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O trecho mais impiedoso sobre os brasileiros reproduzido pelos pesquisadores no livro 1964 – O elo perdido coube ao agente Václav Bubenícek (codinome Bakalár): “Um brasileiro, ao contatar com um estrangeiro, possui uma tendência em fazer uma grande quantidade de promessas, já supondo que não cumprirá nenhuma delas”. Referindo-se à classe média urbana, ele diz que “são pessoas preguiçosas e bem levianas, com as quais não se pode contar”. “Os brasileiros de classe média frequentemente surpreendem um europeu com uma longa lista de faculdades e cursos que terminaram; mas, na verdade, o conhecimento adquirido por eles é muito superficial, o que significa que no Brasil, por regra, encontramos pessoas ignorantes, que, mesmo com numerosos títulos científicos, não chegam aos pés da nossa gente com formação primária”, finaliza.

o serviço secreto checoslovaco definiu os brasileiros como preguiçosos e levianos. quem pode censurá-los?

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coisas que eu nunca te disse #116

ninguém tem o direito
de me achar reacionário
não acredito no teu jeito
nevolucionário

eu sei que você acredita
nas notícias do jornal
mas tudo isso me irrita
me enoja e me faz mal

(Engenheiros do Hawaii, “Fé nenhuma”, 1986. Humbertão anteviu 2018)

afogador

desde 2011, uso óculos o tempo todo: meio grau já é suficiente para sentir o astigmatismo incomodando. nunca tive problemas com óculos e até acho legal. mas, ultimamente, percebi que usar óculos me impede de fazer um facepalm caprichado. assim sendo, o jeito é apelar para o princípio de que a ignorância é uma bênção e tentar não ter muito contato com a vergonha alheia.

mas a gente é gente, né?

Salamanca

hoje, eu estava usando uma camisa vermelho-vinho. quando cheguei em casa, ao tirá-la, percebi que Julieta Nibelunga, a minha gata, estava por perto. tirei a camisa e resolvi chacoalhá-la bem lentamente, para saber se é possível tourear um gato.

Julieta deve ter achado tudo isso um saco e saiu correndo.

onipresença (ou: setembro ao inverso)

o horário de verão se foi em meados de fevereiro, mas é agora que o bicho começa a pegar. os dias mais curtos e a (pequena) baixa na temperatura, com alguma chuva ainda rolando no meio do mês de abril do ano da graça de 2018, deixam tudo um pouco melancólico. mas não reclamo: gosto disso. como cereja do bolo, ainda tem aquela missão espinhosa a que me dedico.

nos últimos dias, face à necessidade de trilha sonora para ouvir enquanto mexo em uns textos, enquanto trabalho de casa, fui para o Youtube procurar algumas playlists longas de música amena. tenho o Spotify, mas ainda não mexi nas listas que outros usuários fazem por lá. acabou que caí em umas listas de bossa nova, aquelas cheias de medalhões, cujas letras se aprende, involuntariamente, desde criança.

todas, ou quase todas, tinham as “Águas de março” no meio, na versão mais conhecida (e definitiva). ouvindo essa música repetidas vezes em um intervalo de tempo relativamente curto, dei-me conta de como gosto dela e do disco em que ela está (“Elis & Tom”, de 1974). comprei o disco há mais de dez anos, quando foi reeditado numa versão à altura de seu conteúdo, e agora voltou a ser executado por aqui. não é mais março, o verão já acabou, mas as chuvas e o disco permanecem.

esse cenário melancólico é meio que uma versão invertida do mês de setembro, aquele em que Brasília é de uma aridez desgraçada e que, por isso, a melhor trilha sonora é mais pesada. independente da temperatura, abril marca o começo da fase mais pesada do ano, e a mais ingrata. sei que é uma fase, sei que uma hora acaba. esse post é apenas para marcar uma respirada funda antes de descer ao inferno em mais uma Cruzada, contra os mesmos demônios, que se repete ano após ano.

espero eu ter resultados diferentes dessa vez, e não repito a mesma fórmula. mas tenho pânico daquela frase que diz que “a definição de insanidade é fazer a mesma coisa repetidamente e esperar resultados diferentes” – e que não é do Einstein. insanidade, mesmo, é se forçar a reinventar-se de tempos em tempos por conta dessa frase.

mas essa neurose não combina com bossa nova, nem com o clima quase ameno que faz agora. então, deixa eu voltar para a minha missão.