bah

nos anos oitenta, quem fosse para o litoral de São Paulo, mais especificamente para Santos, via uma pichação na avenida beira-mar que era pura poesia, além de pura estranheza: “A GENERAL MOTORS PROGRAMOU O CÂNCER DE TANCREDO NEVES”.

mistério. o que será que isso queria dizer?

não pude deixar de me lembrar disso e do decreto do IPI quando soube do câncer de um ex-presidente, no sábado: nada me tira da cabeça de que foi a JAC Motors quem programou o carcinoma em questão.

bem, cada presidente tem a fabricante que merece.

comunicado

depois de 58 meses de convivência comigo, meu notebook se foi hoje. não aguentou. escrevo esse post do celular, e há uma falta de MacBooks aqui em Brasília.

a partir de amanhã vou atrás de um novo, preciso de um o quanto antes. evidentemente, escrever aqui vai ficar menos frequente – já não estava muito, agora menos ainda :(

maquiagem

uma salva de palmas para o Multishow, que se encarregou de colocar nos pontos de ônibus de Brasília cartazes com essa foto da Kate Perry, no maior programa de embelezamento urbano desde o governo Roriz.

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na quinta-feira eu fui dormir feliz da vida, ao saber que uma chapa que não é de esquerda ganhou as eleições para o diretório da UnB. terão uma vida difícil, já que até o reitor jogará contra, mas espero que se deem bem.

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achei mais um lugar, além do Café Cassis, que tem bagels no cardápio. hoje vou lá provar e depois conto como foi.

planície

Em Xangai, quando a F-1 desembarcou por lá para seu primeiro GP, em 2004, um jornalista local perguntou ao ferrarista Schumacher o porquê de ele correr de vermelho. “É a sua cor da sorte?”

Fábio Seixas, na Folha de hoje.

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um hotel, ou melhor, um quarto de hotel em formato de disco voador. em cima de uma árvore. só podia ser na Suécia, o país superior (via Jonas).

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um boneco Lego gigante é encontrado em uma praia dos EUA. no peito, a inscrição “não mais real do que és”. não é arte, mas é fantástico, já que adoro coisas sem explicação.

gazpacho

pouco sono é capaz de acabar com o meu dia. foi assim hoje: felizmente, fiz o que era preciso, voltei para casa e dormi pesado. acordei, terminei as coisas do dia… e já estou pronto para dormir de novo.

(bocejo)

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nunca tinha visto uma foto de Veneza tirada dentro de um avião, agora vi. preciso voltar à Itália, e não pode demorar muito. 2013? mas tem a vontade de ir pros EUA…

acessório

uma vez por ano, ou umas poucas vezes por ano, surge um daqueles dias com tanto trabalho que se passa mais de doze horas dentro da Telerj, respirando pouco e tomando uma porrada atrás da outra.

hoje foi assim. é o que vale uma semana. pena não ser assim mais vezes, para eu realmente me sentir útil.

ítrio

na madrugada de sábado para domingo, provavelmente às quatro ou cinco, escutei um barulho forte de freada, seguido por um estrondo. depois ouvi uma buzina, duas, e uma terceira… que durou cerca de dez minutos.

esparrado de sono, blasfemei uns palavrões contra o autor de tamanha perturbação à ordem pública (acordar os outros é contra o amor cristão) durante todo o tempo em que escutei a maldita buzina. curioso com o que teria acontecido, perguntei hoje ao porteiro o que era aquilo, e uma suspeita que desenvolvi ao longo do domingo se confirmou: o imbecil do condutor conseguiu subir no balão entre a 306 e a 307 sul e foi parar numa árvore. saiu ileso, mas o carro pegou fogo. não havia nenhum outro veículo, tampouco a pista estava lisa a ponto de aquaplanar.

explicação para isso? álcool, muito álcool… e, provavelmente, uma péssima educação de auto-escola. tá difícil…

boca-de-urna

a conexão do indie com a política foi ainda mais longe no Reino Unido, mês passado, durante as convenções dos partidos. O primeiro-ministro conservador David Cameron chegou para fazer seu discurso na convenção dos Tories ao som de “All These Things That I’ve Done”, do Killers. Cameron, que também é fã de Radiohead, REM e Smiths, chegou a ser “desautorizado” por Morrissey e Johnny Marr a gostar da banda, anos atrás.

na Popload, o rrrróque no poder.

semana

quando cheguei de Paraibuna, na segunda-feira à noite, constatei que a despensa estava vazia. fiz um inventário do que precisaria comprar, peguei a chave da Kim e desci para botá-la em marcha até o supermercado. apertei o botão para destravar as portas… e nada. tentei duas, três, seis vezes… e nada.

eram 21 horas e chovia leve. tirei o ferrinho de dentro da chave por infravermelho, coloquei-o na porta e consegui entrar. recoloquei-o na chave, inseri-a no contato… e nada. não se mexia. um problema na ignição sugere bateria fraca. mas como? não me lembrava de ter deixado nada ligado nela, como o som, por exemplo.

olhei do lado para ver se achava alguma pista. atrás do banco do carona, senti o chão todo molhado. foi o suficiente para entrar em pânico: meus dois grandes medos com a Kim envolvem problemas de lubrificação (o óleo fora trocado duas semanas antes, então sem problemas) e o piso brasiliense destruir a suspensão – o que incluía, por exemplo, rachar o assoalho e permitir a infiltração de água.

sem ter como sair para comprar comida saudável e sem conseguir o telefone do Sushi Loko (a página na internet nada fala sobre entregas), pedi uma pizza e constatei que a terça-feira seria um longo dia.

bem cedo, liguei para o seguro e solicitei que enviassem alguém para dar uma carga na bateria, enquanto enfrentava a chuva fina e ia à pé na 109 Sul comprar comida. mal subi com as sacolas e o motoboy do serviço elétrico automotivo chegou. abrimos o porta-malas, onde a bateria se esconde, ele pegou um amperímetro e constatou que estava sem carga; conectou os cabos e fez o serviço rapidamente.

então ele disse para que usasse a Kim durante pelo menos meia hora, que era o tempo de a bateria carregar. sem ter onde ir ou o que fazer (eu estava de férias, certo?), só pensei em levá-la à Clínica do Carro, onde faço a manutenção. lá chegando, contei meu drama a um dos donos da oficina, que levou-a para dentro e tratou de me tranquilizar: não era o assoalho nem qualquer outra coisa na suspensão.

o problema era na porta direita, que estava desalinhada com a carroceria, e isso permitia a entrada de água por uma fresta. ele então abriu a porta, apertou-a e deixou-a totalmente alinhada com o resto do carro. colocou, ainda, jornais no lado direito do carpete, inundado, instruindo-me a trocá-los sempre que o noticiário se encharcasse. e não cobrou nada por isso.

na terça-feira, se bem me lembro, troquei os jornais por seis vezes, aproveitando umas velhas edições de “O Estado de S. Paulo” guardadas – não compro o “Correio Braziliense”, que de tão ruim só serve para que a Pietra, gata da patroa, faça xixi em cima (ela adora a gramatura do papel em que é impresso o periódico candango). na quarta-feira, mais umas quatro vezes, e mais umas três na quinta e na sexta.

mas a água estava longe de acabar.

jantando com Otto e Carol, eles me sugeriram levar a Kim a uma lavagem completa naquelas empresas que ficam em estacionamentos de shoppings, o que fiz sábado, na Restaucar do Brasília Shopping. como teria, cedo ou tarde, de hidratar os bancos, pedi que isso também fosse feito. deixei o carro lá, peguei um baú para casa e voltei depois de quatro horas, sendo esfolado em R$ 200.

mas nunca vi a Kim tão limpa. sério. melhor de tudo, ela estava seca, e embora o dono da Restauracar tenha me dito que poderia haver ainda mais água se acumulando (e que eu poderia voltar lá para aspirá-la), até agora muito pouco apareceu. felizmente.

daí foi só encher o tanque e me divertir de novo. e eu continuo não me arrependendo de ter escolhido um carro de 12 anos ao invés de um Fiat 500 zero-quilômetro – aliás, em nenhum momento desta guerra hidráulica eu me arrependi :)

um dia

levei três dias (a noite de quinta, a noite de sexta e toda a tarde de hoje) para ler “One Day”, do David Nicholls, o primeiro livro que leio em inglês – apesar de me considerar fluente na língua há uns dez anos e de assinar duas revistas em inglês, além de ler na internet uma porrada de material na língua de Shakespeare, São Thomas More, Churchill e Brett Anderson, dentre outros grandes nomes.

levei três dias para chegar agora, domingo à noite, e, com os olhos vermelhos, ter ficado com ÓDIO (em maiúsculas) do final do livro. ÓDIO. li rápido assim porque o filme já vai estrear e porque o livro é excepcional, é muito bom, você não consegue parar de ler (li 220 das 435 páginas hoje)… mas o final dá ÓDIO.

que merda.

lição

a aula de latim de hoje apresenta mais uma frase importante: “quidquid latine dictum sit, altum videtur”.

numa tradução livre para o português, “qualquer coisa dita em latim parece profunda”. é um brocado bem útil para retrucar disparates e prepotências dos operadores do direito. e dá para emendar um “ad sermonem dormire bovem” (“conversa para boi dormir”, como já ensinei).

QRSW

já viu quanta gente escreve “feNtiço” ao invés de “feitiço”? é algo que me intriga desde os tempos mais primórdios. ter onze mil resultados no Google não é pouca coisa, vou te falar.

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lembram do tumblr do Kim Jong-Il olhando para as coisas? nem eu lembrava, mas felizmente me recordei. foi uma dica do Márcio, muito tempo atrás. e ontem, conversando sobre trolagem, o Otto me recomendou acompanhar o 9gag – mas o ritmo de atualizações é tão frenético que nem ele consegue.

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ah sim, tem também a maior pantufa do mundo. e a história bizarra por trás dela.

W3

a semana em casa acabou, e na semana que vem já vi que vão rolar uma série de coisas importantes na Telerj. que no final das contas vão dar em nada, mas já me acostumei.

por aqui, meu espírito já está no clima para voltar, os horários já estão adaptados, exceto um: o de dormir. tenho dormido tarde, e as obras no meu bloco têm me acordado cedo.

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o lado bom é o meu motivo para dormir tarde: ontem comecei a ler “One Day”, do David Nicholls. em três horas, li a primeira parte do livro, que vai de 1988 a 1992. é a primeira vez que leio um romance em inglês, e não poderia ter escolhido melhor: entendo perfeitamente 90% do que está escrito, deduzo 7%… e fico perdido em relação aos 3% restantes.

mas não foi uma escolha perfeita só por isso: o livro é muito bem escrito. ao contrário de outros, em que você se esquece de quase tudo o que leu em menos de um mês, não acredito que vá esquecer tão fácil as páginas de “One Day”. obviamente, fiquei curioso sobre o resto da produção do autor, mas uma coisa de cada vez.

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outra leitura que tenho adorado é a do suplemento de fim de semana do “Financial Times”, infelizmente apenas para assinantes. das dez matérias, normalmente apenas uma ou duas não me interessa, o que é uma média fantástica para um jornal – e mais ainda um direcionado a negócios, ainda que seja um suplemento alheio a eles.

a coluna de descobertas científicas da semana passada foi uma das coisas mais fascinantes que li recentemente: soube de uma pesquisa que mostrou que a decadência cerebral não se inicia aos 20, como se imaginava; que aborígenes australianos migraram para a Ásia, e de lá para Europa e África (!!!) há setenta mil anos (!!!), tendo sido os primeiros habitantes desse último continente; e que uma pesquisa colocada na internet sobre a estrutura de retrovírus, aberta à participação das pessoas, permitiu que uma das enzimas desses micróbios fosse decodificada em duas semanas, justamente pela participação popular – e a pesquisa já durava quinze anos.

enfim, vale muito a lida.

correr?

já disse uma vez, repito agora: em Brasília, os seis graus de separação de qualquer pessoa caem a apenas dois – especialmente quando é caso de escândalo. em 2005, o Felipe comprou um carro de um funcionário do Senado que ganha acima do teto constitucional; em 2006 houve aquele caso de um link que achei nos classificados de imóveis ter virado numa nota na “Veja”, e na Telerj já aconteceram alguns casos assim.

o mais novo para a coleção de relatos que assusta minha família lá veio essa semana: eu malho em uma das academias desse cara que está acusando o titular de uma pasta – que, por sua vez, deve cair antes de novembro. mas nunca o vi por lá, tampouco tive contato. só sei que a academia é dele.

e por falar em academia, a série de segunda-feira, para as pernas, foi muito tensa: estou com forte ressaca muscular até agora. ontem, enquanto lia antes de dormir, parecia que havia uma insurreição da cintura para baixo…

espelho

agora há pouco eu me olhei no espelho, enquanto subia de elevador, e tive uma surpresa: eu estava muito parecido com quando tinha dezoito anos de idade. sem querer, deixei o cabelo idêntico ao que usava na época, e minha pele não envelheceu muita coisa.

as poucas diferenças estavam na zona dos olhos, onde um princípio de rugas já paira no horizonte, e nos cabelos: se eu já tinha uns fios brancos aos 18, eles já marcam presença mais forte aos 29. mas enquanto estiver assim, tudo bem.

alambrado

demorou um tanto, mas terminei o “Pesadelo Refrigerado” do Henry Miller, e recomendo. é um pouco como “Pé na estrada”, do Kerouac, mas sem aquela mitologia toda, e sem aquela afetação de fazer parte de um movimento – tanto da parte do autor quanto da parte dos leitores.

e vamos ser sinceros: um movimento que recusou o Leonard Cohen, pelo simples fato de o MESTRE usar ternos ao invés de roupas informais, não pode ser tão bom assim. sem contar a influência nefasta. voltando ao senhor Miller, ainda não li os dois trópicos nem a trilogia da cópula, mas esse “Pesadelo” me deixou com boas expectativas sobre o que dizem ser as obras-primas do cara.

antes disso, no entanto, vou ler dele “Dias de paz em Clichy”, e quem sabe finalmente encare o “Este lado do paraíso”, do Fitzgerald, há muito esquentando a pilha de livros que nunca desce. mas agora é hora de “One Day”, do David Nicholls, porque o filme vai estrear em pouco tempo e eu preciso ler o livro antes. no original.

boate

(…) I can see that all this bragging and padding of CVs might help if you were trying to get a job. But surely the 100m people on the site can’t all be looking for jobs. The economy is bad, but not that bad.

The only thing I can think of is that LinkedIn is really a dating site in disguise. I know two people who use it like this to considerable effect. You check out the picture and the CV and take it from there. It is all above board, you can do it in office hours and with none of the embarrassment of being on Match.com.

Lucy Kellaway, tirando onda do LinkedIn no Financial Times (para assinantes).

vírus

a OGXP3 subiu bastante nos últimos dois pregões, depois do tombo que foi segunda-feira. aproveitando a forte subida, descrita por Luan Santana em sua “Meteoro”, vendi opções do papel, que estava cotado a R$ 12,92.

como meu preço médio na empresa do tio Eike está uns 30% acima disso, não quero ser exercido, então mandei uma série bem longe – K14, por exemplo: a OGXP3 terá de subir quase 9% em cima desses 8% para que eu perca a ação. peguei R$ 0,20 por opção e, na quantidade que vendi, garanti meu ingresso para o show do Ladytron, mês que vem, e ainda posso levar a patroa para jantar.

quer dizer, se o jantar for na pizzaria Dom Bosco (brincadeira, brincadeira…)

oi, tudo bem? eu disse que voltaria ontem, e não voltei. até estou de volta em casa, mas até parece que férias foram feitas para resolver pepinos. felizmente, as coisas caminham.

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em Paraibuna, exatamente o que eu esperava: calma, bastante família, bastante leitura: li um exemplar da “Monocle” em um dia. não é fácil dar conta, de uma só vez, de 250 páginas da mais pura afetação de boa qualidade, mas foi o que aconteceu. ainda comecei “Nadja”, do André Breton, mas foi denso demais para ir muito adiante naquele momento: eu precisava de algo mais palatável.

meu tio e eu pouco conversamos sobre vida profissional, até porque oficialmente eu estou de férias. para ser sincero, não senti falta disso, já que o que interessa, no fim das contas, é fazer as coisas por aqui. matei as saudades da minha avó, vi que ela está bem melhor do que o telefone e os relatos das minhas irmãs sugerem, que tudo vai ficar bem.

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na volta, a garota que se sentou do meu lado no voo fazia sua primeira viagem de avião, com direito a fotos, perguntas sobre instruções de segurança, comentários sobre o lanche etc. ela não cabia em si de alegria, mas tinha medo do voo. antes da decolagem, disse para que ela ficasse tranquila, não seria nada de mais – e assim foi. nem mesmo um pouco de turbulência depois de alguns minutos no ar fez com que ela se desanimasse. fera demais.

no aeroporto de Guarulhos tinha um avião da Swissair e a simples presença dele no pátio me deu vontade de viajar pela companhia. alguém aqui já voou de Swissair? é bom?