Viseu

parece ser a mesma coisa a ter-me atingido. é cíclico. é sonâmbulo. é a solução perfeita para um problema imaginário. mas então como ele foi parar no plano da realidade?

*

caiu-me no colo. tenho que levantar a cabeça e visualizar o jogo antes de continuar, sem que me demore, ou a cinza das horas vai consumir (mais) essa possibilidade. eu tenho sono, eu tenho uma aspirina, eu tenho uma supremacia.

eu tenho o mundo em minhas mãos.

*

você envelheceu e ganhou rugas
eu continuei com dezessete.
você sentiu luxúria depois de vários
eu deitei-me aqui com uma.
você confiou em sua solidão
eu sobrevivi sozinho.
você disse que nunca poderia me amar
eu te despi do seu vestido.

Leonard Cohen, “Is this what you wanted”, 1974. não faz muito sentido agora, mas é bem-vindo.

*

cadê aquele cabeça de prego do Gabriel?

jantar

Desde que concluí o curso, assisti talvez a três provas públicas em Direito. Tinham todas um elevado grau de exigência e de hostilidade. Mas o que me impressionou foi a latitude com que os arguentes fazem considerações estranhas ao mérito académico. Ouvi mesmo um deles em inaceitáveis graçolas politiqueiras, em vez de discutir questões jurídicas.

É por isso que acredito piamente que um candidato (a qualquer grau ou estatuto) possa ser chumbado ou prejudicado por razões políticas. Os académicos são geralmente uma cáfila da pior espécie, e quando se juntam egos desmedidos e mesquinhices ideológicas, vaidades e vinganças, então a universidade é simplesmente um tribunal arbitrário e injusto.

Pedro Mexia, mais uma vez tirando as palavras da minha boca.

salada

camila says: (16:09:32)
minha faculdade so tem gente feia.. e sem classe e gosto
kevlarsjäl says: (16:09:35)
:/
camila says: (16:09:42)
eu fiquei com vergonha na minha colacao
camila says: (16:09:44)
juro
kevlarsjäl says: (16:09:50)
gente feia não rola. sou alérgico
camila says: (16:10:04)
pois eh passei 6 anos com minha rinite atacada hahaha

canhota

acabei de rever “Match point”, e vibrei (!!!) de novo (!!!) a cada vez em que o Chris não era pego pelo que fez. eis aqui umas rápidas divagações sobre o filme:

- a Emily Mortimer é uma “feia que é gata”, a exemplo da Kirsten Dunst, dentre outras. você até pensa em se envolver com alguém como ela no começo do filme;
- só no começo porque… bem, assim que aparece a Scarlett Johansson, match point para ela. você perdeu, está apaixonado. eu mesmo perdi;
- não é um filme muito Woody Allen? não é nada Woody Allen. é inglês, é psicótico de outro jeito que não o dele, tem algo que o Marcio depois colocou, creio eu que de forma inconsciente, em “Colorama”, a melhor canção do Sestine, ainda não gravada;
- é um filme onde se quer viver: conhecer aquelas pessoas, trabalhar e passear naqueles lugares, usar aquelas roupas, comer naqueles restaurantes, tirar aquelas férias. alguém?

fora isso, desliguei o reprodutor de DVD e coloquei na MTV. deparei-me, então, com a seguinte seqüência de clipes: “Lady Marmelade”, com as quatro assanhadas da trilha do “Moulin Rouge” (nota 7); “How soon is now”, dos Smiths (nota 1), “Starlight”, do Muse (9 pro clipe, 2 pra música, que é linda mas é cópia deles mesmos, então média 6), “Walkin’ in my shoes”, do Depeche Mode (fase ruim deles, nota 5) e…

e…

e…

aí a MTV passou o “To kill a dead man”, curta-metragem que o Portishead fez em 1993. lindo. doce. fatal. um beijo macio com gosto de cigarro. fiquei apaixonado. que oito minutos mais perfeitos, mon dieu. aí rolou Nine Inch Nails,, She Wants Revenge, Amy Winehouse… mas agora eu só quero saber de música eletrônica estilo Jovem Pan e de sertanejo, parei de mexer com essas porcarias todas – menos o Portishead, É CLARO. agora com licença, vou fazer minha seqüência Portishead – Babado Novo – Edson & Hudson – uma aspirina – minha cama. e boa segunda pra todos nós.

rede boato

segundo o Rodrigo, corre na Bahia o boato de que o ACM morreu faz uns cinco dias, mas que estão segurando o anúncio oficial para esta segunda, que é feriado de indepedência da Bahia. tipo um Tancredo 2, sabem? é a prova de que, em vinte e dois anos de redemocratização o Brasil não aprendeu porra nenhuma…

(se o boato procede eu não sei. hoje veremos…)

pólis

final de semana improdutivo, acordando tarde, sem a resposta que eu queria e que só deve sair amanhã. medo? bastante. tenho bastante medo daquilo que não tenho motivo, e nenhum medo do que deveria ao menos tomar cuidado. aparentemente, há uma solução aparente.

tão aparente que não consigo ver.

de cadências

acabei de assistir “Match point”, depois de ver uma porcaria aí no Telecine Light. odeio admitir isso, mas é um belo filme. maldito Woody Allen.

*

e para agora, o que temos? os primeiros raios de sol
três revistas ainda por ler
o treino da Fórmula 1 às nove
mas acho que vou dormir. bom dia a todos.

niilismo

troquei o gesso hoje. dessa vez me deram um pós-moderno, menor, mal acabado e mais leve, que deixa meus dedos à mostra. penso em pintá-lo de lilás, com detalhes nas cores da bandeira de Gana (verde, vermelho e amarelo, burro) e em laranja. ainda não sei como vai ser, mas queria mesmo transformá-la em uma obra de arte. fico com ela por duas semanas, depois minha mão será imobilizada de outro jeito, como mencionei.

pode ser que tenha gente pensando que minha rotina é enfadonha. acordo meio-dia, penso no que vou comer e como. me arrumo para sair e fico no MSN tentando descobrir qual é a boa. daí dedico um tempo à juntada de documentos do caso e de umas outras coisas que preciso resolver. de vez em quando passo na XP Investimentos, para ver como estão meus papéis de ITSA4 e outros que andei comprando. bebo litros de Aquarius Fresh e refrigerante dietético. volto pra casa e espero pra fazer a boa da noite. estive em dois concertos e um jogo de futebol essa semana, e adorei. e cortei meu cabelo, voltando a ser gato.

paralelamente à recuperação da minha mão, estou um pouco preocupado com meu novo carro, que ainda não sei qual será mas, como disse, precisa ser doce como um beijo, espaçoso para caber meu ego e ainda não ser feio como o Corolla. mas tudo se resolve. e hoje, bora ver a Nancy no Gate’s e depois assistir a um filme água-com-açúcar de madrugada?

abono

terça-feira, na abertura da Copa América, jogaram Venezuela versus Bolívia.
eu torci pra que os dois perdessem.

hoje estão jogando Argentina e Estados Unidos, no exato momento em que escrevo isso o juiz pôs termo ao primeiro tempo.
queria que os dois ganhassem.

(e sim, eu adorei o cupim mexicano ontem, vocês sabem da minha política patriótica: quando o futebol ganha, o Brasil perde)

cisterna

nervos à flor da pele, que muda de cor. a respiração corre noutro ritmo, e em segundos sou sufocado… pelo excesso de ar. a pressão aumenta, o coração dispara: é tanto sangue nas veias que o gesso vai esourar – mas só depois do coração e da cabeça, nesta ordem. não é uma situação qualquer, é um banho de adrenalina. e daqui a pouco tem mais.