o vídeo abaixo, dedicado à Lisa, mostra a dança mais f*** de todos os tempos. eu PRECISO aprendê-la.
Archives mensuelles: mai 2011
Tibre
fazer itinerário de viagem dá muito, muito trabalho. mas a viagem compensa tudo depois…
cesta
continua o declínio do cd, e eu continuo comprando cds. os últimos a chegarem foram:
esse é um clássico: “Melody AM”, do Röyksopp (2001), é um dos dez melhores discos da década passada – quaisquer que sejam os outros. já falei dele várias vezes e ainda devo um texto completo, mas quem falar em lounge contagiante sabe que é por aí. na Amazon Marketplace UK, paguei 1 pence (UM PENCE!) mais £ 3,58 de frete, o que perfaz aí uns 11 reais.
como tenho meu lado corno cromático, nada melhor que o “Forever Blue”, do Chris Isaak (1995), um tratado de fossa. quem me ensinou a gostar desse disco, dez anos atrás, foi dona Lucia Sano, que não tem blog. aliás, cadê a moça? o disco custou 13 reais, também na Amazon Marketplace UK.
outro exemplo de tratado para cornos cromáticos é esse aqui: “The Red Thread”, do Arab Strap. saiu em 2001 e tem letras extremamente pesadas, pervertidas, quase descambando para o nojento. paciência… infelizmente alguns relacionamentos são assim. esse saiu por R$ 17 no eBay.
ah, desses aqui eu adoro falar. ontem, no carro, Lúcio disse que acha o “Whatever people say I am, that’s what I’m not”, estreia dos Arctic Monkeys, o melhor disco da década. eu não acho, mas os dois discos seguintes podem facilmente entrar no top 10 dos anos 2000. então ele me mandou comprar o primeiro, mas fui até a loja hoje e não tinha. em compensação, uns dias atrás peguei o compacto de “Leave before the lights come on”, música que não saiu em disco e marca o momento em que o Alex Turner aprendeu a cantar. mas vou dar mais uma chance ao primeiro disco, quando o encontrar. esse compacto saiu a R$ 14 no eBay inglês.
então: fui até a Livraria Cultura do Lago Norte buscar o primeiro dos Arctic Monkeys e não tinha. mas sair dali com as mãos abanando? não. na sexta, no hotel, o Lúcio me perguntou se já tinha ouvido o novo do Kills. não tinha, ele me mostrou umas músicas… e eu gostei bastante. a ponto de achar que vale os R$ 27,20 que me cobraram.
janeiro
como não podia ser diferente, o chefe mandou muito bem na discotecagem ontem à noite. populista, mas cheio de novidades, e capaz de encher a pista. e os outros DJs da Play!, antes e depois, só repetiam clichê atrás de clichê…
*
assisti um pedaço desse episódio do programa do Jamie Oliver e senti vontade de fazer essa receita em casa. é linda, mas eu demoraria no mínimo uma hora para fazer tudo, apesar do programa afirmar que as duas, mais a de salada de beterraba e a de cogumelos, ficam prontas em 30 minutos.
*
o primeiro dia da dieta de desintoxicação está correndo bem, apesar de a tentação parecer ainda maior. ela está por aí, e me lembra disso a todo momento. mas estou sendo forte e sobreviverei até segunda – apenas para descobrir que quarta tem de novo. nhé.
isso
e hoje, hein? tem Lúcio na 904 sul. tô indo buscá-lo, tchau!
FAQ life in slow motion
já que ultimamente meus posts andam sendo muito descritivos e/ou objetivos, vou voltar à fase antiga e falar um pouco de sentimentos. deu vontade de escrever enquanto eu dirigia de volta para casa. se alguém quiser fazer alguma pergunta, deixe nos comentários. só não responderei às que me fizerem corar, afinal de contas eu tenho pudor.
1. de onde surgiu o nome “life in slow motion”?
- da última música do último disco do Suede, minha banda preferida.
2. Suede? não tem vergonha de gostar de uma banda “série B” do britpop?
- não. primeiro, porque o Suede tem mais discos antológicos que o Oasis (4×2). segundo, porque qualquer música da coletânea de lados B deles detona qualquer música da carreira do Blur. o Pulp é uma ótima banda, eu adoro, mas não rola a mesma identificação – eu sei do que o Brett Anderson está falando quando ele canta “Still life ” ou “Another no-one “, por exemplo.
3. qual é a deste blógue?
- essencialmente, registrar o que acontece (pode ser útil para uma autobiografia) e exorcizar sentimentos – os bons, os ruins, as indiferenças.
4. e não cansa, depois de quase nove anos?
- eu não tenho muito assunto mas, por incrível que pareça, não cansa.
5. “não tenho muito assunto”? explique-se.
- é, oras: minha vida é bem previsível. a graça está em buscar as instabilidades, quando elas valem a pena.
6. e quando vale a pena trocar o certo pelo duvidoso?
- cada caso é um caso, não há uma regra para isso. vem cá, cadê o seu bom senso?
7. qual é a história com Brasília e Deprelândia?
- eu morava em Deprelândia. no dia 7 de julho de 2000 pisei em Brasília pela primeira vez, me apaixonei pela cidade ainda naquele balão (“rotunda”, para os portugueses) que desce do aeroporto para o Eixão, o Lago Sul ou o Parkway. depois de passar férias no Distrito Federal em todos os anos, moro aqui desde 14 de abril de 2005. é quando minha vida realmente começou.
8. qual o motivo desse FAQ?
- deu vontade. ainda que tudo que eu diga um dia seja usado contra mim, anote aí.
9. tudo?
- tudo. sem exceções.
10. então você já deve ter se arrependido de ter escrito alguma coisa…
- provavelmente, mas não me lembro (juro). ou então o estrago foi tão pequeno, se é que houve, e não percebi.
11. e se arrepende de algo que fez?
- de algumas coisas. menos do que imaginava, mais do que gostaria.
12. qual a sua profissão?
- se eu for preencher uma ficha cadastral que envolva dinheiro, “funcionário público”. se for para algo do tipo currículo ou para me apresentar aos outros, “cientista político”. é que talvez não acreditem que dê para ganhar dinheiro com isso…
13. e dá?
- dá.
14. que história é essa de Telerj?
- próxima pergunta, por favor.
15. depois de “Como John Lennon pode mudar sua vida “, algum plano para um novo livro?
- eu e o Alexandre já fizemos vários, nenhum saiu. muito por minha culpa. mas a real é que, depois de ganhar muito mais dinheiro, a minha grande ambição é escrever the great Brazilian novel. mesmo que eu me ache sueco de vez em quando.
16. sueco?
- admiro essa galera. suecos e neurocirurgiões, por razões diferentes. voltando ao “grande romance brasileiro”, provavelmente quem o escreverá é o Jonas.
17. você é estranho.
- todos somos estranhos, inclusive você. o negócio é que algumas coisas absurdas me interessam.
18. mas você não é previsível e sem assunto?
- sim, e o interesse pelo absurdo casa à perfeição com isso!
19. bom, deixa para lá. no que você está pensando agora?
- que o Lúcio chega amanhã e que vou passar o final de semana em uma dieta à base de acelga.
20. ACELGA? e que raio de dieta é essa?
- o chefe manda, eu obedeço. meu nutricionista diz o que tenho de comer, vou lá e como. de vez em quando tenho o dia livre, daí como o que quiser. mas nesse final de semana rola um iogurte, por exemplo.
21. essas dietas esquisitas parecem uma mania, mesmo tendo acompanhamento. você tem outras manias?
- a dieta não é uma mania. mas eu tenho umas sim: de levantar para fazer uma saudação à minha chefe, quando ela chega; de cometer pequenas trolagens (a última foi com a Mayara, hoje à tarde); de me preocupar demais com coisas que já acabaram – ou que nem começaram… e a lista segue.
22. é, não parece ser fácil conviver com você.
- mas é, de verdade. a regra básica de convivência comigo é: nunca me ofereça algo que não pedi. o resto decorre disso.
23. ah, corta essa.
- não, é sério: nada me incomoda mais do que ter de fazer algo que não quero, porque vou passar o resto da vida brigando comigo mesmo por ter feito aquilo – daí a importância exagerada de coisas que já acabaram ou nem começaram. mais importante do que fazer o que quero, para mim, é não fazer o que não quero.
24. faz sentido.
- né?
25. há alguma coisa que você queira dizer mas não te perguntaram até agora?
- algumas, mas basicamente: que eu sou muito tímido com as meninas; que eu pretendo nunca mais comprar um carro feito no Brasil; que eu gosto mais dos Arctic Monkeys do que dos Rolling Stones; e que sempre que vejo uma panqueca eu vejo, na verdade, um pano de prato sujo – e por causa dessa aparência acabo não comendo.
verdade
hoje à noite eu vou ter pesadelo…
o príncipe
ontem à noite assisti, na casa Thomas Jefferson da Asa Sul, a um debate sobre Maquiavel nos tempos modernos. aconteceu por ocasião do lançamento do livro “O Moderno Príncipe”, no qual o autor, o diplomata Paulo Roberto de Almeida, reescreve Maquiavel em tempos atuais, mostrando o que o autor medieval teria a dizer sobre a política contemporânea – tanto a mundial quanto a mandioca. depois de apresentar a obra, ele debateu alguns temas do livro e outros da política atual ao lado do Murillo de Aragão, da consultoria Arko Advice e membro do conselhão, e do meu grande amigo Paulo Kramer, com quem ainda tive o prazer de conversar na ida e na volta.
foi muito legal, serviu para me relembrar algumas coisas do quadro geral da política brasileira e também que é bom lembrar que não há uma boa solução tão fácil – o diagnóstico parece simples, mas a cura é complexa. também valeu porque ainda não me acostumei com o fato de que virei cientista político (uau!), e preciso ficar sempre atento a essas coisas, sempre estudando, ouvindo, lendo etc. assim como o concerto de terça-feira, ir até lá ainda serviu para conhecer outras pessoas, oxigenar a cabeça e exercitar o cérebro. comprei uma cópia do “Moderno Príncipe” e espero não demorar a lê-la, embora a fila tenha outros volumes na frente.
*
feito o dever – e tendo me divertido com ele -, voltei para casa e assisti ao tenso empate do Santos com o Once Caldas. se perder gols desse dinheiro, meu time ontem teria amealhado fortuna semelhante à do Beto Sicupira. imagino que os genoveses estejam de cabelos em pé por terem contratado o Zé Eduardo, atacante que já não marca gol há dois meses, e que o Neymar deve ter lembrado de quando leu “A arte do vacilo”, clássico oral brasiliense, na hora de bater aquele pênalti perto do fim da partida. estamos nas semi-finais (ou meias finais, se você é conterrâneo do Herman José), mas precisava ser tão difícil assim?
Planalto
criaram uma vela aromatizada com inspiração em… Brasília. é, inspirada pela cidade. vejamos o que diz a descrição do produto:
Une ville béton climatisée, un parfum totalement futuriste. Plantée dans l’infini du désert, une construction aérienne de notes vertes croquantes, de rhubarbe sucrée acidulée, de « Rose Oxyde », de vibrations métalliques. Avec, en prime, une étonnante sensation d’air pur.
traduzindo:
Uma cidade de concreto climatizada, um perfume totalmente futurista. Plantado no infinito do deserto, uma construção airosa de nítidas notas verdes, de ruibarbo agridoce, óxido de rosa e vibrações metálicas. Com a vantagem adicional de uma incrível sensação de ar fresco.
agora manda fazer uma vela de São Paulo, manda…
desestresse
depois de uma corrida desembestada no trabalho e em casa, culminando com um treino na academia que não rendeu nada, eram sete da noite ontem, e eu fiquei me perguntando se deveria assistir à Sinfônica de Brasília. tinha algumas reservas quanto a ir, certamente trazidas pela preguiça depois de um dia cansativo. mas fui, e foi ótimo.
o programa de ontem incluiu: “Le Tombeau de Couperin”, do Ravel; “Concerto para Piano nº 9″, do Mozart; “Nas Estepes da Ásia Central”, do Borodin (de quem nunca tinha ouvido falar), e uma “Sinfonia Clássica”, cujo número me escapa, do Prokofiev. no número do Mozart, a pianista Virgínia Hogan era a convidada da orquestra.
não conhecia nenhuma das obras, mas gostei: a primeira é um tributo do romântico Ravel a Couperin, mestre do barroco. e é curioso como você consegue ouvir alguns compassos típicos dos boleros pelos quais Ravel ficou famoso sendo misturados a estruturas do barroco que te lembram círculos, meio que uma volta completa em torno de um tema. como não entendo nada de música clássica, ainda me é difícil descrever, mas você consegue escutar ali tanto a marca do autor quanto a do movimento homenageado.
na peça do Mozart, o piano era provocado pelos outros instrumentos, terminando uma linha e começando outra – e raramente aparecendo no meio. as intervenções eram breves, sempre em dois ou quatro compassos, parecia que o piano estava ali para dar elegância à coisa. conseguiu. embora seja genial, Mozart não é dos meus preferidos, mas gostei da apresentação mesmo assim.
com as palmas a Virgínia Hogan, a Sinfônica fez uma pausa antes de executar as outras duas obras, e nesse período, bizarramente, metade da plateia foi embora… e não voltou. sobre a plateia, aliás, vale o registro de uma irritação: umas meninas ficaram cochichando bem atrás de mim durante boa parte dos dois primeiros números, e não adiantou olhar com cara feia para elas, como fiz por duas vezes: a dose de semancol não foi aplicada. nem ao casalzinho na fileira de trás e nem ao da frente, que de vez em quando faziam comentários altos o suficiente para me distrair.
felizmente, um dos casais e as fofoqueiras lavraram da sala Villa-Lobos nesse intervalo, ao que aproveitei e mudei de lugar, para ficar ao lado de duas senhoras que assistiam a tudo no mais absoluto silêncio. e com a casa pela metade e sem ruídos, “Nas Estepes da Ásia Central”, obra em um só movimento e que relata a expansão da Rússia czarista rumo ao Pacífico, virou uma nova paixão. não daquelas intensas, mas das… bonitas. adorei, e azar de quem foi embora: foi o grande momento da noite. a saideira, com o Prokofiev, comprovou isso – achei linda, apesar do último movimento ser brusco, muito dissonante e vanguardista para o meu gosto.
mas enfim, isso são só as impressões que tive… como já disse, não entendo nada de música clássica, só tenho um enorme interesse. o importante é que, além de conhecer umas coisas novas e espantar qualquer indício de mofo sobre a alma, cheguei em casa leve, tranquilo e desestressado ao extremo. alguém aí pilha de curtirmos a quarta do Mahler, semana que vem?
fuja
saiu o livro mais deprimente da história. procrastine, diga que não é contigo, arquive: passe longe dele.
cantonês
“O tradutor é apenas na hora de falar com o treinador”, diz Obina. “Eu não sei nem qual é a posição do Shandong no campeonato [está em oitavo], não dá pra ver a tabela nos jornais.”
é um fenômeno, esse tal de Obina. (via Jonas da Galoucura)
trovão
ok, isso é hardcore: enfiaram um motor V10 de Dodge Viper, 8,4 litros e 620 cavalos, numa perua Saab 9-3.
onde poderia ser? claro que na Suécia, onde demência e genialidade caminham de mãos dadas.
coisas que eu nunca te disse #89
all I really wanna say:
“you’re the reason I wanna stay”
(Ben Folds Five, “Don’t change your plans”, 1999)
tchose
assistindo ao Sportv, agora há pouco, apareceu a tentativa de demolição de uma arquibancada do estádio Mané Garrincha, aqui perto. encheram de dinamite, detonaram… e a estrutura não caiu.
curiosamente, a filmagem, feita bem de longe, pegava uma pequena mureta na parte da frente. pouco mais alta que uma guia de calçada, ela era branca e tinha a seguinte pichação: “VIVA LOS MACONHEIROS”.
esse tchose, viu… sempre fazendo Brasília dar bandeira… nota zero.
Belmiroville
dois meses atrás, quando o Paulo Henrique Ganso voltou a jogar, reproduzi neste blógue um comunicado à praça no qual se lê: “quem ganhou [do meu Santos] ganhou, quem não ganhou não ganha mais”.
bem, o time continua na Libertadores e pode passar à próxima fase, ganhou hoje um título de segunda linha e está invicto há mais de dez jogos (não sei ao certo quantos são). tá ótimo. claro que é muito cedo para falar, mas um Santos vs Manchester no final do ano seria lindo, não? :)
dextrose
precisando de açúcar, como eu? a solução, mais uma vez, está com os Arctic Monkeys, agora em 1965:
enseada
esse ano parece que todo mundo se meteu a dar opinião sobre tudo. em qualquer lugar, sobre qualquer assunto, a qualquer momento. não é uma indireta a ninguém, só uma constatação.
que me dá vontade de falar apenas o necessário: já há muito achismo por aí.
uma
entre mortos e feridos, nesta semana salvaram-se todos. o que há de novidade é o seguinte:
- hoje cedo, chegando no carro, vi um trinco enorme no para-brisa. semana que vem vai para o conserto, e ainda bem que a franquia de vidros do seguro existe. já agendei o serviço, o valor é baixo, vale a pena;
- deu tempo de fazer tudo: terminei o trabalho às dez e meia, consegui resolver umas burocracias antes das cinco da tarde, sobrevivi a um treino bastante puxado. não acredito que tenho dois dias de descanso pela frente;
- estou devendo um email para o Gabriel, ele que não pense que me esqueci;
- por um erro grotesco, descobri que a reserva do hotel de Barcelona foi feita para os mesmos dias do hotel de Madri. ainda bem que fiz um double check nisso, constatei o erro e cancelei. infelizmente não há mais vagas para o hotel onde fiz essa reserva, mas achei um outro, da mesma rede, nas proximidades. mais caro, mas me pareceu um pouco melhor… e tinha vaga;
- quando liguei lá para confirmar se tinha duas camas de solteiro, falei em inglês com o atendente e em um certo momento ele perguntou “where are you from?”. mandei um “I’m from Brazil”, e ele “oh, I’m from Brazil too”. eu devia ter mandado um “carai, véi“, mas foi tão rápido que eu não me lembrei… e disse “pô, sério? maneiro”. ele teve dificuldades em desapertar a tecla SAP, e pelo sotaque parece que já está lá há tanto tempo que virou o Pedro Andrade do Manhattan Connection – fala português com sotaque das Ramblas;
- quatro anos atrás eu ia ver “Treze homens e mais um segredo” no cinema, e não vi. nunca aluguei o DVD, também nunca peguei em algum canal. mas essa noite vai passar na TNT então vou lá assistir… até mais.
farmacêutica
dia desses apareceu por aqui, mais uma vez, a oficial de justiça, para me intimar do processo tributário que o governo de São Paulo move contra mim – e que vou ganhar.
ela falou que um dos porteiros do meu bloco havia dito da última vez para que ela deixasse de me importunar, que eu era um cara muito legal, tratava todo mundo bem, e pediu para que ela colocasse no mandado que eu havia me mudado. como eu não estava em casa naquele dia, ela voltou sem fazer a diligência, cumprida agora.
achei a história engraçada, e pelo visto eu tenho um fã-clube na portaria.
mas fã-clube por fã-clube, ontem achei um outro: o da gravata que usei ontem. quatro pessoas vieram comentando, e não foi a primeira vez. não vou ficar me achando por isso, é só… estranho. mas até eu gosto de ficar olhando para ela, às vezes. será normal?
regalo
da Popbitch de hoje:
Presents of mind
At Nelson Mandela’s 90th birthday party the guests in attendance were asked to make a donation to his chosen charity in lieu of buying a present. There was one guest that wouldn’t be swayed though and insisted – despite protestations from Mandela’s aides – that she would buy him a proper gift instead.
And what does one buy one of the most beloved statesmen in the world? Well, if you’re Geri Halliwell – a George Foreman grill.
laticínio
duas semanas atrás, mestre Clayton ordenou que meu café da manhã fosse constituído de um pote de iogurte natural com uma colher de farinha de linhaça. e só.
esperneei, ao saber disso. já me acostumei a comer pouco de manhã, mas iogurte natural nunca foi das minhas comidas preferidas. ao contrário, iogurte bom tem gosto de qualquer outra coisa. mas ele insistiu que tinha de ser o natural, porque os corantes e aromatizantes dos outros sabores não dariam o mesmo efeito etc.
capitulei, com dor no coração, feliz por ter conseguido uma maior flexibilização do jantar (que era ainda mais intragável). pensando que talvez o iogurte natural não fosse tão ruim assim, passei no supermercado e escolhi iogurtes das principais marcas disponíveis, um de cada, para saber se algum deles era tolerável. faz quatorze dias que só como isso pela manhã.
o resultado? são todos horríveis. a saída foi apelar para o Activia Frozen, que assim como os outros não tem sabor, é natural. e é o único que tem gosto bom. o problema é que são apenas 100 gramas dele, ante uma média de 170 gramas dos demais. como menos, mas ao menos não faço mais cara feia ao me deparar com aquilo.
adivinhão
quais as chances de um terremoto previsto por um sismólogo falecido há mais de 30 anos acontecer?
tendo cinco anos de experiência com geologia e já tendo falado sobre vários abalos, embora sem formação técnica, isso me soa como algo no estilo Nostradamus: um chute levado a sério por alguns.
bem, o negócio é que o terremoto foi estimado para acontecer… hoje. em Roma. será que rola?
violoncelo
estou devendo vários posts aqui, hora de começar a pagar.
semanas atrás eu descobri por acaso que havia começado a temporada da Orquestra Sinfônica de Brasília, que nesse ano vai interpretar, às oito da noite das terças-feiras, várias obras interessantes. na semana passada, convidaram o ex-pianista João Carlos Martins, hoje maestro e popstar para reger a equipe candanga.
como ele é um cara que aparece em novela, vira enredo de escola de samba e vai ao Faustão para falar de sua vida (daí a alcunha de astro pop), onde passa atrai multidões – inclusive quem não dá a mínima para a música erudita. em situações normais, portanto, não haveria motivo especial para pegar fila, estacionar o carro no mal-ajambrado estacionamento do Teatro Nacional e aguentar gente pascácia falando no meio da apresentação da orquestra, já que falar nesses recintos é esporte nacional.
o problema é que João Carlos Martins veio aqui para reger a Sinfônica de Brasília tocando a sétima sinfonia de Beethoven. cara, a sétima, aquela maravilha cujo quarto e último movimento, o allegro con brio, me abre um sorriso de lado a lado e me deixa feliz da vida. ou seja, era imperativo ir até lá.
e eu fui. cheguei com meia hora de antecedência, sozinho (apesar de ter avisado Ricardo Henrique do que rolaria). provavelmente por conta do ilustre condutor, a sala Villa-Lobos do Teatro Nacional ficou completamente tomada, e eu consegui um bom lugar, por volta da décima fileira. o espaço para as pernas era exíguo, mas a vista era excelente.
antes do concerto foi exibido um teaser de dez minutos do documentário que o cineasta Ricardo Carvalho prepara (ou já lançou?) sobre o maestro, e depois que os músicos da orquestra tomaram seus assentos, João Carlos Martins entrou, sob aplausos de pé da plateia. ele pegou o microfone e falou sobre sua vida, desde o sonho de seu pai, um imigrante português, de ser pianista, até os inúmeros percalços que culminaram com a paralisia quase total de suas mãos – passando pelos concertos consagradores, claro. uma história e tanto, que todos já conhecem, mas que vale a pena ser ouvida.
mas estávamos lá pela música, e então o concerto começou. não entendo de música clássica, mas percebi um erro do clarinetista no primeiro movimento – do qual ele se redimiu com uma bela interpretação no presto. a sétima de Beethoven é curta, dura algo em torno de 35 minutos, e isso, aliado ao “final feliz”, faz dela um ótimo analgésico para a alma, na falta de expressão melhor.
ao final, João Carlos Martins, novamente ovacionado por 1,5 mil brasilienses de pé, falou mais um pouco sobre sua vida e contou uns causos. no bis, sentou-se ao piano e, com o pouco de mobilidade que lhe resta nos dedos, tocou a solo um tema do Ennio Morricone e o “Libertango” do Astor Piazzolla. mais um bis e, acompanhado da Sinfônica de Brasília, teve um rompante populista com o “Trem das onze” do Adoniran Barbosa – o “populista” não quer dizer algo ruim, por favor.
foi (vergonha) meu primeiro concerto de música clássica na idade adulta, e espero repetir isso ao longo de toda a temporada. só não fui hoje por problemas de horário, e não me sinto bem com isso.
coisas que eu nunca te disse #88
eu não sei o que faço
p’ra essa mulher eu conquistar
porque ela é linda
muito mais do que linda
very, very beautiful
(Mamonas Assassinas, “Pelados em Santos”, 1995)




