poeminha

eu odeio o “Mais”, caderno de haute culture que a Folha de São Paulo traz aos domingos. tirando, claro, quando rola Kenneth Maxwell e coisas sobre globalização em geral (cacete, eu adoro ler sobre o assunto…). normalmente eu não suporto o Millôr Fernandes na última página, gosto mais quando rola poemas. e nesse domingo que acabou de passar tinha um de uma tal Marília Garcia, lindo. queria escrever assim…

De dentro da caixa verde

I

como o sulco da caligrafia

chegando toda semana, como

o pulôver vermelho

que veste agora (não era

a volta pra casa, um consolo, nem

a limosine negra veio buscá-la

de outro poema)

uma noite que se estende

com os ruídos de um sono

distante – e se você levanta num

entressonho, parece outra cidade, quando chega

a luz do dia muito antes da hora – Não sei

em que mapa ficou Leeds

nem aquele passeio de mãos dubitativas

em torno da praça

II

de vestido amassado no pico

da montanha (o ponteiro dos segundos

rabisca o silêncio): – não sou

Felice
, sorria com calma, de dedos

trêmulos – é uma relação

virtual, eu vibro como esta estrada
. – olhos de gato

III

sobre a mala

a caixa de chá (não o desejo

de contar os aviões partindo

na pista sobre o mar) na passagem tinha impresso

o retorno (temos os dias contados? para

onde vai? sua voz de

neblina no escuro)

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airmail

Interpol – “Turn on the bright lights”

esse disco parece uma continuação do “Heaven up here”, do Echo & the Bunnymen (1981). presente do Lúcio. só ele pra me fazer tirar o Dire Straits que tava rolando antes…

nossa mãe tito misericórdia futebol clube prexeca!

da BBC:

Fim da proibição do chiclete em Cingapura gera polêmica

por Sonia Ambrosio, de Cingapura

O fim da proibição das gomas de mascar em Cingapura, que permitirá a venda chicletes para uso médico a partir de 2004, está dividindo a opinião pública no país, conhecido por suas regras rígidas de comportamento.

A vendedora Milini Choo, 23 anos, diz que o governo deveria liberar todos os tipos de chiclete. Já o comerciante Chia Che Keng, 38 anos, é a favor da proibição.

Cingapura baniu a importação, fabricação e venda de chicletes, alegando que gastava milhões de dólares com limpeza por causa da dificuldade de remover as gomas de mascar das ruas. A liberação do chiclete foi um dos mais difíceis aspectos dos dois anos de intensas negociações entre os Estados Unidos e Cingapura, segundo Tommy Kho, que representou o governo cingapuriano nessas discussões.

Uso médico

Para Tommy Kho, as longas negociações foram concluídas quando os dois lados chegaram a uma ‘solução habilidosa’ ao classificar certos tipos de goma de mascar como produtos de uso médico. Desse modo, apenas chicletes sem açúcar e prescritos por médicos e dentistas, com fins terapêuticos, poderão ser vendidos em farmácias.

A médica Lily Neo disse que, há anos, vinha pedindo ao governo que liberasse o consumo das gomas de mascar para fins terapêuticos. Uma delas seria a goma que contém nicotina e ajuda fumantes a lutar contra o vício. O farmacêutico David Woo disse que o setor de publicidade médica vem divulgando que o chiclete sem açúcar aumenta a produção de saliva e ajuda a combater bactérias que permitem o aparecimento de cáries.

Crime

O acordo comercial entre Estados Unidos e Cingapura, que derrubou a proibição, só entra em vigor em 2004. Enquanto isso, pessoas acusadas de importar chicletes podem ser condenadas a um ano de prisão e a pagar multa no valor de US$ 5 mil. A posse de chiclete, no entanto, não é considerada um crime, e turistas podem entrar no país com chicletes para consumo próprio.

Ao longo dos dez anos de proibição, a população cingapuriana encontrou diversas formas de burlar a lei. É comum, por exemplo, encontrar adolescentes cingapurianos atravessando a fronteira de Cingapura com Johor Baru, na Malásia, para comprar chiclete. Para a empresária Bilon Ng, de 40 anos e mãe de três adolescentes, a proibição do chiclete é ultrapassada. Já o marido de Bilon, Jack Ng, acredita que a proibição tenha ajudado a educar o cingapuriano sobre os efeitos indesejáveis de chicletes grudados nos assentos de cinemas e nas calçadas.

Livre comércio

O acordo de livre comércio entre Cingapura e os Estados Unidos é o primeiro do tipo em um país da Ásia e elimina tarifas no comércio de produtos eletrônicos, elétricos, químicos e de uso médico. O acordo inclui ainda os setores de turismo, telecomunicações e investimentos.

A proibição das gomas de mascar acabou se transformando em uma das mais famosas leis de Cingapura, país conhecido por ter uma das mais severas legislações para regular o comportamento público. Jogar lixo na rua, cuspir no chão, pichar muros, urinar em vias públicas ou fumar em pontos de ônibus são ações que podem ser punidas com multas pesadas e prisão.

A gota d’água para a proibição do chiclete aconteceu em 1992, quando jovens começaram a grudar gomas de mascar nas portas dos trens do metrô, o que impedia que elas se fechassem corretamente, causando atrasos e interrupções no transporte público.

site do dia

Advertising Slogan Generator: parece produto das Organizações Tabajara, mas é ainda melhor. Você coloca o produto/palavra, eles te dão o slogan pronto!

como exemplo, peguei pra cristo o site do Tax, o Spectorama. veja só as pérolas que o advertising slogan generator criou:

“Can You Tell Spectorama From Butter?”

“Everything We Do is Driven by Spectorama.”

“If You’ve Got the Time, We’ve Got the Spectorama.”

na minha cabeça, até um publicitário state-of-the-art com o Tax teria que quebrar a cabeça pra criar slogans magistrais como esse. clap clap clap!

polaróide

“vinte e seis reais na minha mão

(indo) pra Lexington, 125

me sentindo doente e sujo, mais morto que vivo”

(Velvet Underground – “Waiting for my man”)

tirando a parte de ir pra Lexington, me sinto assim agora…