coral

a semana está acabando; se eu escrevesse a palavra “comigo” depois de “acabando”, também estaria certo. mas não estou reclamando disso não, eu gosto quando acontece. e me faz pensar em como vou arrumar tempo para tudo o que tenho que fazer. lembro do meu mapa do Império Austro-Húngaro por etnias, colado na minha baia, e lembro: “eles conseguiam juntar dez grupos debaixo do mesmo império, eu tenho que conseguir fazer dez coisas na minha vida, e bem”. até disse isso a ela esses dias; gosto de como ela não pára (o acento é meu) e de como isso me anima a continuar essa vidinha cinética.

e vou continuar tentando isso, até conseguir – ou até que uma guerra mundial exploda.

*

por falar em continuar tentando, fui agora há pouco cortar os cabelos e, do lado de fora do shopping centre, eis que vejo estacionada uma Mercedes-Benz CLS 63 AMG. oito cilindros, dois turbos, mais de quinhentos cavalos, tudo embrulhado por um desenho que dentro de duas décadas vai se tornar um clássico, e em meio século será estudado como os carros do período art déco. detalhe importante: ele era branco por fora, e cinza-claro por dentro – inclusive nos bancos, parcialmente revestidos em camurça Alcântara.

esse carro me fez lembrar de que é preciso continuar tentando enriquecer.

*

minha perna está bem melhor da lesão. agora, por exemplo, não sinto nenhuma dor, e isso é a coisa mais estranha do mundo: passei anos habituado a sentir pelo menos uma dorzinha, e agora ela não está presente. mas sei que, se parar o tratamento agora, ela volta. por isso mesmo, vou fazer quantos alongamentos forem necessários, quantas sessões de fisioterapia forem demandadas, quantas aulas de RPG bastarem. e ainda tomar o regenerador, tomar o fitoterápico que meu pai mandou, levantar devagar, sentar do jeito certo etc.

essa sensação gostosa de não sentir a perna reclamar é estranha, mas boa. e me lembra é preciso continuar tentando me livrar para sempre dessa dor.

*

tem outras coisas para eu continuar tentando, só não me lembro delas agora. mas vou continuar tentando me lembrar, depois coloco aqui.

organismo

Pipe, a história do aeroporto de St. Maarten é verdade, mas tenho a solução: bora ficar no iate, ou em outras praias da ilha (acho que tem mais umas 3 ou 4). tranquilinho, tomando um mojito, ouvindo “Captain Bacardi”, essas coisas.

*

meus vizinhos de Asa Sul cortaram a taxa de juros em um ponto e meio; pelo pouco que sei de economia, o efeito da medida pode ser definido pelo título do último disco da Carla Bruni, comme si de rien n’etait. dois dígitos é muito, né? chega, por favor.

*

não posso esquecer de ir até o aeroporto buscar o passaporte, sexta-feira. alguém me lembra? tenho a leve impressão de que vou lembrar relendo isso aqui, mas nunca se sabe…

polar

a Telerj conseguiu uma pequena vitória hoje no Congresso, e estou feliz com isso. depois de anos de negligência da galera toda a respeito de um assunto, a coisa virou uma bomba-relógio e entrou naquele que tem tudo para ser o último estágio da detonação. minha área detectou o problema e ficou aporrinhando todas as chefias, em especial aquela do último andar, para resolver a salga. o passo de hoje foi só o primeiro, e ainda estamos em grande desvantagem – se a coisa não mudar, vai ser um infortúnio dos grandes.

não adianta agora lamentar a negligência histórica de todas as partes, mas brigar até o fim para que tenhamos melhor destino do que esse. quando escrevo aqui, parece um exagero, mas essa situação, caso aprovada, é preocupante para o nosso futuro. felizmente, o mais superior dos níveis hierárquicos da Telerj resolveu nos dar ouvidos, e vamos atrás.

yeah

bloquearam meu telefone por “divergências cadastrais”. parece que, para a Brasil Telecom, eu não sou eu. mas se eu não sou eu, quem sou eu? você? não sou eu quem pensa isso, são eles. até o dia em que passem a pensar que eu somos ele, nós é você, qualquer coisa assim.

*

caiu um dilúvio hoje de madrugada, e ao ver aquele pedaço de céu líquido desabando o sono foi todo embora. corri para a janela, escancaradamente aberta, e nenhum pingo ameaçava o sossego; mantive as janelas abertas, dei meia-volta e voltei para a cama, feliz de saber que seria um dia diferente já desde o começo. e fui sonhar com meu copo d’água meio cheio, tão meio cheio que chegava a transbordar.

*

alguém aí a fim de ir ao cinema amanhã ou quarta, para assistir “Foi apenas um sonho”? ou para ir no final de semana ver “Slumdog millionaire”?

*

dias de encomendas chegando: um livro de São Paulo na sexta, um pacote de Belo Horizonte no sábado, um remédio para as costas hoje, vindo de Deprelândia. parece que vêm outras por aí, e numa delas eu ainda espero ouvir a campainha e correr até a porta para te ver, com o teu sorriso que me derrete, com a tua voz de menina doce, com as tuas mãos macias sem segurar nenhuma caixa ou envelope. nem precisa: onde é que eu assino para ficar?

uncategorized

gostei dessa casa, mas essa outra é a coisa mais linda que já vi. achei bizarro esse projeto de como seria se vivêssemos em prédios inspirados por objetos. isso aqui é tão besta que me fez rir, enquanto a minha vontade de ter uma banheira em casa ficou ainda maior depois que vi essas.

the aesthetic quality of a product – and the fascination it inspires – is an integral part of its utility (V)

aaaah, Blue Lagoon. quando sai o próximo voo para a Islândia mesmo?

e uma propaganda bonitinha pra encerrar:

nomenclatura

essa semana também foi diferente no que diz respeito ao meu tratamento: as dores estão bem menores, mas ainda se fazem presentes. começou no final de semana passado, quando tomei três injeções de Dexalgem: descontada uma injeção de anestesia e as colheitas de sangue, foram as primeiras vezes que tomei uma injeção em minha vida. achei meio constrangedor, mas se é preciso… paciência.

na segunda-feira fiz uma eletroneuromiografia, um exame dolorido. numa primeira parte, ligam aquele aparelhinho de choques (Tens) que faz parte do repertório da fisioterapia, mas em níveis que beiram o intolerável, justamente para saber até onde o corpo suporta. mesmo assim, e mesmo vendo minhas pernas me desobedecerem e pularem forte, resisti bem.

a segunda parte envolvia umas agulhadas: foram dez delas, e cada uma doía mais que a outra. enquanto isso, tinha de dobrar a perna e fazer movimentos com os pés, repetidamente. foi uma das coisas mais desagradáveis que fiz na minha vida, embora fosse extremamente necessário. saí de lá desnorteado, querendo a minha mãe. quando peguei o resultado e li nele “comprometimento subagudo e crônico das fibras motoras” de parte da minha perna, mais ainda. como só consegui agendar um retorno no ortopedista para dois dias depois, foram quarenta e oito horas pensando “pqp, o que foi que fiz da minha vida”.

então na quarta-feira levei o resultado para o doutor, que já foi logo falando “esses manés colocam esse ‘crônico’ aqui sempre. não sei que diabo eles querem dizer com isso, não tem nada a ver”. e como é algo muscular e não ósseo, o problema é menos grave do que a primeira leitura da situação indicava. peguei umas sessões de fisioterapia e um remédio para reconstruir a bainha de mielina na região afetada, e foi isso. comecei a fisioterapia na sexta e agora tenho ela, o RPG, dois remédios e aqueles cinco mil cuidados de sempre… mas uma hora se resolve.

felizmente, bem antes disso a gripe dela vai passar.

mudança 2

tenho observado que meus posts estão cada vez mais concretos, com muito pouco espaço para abstrações, devaneios e coisas do tipo. mas eu não parei de sonhar, apenas guardo esse tipo de coisa para dividir com ela. e um dia, quem sabe, volto a escrever sobre isso por aqui.

mudança

oi, tudo bem? não escrevo por aqui desde quinta-feira, e preciso justificar a falta de atualizações: na sexta-feira eu simplesmente esqueci. no sábado, já lembrado, achei que pudesse esquecer de novo, e quase apareci. mas preferi deixar pro domingo e ver no que dava.

*

estou conseguindo colocar o sono em dia, depois de ter deixado acumular horas e horas de cansaço ao longo da semana. as coisas na Telerj continuam melhorando, independente de a semana ter sido mais puxada, e ainda há espaço para mais coisas boas. essa história de ter mais competências e mais autonomia só tem feito bem, e garanto que vamos conseguir até o final do ano uma meta bem ambiciosa.

*

a semana me foi boa também na Bovespa: se o índice fechou com baixa de 2,82%, pessoalmente tive aí algo em torno de 3% de alta, com operações aparentemente banais. vou insistir nelas por mais um tempo, enquanto capitalizo a carteira e a economia volta a crescer: viva o otimismo de longo prazo.

*

vocês viram a eleição do senador Collor para a presidência da Comissão de Serviços de Infra-Estrutura do Senado? eu tava lá na hora. os parlamentares que apoiavam sua adversária, a senadora Salvatti, implicaram quando ele disse que ela era uma pessoa que ciscava para dentro. segundo ele, “ciscar para dentro” é “agregar, congregar, trazer ideias para o debate”, mas seus adversários, motivados pelo calor dos debates e pela iminência da derrota, certamente associaram o verbo “ciscar” a um comportamento galináceo.

lá no fundo, ao ouvir o “ciscar para dentro”, eu só ria, ao lado dos jornalistas e assessores parlamentares. mas teve coisa pior, como o senador Salgado, ao defender a disputa (a única batalha em 11 comissões), citando Tim Maia e dizendo que nessas horas “só não vale dançar homem com homem e nem mulher com mulher”, e o povo só rindo. tava difícil, e rimos até quando ele bateu boca com o senador Mercadante, que o chamou de “você” – no Congresso, o pronome de tratamento é “vossa excelência”. na segunda vez que o petista falou “você”, o senador Salgado emputeceu-se e, com a voz alterada, bradou “‘VOCÊ’ NÃO! ‘VOSSA EXCELÊNCIA!’”.

na real, não sabia que alguém poderia ficar tão irritado por causa de um pronome de tratamento, mas todo mundo sabe que não foi por isso. mudando de assunto, que diabos o senador Collor fez com os cabelos?

*

na quinta-feira, saindo do trabalho às sete, constatei que teria de perder o meu humor se quisesse encarar o trânsito para casa. ao invés disso, mudei de caminho e fui apenas por lugares sem tráfego de carros, indo para a direção completamente contrária à da minha casa. só queria chegar em algum lugar, e ficar por lá por tempo suficiente para não me preocupar em voltar.

e acabou que fui comer alguma coisa em um lugar que fica exatamente do lado da concessionária Audi de Brasília, onde apareceu esta semana um exemplar do A4 que é rigorosamente igual ao que quero para ser meu próximo carro. juro que não foi intencional, mas um belo recado do subconsciente.

despertador

e hoje foi uma continuação de ontem, talvez até melhor. e à medida em que ia despejando os textos, relacionando as informações e terminando as coisas, ia me sentindo bem, apesar do meu cérebro provavelmente ter se sentido como uma omelette. qualquer dia gostaria de te falar mais sobre isso, quem sabe de te escrever um livro… ou quem sabe te dar um beijo e deixar tudo perfeito.

lavada

e quando saí do trabalho, às nove da noite, as ruas estavam vazias. por instinto eu olhei para o céu, e enxerguei a beleza das coisas mesmo no meio de tantas nuvens. fazia tempo que não via uma estrela, e não foi hoje também. mas não desisti delas, e também não pretendo desistir.

goleada

são quinze para as nove da noite, e estou no trabalho. acabei de terminar os relatórios e textos do dia, e meu cérebro pediu encarecidamente para que eu não adiantasse as coisas de amanhã. não é nem tanta coisa assim, mas a quinta-feira vai começar do zero.

não é sempre que preciso ficar na Telerj até depois de seis e meia (tecnicamente, meu expediente se encerra às seis): entretanto, por trabalhar em uma área que mistura comunicação, política, imagem e ímpetos desenfreados, os horários podem não ser tão definidos assim. e hoje aconteceu de o mundo ameaçar desabar por aqui, com várias coisas acontecendo ao mesmo tempo.

mas acabou dando tudo certo, e a gente deu conta de nossa missão – e olha que no meio do dia ainda precisei parar tudo para ir ao médico e me sujeitar a ouvir uma má notícia, o que felizmente não aconteceu. de volta aos corredores do meu segundo local de trabalho, aquele em torno do qual a minha área excentricamente orbita, em meio àquele mar de divisórias amareladas, àquelas pessoas com ternos da Colombo, às guerras de crachás, emendas ao orçamento e meias-verdades que não se sustentam à menor investigação, me senti feliz de novo e me lembrei do quanto queria estar aqui, mesmo sem saber o que me esperava.

então a última reunião foi fechada às seis e meia da tarde e eu voltei para o prédio da Telerj, para terminar tudo, e é curioso como me sinto bem ficando no trabalho até mais tarde: isso faz com que me sinta mais importante aqui dentro, e ainda por cima fazendo o que gosto. não sei quanta gente tem essa sorte, mas não devem ser muitos, o que é uma pena. de toda forma, sinto que hoje foi um daqueles dias que fez de mim uma pessoa mais forte e que me fez lembrar do que já consegui; mais ainda, me anima a conseguir cada vez mais.

cassiterita

nos últimos dias o noticiário da Globo esteve repleto de notícias sobre o aumento dos sequestros-relâmpago em Brasília. na primeira vez que ouvi alguma coisa a respeito, em um formato de locução feito para a rede – ou seja, foram feitos para serem veiculados em jornais de âmbito nacional -, tive certeza de que meu pai tocaria no assunto na primeira oportunidade de conversa que tivéssemos.

dito e feito: ele passou longos minutos me ensinando a evitar esse tipo de coisa. mas a conversa não foi de todo sobre segurança pública em uma capital: ele aproveitou o ensejo e disse oficialmente que vou ter um irmãozinho, ou uma irmãzinha (ainda não se sabe). nasce em fins de setembro, e a uma certa altura meu pai disse, em tom sério: “arrumei mais um filho, já que vocês não me dão netos”.

perguntei a ele se não pode esperar uns anos, e ele meio que se tocou que tinha pago um sincerão além da conta. na pior das hipóteses, era só eu ter lembrado que ele tinha 31 anos quando eu, que sou o filho mais velho, nasci – ou seja, tenho pelo menos quatro anos para não ouvir essa conversa. enquanto isso ele vai continuar temendo que seus filhos não lhe tragam netos.

bem, eu quero ter filhos, daqui a um tempo. mas posso ficar rico antes, por favor?

febre

no final desse mês começa a temporada 2009 da Fórmula 1, mas o Boteco Vanguarda já se adianta às emoções e traz hoje um texto meu sobre o que esperar da categoria esse ano. e breve, muito breve, tem um texto meu sobre o que a F1 das antigas tinha de melhor e a de hoje infelizmente perdeu.

surrender

tentei começar esse post às dez da manhã, depois às onze. e está saindo agora, às cinco da tarde, porque não dá mais para adiar.

*

tirando por anestesias, nunca havia tomado uma injeção em toda a minha vida. de sexta-feira para cá, foram três, todas aplicações de Dexalgem, e as dores diminuíram um tanto. ainda não está perfeito, e isso não vai passar a curto prazo, mas uma hora acaba. fiz um exame agora na hora do almoço, recebendo nove agulhadas nas duas pernas (além de n+1 choques). deve ter gente cansada de ler sobre essas coisas, mas isso tem tomado um bom tempo da minha vida ultimamente.

*

felizmente ainda há espaço para alguma diversão: terminei “A serviço do povo“, livro do chinês Yan Lianke que conta uma história de amor entre um sargento do exército chinês e a esposa de um coronel. o livro tem um teor satírico bem grande, já que os dois, cientes de que o relacionamento é errado por ser um adultério, acabam por chutar o pau da barraca, descobrindo que destruir material do Partido Comunista e maldizer a revolução é um afrodisíaco, haha. mas, apesar do livro ter sido promovido com esse mote de profanação à revolução chinesa, a parte de amor é mais agradável.

em tempo: tenho que registrar um agradecimento ao doutor Marcio Porto, diplomata de carreira, que me presenteou com o livro em questão.

*

ontem foi o aniversário da senhorita Carol Galli, e fomos todos até o Lago Sul cantar parabéns, comer churrasco e desfrutar da maravilhosa casa da família dela. o Tiago disse que só vai pedi-la em casamento quando tiver certeza de que podem morar lá. por um lado, é exagerado, mas, por outro, qualquer um que conhece a casa admite que ele faz bem de não querer menos que isso…

*

e hoje, como alegria de quem trabalha na Telerj é primeiro dia útil, foi hora de colocar a vida em dia: paguei a taxa do passaporte, a multa do licenciamento do carro e mandei um dinheiro para a corretora, para brincar de fazer day-trades qualquer dia desses. de quebra, comprei o “Amsterdã Blues“, um livro que me foi bem recomendado uns anos atrás mas que por alguma pala do destino nunca fui atrás – até agora, claro. preciso manter o ritmo de leitura dos últimos tempos, pegando uns livros ágeis até voltar a ter paciência com os dinossauros.

*

bom, até que, para quem achava que não tinha nenhum assunto, isso aqui ficou de tamanho razoável. queria colocar uns devaneios aqui no meio, mas ultimamente eles andam bem concentrados e de acesso restrito…