uns tempos atrás eu falei de um grande disco que descobri e que era um dos melhores desse ano. é o “Wilderness”, do Brett Anderson. sou suspeito para falar de qualquer coisa que ele faz: o Suede é minha banda preferida, me fez acordar para uma série de coisas na minha vida, provou que é possível fazer um grande disco sem qualquer sinal de melancolia, mantinha no palco aquela cumplicidade com os fãs que saía das caixas de som.
quando a banda acabou, o Brett voltou a falar com o Bernard Butler, primeiro guitarrista do grupo, e os dois fizeram um disco como The Tears. o disco tinha um single lindo, mas foi feito com uma certa preguiça: havia bateria eletrônica por todos os lados, nenhuma preocupação com os vocais, pouca unidade nos temas. e nunca teve grande sucesso comigo. depois saiu um disco solo do senhor Anderson, muito fraco. e eu achei que ele talvez pudesse ter esgotado o seu talento.
mas esse “Wilderness”, que eu só baixei porque o cara tem todo o crédito do mundo comigo, me provou que ele continua sendo o cara. não tem nenhuma revolução, não tem nem muita variedade: o disco todo é monocórdico, parece uma única música. mas é cantado e tocado com todo o sentimento do mundo, e parece que foi feito como um grande desabafo, sem ensaios, sem pensar antes. é a coisa mais espontânea que ouvi esse ano.
provavelmente vou fazer um texto sobre ele, mas, enquanto ele não sai, é bom que conheçam o disco. provavelmente só eu vou gostar (as críticas que li são destruidoras), mas pouco importa: “Wilderness”, assim como seu autor, mora no meu coração.