mania

The team of designers working on the 2001 MINI had finished the full-sized clay mock-up of the MINI in plenty of time for a presentation for the board of directors. Chief designer Frank Stephenson realized that the model did not have an exhaust pipe. His short-term solution was to pick up an empty beer can, punch a hole in it, strip off the paint and pushed it into the clay at the back of the car, which took just a few minutes. The overall design for the mock-up was so good that the board members told him not to change a thing, resulting in the distinctive exhaust tip seen in production cars.

silogismo

terminei “O afeto que se encerra”, e ainda dá tempo de ler mais um livro na estada deprelandense. até agora foram seis revistas e um livro. numa das revistas, justo na mais frívola de todas, saiu uma matéria sobre o casal Gerald e Sara Murphy, dois americanos endinheirados que moraram na França da década de 1920, sendo os pontas-de-lança da invasão de célebres estadunidenses que por lá aportaram (Hemingway, Fitzgerald, Dorothy Parker), além de ligados aos grandes nomes das vanguardas modernistas de então. depois vou passar para o computador e disponibilizar aqui.

esperando 4

ging voor een het drinken avond en, daar wat een grote verrassing, zij uit was. enkel zo mooi zoals de laatste tijd die ik, negen jaar hier heb gezien geleden. ik erkende haar wegens haar haar, dat onveranderd schijnt. en zij keek de zelfde manier: alleen, lichtjes droevig, diep.

ik denk ik enige ben wie haar deze manier bekijkt. vandaag heb ik gehoord zij opnieuw enig is. duidelijk heb ik geen kans, en ik heb zelfs geen redenen te proberen. maar de schoonheid houdt kwetsend. terug naar die avond, gebeurde niets. zij erkende me waarschijnlijk, maar bleef het zelfde.

ik kon haar voor het doen van absoluut niets zelfs danken. omdat het is precies wat zij tegenwoordig aan me bedoelt.

Kafka

a vinte páginas do final de “O afeto que se encerra”, finjo tomar susto com a ferocidade do Paulo Francis, meu ídolo, para cima do Roberto Campos, meu ídolo.

o livro foi escrito em 1980.

*

ao fechar a página 241 e tomar fôlego antes das vinte últimas, olho a contracapa do volume 2 da “Lanterna na popa”, livro de memórias do Roberto. Paulo Francis se desmancha em elogios ao livro.

não são contraditórios ao tanto de críticas sobre a política e a economia do autor, mas ainda assim surpreendem, pelo mesmo vigor, mas em tom diametralmente oposto. “Lanterna na popa” saiu em 1994 e, nalgum ponto desses catorze anos – 1985? – Paulo Francis se “converteu” ao liberalismo econômico e a tudo aquilo que ele, de certa forma, combatera. mas consta que manteve, até o fim, uma foto do Trotsky sobre um móvel da biblioteca de seu apartamento em Nova Iorque.

cabeceira

ano passado eu emprestei meu “Lanterna na popa”, livro de memórias do mestre Roberto Campos (ajoelha-se e faz um em-nome-do-pai) para o meu pai, que não o leu. bem, agora que sou funcionário público, “Lanterna na popa” tem que ser meu livro de cabeceira, e eu o recuperei. vai voltar comigo para Brasília.

oceano

descubro, por meio do Pobre e Mal Agradecido, que alguém (quem?) escreveu sobre Brasília no “Público” do último dia 13. vale o regist(r)o tardio:

A cidade com asas
[Público 13 dezembro 2007]

Brasília será menos bela do que Veneza ou o Rio de Janeiro? Sim. Mas é certamente muito mais agradável, equilibrada e, se quiserem, humana do que Casablanca, Uberlândia ou Dallas.

Chego a Brasília a um sábado, por coincidência no mesmo dia em que o arquitecto da cidade, Oscar Niemeyer, faz cem anos. Da janela do avião olho as luzes da cidade e procuro distinguir o seu contorno, que tem também a forma de um avião. Ao centro o Eixo Monumental, para os lados as zonas residenciais, chamadas Asa Sul e Asa Norte.

Contrariamente ao erro comum, mesmo aqui no Brasil, Niemeyer não inventou Brasília. O político por detrás da ideia foi, como é sabido, o Presidente Juscelino Kubistchek. Mas quem desenhou a cidade em forma de avião foi o urbanista Lucio Costa.

Os edifícios mais importantes da nova capital brasileira, isso sim, foram criados por Niemeyer. Vão do sublime ao excelente e ao interessante, da catedral ao congresso e ao novo museu, dando origem a uma cidade percorrida toda ela pela mesma linguagem, harmónica e espaçosa. Brasília será menos bela do que Veneza ou o Rio de Janeiro? Sim. Mas é certamente muito mais agradável, equilibrada e, se quiserem, humana do que Casablanca, Uberlândia ou Dallas.

***

Muito antes de ter vindo aqui pela primeira vez, os amigos brasileiros diziam-me que, por decisão dos seus criadores, não havia árvores em Brasília. Essa historieta contribuía para criar um estereótipo de uma cidade anti-natural. Ainda recentemente a vi reproduzida no Expresso. Só tem um problema: é mentira. Na verdade, Brasília deve ser uma das cidades mais verdes do mundo. Enquanto escrevo esta crónica basta espreitar pela janela para ver uma vintena de belas árvores, que ocupam os espaços vazios entre os prédios perpendiculares às ruas (os prédios são perpendiculares às ruas e não paralelos, por decisão de Lucio Costa, o que deu origem a outro mito: o de que Brasília não tem esquinas).

O que justifica uma tão grande oposição entre o mito a realidade? Há talvez uma explicação simples: durante anos após a inauguração, as árvores recém-plantadas ainda não tinham crescido. Mas há também outra explicação: a rejeição instintiva que muitos humanos têm ao “artificial”, rejeição essa que se exprime através destes mitos. Da mesma forma, já ouvi dizer que a pronúncia do esperanto é horrível (não é: parece italiano) porque é uma língua “artificial”. E Brasília teria que ser supostamente desumana pelo simples facto de, paradoxalmente, ter sido uma criação humana ao invés de simplesmente ter aparecido na paisagem. Mas pensemos bem: não é, no fundo, qualquer das nossas cidades uma criação humana?

farináceo

a música do dia é de vinte anos atrás. todo mundo assistindo o vídeo:

favor atentar a duas coisas:

1. a Dusty Springfield era mesmo um rouxinol, como o vocal delicioso dela mostra;
2. a Dusty Springfield vestida de punk não ficou nada legal. sacanagem da feia com o rouxinol.

de resto é só sair cantando o refrão…

peixe

um creme hidratante, uma visita ao médico, um pouco de quibe cru, as páginas que ficam para trás do livro. that is my life in Deprelândia, there is nothing to do about it.

ainda bem que dia dois é logo ali.

esperando 3

eu não gosto de Natal. na verdade, não é que eu não goste de Natal: não gosto de nenhum feriado, não gosto de ter um dia específico para uma coisa específica. dou de ombros para meu próprio aniversário, cumprimento os meus amigos aniversariantes mais por educação e pelo ato de se lembrar deles do que por qualquer outra coisa. e acabo visitando minha família em Deprelândia mais porque dizem por aí que não é legal passar esse período sozinho do que por qualquer outra coisa. não que eu não goste deles: eu amo minha família. mas essa coisa de ter obrigação de um período para visitá-los é algo desconfortável.

só que esse ano o Natal teve uma grande diferença: teve um negócio que me tirou um peso de cem mil libras das costas, e que eu espero, de alguma forma, que me dê forças daqui para frente. eu conheci o meu avô.

é, eu não conhecia meu avô. vinte e seis anos de idade, há quase três morando em Brasília, e eu não conhecia meu avô, o senhor João de Oliveira, que tem oitenta e dois. ele e minha avó se separaram há quase quarenta, e ele se mudou para a zona rural de Paraibuna, a cidade natal dos dois e do meu pai. como não tem telefone e gosta de ser uma pessoa livre, mora sozinho e tem lá sua rotina, poucas vezes quebrada.

todo ano eu passo o dia 25 de dezembro em Paraibuna, junto com meu pai, minha avó, meus tios e meus primos, para o ritual de lo habitual: almoço calórico, conversas do tipo “e aí, tá gostando de Brasília?”, “é bom ser funcionário público, né? dá aquela estabilidade” e adjacentes. ao final do dia, toma-se sorvete, faz-se um amigo secreto e todos ficam sem se ver até o Natal do ano seguinte, salvo raras exceções. e todo dia 25/12 eu tentava encontrar meu avô, mas invariavelmente ele estava fora de casa.

insisti nisso muitos anos, não sei exatamente o porque. aliás, sei sim: vocês não acham errado ter um avô vivo, lúcido, e não o conhecer pessoalmente? pois é, eu também. até que descobri que todo ano, no dia 24, meu tio Valmir faz uma visita a ele e deixa uns presentes. e ele me chamou para ir junto nesse ano. peguei minhas irmãs, entrei no carro e dirigi cento e dez quilômetros entre Deprelândia e Paraibuna, só para ver se dessa vez conhecia meu avô.

tentei não criar uma expectativa sobre ele, mas, pelo que ouvia de relatos de todos, ele era uma pessoa difícil. ainda assim, e ainda que ele me odiasse de saída, eu tinha que tentar. no caminho, meu tio me falou que a casa dele era um desastre, uma bagunça que só, mas que ele era ótimo.

ao chegar lá, os dois portões abertos denunciavam: meu avô estava ali dentro. fomos entrando, Valmir à frente, que logo tratou de se anunciar. meu avô desceu, e meu tio foi logo explicando quem éramos nós. baixinho, sorridente e com olhos azuis bastante enrugados, ele nos abraçou e ficou surpreso de saber que todos éramos netos que ele não conhecia. começamos a conversar, ele nos falando de sua vida, do tempo em que trabalhou numa empresa de laticínios, fazendo de tudo um pouco “o que tivesse de serviço lá, a gente tinha que fazer”, ele soube que me formei em Direito e que moro em Brasília (apesar de ele não ter telefone, dei-lhe um cartãozinho da Telerj), minhas irmãs conversando também, uma sessão de fotos com ele e com um balde de leite de 50 litros, que ele carregava várias vezes por dia enquanto trabalhava, essas coisas.

eu estava visivelmente emocionado, e quando ele falava, com seu sotaque português (o avô dele era açoriano, e o pai dele talvez seja – não sabemos ao certo, vou investigar isso), eu ficava com os olhos vermelhos. quem conhece este blógue sabe das minhas ligações com Portugal, só que eu não imaginava que tinha um avô com sotaque português (embora o acento caipira também se note). mais do que isso, meu avô, aos oitenta e dois anos de idade, está lúcido, com uma voz cristalina, e pedala dez quilômetros todos os dias, para ir e voltar do centro de Paraibuna.

ele foi bem carinhoso com a gente – pelo que sei, ele odeia crianças – e, homem livre que é, falou muito mal do casamento. que não compensava se casar, que era ruim pro homem e pra mulher, que não era pra que a gente se casasse nunca, que bom mesmo é curtir a vida sem constituir família. no final, dei um abraço e um beijo nele, e saímos, depois de meia hora de papo.

mas o que mais me marcou, nessa história, foi que, apesar de sermos duas gerações da mesma família, separadas por apenas uma, somos pessoas completamente diferentes, mas guardamos alguma coisa em comum: o gosto por trabalhar, o modo como lidamos com nós mesmos, o sotaque português.

esse mesmo sotaque que eu carrego em mim de outro jeito que não no modo de falar, mas que fica impossível explicar de qualquer forma.

esperando 2

vi uma versão mais baixa da Carol Trentini em um shopping centre daqui de Deprelândia, onde fico até dia 2, razão pela qual os posts por cá escassearam de novo. ela usava sapatos plataforma, de forma a minimizar isso.

meu deus, como era linda.

esperando 1

não me entendam mal: eu gosto de viajar. tanto que, apesar de ter ficado tão pouco tempo no Rio de Janeiro, como relatado ontem, aproveitei cada momento de lá, cada rua, cada conversa, cada gosto diluído na boca, cada paisagem. mas viajar para Deprelândia não é viajar: é submeter-se a uma tortura infinita.

eu sou masoquista e passo o recibo disso nas escolhas que faço, mas tortura é outra coisa.

isso dito e isso posto, viajar para Deprelândia é preciso. impreciso é saber se haverá viagem: chego no aeroporto na hora certa e a fila dobra quadras, superando fisicamente o limite da minha paciência. nenhuma mala para despachar: apenas uma mochila com roupas e uma sacola da Ellus onde escondo meu computador.

porque, já que é pra ir, eu quero voltar.

mas existem pessoas lá que precisam ser visitadas. minha família, meus amigos. confesso, com um pouco de tristeza, que me sinto um estranho no meio deles. eu os amo, eles me amam. mas não temos o que dizer uns aos outros, ou, se temos, é muito pouco. minha vida se transportou para cá e, sem fazer juízo de valor sobre isso, é apenas o que aconteceu.

nessas horas eu olho para trás e aceno para a “vida” que tinha por lá. ela vai ficando cada vez mais longínqua, sem que eu tenha que sair do lugar para isso. poderia até me perguntar se adiantaria voltar para lá, se as coisas voltariam. mas elas não têm que voltar, a vida só anda em uma direção.

de volta ao aeroporto, a cena tradicional: crianças choram, débeis mentais falam alto, a Infraero informa que é proibido fumar (eles só servem para patrulhar os pobres fumantes), eu penso em paisagens que ainda não conheço, pessoas que estão por aí e cuja existência me é alheia até agora: se não é para ficar aqui, tudo bem. mas também não quero ir para onde me querem. é o masoquismo do meu jeito, afinal de contas a vida é minha.

faço o check-in, corro com a sacola pesada em mãos, desço. o avião está atrasado trinta minutos, e agora faltam apenas doze. quando faltam quatro, o terminal computadorizado informa novo atraso, de meia hora. mas apenas seis minutos dessa meia hora se passam até que somos convocados pelo sistema de som, e informados de que o pára-brisa do avião trincou-se e não será possível chegar até Deprelândia.

eu não quero acreditar nisso.

tento facilitar as coisas, pego um voucher para jantar e ligo para o Felipe, que solicitamente vai com a Gabriela me buscar no aeroporto. a essa altura, nem a memória das pessoas em Deprelândia faz com que minha vontade de viajar deixe de se esvair, como as bagagens extraviadas de toda essa gente.

em casa, com preguiça de desfazer a mala, preguiça de viajar, preguiça de pensar em qualquer coisa, lembro que a companhia aérea prometeu uma solução até as doze horas de amanhã. eu não quero viajar para Deprelândia, eu quero ir para as Maldivas com você, meu amor.

mas você, meu amor, assim como as pessoas que tenho de visitar, está ficando cada vez mais distante. e eu, no navio, só posso lhe acenar do convés. mas quando os meses que nos separam virarem décadas, e a sua doce lembrança for apenas uma doce lembrança desses mares tão longínquos, eu vou me recolher para a cabine do navio e pensar em você enquanto o barco ruma, perdido por nenhuma rota, até que a gasolina se acabe. porque viajar de avião, meu amor, não vai te colocar do lado de fora das esteiras, esperando até que eu pegue minha mala e corra pros teus braços.

caipirinha

oi, tudo bem? desculpem-me pela ausência nos últimos dias. ela tem, como sempre um bom motivo… na verdade, um ótimo: fiz minha primeira viagem a trabalho pela Telerj, tendo ido, com um amigo, ao Rio de Janeiro, para dar um sacode numa empresa por lá e avaliar o que eles têm feito por você, consumidor amigo.

assim, tomamos o rumo do Rio de Janeiro na noite de terça, num vôo da Pau-de-Arara Airlines que saiu com duas horas e meia de atraso aqui de Brasília. só para taxiar na pista foi meia hora… ou mais. a bordo, uma boa notícia: a Gol substituiu o horrendo combo barra de Nutry + amendoim torrado pelo menos horrendo combo biscoito cream cracker + biscoito goiabinha. horrendo, não? mas de nota um o rango subiu para nota 3, ajudado pelo suco de manga a reboque.

depois daquilo, desembarcamos no Rio, eu envergando um terno de lã fria cinza, camisa azul, gravata vermelha… e uma mochila da Company que usei no colegial, para levar as coisas. algum carioca no saguão do aeroporto, ao ver meu amigo e eu de terno, desembarcando, mandou um “olha lá os pingüins”, ao que eu pensei “putz, já me marcaram pra ser assaltado?”, impressão negativa que se desfaria em pouco tempo, à medida em que o táxi azul galopava a Linha Amarela na velocidade padrão dos cariocas (75 milhas por hora).

chegando ao hotel, um lugar antigo mas aparentemente limpo e decente a duas quadras da praia de Copacabana, estava, tipo assim, roxo-aquarelado de fome, e já era quase meia-noite. tomei banho e desci para comer algo. meu amigo sugeriu o Bracarense, ao que pegamos outro táxi (que, no Rio, é bem mais barato que aqui) e fomos para lá. ao chegarmos na porta, constatamos que o Braca estava fechando, com as portas sendo baixadas e tudo mais, e voltamos até o Sindicato do Chope, na avenida Atlântica, onde ficamos apreciando chope, bolinhos de bacalhau e as Bebéis no calçadão, não necessariamente nessa ordem.

na mesa ao lado, um turista alemão se refestelava com quengas locais, enquanto na mesa do outro lado um sujeito com cara de biscoito goiabinha conversava com uma menina de pernas espetaculares e rosto parecido com o da Lily Allen, escoltada por uma feia sem maiores explicações. deu ainda para notar o casal goiano (composto de um cara feio e uma menina bonita) a poucos metros, numa mesa mais ao fundo.

e ali nos recuperamos do vôo e jogamos conversa fora, numanáice, olhando pro mar à uma da manhã, sem se preocupar com nada. ao pagarmos a conta e procurarmos um táxi para voltar ao hotel, percebemos um bar todo modernete ali perto, e resolvemos conferir qual era. ao adentrar o Atlântico (um nome maravilhoso para um bar, sem ironia), senti uma vibração maneiríssima: o pessoal dançava aqueles cruzamentos de soul com música eletrônica, que eram despejados por um maluco num MacBook preto, que ainda fazia vocais por cima e um outro figura tocava sax ao lado. pedimos duas Stella Artois e ficamos ali observando, mas o agito ali parecia ser uma festa de aniversário: todos os convidados se conheciam, menos nós dois. mulher solteira era uma utopia, mas apesar disso a vibe local era uma delícia.

tipo assim, eu me senti em Portugal, num bar de frente pro mar na Costa da Caparica, sem nunca ter pisado no país. dá pra entender? e voltamos para o hotel depois de termos engolido a Stella.

no outro dia, acordar cedo pra se empoleirar, ficar impecável pra reunião, repassar a estratégia. ovos mexidos, sanduíche de queijo no pão preto, suco de goiaba: qualquer negócio para rebater o sono. a reunião foi tranqüila, e durou apenas duas horas e meia: um marco de sucinteza, para os padrões da Telerj. já estávamos prontos para pegar um táxi e sair em disparada para o posto 9 almoçar num quiosque e tomar suco de uva verde no BB Lanches, mas aí uma diretora da outra empresa, uma menina linda de morrer, convidou-nos para almoçar na Confeitaria Colombo. e, se uma menina linda morrer te convida pra ir à Confeitaria Colombo, você pode dar a ela qualquer resposta, contanto que seja “sim”.

então fomos e almoçamos em grupo de seis. eu nunca tinha estado lá, e fiquei encantado com a decoração, os espelhos, os vitrais, o piso, a madeira-de-lei que orna os corrimões, os elevadores com portas pantográficas que só carregam quatro pessoas por vez (e uma delas é o ascensorista). tudo lindo, tudo lindo, tudo lindo. saí de lá turistão, com alguns souvenirs a tiracolo, passamos no hotel pra colocar o figurino praiano e caímos para a areia. do posto 6 mesmo, para economizar tempo. alugamos as cadeiras, pegamos umas Skol e ficamos lá, de bobeira, até que uma chuva fraca nos espantou para um quiosque. e ali na orla do calçadão, a vida é um freak show de gente caminhando, intercalando-se com meninas lindas e o maior número de vendedores de merdas aleatórias que você já viu, especialmente amendoim e óculos de sol.

ficamos nessa pelo máximo de tempo possível antes de ir para o aeroporto, e no caminho ainda vimos alguns navios transatlânticos de perto, atracados ali no porto do Rio de Janeiro: com a altura de prédios de oito ou nove andares, comprimento de mais de um quilômetro, são qualquer coisa de impressionantes, caso você nunca tenha visto um. e no aeroporto, a mesma cantilena da ida: atrasos, comida pasteurizada, minha camiseta “FRAGILE HEART PLEASE BE NICE” fazendo sucesso.

no final das contas o que eu tenho a dizer é que se repetiu algo que percebo desde 2005: quanto mais eu vou para o Rio, menos eu gosto de São Paulo. e fico até tentado a me mudar para lá, embora meu amor por Brasília certamente não deixe. certamente? uma palavra meio pesada… vou trocá-la… enquanto isso, recomendo uma camiseta para todos que sentem a mesma coisa pelo Rio: clica aqui e dá uma olhadinha, enquanto eu vou ali entregar as chaves do apartamento do Gustavo pro Felipe, que já deve estar chegando.

gluglu

Adolescente passa trote e marca reunião com Bush

Um adolescente islandês telefonou para a Casa Branca e se passou pelo presidente da Islândia, Olafur Ragnar Grimsson. Ele chegou a marcar uma reunião com o presidente George W. Bush. Mas, enquanto esperava que a ligação fosse transferida ao chefe de Estado americano, o trote foi descoberto. “Minha ligação foi transferida várias vezes até eu conseguir falar com a secretária do Bush e agendar um encontro de tarde, dois dias depois”, disse Vifill Atlason, 16 anos.

A polícia islandesa cobrou explicações do adolescente na semana seguinte à ligação e o fez prestar depoimento. “Eles me disseram que a CIA ligou para o alto escalão da polícia da Islândia e perguntou se havia a possibilidade de descobrir a origem daquele telefonema”, falou Atlason.

O jovem diz não se lembrar onde descobriu o número de telefone da Casa Branca. “Eu sei que o número estava na memória do meu telefone por pelo menos quatro anos. Quem passou foi um amigo meu da Islândia, mas não recordo seu nome”, contou o jovem. Em uma entrevista coletiva na Casa Branca, a porta-voz de Bush, Dana Perino, disse acreditar que Atlason não tinha um número particular do presidente. Em sua opinião, ele teria ligado para um telefone qualquer da sede do governo americano e conseguido transferir a ligação até a secretária.

A polícia islandesa confirmou que recebeu ordens para buscar o responsável pelo trote, mas declarou que o caso não estaria sendo mais investigado pelas autoridades do país.

variação

essa é “Unintended”, do primeiro disco do Muse, ou seja, antes da banda começar a ser adorada por góticos, emos, guardadores de carros, metaleiros do fim da Asa Norte, boiolas, soldados rasos, bebedores de Fanta uva, clientes da Ágora, pessoas que páram os carros em fila dupla na comercial da 408 sul e outras gentinhas desprezíveis. é tão boa, mas tão boa, que passaria fácil por uma balada do Cat Stevens (tirando, claro, pelos floreios vocais do Matthew Bellamy). e é uma música frágil, tipo um buquê de jasmim. tem esses versos, por exemplo:

I’ll be there as soon as I can
but I’m busy mending broken pieces of the life I had before

o que, em alguns casos, pode levar a vida toda. e, enquanto não se acaba o serviço, não dá pra estar ali.

86

hoje faz vinte e um anos que meu avô materno morreu. e mesmo tendo à época apenas cinco anos, eu me lembro bem do dia. e de como eu não sabia que ele não fazia nada pela própria saúde, mesmo tendo diabetes. fez até o final o que queria fazer, sem se preocupar com dietas, exercícios ou qualquer coisa do tipo. na roça, em 1986, não tínhamos a preocupação paranóica que hoje temos, mas meu avô não era capaz nem de cortar açúcares ou carnes gordurosas de sua dieta.

no ano seguinte, no dia 22, minha avó materna – a que me deu o sobrenome Palandi – morreria, completando a sucessão de golpes que faz com que a minha mãe odeie o Natal até hoje. eu não odeio, sou apenas indiferente, embora saiba que a indiferença, às vezes, é a pior coisa do mundo. sexta-feira, como eu disse ontem, volto para a roça e passo esse período de fim de ano por lá, com ela, meu pai e o resto da família. e como eu nunca sei se minha mãe está pensando nessas coisas que aconteceram há duas décadas, nunca sei como me posicionar.

mas ninguém falou que seria fácil entender as pessoas.

loucura

da coluna da Hildegard Angel no Jornal do Brasil de hoje:

A noiva secreta de Nicolas Sarkozy

Bomba! Bomba! E uma bomba internacional. O recém-separado presidente da França, Nicolas Sarkozy, acaba de pedir em casamento a modelo italiana Carla Bruni! Sarkô, como é chamado pelos íntimos, deu para Carla um prazo para se decidir: até a primeira semana de janeiro. Enquanto não oficializam a situação, eles vão se conhecendo. Este fim de semana, Carla e Sarkozy estão juntos na Eurodisney, próxima de Paris, numa reunião em família, com o filho dela de seis anos, Aurelien, e o dele, Louis…

Depois do weekend que poderá ser decisivo para a resposta de Carla, o casal volta amanhã à tarde a Paris, quando esta notícia já tiver sido publicada e a imprensa internacional em peso já deverá estar no rastro do casal, querendo conferir a informação que passo hoje a vocês…

Agora, vamos aos detalhes. Esta bomba me caiu no colo no cabeleireiro, via celular diretamente de Paris, por uma pessoa com ligações tanto com um como com o outro. Principalmente com Carla, que, vocês sabem – e se não sabem eu conto – é o QI mais alto entre as top models de sua geração. E ela foi das top 10, ao lado de Linda Evangelista e Claudia Schiffer…

Carla nunca se casou, mas saltitou muito. Seu grande amor foi Mick Jagger, para desespero e raiva da mulher dele, Jerry Hall. A vida de Carla, que é linda de doer nos olhos de quem olha e tem 39 anos, daria um romance… E que romance!

Foi numas férias na casa de campo do filósofo mais popular da França, Bernard-Henri Lévy, que a top, levada por um namorado escritor, Jean-Paul Enthoven, se encantou pelo marido de Justine Levy, a filha de seu anfitrião, Raphael Enthoven (por sua vez, filho do namorado de Carla) com quem teve um romance e um filho, para ódio de Bernard-Henri, que até hoje não a perdoa por isso. Justine se vingou do marido e da top escrevendo um livro sobre o caso, um best-seller…

Outro lance de novela de Bruni foi a descoberta de que seu pai, Alberto Bruni Tedeschi, um bem sucedido industrial italiano de Turim e também compositor de ópera, não era seu pai verdadeiro. Ele fez a confissão no leito de morte à filha mais velha. Carla é filha de uma paixão de sua mãe aos 20 anos. Ela saiu em campo, deu uma de Sherlock, e descobriu que o pai verdadeiro está vivo e mora adivinhem onde? No Brasil, onde ele é casado e tem duas filhas! Carla veio visitar a família e retornou a Paris toda feliz, contando que tem irmãs brasileiras…

Passado seu tempo de modelo, Carla se superou inaugurando, com sucesso, uma carreira de compositora e cantora.

Golpe de mestre

Caso se concretize este casamento Sarkozy-Bruni, veremos na vida real uma história de cinema. Para o político, será tipo um golpe de mestre, porque retoca sua imagem comprometida com o fim de seu casamento por iniciativa da mulher, Cécilia, e o insere, através da top, no contexto das festejadas celebs, o que neste século 21 é fundamental para quem quer estar em evidência…

E como diria outro filósofo, mas brasileiro, o Ibrahim Sued, “em sociedade tudo se sabe”…

*

dito isso, só resta dizer uma coisa: se você é meia-irmã brasileira da Carla Bruni e está lendo este blógue, me escreva. eu quero te conhecer.

fóton

uma sugestão para o capítulo dezesseis das coisas que eu nunca te disse é o verso “and all my love died for nothing, I suppose”, do Spiritualized. mas não sejamos dramáticos, pelo menos por enquanto não sejamos dramáticos, eu lhe peço. como se dependesse de você para escrever ou não.

*

aniversário de cem anos do Oscar Niemeyer, e eu só posso fazer duas coisas. primeira delas, postar aqui o texto do Roberto Pompeu de Toledo na “Veja” de hoje, que ainda fala um pouco sobre dimensões de tempo, assunto recorrente por aqui. a outra coisa é dar um rolê na esplanada depois. alguém aí topa vir?

*

entre atirar o celular no lago Paranoá e me mudar para a Asa Sul ou para o campo, há uma resolução para 2008 que eu deveria ser capaz de cumprir: perder menos tempo. simples assim, e por isso tão complexo. mas qualquer segundo que eu ganhe já será precioso como a vida no campo, por exemplo. até porque eu detesto roça.

*

estou indo para o Rio de Janeiro na terça, a trabalho: há uma reunião na quarta-feira, e é minha primeira viagem a trabalho na Telerj. não consigo me sentir desconfortável com isso, visto que já participei de algumas reuniões por aqui e em todas obtive bons resultados. o que me tira o sono, em verdade, é a viagem da sexta-feira que vem, para passar as festas em Deprelândia.

explico: não é que eu não queira rever a família e os amigos de lá, tampouco que tenha medo do que possa aparecer na tradicional reunião da família do meu pai, por exemplo. eu só acho, deixando as pessoas de lado, que viajar para Deprelândia é, em si, uma grande perda de tempo. porque eu realmente faço questão de não andar por lá – prova disso é que não estive na cidade desde que voltei do Natal passado. voltei a Goiânia, conheci Belo Horizonte, estou indo para o Rio, vou passar minhas férias, no ano que vem, em algum lugar do estrangeiro. se pudesse, nunca mais pisaria em Deprelândia, mas faz parte de amar as pessoas, no final das contas. ou de se odiá-las, ou de odiar-se, cada um escolhe.

*

eu não tento ser o Pedro Mexia. mas sempre que me vejo submetido ao principal objeto de análise dele no Estado Civil, incorporo o ceticismo que ele deixa transparecer naquelas situações. e acabo prevendo o que vai acontecer: sei o que vão dizer, o que devo fazer, em que vou pensar no final daquilo tudo – e não costuma falhar.

wishful thinking? fatalismo? falta de paciência?

prefiro acreditar na previsibilidade das pessoas. o que é uma grande perda de tempo, e leva a um problema ainda maior.

*

hoje é dia de fazer a social em um lugar onde eu ainda não sei como proceder. e não há como recuar. mas vou sobreviver e espero, um dia, não contar a ninguém de como foi, o que aconteceu, essas coisas. fica o consolo de que vai ser rápido, ou seja, a perda de tempo será mínima – leia-se, a perda de tempo foi otimizada ao mínimo possível.

*

eu não posso descontar o que acontece na minha vida, de bom ou de ruim, neste blógue. não posso. eu não tenho esse direito.

noxa

este blógue passou nove dias sem abordar o rebaixamento do Corinthians em respeito às almas dos pobres corinthianos (olha o pleonasmo). agora que esse período passou, hora de comemorar!

AQUI TEM UM BANDO DE LOKOOOOOOOOO
LOOOOOOOOKO POR TI CURINTIAAAAAAAA

POROPOPÓ POPÓ POPÓ
POROPOPÓ POPÓ POPÓ
CORINTHIANS VEIO PRA DESCER
CORINTHIANS VEIO PRA DESCER
POROPOPÓ POPÓ POPÓ

deixem nos comentários suas saudações aos corinthianos, caros leitores. kippis!