clarinete

neste exato momento, enquanto estou em Brasília, a apanhar de um texto escrito em juridiquês, Ney está em Genebra, acompanhando um concerto do Nelson Freire com a Orchestre de la Suisse Romande, e Bruno está na Biblioteca Joanina, na Universidade de Coimbra, acompanhando recital da pianista Alda Leonor, dedicado apenas a peças de compositores brasileiros.

é o dia do concerto ostentação.

navegação

águas turvas e agitadas pela frente. não basta a navegação ser longa, ela tem de ser complicada.

para completar a metáfora náutica, descobri hoje a expressão “pacto de Ulisses“. conhecia a história, mas não sabia que ela designava algo na psiquiatria ou coisa assim. da minha parte, tenho um pacto de Ulisses comigo mesmo e com algumas pessoas próximas: não desistir da atual navegação, ir até o final. amarrado no mastro, vendo as piores coisas acontecerem, o canto das sereias me tentando; vou continuar, é a única coisa que interessa.

e é foda.

sessanta

em 2017, meu carro favorito, o Lancia Flaminia, completa 60 anos. foi lançado em 1957 e produzido até 1970, um ano depois que a Lancia foi comprada pela Fiat e começou seu longo declínio. o Driven to Write trouxe uma matéria ótima sobre o carro, que vale a pena ser lida.

até onde sei, a Lancia nunca foi oficialmente vendida no Brasil. o Flaminia teve poucas unidades produzidas (em torno de 12 mil) e eu nunca vi um pessoalmente. já vi até um Aurelia conversível, muito mais raro, mas nunca um Flaminia; mesmo assim, um dia terei um, com algumas modificações sutis. o meu será um Pininfarina cupê, o mais comum de todos, mas o carro mais incrível já produzido.

marmota

carnaval, por aqui, é pedir para não sair de casa: tentei, ontem, e foi a maior furada de todos os tempos. só desgosto. nem a companhia de um grande amigo, mestre Cláudio Bull, salvou a tentativa.

só liguei a tevê para assistir às 500 milhas de Daytona, uma boa corrida com um final sem graça.

mas não posso falar mal do carnaval, ainda que não goste (e não gosto mesmo): cinco dias seguidos com a possibilidade de dormir até tarde é algo muito bom. ainda que eu não possa aproveitar.