não creio…

… que a Carly Simon revelou o único segredo tão bem guardado quanto o terceiro de Fátima. tá no Glamurama:

Revelação

Foram quase 40 anos de mistério, mas, finalmente, Carly Simon revelou para quem ela escreveu a canção “You’re So Vain”. Durante todo esse tempo os ex-namorados ficaram brigando para descobrir qual deles seria o “culpado” pela música. Os cantores Mick Jagger e Cat Stevens e o ator Warren Beatty tinham certeza de que ela teria se inspirado neles.

* E não é que estavam todos enganados? Na regravação da música, que ela fez para o novo disco, “Never Been Gone”, ela sussurra, ao contrário, o nome do produtor David Geffen.

* O motivo pelo qual ela escreveu a letra tão famosa foi uma vingança. Em 1972, quando Geffen era seu chefe na gravadora Elektra, ele a deixou de lado para promover a principal rival dela, Joni Mitchell. Aí, deu no que deu!

olímpica

Olimpíadas de Inverno são legais. primeiro, porque têm o esporte mais f*** do mundo, o biatlo: você tem que ter velocidade e coordenação para esquiar, classe para aguentar rajadas de neve na sua cara (é a céu aberto), pontaria e sangue de barata para atirar.

segundo, porque nos apresenta a uma série de novidades, coisas que nem imaginamos que existam. esportes bizarros, rivalidades inimagináveis mas que, ao contrário do que o Galvão Bueno tenta fazer com Argentina e Brasil no futebol, absolutamente pacíficas. terceiro, porque a Noruega é uma potência olímpica de primeira grandeza, e é muito legal ver um país tão diferente se destacar em algo.

quarto motivo, as meninas lindas. todo mundo viu a Kiira Korpi e a Carolina Kostner na patinação, e elas são demais. mas quem me chamou a atenção foi a Carmen Kueng, primeira lançadora da equipe suíça de curling, que ontem perdeu a medalha de bronze para a China.

infelizmente existem poucas fotos boas dela (a do meio), e nenhuma dela sozinha. que menina linda. podem dizer, à vontade, que ela tem cara de normal, que não tem nada de mais. mas eu gosto mesmo é de mulher assim, com isso mais um cérebro e senso de humor… fazer o quê? :)

descontrolado

semana passada, depois de ir ao Alice com o Lúcio, achei por bem guardar o regime até mesmo no dia da semana em que posso esculachar – e veja bem, não comi tanto assim no francês do Lago Sul.

uma semana se passou e eu me mantive na linha o tempo todo, tomando suco de argila e de várias outras coisas, comendo as coisas e as quantidades apontadas, sem sequer colocar um pedaço de chocolate na boca. não gosto de tirar onda, mas lembro de como estou conseguindo me manter no caminho e me aparece um sorriso no rosto. então chegou o final de semana e eu preciso de:

- umas fatias de pizza, com vinho do lado
- um café da manhã com croque-monsieur, brownies e croissants ali da melhor padaria de Brasília
- um almoço num restaurante mexicano
- uns pedaços da minha barra de Frey au lait. pode ser que os amargos é que sejam os chocolates nobres e refinados, mas é o ao leite que me faz feliz.

vai ser divertido. mas amanhã, depois do almoço, a vida volta ao normal. alguém aí a fim de chutar o balde comigo?

Miskolc

ontem o Márcio passou uma dica interessante: a de uma revista portuguesa chamada Obvious. em pouco tempo de navegação já achei uma pilha de textos legais, como sobre janelas que viram varandas, fotografias hiper-detalhadas que parecem dar continuidade ao movimento surrealista e imagens maravilhosas da aurora boreal. mas para além do que ilustra, o texto da Obvious também é muito bom, e dá para ficar uns meses vasculhando as coisas legais na página.

ponto

(ou “QUEM É MODERNO AÍ, MÊO?”)

quarta, na Toranja, descobri que uma antiga teoria minha sobre abandonar Brasília é mais válida do que nunca: o Ximeninho havia pensado a mesma coisa, inclusive desenvolvendo-a mais do que eu. conversamos sobre isso e eu despejei uma de exemplos que a provavam correta. terminou que chegamos à conclusão que:

- existe uma tendência de as pessoas acharem que precisam sair de Brasília para “conquistar” algum lugar, onde a vida supostamente é melhor;
- essa tendência é majoritariamente (95%) feminina;
- o gancho é sempre algum curso “que não tem em Brasília” ou algum projeto “que não dá para ser desenvolvido aqui”. emprego factível que é bom, nada;
- pela mesma razão, quem quer sair daqui geralmente é sustentado pelos pais;
- reclamam que a cidade é artificial, mas adoram a artificialidade de ser estável no emprego público, a facilidade de chegar em casa em 20 minutos enfrentando o trânsito artificial de uma cidade de 2,5 milhões de habitantes etc.
- argumentam que na nova cidade vai ter muito mais “diversidade e opções de lazer”, e acabam ficando em casa o dia todo depois que se muda – eu conheço pelo menos cinco exemplos de gente assim.

enfim… quer sair de Brasília? go ahead. mas seria legal ver se, antes disso, o problema está na própria vida ou na cidade. quando saí de Deprelândia, eu tinha toda certeza de que o problema estava lá, e hoje eu mal me irrito quando visito a cidade: justamente por estar fora dela.

p.s.: como a etiqueta “bronze” indica, aqui embaixo, esse post não é direcionado a ninguém em particular :)

liberdade

da France Presse, no G1:

Justiça decide que zumbis têm o direito de se manifestar nos EUA

Os zumbis têm o direito à liberdade de expressão, considerou uma corte de apelações federal americana, que não deu ganho de causa a policiais que haviam prendido em 2006 um grupo de pessoas caracterizadas de mortos-vivos para protestar contra os males da sociedade de consumo.

Em uma decisão da qual a AFP obteve uma cópia nesta quinta-feira, a Corte de Apelações de Saint Louis (Missouri) considerou por dois votos a um que não havia “razões suficientes” para prender os zumbis.

O tribunal reverteu um julgamento de primeira instância que havia garantido imunidade aos policiais por terem mantido preso o grupo durante dois dias pelo fato de os aparelhos de som que carregavam em bolsas terem sido confundidos com armas de destruição em massa.

Sete pessoas haviam se reunido no centro de Minneapolis (Minnesota), por ocasião de um festival, e os policiais as encontraram andando de maneira direta e hesitante, com seus rostos cobertos de talco, com marcas falsas de sangue desenhadas nas bochechas e olhos pintados de cor escura.

“Sua ideia era protestar contra a sociedade de consumo perambulando pelas ruas como zumbis”, explica a corte de apelações em sua decisão.

Com um Ipod, uma caixa de som e um alto-falante, visíveis em suas bolsas, apresentavam músicas junto com mensagens como “tragam seus cérebros para cá” ou “lavagem cerebral no prédio 5″.

Foram parar na delegacia e passaram duas noites na cadeia, a princípio, para um exame das identidades, e, depois, por “perturbar a ordem pública” e, por fim, porque o conteúdo de suas bolsas se assemelhava a armas de destruição em massa.

Mas, para a corte de apelações, os zumbis exerciam apenas a sua liberdade de expressão de maneira “artística e simbólica” compreensível para todos.

“Uma pessoa razoável não pensaria que existiriam razões suficientes, em virtude da lei de Minnesota, para prender por ‘perturbação da ordem pública’ um grupo pacífico, porque ele ouve música, divulga mensagens, veste-se de zumbi”, conclui a corte.

totocalcio

nós já vimos esse filme antes, ainda que em outros times. desde 1993, com a parceria Palmeiras-Parmalat, que fez história antes de virar suco (Santal?) e, poucos anos depois, o alviverde descer à segundona. lá fora essa coisa de clube-empresa já existe tem tempo, seria legal que a tendência pegasse por aqui.

e se fosse com o Santos, então, seria ainda melhor.

Hajdúböszörmény

ano passado, quando saiu o “Junior”, do Röyksopp, achei um disco estranho. tem umas maravilhas, do tipo “The girl and the robot“, uma canção de amor para workaholics com uma letra linda, mas muita coisa caída. aí entro no verbete deles na Wikipedia e tá lá: quebrando a escrita de que só sai disco novo em ano de Copa das Confederações, esse ano tem outro…

The album ["Senior"] has been described as an introspective, withdrawn, atmospheric counterpart to energetic “Junior”. Röyksopp described the album as having an “autumn mood” to it, while “Junior” had a “spring feel”. In an interview with KCRW, Svein Berge likened Senior to “the senile sibling of ‘Junior’ who lives in the attic”. Three track titles have been confirmed so far: The Alcoholic, The Fear and Coming Home. The Alcoholic has been described by the band as a “nostalgic idea based on this hobo who hitchhikes on trains and travels from place to place”.

se for metade disso aí, meu Deus, é o disco da década.

Balatonalmádi

corrente positiva para o Jonas: entrem nessa. não posso dizer o que é, apenas peço para que apoiem, já que é coisa séria. tô fazendo a minha parte aqui, as coisas vão se resolver… e que o beneficiário desista dessa ideia belga de matar o blógue.

*

via Tomás, a questão do dia: Dilma Rousseff = irmã do Cauby Peixoto?

*

Kevin Smith expulso de um avião por ser muito gordo? assim começa mais uma lenda urbana.

*

reclamar de barriga cheia é isso aqui: quando o dólar caiu a R$ 2,70, lá estavam elas falando que não teriam condições de competir no exterior. quando foi a R$ 2,40, a mesma grita, que ainda se repetiu a cada vez que a moeda americana caía dez centavos. quando chegou em R$ 1,55, em meados de 2008, ameaçaram com demissões, que só aconteceram por causa da recessão no Hemisfério Norte.

agora o dólar está 15% mais caro que naquela época e elas continuam reclamando. pior: reclamando e fabricando Celta. como diz o Pedro, “aaaah, tá bom…”

*

I’m in a room with around 40 people, including the dealmakers from GM, Saab, Spyker, Deutsche Bank, KPMG (in bold because I forgot them the first time and was asked to add them), the Swedish National Debt Office. There is champagne ready with two full trays of glasses. The mood is very, very jovial and there’s a palpable sense of relief here that things are finally – finally – getting done.

quem escreveu o parágrafo acima é o Steven Wade, do Saabs United, aquele blógue sobre a Saab que recebeu uma ligação do Victor Muller, novo dono da marca, um minuto depois de assinar os papéis de compra, para dizer que a empresa estava salva. pelo visto, a gratidão do novo dono do senhor Muller é grande, já que o Steven foi convidado para viajar até a Suécia (ele mora na Tasmânia) para acompanhar a última parte do processo de compra, quando o governo sueco e o Banco Europeu de Investimento assinam a garantia do empréstimo de € 400 milhões.

pelo visto, o senso que a nova Saab tem da importância do boca-a-boca na internet no processo de reconstrução da marca é ainda maior que a gratidão.

lombra

quando abri o MSN e vi a mensagem da Gabi, dizendo que “bipolaridade é o novo tomate seco”, senti, pela segunda vez na vida, que tinha feito algo de bom por alguém. no caso, a metáfora “(tal coisa) é o novo tomate seco”.

é um belo incentivo para um dia que parece ter começado tarde, a despeito de eu ter acordado às 6:20 da manhã.

gôndola

do diário do Miguel Sousa Tavares publicado na GQ portuguesa de novembro passado, e que chegou semana passada às minhas mãos (grifo meu):

9 de Setembro – Visita à Bienal de Arte, nos Giardini [em Veneza], magnificamente exporsta. Reencontro com a pintura de Augiéras – que algures, lá atrás, tinha entrevisto e perdido -, África, Sahel, Mali, silhuetas negras sobre fundos ocres e vermelhos, a solidão, a poeira suspensa no ar, todo o fascínio e o “désarroi” de África, o continente perdido. Incrível como um único quadro consegue reproduzir tudo: o olhar, os sentimentos, a própria lei da vida, ali. Em contrapartida, na secção das “instalações”, descubro um “pintor” em vias de tornar-se célebre e “revolucionário”: alinha sete telas em branco, totalmente em branco, numa parede, e, por baixo delas, tem colados uns post-it com mensagens como “imagine aqui uma praia deserta, com um mar azul e transparente” ou “imagine aqui uma cena de noite na cidade, com chuva, gente e automóveis”. Ok, eu imagino. Imagino uma conversa minha sobre essas “instalações” com o meu amigo PCS, a quem, um dia, fiz a pergunta: “O que é a Arte, finalmente?” E ele respondeu “Arte é aquilo que um artista nomeia como tal.” Chega? Não, para mim, não chega, mas eu sou um básico, falta-me a resposta à pergunta: “E o que é um artista, então? É aquele que se nomeia como tal?” Na minha recém-descoberta veia de artista fotográfico, fotografo Veneza sem parar. Que exercício mais inútil! Tantos milhares, milhões, que o tentaram antes de mim. E então? Veneza continua e será sempre irreproduzível. Ainda bem, é por isso que se volta.

mas melhor ainda foi ele chamando Veneza de “cidade líquida”, no texto de dois dias antes: que definição preciosa…

Nyíregyháza

sexta-feira rolou mais uma edição da Play!, festinha indie (cof, cof) organizada no bar Blecaute, na 904 sul, em uma dessas infames associações de funcionários públicos que estão por todo o Distrito Federal. e a estrela principal da noite era meu grande amigo Lúcio Ribeiro, que mais ou menos uma vez por ano vem para cá lembrar que os DJs de Brasília são uma porcaria e que essa história de Blur-Pixies-Smiths-Placebo já deu o que tinha que dar há muito tempo.

ainda na Telerj, peguei essa foto aqui e imprimi uma folha com apenas o Lúcio, para fazer de cartaz na hora de buscá-lo no aeroporto. quando ele chegou e viu aquilo, riu demais e ficou com o papel. ele me falou de seus planos para a noite: um dos organizadores da festa pediu para ele fazer um set “bem rock”, sem muita música eletrônica ou remix, já que “os brasilienses não gostam dessas coisas”. no hotel, ele me mostrou a base do set: começava com um remix de “VCR”, do XX, e ia emendando uma música eletrônica atrás de um remix até o final. de rock mesmo só havia “Zero”, do Yeah Yeah Yeahs, e a cretina “The modern age”, dos Strokes. achei atitude.

pouco depois fomos ao Alice, tido como o melhor restaurante francês de Brasília. nunca tinha ido lá, e jantar com um dos meus ídolos da adolescência e que acabou virando meu amigo pessoal parecia a situação perfeita para ir. juntou-se a nós o Paulo, amigo do Lúcio, e ficamos lá comendo bem e discutindo política até quinze para uma da manhã. em meu único dia de refeição livre na semana, comi o couvert, uma saladinha muito bem temperada, um penne ao alho e óleo com carne cozida e um flan de chocolate com chantilly. apesar de a comida ser boa, não achei espetacular, e não foi das melhores relações custo x benefício daqui. por ora, o melhor restaurante francês de Brasília continua a ser o La Chaumière.

perto da uma da manhã nos dirigimos ao Blecaute. estacionei meu carro lá dentro e, como que nos recepcionando, duas meninas se pegavam no estacionamento, sob o olhar atento de uma terceira. Lauro Montana, o premiado ator, cineasta e mestre de umas outras tantas artes, estava logo ali do lado também. comentei com ele que a entrevista dada ao Ricardo Henrique estava muito boa, e entramos no bar. deixei o nome do João Paulo na lista, e com cinco minutos na festa encontramos o André, meu colega na escola de lobistas.

como estava passando mal de tanto comer, nem ousei colocar álcool na boca. alguns dos presentes, por outro lado, já pediam suas vodcas e pensavam em ter com Jah nos bastidores. ciente de que tchose e socialismo foram os grandes males do século passado, como diz Vincent Gallo, fiquei na minha. a DJ que tocou antes do Lúcio alternava momentos horrorosos com outros excelentes; só me lembro de um exemplo da parte boa, que foi “Dancing queen”, do ABBA, batidíssima mas responsável pela perda de mais de 70 milhões de reputações, segundo minhas estimativas… e eu me incluo nessa lista.

João Paulo chegou, acompanhado da Luciana. a moça voltou para Brasília, depois de umas temporadas morando na pior cidade do mundo, e obviamente voltou para cá falando mal daqui, no melhor estilo brasiliense. como o JP é implacável, lembrou do ano em que ela bateu o carro dezenove vezes e ela, aparentemente orgulhosa do feito, completou dizendo que a Porto Seguro não lhe faz mais apólices. aí o Lúcio assumiu o comando do som e assim que os primeiros acordes do remix do XX entraram, disse ao JP para tentar adivinhar que música era aquela… dois minutos depois ele tinha pirado.

fui para a pista de dança, exercer meu papel de fiscal do som. basicamente, fico lá no meio vendo a reação das pessoas, se estão dançando, se estão felizes, e mando ao seu Ribeiro uns boletins por SMS. e essa noite tinha até gente usando o Shazam, aquele programa do iPhone, para tentar descobrir quais eram as músicas que o Lúcio tocava. e foi bem divertido, o set do Lúcio foi nota 9 (só não levou 10 porque ele tocou a mesma do Ting Tings duas vezes, provavelmente querendo sacanear alguém). uma noite bem legal, encerrada por volta das quatro e quinze da manhã, depois de discutir Palmeiras e Nick Hornby com o André, filosofia com o Ximeninho e quase todos os assuntos possíveis com o JP.

levei o Lúcio para o hotel e, na volta para casa, recebi uma ligação dizendo que haveria festa na casa do filho de um ministro. não estava nem muito cansado, mas nem quis saber dessa festa: p****, eu sou de direita, eu sou da oposição! como é que vou me justificar depois? hahahahahahaha…