zipcode

uma brincadeira corrente aqui no Planalto Central é que o U2 escreveu “Where the streets have no name” inspirando-se em Brasília, já que aqui nossos endereços são todos por siglas. há na música, ainda, uma descrição das estações do ano no DF, além de umas outras referências.

mas uma versão extrema de lugar sem nome nas ruas é Cabul, no Afeganistão. li isso aqui e me choquei.

caipira iluminado

Em 2009, depois de ser ignorado com “Cardinology” (outro bom disco), o briguento [Ryan] Adams começou a se queixar de perda de audição e se disse “de saco cheio” com a indústria fonográfica. Parou a carreira, casou-se com a ex-estrela teen Mandy Moore, lançou dois livros de poesia – não sem antes deixar um disco de black metal, “Orion”, para assustar seus fãs da roça. Agora, dois anos depois, está de volta.

na Popload, a volta do peão apaixonado.

nota zero

vergonha do dia: saber que um parlamentar ligou para um executivo da companhia telefônica que ele vem constantemente aporrinhando no exercício de seu mandato… para pedir ingresso para o Rock in Rio. não só para ele como para toda a família.

ê país…

estampa

dia pouco movimentado na Telerj, mas pelo menos deu para colocar a vida em dia. vejamos: fui à lavanderia, à ótica, à quitanda, à loja de suplementos e ao supermercado. escrevi um texto que já estava sendo protelado há muito tempo, li sessenta páginas do “Pesadelo Refrigerado” do Henry Miller (cuja leitura estava parada há dez dias) e malhei em casa – o treinador veio até aqui com duas mochilas cheias de equipamentos.

*

já sei qual vai ser o primeiro prato que vou ensinar minhas filhas a fazer: tapioca. tudo bem, tem o risco do fogo alto, mas é tão fácil que nunca errei uma, em toda minha carreira de tapioqueiro. com peito de peru e queijo cottage, huuuummmm…

*

a patroa e eu assistimos “Tropa de Elite 2 ” ontem (ela já tinha visto). dizer que o filme é um soco no estômago é pouco: é uma verdadeira sova. mais do que isso, parece ter a intenção de te fazer emigrar do Brasil, porque você acompanha a saga do Capitão Nascimento e sente que o país não tem solução, que tem coisa de caráter (e da falta dele) no meio etc.

é triste. um bom filme, mas um manifesto a favor de te fazer perder as esperanças daqui. e de achar que até a Albânia é melhor.

tântalo

essa história de a teoria da relatividade estar furada e existir como superar a chamada “velocidade da luz” tem-me divertido sobremaneira. não entendo da coisa em níveis técnicos, mas é sempre legal quando uma certeza universal, ainda não provada cientificamente, faz água – ou ao menos é questionada.

ao mesmo tempo, é legal porque abre mais opções de explicação. mas é, principalmente, um lembrete de que ainda existe muita coisa desconhecida por aí. que não é o fim da história, nem estamos perto disso. então, de volta ao trabalho.

mordida

oi, tudo bem? estou em falta com isso aqui, é verdade. melhor começar falando sobre algo ameno, tipo comes e bebes. ou não?

*

em sua última estada em Chicago, meses atrás, João Paulo se encantou com o Whole Foods. e não é só porque ele é hipster, mas parece que realmente tem umas coisas legais por lá. orgânicos e integrais ou não, o mais próximo que temos do Whole Foods aqui no Plano Piloto é o Oba!, um hortifruti de Campinas, cujas lojas têm tamanho semelhante ao dos mercadinhos que encontrei em Londres.

o legal é que o daqui pega pão de sal da Quitinete (superestimadíssima, especialmente como restaurante, mas com ótimos pães), chocolates importados que não acho nem na Casa Ouro, várias cervejas artesanais brasileiras e uma seleção de coisas integrais e orgânicas, claro. fora os sucos próprios: um deles é a razão de escrever isso aqui. comprei ontem uma garrafa de suco de mexerica (R$ 5 por um litro, não é tão mau assim). e o suco é delicioso.

repito: delicioso. doce na medida certa, com gosto suficientemente distinto do suco de laranjas (que na versão Oba! é R$ 2 mais caro) e, para quem se amarra num buy local, perfeito. levei para casa junto com outras coisas legais: chocolate After Eight, farinha de tapioca, bananas, bolacha de linhaça… e um biscoito suíço que leva o nome da minha cidade (e que saiu muito barato).

não dá para comprar sempre lá, já que o Oba! é geralmente careiro. mas indo atrás do custo x benefício, como nos biscoitos e no suco, dá para levar umas coisas legais para casa.

*

sábado passado fui com a patroa tomar café na Pães & Vinhos, uma padaria bem legal no Sudoeste (tem também no Lago Norte). difícil destacar só uma coisa boa: um queijo quente especial na ciabatta, um patê de chancliche, cheesecake de amora, macarons de damasco… e por aí vai. tudo em pequenas porções, tudo bem gostoso, tirando pelo pastel de Belém, que perde até para o do Habib’s. mas aí também é pedir demais.

*

essas padarias grandes, como a Pães & Vinhos, correm o risco de se perderem em meio a tanta coisa ofertada, como diz com precisão o Alhos, Passas & Maçãs em texto sobre a Julice, em SP. daqui a pouco elas viram casas de sucos cariocas, como as que o Seth Kugel recomendou no New York Times (veja as fotos também).

ler isso me deu saudades da Zona Sul do Rio de Janeiro, ah, se deu. e é divertido ler os comentários desse texto, com os cariocas escorraçando a casa de suco escolhida pelo repórter (Beach Sucos) e apontando, por aclamação, Pólis Sucos e BB Lanches como as melhores. é, preciso voltar às terras cariocas…

inflação

recebo um email de um dos dois melhores restaurantes de Deprelândia, anunciando o cardápio do almoço executivo de amanhã:

- carpaccio de abobrinha
- spaghetti ao alho e brócolis com mini-polpetones
- linguiça assada na cachaça com tutu de feijão e arroz.

o preço: R$ 12 POR PESSOA. inacreditável de tão barato, para quem vive em Brasília. e a sobremesa? doces caseiros por R$ 4.

só assim para eu sentir saudade de lá…

ziriguidum

segunda-feira à noite e o cansaço bate como se quinta-feira fosse. inspira, expira, um copo de água – com gás, sem gás, tanto faz. amanhã tenho uma hora a mais de sono, e academia logo pela manhã: antecipo o treino de sexta-feira e o final de semana começa mais cedo.

*

Marcelo escreveu sobre as novas edições de luxo, muito luxo, de alguns discos. até mostrei a do “Achtung Baby” para o Alexandre, maior fã dessa fase boa do U2 que conheço (ele também gosta da fase ruim), e na hora ele já pensou em como obter os mais de US$ 600 pelo pacote Über Deluxe, que inclui até o oclinho do Bono.

e perto dessas reedições, as do Suede são a coisa mais pálida do mundo. só que o conteúdo sonoro é muito melhor…

*

falando em luxo, olha aí: lugares onde os hotéis cinco estrelas são baratos. ou quase isso. duro é quando vêm te falar de acampamento, de quarto coletivo em albergue… só não digo que estou muito velho para isso porque já queria ficar em hotéis estrelados quando tinha 16 anos.

*

just stick your pinga in a bucket of Mountain Dew and don’t move. é com esse conselho que o DListed termina um post sobre o polígamo do polígono das secas (isso soou legal). sábio conselho e um desfecho classudo, o problema é achar Mountain Dew no país da mandioca…

purê

- ao vencedor, as batatas. pelo menos continua sendo assim na Bélgica;
- uma única escola inglesa, a Central Saint Martin’s, domina o mercado da moda local, mais ou menos como a Santa Marcelina fazia por aqui (não sei se continua). até a garota retratada pelo Pulp em “Common People” é de lá. a BBC fala um pouco da importância da escola;
- também na BBC, um texto legal sobre o esquecido noroeste da Argentina;
- via Pedro Ivo, cartões de negócios de gangues do mundo todo. bizarro é pouco;
- vou escrever um texto sobre isso, embora praticamente tudo já tenha sido dito. mas quero dar meus dois centavos sobre o assunto.

milhar

esqueci de dizer: no sábado, na volta do casamento que fui com a patroa – e em que tive de confiar a Kim a um manobrista -, o carro completou os 100 mil quilômetros rodados.

é relativamente pouco para um modelo 1999. mas ela está tão íntegra que sinto que poderia quintuplicar esse valor. também sinto que não a venderei antes de pelo menos dobrá-lo.

parabéns, Kim.

banzé

o tempo pode estar desabando no trabalho, mas continuo mantendo a fleuma. até mais do que gostaria, na verdade.

semanas atrás, o ramal da chefe tocou; ela não estava, então puxei a ligação e atendi. do outro lado, uma assessora que falava enrolado disse “só um instantinho, vou passar para o deputado”, sem me explicar o que estava acontecendo, e segundos depois o nobre edil passava a destilar sua irritação com a má prestação de alguns serviços.

com a calma devida, pedi que ele (“vossa excelência”) se identificasse e me relatasse qual o problema encontrado, e os detalhes do caso. ainda putaço e querendo sangue, ele se identificou e falou tudo o que sabia. disse até mais: que nós estávamos brincando com a cara dele, que se uma providência não fosse tomada com urgência nós saberíamos quem é ele, que ninguém brinca assim com ele.

pouco alterado, avisei que entraria em contato com nossa área responsável, para saber de algum possível problema semelhante e/ou em maiores proporções, informando que tinha o número do gabinete e que retornaria a ligação assim que tivéssemos uma resposta. obviamente, vossa excelência não desceu do salto e, sem mostrar muita civilidade, desligou o telefone – pelo menos ele disse “até logo”, vai.

essa semana caiu alguém aí, num escândalo que se juntou a outras peripécias outrora cometidas pela autoridade em questão. numa delas, constava o nome do figura que me desceu os cachorros ao telefone. na prática não aconteceu nada com ele, tampouco acontecerá, tanto é que o envolvimento já foi até esquecido… mas eu me senti vingado, de alguma forma.

*

outro episódio interessante aconteceu hoje: você convidaria alguém para vir à sua casa logo depois de a pessoa descer-lhe o sarrafo na frente de um batalhão de repórteres? pois bem: rolou isso, uma surra anunciada em entrevista coletiva, seguida da participação do agressor em um evento público na nossa quitanda. um exemplo (a não seguir) de mídia corporativa, e o recheio de um sanduíche de subserviência que é assunto para outra ocasião.

bem, são dez e vinte da noite e eu ainda não sei exatamente em que termos a coisa aconteceu, só sei que o início da sova teve repercussão em tempo real e que o panqueide, merecido, ecoará por semanas na área onde trabalho – o que significa mais mais incêndios a termos de apagar. todos eles mais difíceis de controlar do que as queimadas no Jardim Botânico de Brasília esse mês.

mas eu não acabei de dizer, ali em cima, que tudo será esquecido?

notícia

foi um dia produtivo: cinco páginas para o trabalho principal, três para o Geólogo. uma visita à Nathalia, a antecipação de partes do trabalho que terei de fazer amanhã, a leitura de mais uns capítulos do “Pesadelo Refrigerado” do Henry Miller, um pouco de tevê, uma coletânea de pop francês das antigas no carro, um treino bastante puxado na academia.

e teve a injeção, mas isso é coisa para se tratar à parte.

*

não gosto de injeções. é um clichê – afinal, quem gosta? -, mas eu tenho uma repulsa especial. não é que sinta dor, mas acho o ato de tomar uma injeção degradante, desmoralizante. é o tipo da coisa que consegue me deixar abalado psicologicamente por uns instantes.

descontando, obviamente, os exames de sangue e a doação de meio litro do meu O+ em 2002, sei de cabeça quantas injeções já tomei: seis, contando a de hoje. uma de anestesia para uma cirurgia em 2001, três de Dexalgem para a coluna em 2009, uma contra a gripe aviária no ano passado e a de hoje, para regularização hormonal. é a primeira de três, ao longo de três meses.

não é legal lembrar que terei de voltar na farmácia para mais duas dessas. ao contrário: parece mesmo terrível. parece a morte, ainda que o conteúdo da injeção me prometa mais vida. mais força, mais disposição, mais definição, mais apetite (entenda isso como quiser). por ora, há um efeito colateral: mais desânimo, quando me lembro que terei de encarar mais duas vezes a agulha.

*

mas bem, a vida nem sempre traz alternativas que nos satisfazem, então fui lá e tomei. horas depois, na academia, o treinador pegou pesado e aumentou sensivelmente a carga da minha série: um aparelho que eu fazia com peso 8 (de um máximo de 20) há coisa de seis meses foi vencido hoje com peso 14, com a indicação, por parte dele, de que eu zerarei a máquina até o final do ano.

uau.

contei-lhe da injeção, e ele me contou dos benefícios que ela trará. aliás e à propósito, eu tenho receita e acompanhamento médico, tomar isso não foi ideia da minha cabeça. e agora vamos ver se o famoso trade-off do qual tanto falam os economistas vai valer a pena.

à toa

Outro incidente nesse jantar me agradou além das palavras. Quando o garçom apareceu com os menus, o doutor Souchon virou-se para nós e disse: “Deixem isso de lado – não olhem os cardápios. Só me digam o que querem comer; podem pedir o que quiserem”. Não me lembro de ninguém ter-me dito uma coisa assim antes. Tinha um tom de nobreza, e, mesmo que eu tivesse pedido alguma coisa abominável, tenho certeza de que teria sido deliciosa depois de uma exortação dessas. Naquele exato momento, tomei uma resolução: se algum dia chegasse a esquecer o preço da comida, seria tão indulgente comigo quanto ele fora conosco. Sempre tive vontade de entrar num táxi e dizer ao motorista: “Só rode um pouco por aí, não sei ainda aonde quero ir”. Deve dar uma bela sensação de calma e segurança.

(Henry Miller, “Pesadelo Refrigerado”, p. 139)

dromedário

a Popbitch de hoje traz as últimas notícias dos Emirados Árabes:

Beady Eye are playing their first gig in Abu Dhabi tonight and, in order to promote the concert, Liam did a telephone interview with a presenter from the main music station. Sadly less than a quarter of it was suitable for broadcast but the highlight of the interview was when Liam was asked what he expected the UAE to be like. Ever the diplomat, his response “I am expecting it to be fucking hot and to swap the bassist for a camel”

*

FYI: We hear Diego Maradona is enjoying life in Dubai. He was spotted a number of times over Ramadan stuffing his face at iftar meals and smoking shisha, despite having banned his players from smoking it themselves.