gatorade

o corpo e a cabeça já estão pedindo arrego. a todo momento. mas agora é que entro na fase de maior esforço, da qual, com sorte, só me livrarei em outubro.

quatro meses de pura neurose e falhas físicas como a de ontem à noite. que Deus me proteja.

matraca

meses atrás, em alguma conversa aleatória, o Alexandre me disse que sou responsável por alguns autores portugueses, notadamente o Pedro Mexia e o João Pereira Coutinho, serem lidos no Brasil. não acho que seja verdade, mas na hora fiquei envaidecido: comecei a ler os dois na “Coluna infame”, em 2002 ou 2003, matando aula de direito civil na sala de informática da faculdade. e descobri o blogue deles porque recém havia sido atualizado e o Blogger avisava das páginas que haviam acabado de receber posts novos. o conteúdo era tão bom que eles passaram a ser citados nesse modesto blogue, que, desidratado, já vai para quinze anos de vida. alguns amigos passaram a lê-los, JPC virou colunista da Folha online em 2005 ou 2006 (e, depois, passou para o jornal impresso), enquanto o Mexia continuou a publicar (inclusive no Brasil) e virou assessor do presidente português.

então, será que sou mesmo o responsável por eles serem lidos no Brasil? creio que não. mas, dentro de mim, gostaria que essa história fosse verdade, porque é algo que me daria algum orgulho genuíno (aquele que os franceses chamam fier, em oposição ao orgueil). de qualquer jeito, torço para que eles (e para outros portugueses) publiquem cada vez mais e que sejam cada vez mais conhecidos no Brasil – diminuindo, assim, nossa distância dessa cultura irmã que, à exceção dos clássicos, tão pouco conhecemos.

Roger Moore

essa semana, Roger Moore morreu. não é meu James Bond favorito (alguns leitores daqui sabem que é o Daniel Craig), mas nem por isso o Moore era ruim; ao contrário. Marc Haynes, roteirista em uma produtora de audiovisual, contou uma história fantástica, sobre quando encontrou Moore duas vezes; uma, em 1983, no aeroporto de Nice; a outra, em 2006, trabalhando para o UNICEF. tão boa que foi ilustrada pelo cartunista Alex Paterson, conforme abaixo.

(se precisar, amplie para ler; vale a pena)

ainda estou aqui

é só que ando vivendo um pouco, então sobra pouco para escrever. a memória está, como dizia André Malraux, gravando tudo. uma hora, escrevo sobre. a câmera do celular também está registrando coisas.

como é bom ter outra vida, pouco ligada à vida “normal”, pelo menos de vez em quando.

nosso homem em Washington

comemora-se, hoje, o centenário do nascimento do grande Roberto Campos (1917-2001), o maior aforista da história do Brasil, diplomata e político. o único cara que admiro em 500 anos de funcionalismo público do país. e que faz uma falta imensa: adoraria ler ou ouvir o que ele diria da situação política do país nos dias de hoje.

um lanche, parte 1

na semana passada, na refeição livre que tenho durante a semana (estou de dieta, e efetivamente a sigo), fui comer no 180, fuditrãque brasiliense que faz um dos melhores hambúrgueres da cidade (o Burger Club, na entrada da 210 Sul, é outro lugar que faz um excelente). enquanto esperava meu lanche, conversei com um tiozão viciado em hambúrgueres, que me disse que o Páprica Burger era o melhor da cidade, com o 180 vindo logo atrás.

já me tinham falado bem desse Páprica e decidi que, quando tivesse uma oportunidade, iria lá. ontem à noite, chegou a vez: antes de ir, consultei o que a internet dizia a respeito, sendo que havia o alerta de que a casa, instalada em um contêiner (!!!) no Eixinho Norte (!!!), na altura da 204, tem poucas vagas de estacionamento, o que implica deixar a viatura nas mãos de um manobrista, morrendo com R$ 10 nesse processo.

sabendo disso, estacionei o carro na 204 Norte, a quadra dos oficiais da aeronáutica, e me preparei para atravessar o Eixinho por baixo, naquelas passagens mal conservadas. só que… surpresa: a 204 norte não tem uma passagem! com isso constatado, dei uma volta maior, atravessei pela tesourinha e cheguei até o Páprica. tudo isso para economizar R$ 10, porque meu dinheiro não dá em árvore e acho surreal uma lanchonete em posto de gasolina ter manobrista quase obrigatório. peguei a fila, fui escolhendo o pedido e optei por uma chutada de balde em grande estilo: o hambúrguer “inglês” (com cheddar, bacon e cebola frita), chips de vários legumes (cenoura, batata doce, inhame, batata e algo que não lembro) e um milkshake sabor… churros.

a combinação saiu por R$ 56 – não é barato, definitivamente. mas o hambúrguer é primoroso, e só não leva nota 10 porque o bacon, pobre coitado, é seco demais. peça seu lanche sem bacon, e ele incrivelmente será melhor. os chips são perfeitos, e o Páprica tem o melhor ketchup de todos os tempos: feito pela casa, a casa sabe dos predicados e o vende em garrafas para que se possa consumir alhures. recomendo que todos provem o ketchup deles, inclusive aqueles que não piram na iguaria, porque é daquelas que ensejariam um livro da coleção Primeiros Passos, da editora Brasiliense, a ser intitulado “O QUE É KETCHUP”. vai bem tanto no sanduíche quanto com os chips.

o milkshake de churros é delicioso, mas esconde um problema: é exponencialmente cansativo. você começa achando que vai tomá-lo tranquilo, mas, depois da metade, ele fica difícil de ser terminado – a dificuldade sobe em progressão exponencial crescente. dessa maneira, um milkshake de churros atende bem a duas pessoas, não há necessidade de cada um pedir o seu. no final das contas, o Páprica é excelente, mas podia ser melhor localizado ou, ao menos, ter um estacionamento decente. como a casa vive lotada, não creio que os donos pensarão demasiado sobre isso.

no mais, o Páprica Burger tem um ambiente bem hipster, com tudo envelhecido de propósito, frequentadores vestidos como tais (tinha até uma menina no estilo vedeta anos 20 numa das mesas) e uma trilha sonora que muito me agradaria quinze anos atrás – de Feist remixada a The Coral, uma daquelas bandas que o New Musical Express vendeu como a salvação do rock ao longo de oito ou nove dias, e despontou para o ostracismo logo depois. entretanto, como estamos em 2017 e eu pouco ouço essas porcarias hoje em dia, achei a trilha sonora uma merda. música pop, aliás, é uma merda, com raras exceções.

daí atravessei o Eixinho por cima, para voltar ao meu carro, e, na entrada da 204 Norte, deparei-me com um trailer de cachorro-quente. mas isso é assunto para a parte 2.