coisas que eu nunca te disse #24

of all the things I felt but never really shown
perhaps the worst is that I ever let you go
I should not ever let you go, oh oh oh

it’s not over tonight
just give me one more chance to make it right
I may not make it through the night
I won’t go home without you

(Maroon 5, “Won’t go home without you”, 2007. mais uma belíssima música de corno dos caras, com um clipe à altura)

luminária

de férias do trabalho até segunda-feira, passei ali pelo começo da Asa Sul hoje, levando o Lelo para que ele almoçasse. na banca da 103 – surpresa! – havia um exemplar da Tatler. não acreditei. quis levá-lo comigo, mas quem disse que eu tenho coragem de empatar 53 reais numa revista? pois é, tenho não.

mas aí vi na página deles que uma assinatura para o Brasil custa 79 libras, e o preço por edição cairia para 23 reais. e não, não dá para ser mais acessível do que isso porque a Tatler é “o mais estiloso e e indispensável guia da sociedade”. e até conseguiu transformar a princesa Eugênia numa mulher linda.

*

por falar em princesa Eugênia, enquanto eu procurava subsídios para escrever esse texto, dei Google nela para ver se achava alguma foto do ensaio pra Tatler. achei no Telegraph. beleza. aí você lê ali no texto do lado, sobre a princesa:

She watches Big Brother but also loves explaining why John Steinbeck’s Of Mice and Men is one of her favourite novels.

eu assisti o Big Brother na última semana, só para ter assunto no trabalho. e faz pouco mais de 40 minutos que li, de uma só vez, “Ratos e homens”, do John Steinbeck, um belo livro.

*

e como se as coincidências parassem por aqui, o guia de viagens da Tatler recomenda a Fazenda da Lagoa, na Bahia. e diz, sobre o lugar:

All you can hear is the blissful whispering of the pampas grass. When you can be bothered to move, you can bike on the beach, enjoy a surf lesson, picnic by the lagoon or flop in the spa. Heavenly service and amazingly quiet – this is tropical isolation at its purest..

pois é. quem foi que disse, no post passado, que queria ir pra Bahia… parece que eu já tenho os mesmos gostos da aristocracia; só me falta o título de nobreza. alguém aí me vende um?

saguão

depois de passar a noite tomando chope estranho com amigos, especulando sobre o futuro da humanidade (idiotização? mentes virando queijos-quentes? o governador passando para nos recolher às duas da manhã? Gatorade sendo utilizado para irrigar lavouras?), ligo o rádio na Rádio Câmara e vou ouvindo ali o que tem de melhor na madrugada. depois de um bloco de MPB, vem a seqüência matadora: “Stay”, do U2, “Knives out”, do Radiohead (que nem é tão boa, mas saber que o poder público está botando no ar uma coisa dessas é uma delícia) e uma música cheia de malemolência, dissonâncias, órgão e piano ao mesmo tempo e uma voz desconhecida.

já tinha chegado em casa quando essa música estava tocando, mas decidi aguardar pelo seu fim, para que o locutor me dissesse quem estava interpretando aquela belezinha, que me fez pensar nas minhas férias de 2010, no interior da Bahia, vendo aquele mar cristalino e abstraindo do futuro da humanidade por umas horas. e a música era “Here it comes”, do Doves. não reconheci a voz porque ela é cantada pelo baterista.

subi até o apartamento e peguei a música: agora pode vir um sol de trinta e cinco graus que eu tô preparado para tamanha tropicalidade.

(…) she doubles up and comes back Sundays
and she will come
into your heart
it goes on and on and on

here it comes
here comes my day in the sun
here it comes
here comes my time in the sun

this is the day
this is the time
to stare at the skies in wonder…

aristocracia

tenho dois textos sobre a visita da Carla Bruni para indicar, ambos trazidos a mim pela Lisa. mas peço para que coloquem “Promises like pie crust”, cantado pela musa italiana, antes de ouvir.

o primeiro é esse aqui, a coluna do Ivan Lessa dessa semana. nele, o mestre manda uma bola no ângulo no último parágrafo:

A visita de Estado de Carla Bruni foi uma das mais espetaculares dos últimos anos, garantem aqueles que entendem do riscado.

o segundo, antológico, é do Gilles Lapouge, correspondente do “Estado de São Paulo” em Paris. e que, em uma só sentença, pega o Zeitgeist da história e ainda explica porquê eu sou monarquista:

Já era um conto de fadas, mas não era real. Ontem, em Londres, foi um conto de fadas de verdade, em pleno século 21. É essa a graça das grandes monarquias européias: elas flutuam sobre o tempo.

para quem quiser um pouco de fotos, tem aqui (obrigado, Lisa, por essa dica também).

(nota: apesar de não conter nenhuma entrelinha, esse post foi etiquetado como “prata” porque os textos são antológicos. e a primeira-dama da França, ainda mais)

gato

“Black cat”, primeira música de trabalho do novo disco do Ladytron, a ser lançado em junho (o nome é “Velocifero”), já pode ser ouvida no myspace deles. estou ouvindo agora e a primeira coisa que me veio à cabeça foi um disco do William Basinski, “Disintegration loops”, que eu nunca ouvi. acho que é pelo nome dele, e pelo fato de que essa nova do Ladytron é cheia de loops. ou então porque minha cabeça está se desintegrando. hoje, na minha última hora de Telerj, comecei a cantar “minha mente… tá virando um queijo quente…”

*

aniversário do meu chefe hoje. além de caprichar na atualização da nossa página, liguei pra ele para dar os parabéns. depois de seis tentativas, localizei-o… no interior da Bahia, onde, com seu valente 4×4, ele estava preso em um atoleiro e esperando o resgate chegar. ele é o cara.

*

smooth transition back to color mode. acabei de ler essa frase e constatei: é disso que preciso. bem devagar, que é para que nada se quebre ou mude de estado físico.

Carlinha

(nota: ela merece)
Sarkozy fica "emocionado" com recepção britânica à sua mulher
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, cuja turbulenta vida amorosa tornou-se alvo de ataques lançados pela imprensa, afirmou hoje ter ficado muito emocionado diante da forma calorosa com que sua nova mulher, Carla Bruni, foi recebida na Grã-Bretanha. Sarkozy viu seus índices de aprovação despencarem na França durante seu romance com a ex-modelo. Os eleitores franceses deram sua punição nas eleições municipais, queixando-se de que o presidente se ocupava demais de sua vida amorosa e não se concentrava suficientemente nas dificuldades enfrentadas pela economia do país.

Os meios de comunicação franceses e britânicos, no entanto, não pouparam elogios à elegante estréia de Bruni no papel de primeira-dama. A ex-modelo acompanhou Sarkozy na visita ao Castelo de Windsor, onde os dois foram recebidos pela rainha Elizabeth com um suntuoso banquete oficial. O Daily Telegraph, da Grã-Bretanha, perguntou: "Carla é a nova (princesa) Diana?". Os jornais franceses mostraram-se entusiasmados com a impressão causada pela atual mulher de Sarkozy.

Já o presidente francês afirmou: "Fiquei muito emocionado pelo modo como Carla foi recebida". "Acho que ela merecia isso. Já aconteceram tantas coisas… Estou muito feliz por ver que lhe fizeram justiça", disse Sarkozy a repórteres em uma entrevista coletiva ao lado do primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown. Sarkozy, 53 anos, separou-se de sua segunda mulher, Cecilia, em outubro após um casamento de 11 anos, e apenas cinco meses depois de tomar posse. Em fevereiro, o dirigente casou-se novamente, desta vez com a modelo e cantora Carla Bruni, 40 anos.

O líder francês, apelidado de "Presidente Bling-Bling" em virtude de seu estilo de vida chamativo, que inclui a ostentação de óculos Ray-Ban e relógios Rolex, ficou claramente satisfeito com a forma como o casal foi retratado nos meios de comunicação nos últimos dias. "Todos perceberam que ela é uma mulher com convicções, sensibilidade e humanidade. E são as convicções, sensibilidade e humanidade que dão elegância a Carla", disse.

Brown e Sarkozy tentaram suplantar um ao outro na troca de elogios – um cenário bastante diferente das relações complicadas mantidas pelos dois países em tempos recentes. O líder francês chamou seu companheiro britânico de "um dos melhores ministros das Finanças que a Europa já conheceu", cargo que Brown ocupou antes de tornar-se primeiro-ministro. Brown, saudando o que espera sejam mudanças profundas nas relações entre os dois países, deu as boas-vindas ao que chamou de "aliança formidável".


calcio

minha Suécia perdeu? sem problema, meu Santos compensa.

*

e esse CQC? tô assistindo aqui, bem legal. no youtoba já rola discussão pra saber se é melhor que o Pânico, mas são estilos diferentes: um tem gostosas, o outro não. simples assim.

*

se eu fosse trocar de carro hoje, compraria a nova versão do Mégane, que sai daqui a dois meses. com aquele pacote esportivo e com adesivos em preto lacado para o painel, dentre outras coisas. o meu seria verde ou angorá, ainda não sei. mas por que estou dizendo isso? ah, lembrei: não tenho assunto.

sanidade

"- Maria?"
"- oi?"
"- a chefe não ia viajar essa semana?"
"- ela vai viajar amanhã à noite."
"- séééério?"
"- é."
"- então quer dizer que quinta e sexta eu posso vir trabalhar de cueca?"
"- não, não pode." (rindo)
"- pô Maria, trabalhar sem cueca é difícil."

jabuticaba

uma volta mais devagar: faz tanto tempo assim que estou parado? na verdade não… essa prova do final de semana é que me deixou bastante cansado. mas está longe de me matar. até porque, depois da última prova existem coisas legais pra se fazer, e eu passei um bom tempo com elas.

*

hora de ir ao supermercado, ser criativo e dar um reload na despensa: andei pedindo dicas de coisas legais para se comprar, vendo listas de compras alheias, consultando páginas de receitas… dá trabalho fazer comida legal, né? mas é preciso. como diria aquele slogan da Volvo, é pela vida.

*

ah, lembrei: uma garrafa de champanhe!

ferricianeto

baixei seis discos de sexta para hoje, e estou tentando agora o sétimo. é música até dizer “chega”. adeus, tédio no trânsito. olá, singalong dentro do carro. adeus, voz do Brasil. olá, comando satélite do rádio na coluna de direção.

onírico

então eu estava na 106 sul, quinta-feira à noite, com vários amigos em volta. comida legal, Coca Light, conversa fluindo, ar-condicionado forte como deve ser, música boa. pensava em várias coisas: no pé-direito alto do lugar, em planos para o trabalho, em tomar vergonha na cara e levar algumas coisas a sério – mas nada fatal.

várias meninas lindas no ambiente, dentre elas uma versão melhorada da Britney Spears no auge. nem me aproximei delas, não achei que fosse preciso. apenas relaxei e constatei que ali eu era uma pessoa feliz. com dez quilos a mais, lutando a cada mês para equilibrar o orçamento e sem amar ninguém, mas feliz. e não me faltava absolutamente nada: até a paz de espírito, aquela desgraçada, estava ali comigo.

e quando começou a tocar “Relax, take it easy”, aquela música do Mika que eu odiava apenas seis meses atrás, a última peça se encaixou. e eu não só vivi feliz para sempre naquela noite como ganhei coisas para pensar em todos os dias.

ameixa

a Heloísa também me escreveu na quarta-feira, vejam só:

ontem eu escrevi um comentário para você, mas minha conexão caiu bem quando eu cliquei em “publicar”. mas bem, paciência. eu dizia que já acompanho seu blog faz um tempo e que eu o conheci porque é um dos preferidos do meu marido fabiano, do blog aleatório. eu queria aproveitar que você tinha falado sobre sua musa luísa para passar o link de um post sobre outra musa, a plum sykes: http://thestilettoeffect.blogspot.com/2008/03/plum-princess.html
é muito legal, tem várias fotos, inclusive dela se casando, loiríssima.
ah, adorei a jaqueta (o fabiano também curtiu). e o casaco burberry então… sem comentários.

heloisa

primeiro de tudo: obrigado por ler aqui, Heloísa. bom saber que virou um hábito de família :) a Plum é outra musa absoluta deste blógue por ser tão aristocrática quanto qualquer outra mulher do meio dela, mesmo sem ser de família nobre, como acho que todo mundo aqui sabe. as fotos desse link aí que você passou são, até agora, as melhores que já vi dela, meu deus. insuperáveis. gostaria apenas de fazer um pedido, se não for abusar: tem um certo blógue aí que se encontra sem uma atualização desde primeiro de janeiro desse ano… e acho que você pode ajudar os leitores de bom gosto a pressionar o dono dele a voltar, não?

um abraço aos dois!

bloco

a seguir (isso quer dizer amanhã):

- Heloísa Goto e a Plum Sykes;
- pensando duas vezes antes de falar;
- eu já estou sonhando e não me dei conta;
- cabelos, ui;

e as últimas dos corredores da Telerj, das mesas do Bierfass que dão vista para o lago, das garotas de salto dez e do fim do mundo como o conhecemos. mas só amanhã, e eu peço desculpas, porque agora vou ali na 106 sul e não volto hoje. xau!

publicando

em raro momento, este blógue recebeu ontem duas correspondências (comentários) que merecem ser publicadas. uma delas, de origem anônima – pensei que fosse o Rogério, mas não é – diz o seguinte:

Acho interessante todas às vezes que vc fala sobre trabalho no seu blogué.
Sugiro que fale sobre seu início profissional e como vc chegou ao ponto de gostar tanto de trabalhar.
Vc sabe pq vc gosta tanto de trabalhar?
O que te motiva?

meu início profissional foi escrevendo. fazendo jornalismo sem ser formado na área, sem ganhar nada por isso também. depois vieram umas ocupações (corretor de imóveis, escritor bissexto, mercador de commodities) que nunca me tomaram o tempo todo. aí veio a Telerj.

basicamente eu gosto muito de trabalhar por três motivos: o primeiro deles, ver as coisas se resolvendo, fazê-las do jeito certo. sentir que estou contribuindo em alguma coisa. trabalhar direito é a melhor coisa pelo social que alguém pode fazer: voluntariado, doações, qualquer outra coisa é secundária. e ver as coisas se resolverem dá um certo prazer, além da possibilidade de um dia ganhar mais e ter algum benefício material do esforço. o segundo motivo é que acho que todos temos que ter alguma meta na vida, e a minha, atualmente, é fazer o que eu gosto. o que, no final das contas, é isso de cima: ver as coisas acontecendo. e o terceiro motivo é que, bem, mês passado eu tomei um toco dolorido e preciso me concentrar em alguma coisa para não pensar nisso. como eu já estava concentrado no trabalho desde o final do ano passado, foi só dobrar os esforços.

escrevi aqui, um tempo atrás, que meu tio disse que eu deveria continuar como funcionário público porque achava que eu não servia para pegar pesado na iniciativa privada. aquilo ficou de tal maneira atravessado na minha garganta, sem que jamais engolisse, que resolvi provar pro meu tio – e, mais importante, para mim mesmo – que isso não era verdade. resultado: minha produtividade cá na Telerj tem sido a maior do meu setor, por larga vantagem, e isso sem prejuízo de outras coisas: sou um dos poucos que se interessa pela politicagem nos andares de cima da empresa, tento conhecer o máximo de pessoas aqui dentro, tenho um segundo emprego e penso em outras formas de ganhar dinheiro. porque não é nem um pouco custoso para mim, como disse acima, e porque eu quero ter um Volvo.

a outra correspondência, da Heloísa, será publicada ainda hoje. mas só depois daquela reunião à tarde onde só eu vou levar cartões de visita.

extreme makeover

(para a Lisa, enquanto ela não cria outro blog)

preciso juntar uma grana e ir às compras. de roupas, principalmente. achei umas coisas lindas fuçando aí uns dez minutos numas páginas. claro que eu não usaria tudo de uma vez, até porque o resultado de tudo isso junto seria uma goianada coisa medonha. mas enfim, eu começaria:

- por esta camiseta aqui;
- por esse casaco aqui;
- por esse jeans aqui;
- por esse tênis aqui;
- por esse cinto aqui (o número 21, no caso)

e, já que eu adoro um clássico, tenho que ter essa maravilha aqui. ai.

havendo

passei mal durante toda a madrugada, devo ter dormido três ou quatro horas. apesar do arraso, arrastei-me até a Telerj, apenas para, uma hora e meia depois, descer ao posto médico e dizer que estava estragado. o doutor constatou meu péssimo estado, deu-me dois novos remédios e eu consegui um atestado para o dia todo. mas um dos dois remédios era um anti-espasmódico que minha avó tomava aos montes nos últimos meses de vida, quando a doença lhe dava crises seguidas destas coisas.

na época (vinte e um anos atrás) fiquei tão traumatizado que passei todo esse tempo sem colocar um único na minha boca. mas hoje não teve jeito. voltei para casa e fiquei bem quietinho, dormindo pouco depois das onze da manhã. acordei por volta de três e meia da tarde, me sentindo um tanto melhor. e com a consciência pesada por não estar trabalhando, já que eu sou pago é pra trabalhar, não para ficar tendo espasmos em casa. como a situação já havia melhorado um pouco, voltei à Telerj e fiz a limpa.

explico: normalmente minha caixa postal fica entre 25 e 45 mensagens, entre pendências e mensagens que não quero apagar. pois hoje ela estava em 70, resultado de dois dias de negligência por conta de doença. fui limpando e resolvendo as coisas até chegar em 34. isso em duas horas. e ainda saí achando que fiz pouco, mesmo tendo resolvido todo o trabalho pendente, à exceção de uma apresentação que será feita amanhã cedo.

mas pelo menos a cabeça ficou menos pesada. e se eu fiquei assim apenas por ter ficado umas horas em casa COM o atestado médico, imagino se um dia os baderneiros do sindicato resolverem declarar greve: terei sérios problemas.

álbum

no meio de Plasil, Diasec, Salsep, fitoterápicos pra dormir, Sirdalud, aspirinas, Naldecon e um bom expectorante, mais uma coisa a não faltar na farmácia: Coca-Cola. melhora a saúde de qualquer um.

*

estava eu assistindo a Globo ontem à noite e apareceu uma chamada para os filmes que a emissora comprou para este ano. quem falava dos filmes era o Sérgio Chapelin, que até 1996 era o locutor titular do Jornal Nacional e que, desde então, foi narrar as aventuras de focas, botos, micos-leões e diabéticos, dentre outras raças, no Globo Repórter. e aí eu me dei conta de como o tempo passa: antes com um cabelo semi-capacete, estilo Roberto Carlos, e com a cara magra, Chapelin agora tá meio inchado e grisalhão, com os cabelos mais curtos, e usando óculos permanentemente (antes era só de vez em quando).

pois é, o tempo passa. até coloquei uma foto do Sérgio Chapelin no meu MSN para louvar o cara. porque, ao contrário de qualquer atorzinho de merda que entra para a emissora dos Marinho, você nunca o viu por aí dando escândalo, cheirando um Brizola, visitando a ilha de Caras ou coisa do tipo. graaaaande Sérgio Chapelin!

*

falando em tevê, vi ontem na MTV um programa chamado “Quinta categoria”, de apresentação conjunta do Cazé e do Marcos Mion. a uma certa altura, a Luísa Micheletti, musa-mor deste blógue, foi cantar uma música dos Beatles no palco. vestida de preto da cabeça aos pés, inclusive a meia-calça.

eu não sei como meu coração agüentou.

*

fora isso, o que eu ainda tenho a dizer é o seguinte: mal posso esperar pelo que me aguarda essa semana.

fermento

três anos atrás, os diplos aqui de Brasília resolveram dar uma festa e, para isso, separaram todo um bloco na 411 sul, onde ficam seus apartamentos funcionais. conhecida por eles como “Festa da prumada”, a coisa cresceu e virou a “Festa triplex”, o melhor evento em que participei em toda a minha vida.

ontem teve uma festa de diplomatas mais uma vez mas, ao invés de termos um bloco todo fazendo farra, cada uma num ambiente, eles resolveram alugar um espaço… no Conic. em apenas três anos, uma decadência absurda. é o resultado da administração Samuel Pinheiro Guimarães, sem dúvida.

*

enquanto isso, na Austrália, uma corrida memorável abriu a Fórmula 1: essa história de ficar sem o controle de tração vai mostrar exatamente quem é bom de braço e quem é Ralf Schumacher. pouca gente chegou ao final, e eu espero que essa neurose em controlar o carro se mantenha. vivam as ultrapassagens.

*

acabei de aprender que aveia e pão de centeio têm baixo valor glicêmico e que peixe tem triptofano. vou aproveitar isso hoje mesmo, quando der um rolê no supermercado. vou, ainda, fazer uma pesquisa sobre as propriedades nutricionais da vodca, e mandar um email ao fabricante da vodca Finlandia sugerindo que lance uma versão com vitaminas e nutrientes essenciais.

*

hoje tava bom pra rolar uma piscina, hein?

Portishead

olha eu brincando de fazer resenha musical, depois de quatro anos sem me meter a essas coisas:


*

Portishead
“Third”
(Universal, 2008)
nota 9
Onze anos. Onde você estava em 1997? Eu estava no segundo ano do colegial, tinha dez centímetros a menos de altura, morava numa cidade onde a principal diversão das pessoas é ficar bêbado. Enquanto isso, em Bristol, uma cidade inglesa onde a principal diversão dos locais também é encher a cara, o trio Portishead gravava seu disco homônimo, o segundo, que fez a banda ser a trilha sonora de referência para muita bebedeira, tristeza, sofrimento e lamúrias por todo o mundo. Definiram ali o som que se convencionou chamar de trip-hop, transformaram a dor em arte, fizeram tudo aquilo que você já está careca de ler e saber – e ainda fizeram shows consagradores ao lado de uma orquestra, em Nova Iorque, que viraram o obrigatório disco Roseland NYC Live, um ano depois.

 

Dali em diante, o Portishead se calou. Depois de tanto cantar sobre o fim, seria o fim da banda? Saíram por completo do noticiário, não entraram no Big Brother, nada. Em 2002, a cantora Beth Gibbons lançou um disco folk, “Out of season”, e se apresentou no Brasil no TIM Festival de 2003 – quando disse que o novo disco do Portishead estava sendo gravado. Na época eu pensei “claro, e sai duas semanas depois do ‘Chinese Democracy’ e uma antes do My Bloody Valentine novo”. Anos se passaram e nada da volta: o máximo eram os vocais de Beth em “Lonely carousel”, no (brilhante) disco do português Rodrigo Leão. Em 2007, surpresa: o trio era anunciado como curador do festival All Tomorrow’s Parties, em Londres, onde também se apresentaria. Um perfil no Myspace com posts enigmáticos, algumas outras datas confirmadas – incluindo um show agendado para o festival de Coachella – e eu me vi em dúvida: será que agora volta?

 

E, alguns dias atrás, a notícia: depois de onze anos, “Third”, terceiro trabalho de estúdio do Portishead, seria lançado em abril. Antes disso, como em todo lançamento pós-”Kid A”, ganhou a internet. Procurei-o em alguns programas e, antes de consegui-lo, ainda baixei um arquivo falso, com o disco de um DJ coreano. Se fosse qualquer outra banda, eu não teria tentado duas vezes, mas tem coisas que só quem me acompanhou em muita bebedeira, tristeza, sofrimento e lamúrias faz. Na segunda tentativa, o disco correto. E um aviso, em português do Brasil, logo de cara:

 

“Esteja alerta para a regra dos três. O que você dá retornará para você. Essa lição você tem que aprender”.

 

É com essa frase, em bom português, que “Third” começa. Com uma sonoridade quebrada, outras batidas, um clima igualmente soturno mas que não é uma mera evolução do que a banda fez. E de repente a faixa de abertura acaba. Como se tivesse sido censurada. A propósito, ela se chama “Silence” – e assim o silêncio se faz.

 

Logo depois, em “Hunter”, momentos de beleza ímpar: violão, moog e as batidas inconfundíveis. O disco vai ficando irresistível. Parece uma volta a um quarto escuro, depois de umas doses de vodca; mas é outro quarto, outra bebida (gim? uísque? ou, já que o disco abria com um vocal em português, CACHAÇA?). Em “Nylon Smile”, logo em seguida, Beth Gibbons manda os versos mais devastadores desde “The past is a grotesque animal”, do Of Montreal: “I don’t know what I’ve done to deserve you / I don’t know what I’d do without you”. Texturas orientais emolduram sua voz, que parece um fio de nylon prestes a se romper. E o rasgo (“The rip”) é com o passado, na quarta música: acreditem, o Portishead está fazendo rock and roll. Um clima tenso domina a paisagem, que mais parece uma perseguição policial em preto-e-branco, bastante acelerada. Mas a seguir, em “Plastic”, tudo volta a andar devagar; Beth, como uma menina de coral, parece narrar os últimos momentos dos detetives em busca do assassino, escondido em um galpão industrial.

 

Já estamos na metade do disco, e “We carry on” tem um quê de Interpol, em sua malemolência: a voz de Beth Gibbons vem cheia de eco, acompanhada por sintetizadores que soam como sinais de alerta. Você consegue imaginar um alerta dançante? É por aí.  Ela diz não conseguir sobreviver ao tempo e aos passos, e que não consegue escolher por qual caminho seguir. Para nós, apenas um caminho existe: continuar ouvindo.

 

Está achando tudo indigesto e quer parar? O bandolim na abertura da curtinha “Deep water” é um convite ao relaxamento. Mas a paz logo é abalada por “Machine gun”, cuja letra é, sem dúvida, uma metralhadora: ela se diz assustada e pede para que constatem que seu coração está envenenado, enquanto os sintetizadores e a bateria eletrônica transformam tudo em um metal industrial à moda alemã, sem as guitarras.

 

Depois vem a maior música do disco, “Small”: sete minutos de Beth Gibbons apanhando de andróides replicantes; “Magic doors”, até agora a melhor canção de “Third”, parece uma canção pop estilo Antena 1 possuída pelo demônio, que vai brincando em um estúdio montado no inferno. E encerra com “Threads”, uma aula de como fazer guitarras roubarem a cena.

 

No final das contas, “Third” traz a sensação de que o Portishead passou os últimos onze anos jogando uma única partida de War e ouvindo tudo o que foi lançado desde então (“Come to daddy” do Aphex Twin, Chemical Brothers fase “Surrender”, Moby, Groove Armada, Four Tet, Interpol, The Streets, Kenneth Bager, Burial, Justice, “In Rainbows”, do Radiohead). Ao final da partida, com a vitória dos exércitos brancos, a banda olhou para todos os discos que ouviu e apenas pensou: “vamos fazer melhor”. E conseguiu. 

gafanhoto

alguém aí conhece a Margriet Eshuijs? é uma cantora holandesa, mas que sempre cantou em inglês. o que, se por um lado é uma pena, porque imagino que coisas em língua holandesa devam ter uma sonoridade legal, por outro é uma bênção, já que pelo que eu conheço da obra dela, as músicas são muito boas.

ela liderou, na metade da década de 1970, uma banda chamada Lucifer, que, pelo que descobri, tocava em navios de cruzeiro (!!!) no começo da carreira, mas depois conseguiu algum sucesso na Holanda e na Inglaterra. como se destacava mais que o resto da banda e o nome do conjunto era horrível, já o último disco era batizado com o nome dela (Margriet) e tinha a moça sozinha na capa. a banda em si era meio hard rock, isso fazia sucesso na época (né?). mas colocaram nesse disco aí, de 1977, uma balada chamada “Self pity”. ela fez algum sucesso na Holanda e passou despercebida no resto do mundo… exceto aqui no Brasil, onde entrou na trilha da novela “Te contei”, no ano seguinte.

e veja bem: se hoje em dia, com 40 pontos de audiência, uma novela das oito engata o sucesso de uma música, imagine num Brasil sem p2p, tevê por assinatura e coisas do tipo. o resultado é que o Lucifer, que nem existia mais, virou um sucesso espetacular aqui no país da mandioca. e a Margriet seguiu carreira solo, de relativo sucesso na Holanda e só. na página dela, em holandês, ela menciona que “Self pity” foi um sucesso retumbante cá no Brasil em 78, mas parece não dar a mínima para isso hoje em dia. de toda forma, como brasileiro que sou, vai aí um clipe do sucesso em questão, que foi colocado com um anime de amor (não achei um vídeo oficial), com a letra completa a seguir. ah, só pra constar: “Self pity” é maravilhosa.

love and friendship slipped away
hurting us every day
weeding out every joy
I was just like a toy
and now there we are apart
breaking each other’s heart
the tears that flow are not real
it’s from self pity
that we’ve still
emotion on our face
the hate hid in our soul
the lies are in your eyes

you and I we had no plan
I tried as hard as I can
to show you that I was right
you don’t have to hide
the truth ain’t that hard at all
face it and stand tall
these tears that flow are not real
it’s from self pity there is still
emotion on our face
the hate hid in our soul
the lies are in your eyes
we’ve got no
we’ve got no right
crying out of self pity
crying out of self pity

from self pity there is still
emotion on our face
the hate hid in our soul
the lies are in your eyes

we’ve got no
we’ve got no right
crying out of self pity
crying out of self pity
we’ve got no
we’ve got no right
crying out of self pity
crying out of self pity…
we just ain’t got no right