let’s go

umas coisas legais…

- em Toronto, brechó virou mainstream. de verdade, a ponto de trazer gente de outros lugares;
- por aqui, descubro, extasiado, que o mestre Juca Chaves já teve um Lancia Flaminia. sim, ele já teve setenta e tantos carros fantásticos, mas ele é o único brasileiro que sei que teve minha viatura preferida de todos os tempos;
- mais uma página legal sobre moda para homens;
- como sobreviver um mês à deriva, igual dois caras de Kiribati conseguiram.

geral

O argumento adulto é que a felicidade depende da estabilidade. Percebo essa identificação, reconheço que faz algum sentido. Mas não é a minha experiência. Só fui feliz quando estava instável, e sempre que encontrei a felicidade encontrei-a na vizinhança da infelicidade, entre enigmas e perigos. Longos períodos estáveis, por opção ou cansaço, nunca me trouxeram felicidade alguma. A estabilidade gera estabilidade, que gera tédio. E o tédio não é vida. Só me senti vivo em momentos instáveis, nos quais era me impossível separar a infelicidade e a felicidade, o medo e a glória. O argumento adulto não me serve de nada.

Pedro Mexia, O CARA.

curau

I visited Iggy [Pop] in the studio. Somebody showed us a clipping with a personal ad, a young woman looking for “a man with the mind of Leonard Cohen and the body of Iggy Pop”.

We wrote a polite letter suggesting we meet sometime, both signed it and placed my telephone number under it.

The girl answered. Unfortunately, her only interest was in leading profound conversations.

Leonard Cohen, o gênio. fazia tempo que eu procurava essa história, só hoje achei uma página que contasse como foi.

berimbau

peguei (de graça, na portaria do meu prédio) um exemplar da nova revista do shopping Iguatemi. na capa, um grupo de famosos, todos vestidos de branco. inclusive a Bebel Gilberto, que vi ontem, no programa do Amaury Jr., com ambos bebaços e cheiradaços. muito engraçado:

mas não basta isso para uma capa ser vacilo. tem que ter algo mais constrangedor, e tem mesmo: citação da Clarice Lispector, a escritora mais chata de todos os tempos da língua portuguesa. o que torna ainda mais atual a campanha que o Bruno me enviou:

o Rogério Ceni da literatura brasileira, diria Milton Leite

massa

no sábado passado, depois de acordar feliz com a ida ao Bar Secreto, eu e a patroa ficamos enrolando no hotel e não saímos para tomar café da manhã (não estava incluso na diária). mas como havia a Casa do Brownie bem defronte ao hotel, foi nossa primeira escala assim que descemos, no final da manhã. se o brownie da Boulangerie da 306 Sul é ortodoxo, os dessa casa especializada são de todo tipo que se pode imaginar: com massa crua por cima, com recheio de doce de leite, com brigadeiro, para comer de colher… é absurdo. e é muito bom: não comemos muito, já que estava perto da hora do almoço, mas o suficiente para nos manter enquanto dávamos um rolê pelas imediações da Oscar Freire.

é, Oscar Freire, aquele nome que virou sinônimo de coisas bonitas e que geralmente vem associado a esnobismo, gente diferenciada, ostentação. muito disso procede, mas dá para gostar dessas coisas sem ser afetado. uma parada na Livraria da Vila, cuja loja na Alameda Lorena é um prodígio de arquitetura e de conteúdo, depois uma galeria com algumas barracas, tipo um BSB Mix, e a sucessão de lojas fantásticas. terminou com um almoço no Santo Grão (meu picadinho estava bem… ahn, “exótico”) e a Cláudia Ohana almoçando junto a um cover do Breno a umas três mesas.

cabe aqui um parênteses: a patroa tem feito com que eu beba café. “tem feito” é jeito de dizer, eu acabo tomando sem ser coagido, e é bom que seja assim: acho um saco tomar café no trabalho, junto com os funcionários públicos, por melhor que seja o café (e não é grande coisa).

voltando, passamos na Casa Santa Luzia e saímos de lá com vários chocolates e água; a essa altura, a Lu não estava se sentindo muito bem e voltamos para o hotel. à noite, com ela recuperada, fomos encontrar Jonas e Elisa no Conjunto Nacional e de lá fomos ao La Tartine, um bistrô bem gostoso perto da Consolação. não os via desde o show do Radiohead e ficamos falando de intrigas editoriais, corporate bitching, estantes cheias, questões judaicas (nenhum de nós é judeu, mas e daí?). ganhei deles um exemplar da última Dicta & Contradicta, e de lá voltamos para o hotel antes de sair de novo.

isso foi um erro grave, já que normalmente a gente apaga se fizer isso – e foi o que aconteceu. não fomos ao Alley, já que apagamos enquanto assistíamos a RAI – nessa ocasião, descobrimos que o “Fantasia”, aquele programa que o SBT passava, foi inspirado num programa italiano chamado “50 mulheres”, do qual vi umas imagens de arquivo no canal.

no dia seguinte, nada muito profundo: café da manhã na Benjamin Abrahão (de onde a Pão Dourado, de Brasília, retirou sua logomarca) e almoço com meu cunhado e sua senhora no Ritz. o chefe, que come lá pelo menos uma vez por semana, sugeriu os clássicos bolinhos de arroz e o filé à milanesa com creme de espinafre e fritas, o que segui. a patroa foi de agnolotti de muçarela de búfala ao sugo, que tinha um toque de laranja.

minha escolha foi boa, mas a dela dava de dez. não, de vinte. pqp, que massa deliciosa.

não quis a sobremesa (mas tomei outro café) e de lá fomos ao aeroporto de Guarulhos, já que no sábado a Avianca havia cancelado nosso voo alegando motivos técnicos – eles devem querer que acreditemos que o avião quebrou com um dia e meio de antecedência. no caminho, passando em frente ao CT da Molambada. numa das paredes do lugar lia-se a frase “PROPRIEDADE DA NAÇÃO CORINTHIANA”, em letras suficientemente grandes para que qualquer um na rodovia Ayrton Senna lesse.

chegando mais perto de Cumbica, ao ver os dois presídios daquela região, disse à patroa que esses dois prédios também eram propriedade da nação corinthiana. minha cunhada, ingênua que só, perguntou ao marido se o Corinthians tem presídio, e no banco de trás eu consegui me segurar para não explodir de rir da coitada. uma piada involuntária para encerrar com chave de ouro o final de semana em São Paulo…

bupropiona

Quando Quintana tinha cinco anos, seus pais chegaram em casa certa noite para descobrir que ela havia chamado um psiquiatra de uma clínica das redondezas para perguntar a ele o que deveria fazer se estivesse ficando louca. Cerca de um ano depois, perplexo, o casal descobriu que ela havia ligado para a 20th Century Fox para perguntar o que era preciso para se tornar uma estrela de cinema.

isso aí é de um texto do “Valor Econômico” sobre o novo livro da Joan Didion – Quintana é a falecida filha dela. uau.

lavada

compro uma briga enorme com meus amigos de outras posições políticas quando defendo o Reinaldo Azevedo, mas quando ele escreve posts como esse e esse, sei que o cara é bom. ainda que o outro lado insista naquela história de que “bom mesmo era nos tempos de Merquior, Nelson Rodrigues e Roberto Campos”, como diz o primeiro texto.

e caramba, se o Vaticano desse retweet em algo que escrevi eu voltaria a atualizar meu twitter agora mesmo.

auricular

duvido que meus timpanos resistam a hoje. estou ouvindo música num volume altíssimo, nos fones de ouvido, aqui na Telerj, por conta do barulho que as pessoas estão fazendo – e que dinamita minha concentração (estou cheio de textos para escrever). o pior fica por conta de um colega, a menos de cinco metros, que replica os grunhidos que ouve do outro lado da sala. já disse a ele que isso me incomoda, perguntei se ele queria que eu ligasse do outro lado da sala para pedir que o volume seja moderado – e não, ele quer é grunhir junto. puta que pariu.

fugaz

(…) se você ama alguém, compre alguma coisa. Um fenômeno relacionado a esse é a transformação do verbo “curtir” (“like”, em inglês) que, graças ao Facebook, deixa de ser um estado de espírito e passa a ser um ato que desempenhamos com o mouse – deixa de ser um sentimento para virar uma opção de consumo. E curtir é, no geral, o substituto que a cultura comercial oferece para o ato de amar.

(…)

se pensarmos nisso em termos humanos, e imaginarmos uma pessoa definida pela ansiedade desesperada de ser curtida, qual é o quadro que vemos? O de uma pessoa sem integridade, descentrada. Em casos mais patológicos, vemos um narcisista – alguém incapaz de tolerar em sua autoimagem as manchas que seriam representadas pela possibilidade de não ser curtida e que portanto busca uma fuga do contato humano ou se dedica a sacrifícios cada vez mais extremos da própria integridade com o intuito de ser curtida.

(…)

já que nossa tecnologia não passa de uma extensão de nós mesmos, não precisamos desprezar seus traços manipuladores como faríamos no caso de pessoas reais. Trata-se de um ciclo interminável. Curtimos o espelho e o espelho nos curte. Ser amigo de uma pessoa significa apenas incluí-la na sua lista particular de espelhos elogiosos.

Jonathan Franzen, num artigo publicado meses atrás no “Estado de S. Paulo”. só o descobri agora (vi aqui). é ótimo.

também

disposto a acabar com o estado de sono que impera durante o meu dia, conversei com a chefe e com o meu treinador, e fiz uma pequena mudança nos meus horários, tentando ver se fico mais disposto. agora vou treinar antes de ir para a Telerj, nos dias de menor movimento, e deixo o final da tarde e a noite livres para dormir um pouco – já que não consigo dormir tudo de uma só vez.

hoje fiz isso e me senti um pouco melhor, mas é preciso observar uma melhora no longo prazo, e que dê para conciliar tudo o que preciso fazer. acordei às 6:45, como sempre, preparei e tomei o café da manhã, fui para o treino, voltei para casa, tomei um banho e fui à Telerj. saindo de lá, voltei direto para casa, dormi por uma hora e meia, acordei e fiz o que precisava: até o jantar de amanhã está pronto e parte da louça está lavada – duas coisas impensáveis em um dia comum.

ainda preciso observar se meu sono hoje será melhor, mas um pouco de mudança não tem como me fazer mal, no nível de cansaço que eu estava apresentando.

ortodoxia

na sexta-feira, com a patroa e eu num hotel na Alameda Itu, as coisas ficaram ainda mais divertidas. primeiro vimos, bem na frente do hotel uma casa especializada em brownies, que deixamos para o dia seguinte. jantamos com Pedro (que aniversaria hoje), Mayara, Eduardo e Shayma Chaimaa no 210 Diner, que me matava de curiosidade. pedi o Piggy Burger, um hambúrguer com costelinha de porco desfiada, delicioso – e acompanhado pelos melhores anéis de cebola que já provei na vida.

não é que sejam só os melhores: também são mui diferentes de todos os outros. fininhos, muito secos, crocantes. quando vi o Benny Novak, dono do restaurante, numa mesa, senti vontade de pedir a ele que me ensinasse a fazer essa cebola, para sentir menos falta dela aqui em Brasília. ou então de pedir para que ele abrisse uma casa aqui na roça, mas isso deve ser mais difícil. o hambúrguer foi acompanhado de chope da Bamberg, tanto o pilsen quanto o de trigo, e foi seguido por um devil’s food cake que, apesar de inferior ao do América, também é delicioso.

depois do jantar, a patroa e eu nos encontramos com o Thiagones, primo dela e um dos grandes comediantes brasileiros da década de 10 – é verdade, fiquem ligados. tomamos um coquetel cada no Bar Exquisito, e o meu se chamava rumba e era composto de cachaça, sucos de laranja e abacaxi, curaçao blue e grenadine. mas seria bom ter algo mais agitado, e fomos prestigiar o chefe no Bar Secreto.

ah, Bar Secreto…

pois é: apesar de o entusiasmo pelo Bar Secreto não ser compartilhado na mesma medida pela patroa e pelo Thiago, creio ter sido a melhor casa noturna que já frequentei, por razões bem simples:

- o som de primeira (pago um pau para o que o Lúcio toca, embora tenha ficado estranho o revezamento dele com outros DJs nessa festa);
- era uma festa de rock alternativo… frequentada apenas por playboys;
- as excelentes vibrações que o local emanava, fruto do item anterior. nada daquela pretensão hipster, das meninas que não sorriem, de DJs que acham que o mundo acabou no “Odelay” ou para quem “Reptilia” vale a execução como sendo novidade.

sério, era tudo que eu queria: rock do bom e nenhum roqueiro, nenhum hipster, nenhum defensor do modus alternativus, do underground ou o que quer que seja. só gente bonita e bem vestida, e em quantidade agradável. foi de lavar a alma, e é o tipo da coisa que eu gostaria muito de ver em Brasília mas simplesmente não vai acontecer. pena… eu sairia de casa muito mais.

bovino

tá rolando um disputadíssimo leilão oficial de gado Nelore no Canal Rural, com umas prenhezes da Agropecuária É O Amor. sabe quem é o proprietário? ele mesmo: Zezé, o mito (esqueçam aquele irmão xarope dele). o goiano que conquistou o Brasil e cantou com Julio Iglesias. e quem ganha é o telespectador da emissora: o segundo locutor da hasta bovina grita às pampas, cada matriz de propriedade da É O Amor surge no vídeo com uma vinheta da música que batiza a fazenda, os bois têm nomes fantásticos: Itália IV, Seda (saudada aos gritos de “linda! linda!” pelo segundo locutor)… sério, que fantástico.

a propósito, o leilão de hoje foi realizado no Copacabana Palace, embora as estrelas só tenham dado o ar da graça por videoteipe.

saldo

essa foto precisa urgentemente de um tratamento, alguém se habilita? foi tirada por um metaleiro de camiseta regata, cover do Luiz Caldas, às três da manhã de quinta para sexta.

mas o que interessa é que é o registro meu com a Mira Aroyo, do Ladytron. Lisa, te dedico:

não basta ser fã, tem que participar

mot-clef

tudo ou nada: a minha política de viagens pode ser resumida mais ou menos por aí. ou viajo para o exterior nas férias ou fico em Brasília mesmo. não viajo muito dentro do país, e tenho uma certa vergonha disso. o problema é que, sempre que acho uma viagem interessante no Brasil, acho outra lá fora, e a um preço razoavelmente próximo.

conheço bem São Paulo, já morei lá, já tive assuntos a resolver por lá. desses tempos, ficou uma antipatia de proporções épicas pela cidade e pelo que a compõe, como as pessoas, de modo que só voltaria lá por conta de um motivo excelente. daí o chefe inaugurou uma casa noturna e, covardia, colocou o Ladytron para tocar. e lá fui eu buscar as passagens…

com o show acontecendo na quinta, não deu para a patroa me acompanhar – presa no trabalho, ela se juntaria a mim no dia seguinte, para passarmos o final de semana na cidade. Pedro e Fábio (e Renato) gentilmente cederam a casa para que eu me hospedasse enquanto a Lu não chegasse, e depois de um kebab de couve-flor, nada menos que FANTÁSTICO (Fábio, o que é aquilo?), já era hora de ir para o Cine Jóia. conheci a Talita, o Leo e o Claude e rumamos para lá, num frio gostoso. na fila, encontrei Thiago da Jovem Fla, que também achou que era o caso de se deslocar da Asa Sul até a Liberdade.

depois de dar um abraço no chefe e os devidos parabéns, vejo que a casa é de primeira: bem decorada, com um moderno projeto de som a caminho, garçons educados servindo bebidas boas (o chope lá é Heineken). e uma das minhas bandas preferidas entrando: apesar do som provisório ser de uma abafação que só, não havia como não se empolgar: “High rise”, “Discotraxx”, “Seventeen”, “Ghosts”, algumas do disco novo. o show foi relativamente rápido, por volta de 75 minutos, e algumas omissões cruéis no caminho: nada de “Versus”, “Playgirl”, “Blue jeans”, “Evil”, “All the way”, “The last one standing”.

lá dentro, vi que era o único em todo o show a envergar uma camiseta do Ladytron, embora tenha visto de várias outras bandas. não sei se não descobriram que vende na Insound (e costuma passar ilesa pela alfândega) ou se a banda não desperta tanta paixão assim. no final, com mais discotecagem, ficamos conversando até 2:30, depois fomos para casa. antes disso, na porta, encontrei a Mira Aroyo, búlgara com PhD. em microbiologia que toca teclados no grupo. dei a ela os parabéns, com a ressalva das músicas que eles não tocaram, ela sorriu, agradeceu e disse que essas músicas “ficam pra próxima”. ah, claro, tirei uma foto com ela, mas isso é coisa para outro post.

bolinhas

oi, tudo bem? não tenho desculpas razoáveis para justificar tamanha vagabundagem por aqui. cinco dias sem escrever só são admitidos se eu estiver em férias, o que não é o caso. então é hora de articular umas palavrinhas sobre o que está se passando:

- a patroa e eu passamos o final de semana em São Paulo, aquela cidade que jurei, em 2009, nunca mais visitar;
- o cansaço físico provocado por noites mal-dormidas em Brasília tem me estourado a cabeça.

mas ok, força, vamos escrever e ser felizes mais uma vez.

rien

hoje consegui dormir por duas horas no final da tarde. fazia tempo que não rolava, e foi ótimo: consegui diminuir o cansaço, dormi tão pesado que parecia que tinha aderido à cama. preciso fazer isso uma vez por semana, como na época da pós, ou não chego vivo ao próximo final de semana.

nota três

a patroa e eu fomos assistir “Melancolia”, do Lars Von Trier. escrever sobre isso demanda falar de duas coisas diferentes: a experiência do cinema e o filme em si.

enquanto o Espaço Unibancool não é inaugurado por aqui (ficou para o final do mês) e não sabemos se o reformado cinema do Liberty Mall terá filmes de fora do circuito comercial, quem quer ver qualquer coisa com menos explosões é obrigado a pegar horários alternativos (sem trocadilhos) nos cinemas disponíveis. tentamos assistir à sessão das 14h no Iguatemi, mas ela se lotou de forma impressionante, mesmo não havendo fila aparente nas bilheterias. isso nos empurrou para o Parkshopping às 18:30, e isso foi assustador.

inaugurado em 1987, o Parkshopping é o centro de compras mais antigo do Plano Piloto, Conjunto Nacional à parte. depois de umas sucessivas extensões (especialmente a ala Fnac em 2004, a ala Fast Shop em 2010 e a ala mãe-quero-ser-gastrônomo-e-paulista inaugurada semana passada), ficou do tamanho de um mamute, ganhou uma estação de metrô e uma série de condomínios do lado. ou seja, virou uma versão amenizada das ruas de Calcutá. tanta gente que você fica doido, é horrível andar, conversar, fazer compras.

não defendo que um shopping center fique às moscas, os lojistas precisam de receitas, a chegada de lojas traz consigo a necessidade de público. mas ir lá é pedir pelo desconforto e, sendo assim, eu e a patroa combinamos que não vamos ao Parkshopping em 2012 – exceto em algum restaurante desses novos, e mesmo assim na segunda ou terça-feira à noite.

isso dito e isso posto, ao filme: trata-se de uma versão hipster de “Armagedon”, filme de 1998 no qual sobrou para Bruce Willis e Steven Tyler, cada um do seu jeito, salvarem a Terra da destruição total causada por um asteróide. no lugar do Aerosmith entram umas suítes orquestradas, no lugar do Bruce Willis temos a feia-que-é-gata Kirsten Dunst e no lugar de uma equipe técnica digna de um blockbuster temos um nazista com Parkinson. mas existe uma horda de jornalistas disposta a te decapitar caso você resolva falar mal de um filme do nazistinha Lars Von Trier, pelas seguintes razões:

- jornalistas, homens ou mulheres, se identificam com a Kirsten Dunst – até mesmo quando ela é Maria Antonieta;
- de forma semelhante ao endeusamento do Zé do Caixão e da tosqueira do punk rock das riot girls, eles tratam filmagens sem tripé, enquadramento ou luz como “fotografia sensacional”;
- o filme supostamente tem conceito (já falo disso) e, se você disser que não gostou, é admitir que não o entendeu. imagine a execração de um jornalista quando, em meio à sua laia, ele admitir que não sacou;
- finalmente, jornalistas se identificam com a família problemática retratada, assim como se identificam com artistas que tenham a mesma opção sexual, independente da qualidade do trabalho em si (lembro bem de um que trabalhava na Folha e era lobista da sodomia no caderno cultural do jornal). um desses jornalistas chegou a dizer à patroa que “adorou a primeira metade do filme porque mostra o conflito de forma interessante”, ao que dá vontade de dizer “não, seu afetado, você gostou porque queria ser macho o suficiente para pagar um sincerão pra sua família como a mãe da garota o fez”. genial como sempre, a patroa sugeriu que ele assistisse o programa da Márcia, se ele gosta tanto de dramas familiares. mas jornalista e hipster não quer porrada como no programa da sra. Goldschmidt, ele quer “o discurso frágil e a tensão que não se resolve” – que é o mesmo motivo pelo qual ele não pede demissão.

enfim, o conceito do filme, segundo a patroa, é que ninguém aceitava a Justine ser melancólica, dando a ela coisas felizes no conceito deles, e quando a melancolia se aproxima provam que não sabem lidar com ela, se apavoram e enfiam os pés pelas mãos pensando em morrer e só a Justine está familiarizada com a situação, ate diz que ˜sabe das coisas˜. a moral da história cretina é que ela tem sensibilidade e os outros sao medíocres, ou vai ver que ela só já se sentia morta ha mais tempo e então tanto fazia, bupropiona nela.

eu pensei em um conceito também, mas esqueci dele quando tomei meu whey protein ontem à noite e, como alguns devem intuir, ou você é bombado ou você é cabeça. tem-se, no final, que “Melancolia” é um filme nota três, e dissecando a nota tem-se:

- um ponto porque tem a Charlotte Gainsbourg no elenco;
- um ponto porque tem a Kirsten Dunst sem roupa;
- um ponto porque o filme irritou o hipster espaçoso que se sentou na poltrona à minha esquerda e que queria usar o espaço destinado às minhas pernas. o cara era tão metido a tendência que estava num cinema de shopping de chapéu, e eu tenho de aplaudir qualquer coisa que mande um cara desses para longe, então um ponto extra para “Melancolia”.

certo?

quanta

depois de uma semana andando de metrô e de carona com a patroa, busquei hoje a Kim na Brasília Motors. ela estava com o nariz entupido, o que significa que um duto de escoamento de água se entupiu e com isso a água se infiltrava no interior da viatura.

e caramba, que saudade de acelerá-la. enquanto estive lá conheci donos de outros carros da marca, bem mais caros, novos e potentes, e ainda fiz test-drive numa W212 E 250, estalando de nova. gostei bastante, apesar de a Kim ser mais potente e ágil: os bancos te abraçam, você tem uma central multimídia à disposição, o volante se levanta automaticamente quando você abre a porta do carro, para facilitar seus movimentos, o câmbio de sete marchas é acionado por uma alavanca na coluna de direção etc.

aliás, a direção é a mais macia que já experimentei em um veículo até hoje, o espaço traseiro é soberbo (o dianteiro nem se fala), o som é cristalino, a visibilidade é ótima em todas as direções. como já disse, gostei demais. mas ainda não tenho idade para ter uma, estou vinte anos aquém disso.

complemento

minha dieta, prescrita na semana passada, não tem carboidratos: simplesmente os baniu durante cinco dias e meio da semana, exceto por uma banana no café da manhã e por 50 gramas de chocolate meio amargo antes de dormir.

tenho apenas quatro refeições livres, e em só duas posso incluir os malditos carbos. e nesse final de semana, incrivelmente, pude manter a linha mesmo em meio à vida social. na sexta-feira, quando uma amiga da patroa nos convidou para ir a um restaurante japonês, a solução foi improvisar: cogumelos na manteiga como entrada, sashimis e uns enormes espetinhos de brócolis como prato principal – e a sobremesa foi o chocolate supra citado.

hoje, no churrasco de aniversário da sra. Panizza, fiquei com o coração na mão de ver tanto acompanhamento delicioso sobrar, mas não teve jeito: eu só podia comer carne, e assim o fiz com muito gosto. vamos ver quanto tempo aguento sem um pão, uma batata ou uma colher de arroz…

XXX

essa semana alguns amigos me perguntaram se eu estava mal por completar, hoje, trinta anos. disse que não havia notado nada diferente no meu humor por conta disso, nem para melhor, nem para pior. mas quem me conhece sabe da minha regra quanto ao passado: ele passou, quero saber do que vem por aí.

em datas como hoje é difícil pensar sem olhar para trás, ao menos por um momento, mas tudo o que penso é “nossa, já foram trinta anos”. mais nada. não deve haver nada além dessa frase para explorar lá, vamos cuidar do que acontece agora. isso é tudo que eu queria dizer e, na falta de um discurso mais denso da minha parte, fica o do Leonard Cohen, 77 anos, ao receber, no final do mês passado, o prêmio Príncipe das Astúrias na categoria “Literatura” (e não em “Artes”, como o Bob Dylan já recebeu):