você encontra em “High and dry” ou “Let down”, por exemplo. a segunda é que a revolução não veio.

teria então vindo a evolução, ao menos? este é o disco mais próximo de “OK Computer”, mais até do que “Kid A” parecia ser. mas ao mesmo tempo que parece, não parece. dá pra entender? não? vamos procurar outro caminho, então: não é um disco pra transar, como Thom Yorke declarou em 2002, mas não é pra ser ouvido durante o fim do mundo. a evolução vem medida: o primeiro single, “There there”, dá uma vontade louca de dançar. remete ao Egito, a Nova Iorque, à boate que você freqüenta quando se cansa das baladas indie. lembra gente feliz fazendo festinhas particulares em quartos de motel. e eu saí pela sala dançando. mas voltei a mim e saudei “2 + 2 = 5” e suas belas guitarras; viajei pra além-terra em “Sail to the moon”, senti o coração de Thom Yorke sendo dizimado pela doença da sinceridade em “Myxamathosis”, fiquei paralisado com “Where I end and you begin” e “I will”, duas pequenas obras-primas.

é sintomático que o Radiohead continue cativando e atraindo um número cada vez maior de fãs. vai ter gente acusando o quinteto de Oxford de se repetir nesse disco, o que é mentira: rebata com a verdade. cante junto se quiser, ouça “aditivado” se assim lhe convir. se você tem preconceito com a banda, especialmente por “Kid A” e “Amnesiac”, esqueça isso por pouco menos de cinqüenta e nove minutos. depois você vai ter a eternidade pra voltar a falar mal, se “Hail to the thief” não te agradar.

nota 10,5

miau

Britânico é preso escondido em chaminé de pub

Um homem foi preso pela polícia britânica após passar sete horas escondido dentro de uma chaminé de um pub. O suspeito, detido pela desconfiança dos policiais em relação ao seu comportamento, foi encontrado no pub Twin Farms, da cidade de Newcastle – norte da Inglaterra -, depois de gritar por socorro. Na hora do interrogatório, afirmou que estava na chaminé para buscar um gato.

O resgate foi feito por bombeiros que usaram cordas para retirá-lo da chaminé. De acordo com a edição de hoje do Daily Telegraph, o suspeito não sofreu ferimentos graves. “Ele estava gritando e suando enquanto estava sendo içado, e partes da pele de seu corpo, como os dedos, estavam machucadas”, publicou o jornal.

nossa língua portuguesa

se o Mark Gardener, do Ride, olhasse pro meio da barriga ao invés dos pés, ele seria um umbigazer.

se o fígado número 1 da VIP se mudasse pra Escócia e resolvesse montar um projeto folk-acústico, a banda se chamaria Jardel & Sebbastian.

se alguém resolvesse fazer um bastard pop misturando Manchester e Paris, o disco poderia chamar-se pills and dots and thrills and loops and bellyaches and milky phases.

se o frio da Suécia acabasse, e os indies de lá fossem infames, sairiam às ruas gritando “tá Kent! tá Kent!”

se a Fiat resolvesse equipar todos os carros com ABS de série, poderia usar uma música do Turin Brakes para anunciar a boa nova.

se o editor da Zero fosse estudar os grupos com radical -OH da química orgânica, um dos compostos podia vir a ser o álcool petíllico.

se a irmã da Lucia fosse à banca comprar aqueles livrinhos do tipo Julia, Sabrina ou Bianca, poderíamos encher o peito e dizer: “Elvira quer romances”

é, eu sou infame.

umbigo

caramba, eu não costumo pensar isso, mas o post logo abaixo ficou DJENIAL. acho que é a primeira coisa nota 10 que eu coloco aqui nesta esbórnia em 2003. URRÚ, DETONEI, SOLTEI A COLEIRA DO PITBULL.