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aí na quinta-feira fui ver, com o Márcio, o documentário “Senna”, sobre a vida do tricampeão mundial de Fórmula 1. para quem gosta de F1, meu caso (as minhas lembranças mais antigas são quase todas ligadas a corridas de F1), o filme é um prato cheio. apesar do Ayrton Senna ter corrido na categoria entre 1984 e 1994, o filme se concentra no período entre 1988 e 1991, e depois nas corridas que ele disputou em 1994.

isso acontece, em boa medida, porque o filme tenta mostrar duas brigas do piloto: uma, contra o cantor do Killing Joke seu nêmesis naquele período, o grande Alain Prost. outra, contra o sistema, já que ele foi roubado na cara dura pelo presidente da Fisa, o também francês Jean-Marie Balestre, durante a temporada de 1989 – com algumas implicações para 1990. uma pena, porque deixa de fora algumas ocasiões espetaculares, como por exemplo:

- a vitória na Espanha em 1986, cuja diferença de 14 milésimos pro Nigel Mansell permanece como a menor na história da F1;
- a primeira vez em que ele pegou uma bandeira brasileira e empunhou depois de uma vitória – nos EUA, também em 1986. algumas horas antes, a seleção de futebol havia sido eliminada pela França, nos pênaltis, da Copa do México. dá para ver aqui, aos 6’50″, e ainda colocam “Boys don’t cry” de trilha sonora;
- o Grande Prêmio de Mônaco de 1992, quando Senna foi alcançado por Mansell a três segundos por volta quando o inglês voltou de uma parada (imprevista) nos boxes atrás do brasileiro… e não conseguiu ultrapassá-lo. depois ele diria que parecia que havia três carros à frente dele;
- e, claro, o Grande Prêmio da Europa de 1993. aquele com a melhor primeira volta da história, aquele em que o Prost terminou uma volta atrás, aquele cuja volta mais rápida foi feita passando por dentro dos boxes pela única vez em 60 anos de Fórmula 1. esse só aparece por uns dois segundos, e sem qualquer citação ao que aconteceu.

preocupado?

oi, tudo bem? não ando, mais uma vez, escrevendo aqui como deveria. e eu que achei que nas férias que desfruto desde o dia 12 (e que se encerram hoje) teria mais tempo para escrever aqui.

tempo até tive, mas ele foi canalizado para a grande preocupação do segundo semestre: escrever minha monografia. se alguém dissesse que eu terminaria novembro com vinte páginas escritas (comecei o mês zerado), provavelmente eu riria da cara da pessoa. pois não é que deu isso mesmo?

até a manhã do dia 21 ainda eram apenas oito páginas escritas. na noite daquele dia o número subiu para 12, no dia 26 passou a 14… e no final da tarde de domingo tive uma epifania e produzi mais seis páginas, alcançando 20.

ainda tenho 50 dias até entregar o trabalho concluído, e creio que mais umas 25 páginas sejam necessárias. e incrivelmente elas não parecem tão distantes agora. preocupado, eu? bastante. mas sem achar que tudo está perdido, longe disso…

barganha

agora que só eu, André e Fabiano compramos cds, as gravadoras começam a soltar umas pechinchas inacreditáveis. procurando umas coisas de música francesa, agora há pouco, caí numa promoção de uma caixa com os cinco primeiros cds da Patti Smith por… 12 libras, que ao câmbio de hoje são R$ 32,50.

cliquei lá e vi que essa caixa faz parte de uma série, e que outros artistas também estão nesse esquema de cinco discos por £ 12. Lou Reed (com “Berlin” e “Transformer” no meio), Byrds (“Mr. Tambourine Man” e “Notorious Byrd Brothers” no pacote), Miles Davis (com “Round about midnight”, “Milestones” e “Porgy and Bess” inclusos).

a caixa do Johnny Cash não possui nenhum disco dos mais conhecidos, mas quatro deles foram gravados entre 1959 e 1960, ainda no período de ouro do homem de preto. por esse preço, então, é covardia. que aumenta no caso de Jesus & Mary Chain, Pretenders e Echo & the Bunnymen, que estão ainda mais baratos: seus cinco primeiros discos foram agremiados em caixas vendidas a £ 10, ou R$ 27,50. uau.

hit parade

falando em Ivan, anteontem rolou a última edição (em 2010) da Toranja, festa que ele, Ricardo Henrique e Carol Woortmann comandam no Balaio Café. depois daquele imbróglio do meio do ano, envolvendo o alvará da casa e coisas relacionadas, o Balaio reabriu mas já está de mudança, e em 2011 funcionará em novo ponto no Setor Bancário Norte – e a festinha de quarta voltará.

a saideira foi legal, apesar de ter menos público que muitas outras edições. não bebi nada, estava dirigindo (e na blitz de saída do Lago Norte, onde fui levar o JP, o guarda nem quis testar-me ao bafômetro). alguns grandes amigos faltaram, a pastelaria do lado estava fechada, mas mesmo assim foi ótimo. e o ponto alto da noite foi, sem dúvida alguma, quando o Ivan, no andar de cima (a mesa de pingue-pongue não estava lá), mandou “Jump in the line”, do Harry Belafonte.

explico: dez anos atrás, eu sonhava, SONHAVA em um dia estar numa festa e tocar essa música. quando a viola chorou os primeiros acordes e eu vi umas dez meninas dançando na frente da mesa do DJ, fui transportado para dentro desse antigo sonho. fantástico. dirigi-me ao Ivan e contei que sonhava há muito com o dia em que mandassem um Belafonte numa festa, ele riu e eu agradeci.

então aí vai “Jump in the line”, gravada em 1961. a Winona Ryder dançando é coisa de um filme de 1988.

madrugada

vou ficar trabalhando no frila ao longo da madrugada, e daqui a pouco escrevo mais alguma coisa aqui. até tenho alguns assuntos:

- o documentário sobre o Ayrton Senna;
- o fim da Toranja em 2010, o novo refrão do Vampire Weekend e os reis do calipso;
- a pilha de louça suja na minha cozinha

e muito mais. ou não.

salgadinho

enquanto meus amigos, como o Craudio e o André, sabem fazer risoto de funghi e filé ao gorgonzola (qualquer dia falarei a respeito do uso desses pratos), eu dificilmente saio do trivial na cozinha. já sei fazer um filé gostoso, meu macarrão não é nada mau. mas o arroz, coitado, sempre saía ao estilo argentino: completamente sem tempero, sem gosto, a Dave Matthews Band dos cereais.

disposto a virar o jogo, ontem comprei um genérico do Sazón chamado Mais Sabor, da Kitano. hoje temperei o arroz (integral, estou em dieta permanente) com ele… e deu certo. é, ficou com gosto, e bom: pela primeira vez em 29 anos o meu arroz tem um gosto decente. viva!

Eximbank

por outro lado, tive uma grande ideia para substituir as importações de um produto, gerar empregos e diminuir o déficit na balança comercial brasileira. é o seguinte: até 2004/5, a Ambev produzia no Brasil uma das minhas cervejas preferidas, a Carlsberg, sob licença da matriz dinamarquesa.

contudo, naquele período o trio de ferro que comanda a cervejaria brasileira passou o garrote na Interbrew, a belga que é rival de morte da Carlsberg (e ambas da Heineken). com isso, cessaram os meus porres com a loirinha dinamarquesa e, no seu lugar, ganhamos a Stella Artois. e a Carlsberg desapareceu do mercado.

agora estão trazendo, de forma independente, algumas garrafas dela, mas importação independente não tem escopo para baixo custo, e a origem dinamarquesa implica em frete alto e taxação. se feita no Brasil, uma garrafa de 355 ml de Carlsberg custaria por volta de R$ 3, mas estão trazendo uma de 290 ml por R$ 8 e uma de 660 ml por R$ 19.

é um preço adequado para uma cerveja dita premium, mas acontece que a cerveja juta, assim como a mexicana Corona, não é para ficar degustando, e sim para beber a balde. então, embora seja louvável a iniciativa de se importar para matar as saudades, e tomar uma de vez em quando, continua não sendo possível fazer um churrasco inteiro regado a Carlsberg.

para quem se interessou: o Empório Soares e Souza, na 212 norte, tem as garrafas de 290 ml, enquanto um outro lugar aí, que mestre Craudio me apontou, tem as de 660 – esse santo eu só revelo pessoalmente.

telejornal

a Unesco reconheceu o modo de comer dos franceses como patrimônio imaterial da humanidade. veja bem: é o comer à francesa, não a comida francesa. é sutil e merecido, embora eu não saiba exatamente para que serve uma atribuição destas, ao menos neste caso.

se ajudar a propagar a ideia de comer usando as louças e os talheres específicos, e com os pratos na ordem certa, ao invés de um único amontoado de comida com um Twix no final, será maravilhoso… mas não sei se é plausível.

*

minha monografia ganhou quatro páginas e meia no final da tarde de ontem e agora chegou a doze. a meta é chegar a vinte até o final deste mês, ainda que para isso eu tenha de ordenhar um paralelepípedo. amanhã tenho uma reunião de orientação que pode me ajudar em alguma coisa… cruzem os dedos e torçam para que eu me safe dessa.

*

a chuva deixa Brasília bonita: ontem fui buscar o almoço e o céu cinza, somado à temperatura amena, me deixaram com vontade de nunca mais sair da Asa Sul. não é para chegar a tanto, mas a cada vez que olho lá fora e vejo chuva, ou sinto um vento frio, desconfio que as coisas não podem melhorar muito mais que isso. só se alguém cortar a grama, e olhe lá.

e falando em almoço de ontem, hoje comecei mais uma etapa da dieta: desta vez, com dois dias livres durante a semana, mas com algumas restrições bem incômodas ao longo dos dias úteis. nada de farináceos (adeus, biscoito de linhaça), nada de chocolates (snif), um jantar ao invés de um lanche noturno. se fosse um jantar à francesa, como mencionado acima, eu estaria comemorando, mas ter o trabalho de preparar arroz integral e salada à noite é vacilo.

bem, ninguém falou que seria fácil…

vital

lembre-se de uma coisa a cada vez em que aparecer uma reportagem sobre a apresentação do Paul McCartney: é um senhor de 68 anos dando um concerto que dura três horas. e cujo setlist é covardia, independente de quais sejam suas músicas preferidas.

poderia ser seu avô, ou seu pai, como disse o Lúcio no texto da “Capricho” que está nas bancas. feche os olhos, e pense em chegar em casa e seu avô estar lá, ensaiando para sair em turnê mundial. em vê-lo recebendo os amigos, gente tipo Mick Jagger e David Bowie. em um dos Gallagher chegar pra você e dizer que paga um pau violento pro seu velho. ou nele contando da vida dura em Hamburgo, antes de chegar lá.

pensou? massa. agora pegue o “Rubber Soul” e vá ouvir com seus pais e seus avós.

Foltfholcadh

estreei a churrasqueira nova: comprei linguiça e hambúrguer tamanho médio (90 gramas) sabor picanha, para fazer churrasco estilo americano. e a grelha comportou-se muito bem: o gosto ficou bom, o preparo não demorou e foi relativamente limpo.

aproveitei para tostar o pão do hambúrguer nela, e ficou bom também. aí foi só jogar uma mostardinha e acompanhar com Pringles sabor costela defumada… e apreciar um típico churrasquinho ianque.

*

enquanto isso, vejo que, ao menos no início dessa década, quem mandava nas ruas da Albânia era a Mercedes-Benz. procurei páginas das fabricantes de carros para o país, e fiquei surpreso de ver que só a BMW e a Peugeot têm páginas diretas – sendo que só a última em albanês. Ford e Volvo têm páginas através de seus distribuidores, e a da Volvo é apenas a página de entrada.

eu sabia que a Albânia é pobre de marré, mas isso já é demais, não?

*

João Paulo says: (17:58:03)
e aí? o que faremos hoje?
palandi says: (17:58:45)
naquele circuito de casas noturnas não tem nada
palandi says: (17:58:57)
a não ser que uma banda que toque lady gaga, jamiroquai e gorillaz seja considerada
palandi says: (17:59:10)
resta-nos alguma festinha… mas quem tem facebook aqui é você
João Paulo says: (18:00:57)
nada no facebook
palandi says: (18:01:08)
todo mundo foi atrás do billy corgan
palandi says: (18:01:23)
impressionante como um careca quarentão decadente há mais de dez anos controla a agenda social brasiliense

lipólise

dois meses atrás, na minha visita mensal ao nutricionista, ele me mostrou sua mais recente aquisição: um equipamento de procedência espanhola para medir percentuais de gordura, baseando-se em ultrassom. esse método mostra, segundo ele, a vida como ela é, sendo muito mais acurado que qualquer outro medidor usado normalmente.

o primeiro teste, meu e de uma galera, foi um desastre: todos descobrimos que tínhamos muito, mas muuuuito mais banha do que imaginávamos. o meu percentual, por exemplo, rondava a casa dos 13%, e pelo novo sistema ele era de 23%! frustradaço, continuei a fazer o de sempre: seguir a dieta e academia, sem nada de mais. de volta ao nutricionista hoje, fiz o exame (é bimestral)… e a máquina tocadora de castanholas acusou 15% de banha.

nada mau, hein? falta pouco para chegar onde quero. e segue o projeto verão… 2012 :)

subida

mais trinta e cinco páginas lidas para a monografia, mais uma ligação disparada em busca de auxílio. um pouco mais de leitura e eu me arrisco de novo a escrever alguma coisa durante o final de semana. expire, dê sinal de vida…

dedos

falando em milionário: acho que mencionei aqui ter comprado por 15 reais, frete incluso, uma edição inglesa do “Songs for the deaf”, do Queens of the Stone Age. ouvi o disco inteiro pela primeira vez no sábado, na estrada para Paraibuna, e voltei a ouvi-lo hoje. tem umas músicas bem medianas, coisa para encher linguiça, mas no geral é um bom disco. e tem duas músicas antológicas: a primeira é a faixa de abertura, “You think I ain’t worth a dollar but I feel like a millionaire”, que só pelo título já é boa.

mas a outra é ainda melhor: trata-se da faixa 12, “Another love song“, uma das melhores músicas que já ouvi na vida, mesmo com o mané do Nick Olivieri cantando – ficou até bom, ó. aí tem aquele órgão Farfisa e as guitarras pesadas como têm de ser… nota onze. ainda mais agora, que descobri que é sobre ódio.