depois de algumas movimentações durante a semana, mas apenas uma atividade social – qual seja, a Toranja de quarta -, aceitei o convite do grande Lauro Montana para uma happy hour no El Paso Texas, na 404 sul. ao lado dele e de Paulinho e JP, tomei micheladas, comi uma enorme variedade de petiscos mexicanos e falei da vida. das nossas e das de muita gente, haha. depois, sabendo apenas que a infame Pitty daria som na Play!, começamos a procurar alguma outra opção de diversão na cidade, até que falaram de uma apresentação de Nego Moça de graça no CCBB.
reforçados pelo Renato, fomos até lá, num frio dos diabos (eu estava apenas com um pulôver), e a situação era desesperadora: apesar do delírio arquitetônico que é o lugar, e da vista da ponte JK, o ânimo dos presentes era zero, e a música que saía das caixas de som era nota zero também. era um desperdício de meninas bonitas, que estavam ali a balde. uma, em especial, que eu não sei quem é mas já vi em outras ocasiões, era de se largar a família. mas o evento era facilmente largável e, por mais linda que ela fosse, era hora de partir. por uma ligação do Montana, soubemos que rolaria uma festinha de diplomatas… na 411 sul.
sim, aquela 411 sul onde em 2005 os diplomatas promoveram a Festa da Prumada, uma noite espetacular que deve entrar para a história como a grande festa de Brasília da década, ou ao menos num top 5. e no mesmo bloco. desta vez, contudo, o espaço da festa se restringiria a dois apartamentos, ante os cinco ou seis daquele evento. compramos bebida, entramos e fomos para a cozinha preparar o coquetel preferido do João Paulo: rum com água de coco. ele achou uma garrafa de rum haitiano, de propriedade do dono do apê, e misturou com a água de coco que trouxemos, resultando numa mistura perfumada, leve e muito gostosa. e que, tomada em grande quantidade, te deixaria a ver estrelas. fiquei no primeiro copo, já que estava dirigindo, enquanto eles bebiam sem economia.
no som, um monte de besteiras da música brasileira, mas uma delas me fez abrir um sorriso, justamente por ter tocado na festa de 2005: “Kátia Flávia, a Godiva do Irajá”, de Fausto Fawcett e os Robôs Efêmeros. a menina linda do CCBB chegou à 411 sul ao mesmo tempo que a gente (em outro carro, claro), a festa ainda não estava cheia, mas vinte minutos depois do nosso ingresso a situação era outra: cerca de cem pessoas se amontoavam por uns 75 metros quadrados de dois apartamentos mais o corredor entre eles. pouca gente? imagine-se vivendo com menos de um metro quadrado…
a festa ia avançando, e andar pelos dois apartamentos tornava-se uma tarefa semelhante ao trânsito em Calcutá; ao contrário da cidade indiana, contudo, havia um certo senso de ordem ali, com todos os presentes estavam lá comungando da vontade de se divertir. nessas horas surge-me uma questão colocada pelo Buff e vira-e-mexe evocada pelo João Paulo: o espírito do it yourself de Brasília e a influência direta do Renato Russo nesse tipo de coisa, que será assunto de um texto no futuro. à uma e quarenta e sete, no entanto, a polícia estava embaixo do bloco, enquanto um Jorge Ben dominava o som.

Jorge Ben o cacete, a gente quer ouvir Lady Gaga!
não sei quanto tempo eles ficaram lá embaixo, mas depois de uns vinte minutos o som ficou restrito a um dos apartamentos, com o da ponta do bloco sendo dominado pelo barulho das conversas dos convivas. em São Paulo, Jonas e Marcelo estavam enchendo a cara e, sem saber, participando da festinha comigo, já que eles estavam precisando de um pouco de ação. ficamos trocando mensagens durante uns minutos, enquanto eu observava as meninas, e até mandei a foto dos gambés aí em cima para a apreciação dos dois.
no som, o DJ alternava clássicos do cancioneiro nacional, como “Preta”, do Beto Barbosa, a populachos que eu não suporto mais ouvir, como “Girls just wanna have fun”, da Cindy Lauper. um grande momento, que me fez largar tudo e correr para a pista de dança, foi a execução da batidíssima “Groove is in the heart”: sabe quando uma música é tocada sem nenhum motivo mas ela fica perfeita na situação? pois é. a coisa continuou muito bem até três e meia, quando uma parte da galera foi embora. alguns até ficaram lá embaixo, no pilotis, conversando e matando tempo antes de ir para casa.

tô vendendo meu Astra... ar, direção, vidro e trava...
aí meu corpo pediu arrego. como Paulinho e JP estavam de carona comigo, deixei os dois na pista e fui para o lounge observar algumas imagens interessantes da festa:
- os convidados, diante de uma bancada cheia de destilados e outras bebidas, preparando coquetéis cujo único intuito era o de deixá-los altos;
- a garota do CCBB dispensando dois caras. nem pensei em fazer nada com ela, já que ou ela estava de mau humor (ficou boa parte da festa num canto, sem falar muito) ou saiu com o afã de dar toco em geral que chegasse;
- uns freaks me perguntando a toda hora “você fuma? tem isqueiro?”, desesperados por acenderem seus cigarros – que não sei se eram de tabaco, nem fiz questão de perguntar.
coloquei no meu twitter que estava na festa, e o esperto Thiago apareceu por lá, vindo de uma apresentação de algum dos Ramones em Taguatinga (!!!). ele chegou um pouco tarde, mas o que vale é a intenção e nisso a atitude dele merece uma medalha de ouro. às cinco para as cinco da manhã, ao som de Carlos Gardel (!?!?!?), a proprietária acendeu as luzes e pediu para que nos retirássemos, pois a polícia estava ali e queria botar um ponto final na história.

não teve Bad Romance? ENTÃO VAI TODO MUNDO DE CANA
com o fim, chamei a moradora do apê, agradeci a ela pela festa, dei-lhe os parabéns pela organização e pela iniciativa, e tomamos o rumo de casa. no caminho de volta, o termômetro do meu carro mostrou que a temperatura externa era de 8 graus, igualando o recorde negativo que flagrei uns meses atrás, no Parque da Cidade. que coisa, não?