uma vez eu comprei um LP do Everything but the Girl chamado “Idlewild”, da década de 1980, quando eles ainda faziam bossa nova. e no meio das músicas havia uma chamada “Oxford Street”, que logo me chamou a atenção. primeiro porque é um dos poucos lugares em que estive em Londres dos quais me lembro do nome – e da loja da HMV, e da rua Berwick, e de andar à pé até Piccadilly e a praça Leicester também. quando li a letra impressa naquela capa interna, também em papelão, vi que era linda: tem uma melancolia que não é triste, um sentimento que é até gostoso, desde que não se pense – como eu penso – que sentir saudades é um mero atraso de vida. olha só um pedaço dela:
when I was seventeen, London meant Oxford Street.
where I grew up, there were no factories; there was a school and shops and some fields and trees, and rows of houses one by one appeared. I was born in one and lived there for eighteen years (…)
when I was seventeen, London meant Oxford Street. it was a little world; I grew up in a little world.
é de uma simplicidade linda, de uma sinceridade igualmente linda. e hoje, enquanto ia à pé até a 111 sul, lembrei da música porque senti a mesma coisa: a Asa Sul parece um mundinho, não no sentido pejorativo, e eu me sinto incrivelmente bem aqui dentro. as árvores, os blocos tão uniformemente coloridos e distintos, a cinética dos carros no Eixão e Eixinhos, os pequenos detalhes que fazem com que a arquitetura de cada quadra seja singular.
sinto muito, mas faltam as palavras (o que é melhor do que dizer que sobram sentimentos).
quando voltei da minha primeira viagem para cá, em 2000, meu pai perguntou o que eu tinha achado da cidade; respondi que estava apaixonado e que não via a hora de me mudar para a capital. ele comentou isso com o meu tio e disse que logo iria passar. voltei aqui de 2001 a 2004, mudei-me em 2005, e ainda não passou. meu pai não espera mais que vá passar, mas eu ainda fico impressionado com o quanto gosto de Brasília, e em especial a Asa Sul que fica entre o Eixinho L e a W2 – até estou baixando o “Idlewild” para pensar melhor no assunto.