parabéns

deixem nos comentários os cumprimentos ao meu bisavô, Luiz Palandi (1884-1928) e à minha bisavó, Carolina Saquetti (1890-1973), que se casaram no dia 30 de novembro de 1907. há exatos cem anos, portanto.

e daí que eles já não estão aqui para comemorar?

mal

ontem, assistindo “Casino Royale” pela quinta vez, chamou-me a atenção uma cena no final do filme. estão o James e a Vesper na praia, se pegando alegremente, e ela diz alguma coisa lisonjeira a ele. impressionado com a mudança de comportamento dela – que no começo do filme era arredia e só dava patada nele – ele faz um comentário a respeito disso, que não entende como ela pôde ter mudado tanto.

e Vesper, que, nunca é demais ressaltar, é interpretada pela Eva Green, responde exatamente assim: “é que sou uma mulher complicada”. e por complicada, entenda-se “problemática”. eu não tinha prestado a devida atenção nessa frase, mas ela explica exatamente porque eu me apaixonei por ela no filme.

hoje eu não estou pra você, meu amor

mal-estar súbito: não existem manhãs de tédio no trabalho, por isso a falta do que fazer, hoje cedo, fez soar o alerta laranja na minha cabeça: esse oceano Pacífico vai virar uma tsunami logo logo. até agora nada, mas o surfista aqui já está de sobreaviso.

*

então tentei me manter distraído, enquanto a grande onda não vem: fui almoçar naquele restaurante semi-vegetariano aqui perto. hambúrguer de soja, iscas de tofu, quiche de espinafre, banana ao molho de mostarda com mel, arroz integral, broto de feijão, uma colher de linhaça por cima de tudo.

caso eu bata as botas hoje à tarde, vocês já sabem de quem é a culpa.

*

o problema é que tinha um sushizinho bem do mequetrefe ali no meio, e isso fez soar o alerta amarelo: estou com vontade de comer sushi. algum dos meus amigos gastrônomos topa? hein? hein?

*

(frase censurada). ou seja, é hora de me mobilizar e mudar essa situação.

*

“Strangeways, here we come”, é o quarto disco dos Smiths, um lançamento póstumo. ele já estava pronto quando a banda acabou, e foi lançado um mês depois, de forma até acelerada, talvez para que o Morrissey pudesse começar logo sua carreira solo. na época, nem foi tão bem avaliado, mas, de uns cinco anos para cá, começou o culto. é o disco mais bem produzido da banda, tem três videoclipes (ou dois: a gravadora utilizou as mesmas imagens para os clipes de duas músicas), piano em várias músicas, um saxofone em “I started something I couldn’t finish”.

já ouvi por aí que é um disco conceitual sobre amor, já que começa dizendo “oooh I think I’m in love” e termina com uma música chamada “I won’t share you”, sem contar as coisas que se ouve entre essas duas. pode até ser, mas pra mim o “Strangeways…”, até pelo título, é um disco sobre estar perdido. de amor, talvez. mas de um monte de outras coisas. “Strangeways” é um bairro de Manchester, onde se localiza um antigo presídio. liberdade? coisas estranhas? tudo isso faz parte. ou não, já que se está perdido.

dia desses mesmo o Pedro Mexia, numa incrível coincidência, falou de uma música desse disco, que vem tocando todo dia no meu carro. preciso admitir, no entanto, que acho o lado 1 dele muito superior ao lado 2. mas muito mesmo. e eu, que comecei esse texto sem saber como poderia terminar, estou perdido até agora, então fim de texto.

*

“politicamente, você está morto”. ai!

*

eu acho insuportável quando você encontra com alguém, especialmente quem não vê há uma pá de tempo, e ao perguntar como a pessoa está, ela responde “ah, na correria”. correria? como assim? você tem tanta coisa pra dizer e responde “na correria”? ah, francamente, que babaquice. e normalmente quem diz isso é porque pode correr mais. pode até ser que não ache tempo, mas tem – e pode fazer mais. porque quem realmente não tem tempo não tem nem tempo de dizer que está na correria: arruma logo um assunto melhor.

virose

(um post que vai e volta no tempo)

fazendo algumas contas básicas, descobri que é possível conseguir a casa dos meus sonhos e o carro dos meus sonhos. basta que eu tenha um salário mensal bruto da ordem de R$ 22000. é o que paga o melhor concurso com inscrições abertas atualmente, que é o de Procurador da República. faz parte das atribuições de um Procurador da República elaborar denúncias sobre envolvidos em crimes de competência privativa da Justiça Federal, de dar o impulso inicial em ações civis onde a União seja parte interessada etc.

eu não quero ser um Procurador da República.

*

isso dito e isso posto, é imperativo procurar uma alternativa. falo com meu tio no MSN. ele diz que eu não tenho perfil para a iniciativa privada “porque eu não ralei desde o começo”, referindo-se ao fato de que eu não trabalhei na adolescência, por exemplo, ou durante a faculdade. corta para este lado da conversa: lendo aquilo, me sinto mal. a verdade dói, mas epa! – quem disse que aquilo ali era a verdade? ele. a mim, resta rebater com argumentos: três grandes amigos meus, que eu saiba, não ralaram tanto assim durante a adolescência e hoje estão se dando bem na XP. lamento dizer, Valmir, but… I proved you wrong.

*

quarenta e oito horas atrás, conversando com um amigo. ele me fala de uma amiga da namorada, “bem interessante”, segundo o próprio: advogada, mais velha. e me manda uma foto da dona, para saber se me interesso. observo, fecho a foto em dez segundos, a vida segue. digo alguma coisa para amenizar, ele me pergunta o que achei. sem pensar, mando algum comentário espirituosamente babaca, e ele diz que falta romantismo na minha vida. OPA!

OPA! OPA! OPA!

e pensar que eu sempre me considerei um cara romântico, pelo menos até segundos antes disso. a verdade dói: o que ele me diz é que deixei de acreditar nessas coisas em algum lugar lá atrás, não me lembro bem onde. mas tá aí: eu não sou mais romântico e a ficha não havia caído até agora. ele me cola uma mensagem da namorada para ele. acho tudo tão água-com-açúcar que sinto vontade de comer uma picanha mal passada. ele diz que “é uma questão de eu achar alguém” e eu concordo, afinal de contas eu já me senti assim algumas vezes. o papo começa a me incomodar e eu mudo de assunto, mas essa verdade vai me piscar uma, duas, dez vezes antes que eu atravesse o túnel.

*

volta para hoje. ligo para a Ana Paula e pergunto a ela o que um Procurador da República faz. ela me esclarece, diz que é um promotor de justiça no âmbito federal, apesar de o nome do cargo, assaz garboso, sugerir algo diferente, quiçá supremo. não escondo minha decepção e explico a ela que até então pensava em estudar para o próximo concurso com vagas para o cargo. ela diz, com acertada razão, que eu tenho de ficar longe desse concurso, por ter passado toda minha “vida jurídica” com ojeriza do parquet.

pouco depois ela me pergunta como vai a vida e se eu estou apaixonado por alguém. dou a resposta de sempre, e ela diz para que eu não me preocupe, e que “tudo tem a sua hora” – frase que minha mãe dir-me-ia uma hora e tanto depois, em outro contexto. sem me lembrar da conversa de sábado com o Guilherme, narrada pouco acima, concordo com a Paula, mas apenas para encerrar o assunto. para citar uma frase da primeira música do disco que mais tenho ouvido por esses dias, no, don’t mention love…

*

uma hora antes disso, lá estou eu no terceiro andar do prédio. encontro meu contato. falo para ele de como estou feliz. de como certas coisas que estou desenvolvendo, a despeito do retorno financeiro que me oferecem, fazem de mim um cara satisfeito. ele se surpreende. e então digo que estou ali porque quero mais. ele me põe a par das dificuldades e eu apenas digo que quero, posso e vou ajudar.

porque daqui a uma hora vai ter a Ana Paula pra me dizer que “tudo tem a sua hora”, o que minha mãe vai reiterar sessenta minutos depois.

*

back to the ground zero: aqui costumavam estar duas torres gêmeas – eu e você, meu amor? – não. a lembrança de um passado que não fui eu quem construiu, tampouco você, se é que você… bem, deixa pra lá. então um dia virou o dia em que tudo acabou, e é aí que as coisas começam: cabe a mim erguer essa torre, mas do zero. sem lembrar que um dia ali houve uma torre, houve outra torre, houve uma trama de vidas envoltas naquele concreto hoje tornado pó.

traduzindo para o português: é a minha vida, preciso construi-la. com ou sem ajuda, um andar de cada vez, mas com a obrigação moral de ficar melhor do que algo que só conheço de relatos dos outros, sem uma única foto em preto-e-branco para me dar uma idéia. apenas a obrigação moral de ser melhor, ou o sentimento de ter falhado. daqui do décimo quarto andar a vista é muito bonita, mas lá em cima é ainda mais. mas como eu posso saber disso, se nunca estive lá? é que de vez em quando eu sonho.

o que é um comportamento de gente romântica.

imaginando

uma listinha básica para encerrar o domingo: cinco nomes que eu daria pras minhas filhas – que, espero, serão duas.

1. Carlota (porque em português é tão poético quanto no original francês, “Charlotte”)
2. Catalina (como na Romênia e nos países de língua espanhola)
3. Emiliana (vai bem com o meu sobrenome)
4. Beatriz (o nome mais aristocrata dos cinco aqui, embora todos sejam)
5. Simona (Simona, e não Simone, porque Simone é nome masculino na Itália)

lombada

eu não entendo o que você diz.

é simples assim. eu não entendi quando você quis me dizer alguma coisa, e isso me confundiu. falei exatamente o contrário do que queria, e nunca soube o que você queria dizer.

nunca soube. pedi pra que você me explicasse, quando era tarde demais. era tarde, mas eu queria saber – pra mim, você nunca vem tarde.

nem assim você disse, e o teu silêncio passou a me incomodar. principalmente porque eu sei que ele não é tão silêncio assim.

mas, por causa de todas as mágoas que pavimentaram o caminho do começo até aqui, e porque você acha que não adianta mais e tudo está resolvido, você engole esse quase silêncio e não fala.

e enquanto você já sabe as três palavras que explicam o meu lado, eu continuo sem te entender.

abertura

dias atrás, num almoço com o chefe, ele me deu uma dica: falou que, para sempre ter um objetivo e não se deixar desanimar, eu deveria colocar, como papel de parede do meu computador, uma foto do carro dos meus sonhos.

falei pra ele que já tinha, no micro da Telerj, uma foto de uma ilha no Taiti, meu destino de viagem dos sonhos, embora essas questões sejam sempre mais complicadas do que um carro. e ele disse que com quaisquer sete mil reais eu viajo para um lugar desses.

ele tinha razão, e desde aquele dia eu troquei o papel de parede (que em casa era uma tela azul da Apple, bem simplezinha), tanto na Telerj quanto em casa, por uma foto de um Jaguar XJR. e olho fixamente para o carro várias vezes ao dia, como que dizendo para mim mesmo que algum dia o terei. e vou mesmo.

futuro

peguei o carro hoje e fui dar uma volta. tava a fim de olhar um pouco a arquitetura dos particulares e fui pra 26 do Lago Sul. entrei em todos os conjuntos, QI e QL, e fiquei ali admirando as casas, a vista, os detalhes. tem belos exemplares e uns bem feiosos. de inesquecíveis, apenas umas quatro. um número pequeno, já que um lugar com vista tão soberba merecia mais da arquitetura, com certeza.

o mais curioso é que tem casas lá que são realmente simples, a ponto de se conseguir comprá-las com, sei lá, trezentos mil reais. depois é botá-las abaixo e iniciar um plano construction time again.

*

depois passei na 313 sul para comprar comidinhas na minha padaria preferida – que fica na 113 e é a melhor de Brasília, sem discussões – e perguntei ao porteiro de um dos blocos se aquele ali, tão arejado e bonito, era funcional (leia-se: de algum órgão público). e a resposta era sim, mas apenas alguns apartamentos. o que me motivou a perguntar, além da beleza dos prédios? o fato de que ontem eu passei lá também e vi um Jaguar S-Type e um Chrysler 300C.

pluma

é fantástico dormir onze horas de uma só vez, depois que você passa a semana acumulando sono por causa do calor e dos seus horários.

mas mesmo se não fossem eles, acho que eu dormiria esse tanto. não é nem que eu queira, é que eu consigo isso facilmente.

seriado

ontem decidi que, ao contrário das outras temporadas, vou acompanhar essa de “House” desde o começo, na televisão – e comprar os DVDs das três primeiras. a julgar pelo primeiro episódio, não me arrependi nem um pouco. segue um texto do João Pereira Coutinho, publicado no mês passado, sobre a série.

Os coxos também dançam

Eu preciso de ajuda. Urgente. Três semanas fechado em casa, o telefone religiosamente desligado. Trabalho por fazer. Louça por lavar. Amigos que batem à porta, aguardam, desesperam e partem. E eu, com barba de profeta e cabelo de Tarzan, comendo Cheetos e fedendo como a Cheetah, de pijama e robe, e visionando todas as temporadas de “House”. Terei cura? Pior: terei defesa? Sim, eu sei: não existe publicação, site ou mero blog que não diga o óbvio. House é uma reencarnação de Sherlock Holmes. O próprio criador da série, David Shore, não nega as influências e as evidências. Sherlock investigava crimes? House investiga doenças. Sherlock não precisava de recolhas empíricas, optando antes, na boa tradição idealista, por deduções científicas? House também não precisa: o doente é dispensável, a doença é tudo que interessa. Sherlock era um solitário e um celibatário? House solitário é.

Sherlock tinha poucos amigos – um único, na verdade? House tem Wilson e sua paciência de santo. Sherlock, nas horas de lazer, permitia-se a umas notas de violino? House prefere a guitarra e o piano. E se Sherlock não resistia ao ópio e à cocaína, House prefere os analgésicos para matar as dores da perna, ou da alma.

Mas isso não chega. É preciso mais. Eu preciso de mais. Porque o sucesso de Sherlock Holmes e de House também explica a época em que ambos viveram. E então recordo Londres, a capital do mundo no século 19, quando Jack, o Estripador andava à solta para a perdição das mulheres. Tirando os melhores bairros, como Belgravia ou Mayfair, Londres era um viveiro de crime e delinqüência. O sítio perfeito para o detetive perfeito. E o detetive apareceu: uma criação de Arthur Conan Doyle que depressa ganhou existência independente do criador. Ainda hoje o nº 221 B de Baker Street recebe correspondência para ele: novos casos, novas angústias, pedidos de horários e de honorários. A porta é sede de um banco, que tem departamento para responder às cartas.

Que, apesar de muitas, vão decrescendo com o tempo. Elementar, meu caro Watson: o crime foi recuando na vida cotidiana do homem ocidental. Tirando bolsas de pobreza e violência, na África ou na América Latina, é possível que um europeu ou um norte-americano atravesse a vida sem jamais conhecer um roubo, uma agressão, um homicídio. Exceto pela TV. O grande medo do século 21 para o Ocidente rico não é mais o crime, como na Inglaterra vitoriana. O grande medo é a saúde: vivemos mais, vivemos melhor; mas essa longevidade, aliada ao culto do corpo e da juventude, tornou-nos mais medrosos, atentos, hipocondríacos.

Foi assim que Sherlock Holmes deu lugar a Gregory House. E foi assim que eu, um amante de Sherlock, encontro House e vicio-me novamente. Amigos vários murmuram que a explicação para o fato não é histórica; é bem pessoal. E acrescentam que eu nunca resisti a coxos, na medida em que também sou um. Mentira. Coxo, House? Coxo, eu? Como Sherlock cem anos atrás, House relembra ao mundo que a única elegância que fica é a inteligência humana a dançar sapateado.

bagunça

(favor ligar a trilha sonora para o post, que é a música do clipe abaixo)

uma bagunça. é assim que as coisas estão desde a noite de terça-feira, meu último contato com a rotina que estabeleci na minha vida, mas talvez as coisas voltem ao normal agora. foi o seguinte: minha chefe me ligou na hora do almoço de quarta-feira, dizendo que a principal empresa das quais eu “cuido” aqui na Telerj estaria em reunião com uma outra área no dia seguinte – e havíamos sido convidados para participar, caso tivéssemos algo a dizer.

nessa hora, a resposta é sempre a mesma: “nós queremos participar, nós temos algo a dizer”. ainda que não tenhamos. e corre-se para os arquivos e as pessoas certas, estuda-se o panorama e diz-se alguma coisa inteligente. falar besteira é tiro no pé. mas aí puxamos uns dados fresquinhos (por uma coincidência daquelas que acontece a cada cem vezes), as informações atualizadas sobre a empresa estavam saindo naquele dia em nosso banco de dados, eu sabia quais eram os problemas dela, era só uma questão de unir as minhas informações aos gráficos e munir a chefe de tudo, para que ela usasse sua retórica nota cem e disparasse pra cima deles.

e assim foi feito: deixei de lado tudo que estava fazendo até então e caí de boca nessa história. na minha área, temos por hábito convidar outros departamentos da Telerj com uma semana de antecedência. mas nós tivemos um dia. ou menos que isso, porque eram vinte e uma horas. mas aí foi tudo bem. preparei setenta por cento dos dados na tarde de quarta, madruguei na quinta, fiz a barba e cheguei meia hora mais cedo pra terminar a apresentação. de oito slides inicialmente previstos, a coisa virou trinta – à minha revelia, porque apresentação minha tem, no máximo, onze (um de entrada, um de saída e nove de conteúdo).

e o dia de reuniões começou. normalmente eu trato com gente operacional da empresa, quando muito um gerente. e ontem, nessa reunião, não havia um gerente.

havia era cinco diretores. mais um superintendente aqui da Telerj. uma meia dúzia de peões (eu no meio dos quais) para fazer a corte e pronto. o que se seguiu foi, na ordem: uma vergonha de apresentação por parte dos anfitriões, uma descortesia de quem nos convidou, um show de retórica e oratória dos diretores da empresa e uma apresentação completa nossa, seguida de um debate à altura entre a minha chefe e dois dos diretores.

foi lindo. foi maravilhoso. cobranças de lado a lado, argumentações poderosas, um debate de altíssimo nível. era tudo que eu queria, tudo mesmo. saí de lá cansado mas com a alma lavada, e isso 45 minutos depois do horário em que acaba meu expediente.

*

devo ter deixado coisas para trás, as quais prometo que vou colocar ao longo dos dias. o que se tem a fazer é o seguinte:

- imitar o rango da Alê nesse post aqui. vou passar na Bellini, depois que o expediente acabar, com a lista completa e ainda alguma coisa defumada;

- investir uma grana na Bolsa. tô arregando demais, tenho de ser mais agressivo;

- continuar uma politicagem que comecei na segunda;

- colocar o trabalho em dia.

- conquistar 24 territórios e destruir os exércitos brancos.

tchau.

de novo

you got old and wrinkled,
I stayed seventeen.
you lusted after so many,
I lay here with one*.
you defied your solitude,
I came through alone.
you said you could never love me,
I undid your gown.

(Leonard Cohen, “Is this what you wanted”, 1974)

* na verdade I didn’t.

swimming pool

o comecinho da L2 Sul pode ser, durante o horário do almoço, a visão do paraíso. hoje foi assim, fiquei até sem ar com o que vi – como se estivesse sendo afogado. voltei para o trabalho e fui ouvir “Natation synchronise”, do Vincent Délerm (valeu por essa, Fábio), enquanto sonhava com aquilo que vi em uma piscina com cheiro a cloro e aquele clima de dez anos atrás que, felizmente, não volta. completo ou parcial, de nada adianta o passado.

mas ah, meu amor, que delícia é pensar em você e em nado sincronizado ao mesmo tempo, especialmente nessas circunstâncias.

*

não dei sinal de vida durante o feriado porque achei, sinceramente, que não precisava dar sinal de vida. e estive certo o tempo todo: não há palavras porque não há fatos. em não havê-los, a narrativa é desnecessária, ou seria um episódio do Seinfeld.

*

e então, o que fazer? comprei um terno preto na semana passada, atualmente em fase de últimos acertos (“no, blue jeans won’t cut at the seams like you want it to…”), e tá ficando legal. faltam só quatro degraus pra chegar no Ermenegildo Zegna sob medida, e eu vou chegar lá.

curioso é que não se precisa de muito esforço pra ser um dos mais alinhados da Telerj. dá até dó da indumentária de geral aqui – e isso porque a gente se veste bem melhor do que o pessoal dos ministérios, por exemplo. gente brega não deveria servir à sociedade, alguém concorda? porque, pensando bem, se a pessoa não consegue escolher uma roupa para si mesmo, como ela vai escolher a melhor política pública para tanta gente? não, não rola.

*

como me acostumei a dormir às duas da manhã durante todo o feriado, é óbvio que não dormi cedo hoje. e fiquei assistindo “Alex & Emma”, uma comédia romântica sobre um escritor com bloqueio e uma taquígrafa / estenógrafa trabalhando juntos. algumas considerações sobre o filme:

- Sophie Marceau com o visual de mulher problemática: linda.
- o fato de que eu adoro mulher problemática: lindo.
- o roteiro do filme: lindo. e não parece, como li por aí, que o filme é uma remontagem de “Quando Paris alucina”.
- o clima “Somewhere in time” de quando o filme fala sobre o livro: lindo.

ou seja, uma comédia água-com-açúcar nota 8, tudo que eu precisava para desligar a TV depois do fim do filme, às duas, e dormir delícia.

*

nado sincronizado, nado sincronizado…

talk

palandi says: (19:07:40)
tô gravando uns cds do leonard cohen pra ouvir no carro
palandi says: (19:07:50)
daqui a pouco tem filme do jim jarmusch no ccbb
palandi says: (19:08:01)
de zero a dez, quanto você me dá em nível de velhice?
lucio says: (19:08:21)
oito
lucio says: (19:08:30)
world music nove
lucio says: (19:08:32)
jazz dez

dezesseis

(tinha feito um post enorme, de cinco parágrafos, que foi censurado. libero apenas o quinto, os outros foram devidamente apagados e esquecidos, e ele foi reclassificado de “diamante” para “bronze”)

enfim, tudo isso que estou escrevendo pode revelar alguma falta de foco, mas eu nunca estive tão focado na minha vida como agora. o que não impede que, mesmo assim, eu me sinta mal com várias coisas que estão rolando, mas que um dia, com alguma sorte e muito trabalho, acabarão. viver é foda, morrer é difícil. mas ninguém vai poder dizer, mais pra frente, que eu não tentei.

galeria

o Fabiano botou a Lily Allen na galeria de “favoritas da casa”. nada mais justo. injusto seria não mencionar a Helen Marnie, vocalista do Ladytron e paixão platônica já há mais de ano:

(é a vocalista, de blusa listrada e minissaia. queria colocar uma foto dela, mas nenhuma das que achei faz jus ao charme dessa menina)

elite da tropa

a Portuguesa venceu um time que não lembro qual era, na sexta-feira, por 6 a 2, e com isso já está quase garantida na primeira divisão do Campeonato Brasileiro de 2008. com isso, o estado de São Paulo voltará a ser representado por seus quatro grandes clubes: Santos, Palmeiras, São Paulo e Portuguesa de Desportos. por eles, e tão somente por eles.

passaporte

Lily Allen está em São Paulo. eu adoro ela. as músicas, o estilo, o fato de ela pelo menos parecer ser gente boa. fora que ela é linda e perto dela, ultimamente, qualquer outra mulher some.

mas eu não vou vê-la ao vivo. apesar de ser a mulher que mais balança o coração (calma, meu amor, calma…), mulher nenhuma justifica uma viagem para um lugar tão feio quanto São Paulo. ou justifica?

atendendo a pedido

a Lucia pediu e eu tenho de atender o pedido para postar a letra de “O amor que antes de ser já era”, escrita pelo Falcão e que consta do seu disco de estréia, de 1992 (reeditado em 1996):

Por detrás daquela fábrica no Pirambu
Mora o dono da farmácia
E o que tem a ver com as calça?
E por falar em farmácia, eu me lembro
Da moça que morava numa casa
Poucas casas da casa onde eu morava

Ela era gordinha, magrinha, loirinha, moreninha, bonitinha, feinha
E não gostava de mim

E é porque meu pai tinha um parente
Que era amigo de um soldado
Que morava em frente à casa de um vereador

Mas eu vim-me embora e você
Não passa de um ponto preto posto por uma mosca
No meu pensamento
E eu vim contando jumento na estrada
Pra lhe esquecer

E eu vim contando jumento na estrada
Pra lhe esquecer

*

(observações a seguir retiradas do encarte do disco “Bonito, lindo e joiado”)

Xote naquela base. Por um lado é bom, mas por outro, é ainda melhor. Ou seja: é a história de um indivíduo, amigo meu, cuja fealdade não lhe ensejava a conquista de uma mulher. A letra, que aparenta um paradoxo, em verdade, o é. Mas que o cara era feio, era.

Pirambu – Bairro fabril de Fortaleza daquela era;
Contando jumento na estrada – Passatempo de viajante, quando havia jumento nessa terra, fora dos carros;
Jumento – Animal mamífero da ordem dos perissodáctilos, espécie Equus assinus. O mesmo jegue.

*

quanto a mim, só cabe fazer uma observação: o refrão da música, em que ele diz “ela era gordinha, magrinha, loirinha, moreninha, bonitinha, feinha, e não gostava de mim”, é tristíssimo. porque ele mal se lembra dela – o que é ressaltado pelo trecho “e você não passa de um ponto preto posto por uma mosca no meu pensamento” – mas se lembra perfeitamente de que ela não gostava dele.