some a música abaixo com a coluna do JPC publicada na Folha de terça-feira, uns posts abaixo: este sou eu hoje.
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coisas que eu nunca te disse #101
in the clearing stands a boxer,
and a fighter by his trade
and he carries the reminders
of every glove that laid him down
and cut him till he cried out
in his anger and his shame,
“I am leaving, I am leaving.”
but the fighter still remains
(Simon & Garfunkel, “The boxer”, 1969)
mas hoje…
… é dia de lembrar do Álvaro de Campos, pseudônimo do Fernando Pessoa, e seu “Poema em linha reta”. em dois trechos específicos:
eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas
(…)
eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas
só. não vou nem falar do “estou farto de semideuses”. não estou. até porque os poucos semideuses com quem convivo não me dizem nada. deles estou farto, mas tenho consciência de que não são semideuses.
prontuário
estou de atestado médico: do trabalho, da atividade física, da sociedade.
não estou achando ruim. mas é desconfortável, e isso precisava ser dito.
falência
isso aqui não tá legal, continuo escrevendo pouco.
mas esse mês de setembro está pesado: provas, trabalhos, leituras, cheque especial. um colapso atrás do outro, e eu vou sobreviver a todos.
antiinflamatório
os exames deram bons resultados. agora não há mais o que culpar.
furacão
oi, tudo bem? estou de volta… e não fui nem capaz de dizer que estava indo a algum lugar.
desculpe. viajei com a patroa, fomos ao Peru no sábado retrasado e voltamos na madrugada de ontem. nove dias, bastante coisa pra contar, claro. vou retomar isso aqui e dar detalhes, vou falar de outras coisas também. do futuro e sei lá do que mais.
mas bem, lá vêm 45 dias de destruir qualquer um.
refrigerador
fiz uma pequena faxina no Google Reader, tirei algumas coisas que raramente lia – a maior parte delas, por ter se provado irrelevante. assinei achando que poderia ter alguma coisa legal ou que eu fosse precisar, o que raramente ocorreu, mas não foi o que vi.
foi a primeira vez que tirei coisas de lá, e foi bom. foi como arrumar a casa e jogar fora coisas físicas que não se usa mais.
*
jogar fora o que não se usa mais abre espaço para outras coisas: semana que vem tem projeto novo. estou com frio na barriga, o que é um pouco estranho – eu não tenho nada a perder, não deveria ser assim. mas tem coisas que a gente não controla. não sei o que isso vai me trazer no final, mas acredito em coisas boas a caminho.
*
acordei agora há pouco e liguei a tevê. passando pelos canais, deparei-me com o final de “Gatinhas e Gatões”, um daqueles filmes que, se não é arte, é obra-prima do entretenimento. infelizmente foi bem a cena final, aquela que toca essa música… quando estou à toa e me deparo com alguma reprise de filme do John Hughes, não consigo fazer outra coisa senão assistir até o final. vou atrás dos DVDs…
infarto
um adendo ao post passado, que uma cocainômana candanga me ensinou uns dez anos atrás: a esperança não é a última que morre, é a primeira que mata.
deal with it.
flor de sal
incrível como coisas aparentemente tão inocentes, vindas de lugares que às vezes você nem imagina que existem, podem te botar para baixo. incrível.
mas bem, o próximo post vai falar de coisa boa. vai falar da iogurteira Top Therm.
lá longe
alguém lá fora me entende: obrigado, Economist.
on fire
eu já sabia que para ser grande é preciso trabalhar para caramba, e se preparar para isso.
chegou a hora de arregaçar as mangas e arriscar. fazer da melhor forma possível, ir atrás, tentar.
ao vivo
é bom ter a sensação, num momento difícil, de que você está com a pessoa certa, que a ama e a quer contigo. porque se o é nessas horas, também será nos bons momentos.
alvorada
bom dia, bupropiona. você veio para fazer minha vida melhor?
tabla
a melhor música do Tricky explica um pouco da minha relação com as provas que fiz ontem. é só trocar “record deal” por “concurso público”, o “I chill and I smoke herb” por “eu estudo e decoro coisas” e o “and when a record company drops me, that’s when I learn” por “e quando eu faço merda, a estabilidade me mantém no cargo”.
fácil. mas sabemos que essa realidade é irreal, num sentido mais amplo.
sumiu?
oi, ainda estou aqui. sinto falta de escrever aqui, mas outros fatores me puxam para longe do blógue – vocês sabem o que são. e talvez saibam que isso está perto de acabar: falta pouco, bem pouco. então torçam para que tudo dê certo e que na volta eu já esteja onde quero chegar.
busca
“no quinto set eu perdia por 4-2, [a parcial do sétimo game era] 30-15 com o [Rafael] Nadal sacando. o jogo estava quase perdido, eu já estava no limite das minhas forças… mas aí lembrei que o Nadal também estava na mesma situação… procurei mais um pouco de forças e achei… e deu para virar o jogo.”
isso aí quem disse foi o Novak Djokovic, depois da final do Aberto da Austrália desse ano. coloquei aí porque é uma situação pela qual estou passando, talvez mais alguém por aí também esteja. então força, galera. força.
preciso
que o dia 1º de fevereiro chegue logo. e que a metade de março não esteja muito longe também.
tenham paciência
escrever é só uma das prioridades do momento.
inadiável
mais uma vez, porque merece: eu amo meu tio. amo. sério. tem horas em que só ele para me mostrar o caminho.
compromisso
acabei de saber que não vou perder o Grande Prêmio da Austrália de Fórmula 1, no dia 18 de março. que bom.
balança
eu tinha nove metas a cumprir em 2011, e agora estou vendo como fui: quatro foram cumpridas integralmente, duas parcialmente e uma foi radicalmente descumprida até agosto; a partir de setembro, pelos problemas que isso me causou, cumpri-a radicalmente. e duas ficaram para trás – ou para frente, nesse caso. uma delas virou a meta número um, dois e três para o ano, e a outra não tem chances de acontecer em 2012.
mas só vou me detalhar nisso hoje à noite, ainda estou com muito sono.
parente
quatro anos atrás, como alguns aí podem se lembrar, conheci meu avô paterno, João. forte como um touro, e arredio ao convívio social como sempre foi ao longo da vida. é estranho lembrar que venho dele, já que nosso contato ao longo da vida foi tão pouco. essa semana voltei lá e o vi mais uma vez: ele viu meu tio entrando, olhou para mim e logo perguntou “quem é você?”.
e olha, ele não tem Alzheimer. estranho ouvir isso de um avô que não tem isso, mas é a vida. conversamos sobre o reboco do telhado, o papelão do Santos perante o Barcelona (ele também é santista), sobre Brasília, sobre o dedo quebrado dele – em um acidente durante a reforma da casa, e o dedo, inchado que só, não foi sequer imobilizado com aquelas tipoias metálicas. na saída, disse a ele que quero chegar à idade dele (86 anos completados em 1º de setembro último) com a mesma saúde, e ele assim desejou e me deu a bênção.
é, vô… o senhor é o tipo da pessoa sobre a qual não sei o que pensar.
coisas que eu nunca te disse #95
I want to stay but my time is wasting
The magic lawns call my name
I want to fire a missle launcher
But I know I need to stay
(Pavement, “Date with IKEA”, 1997)