supermercado

“ninguém mais compra cds” – Lúcio Ribeiro

de fato. então, cá entre nós, meu nome é ninguém: fui pro eBay e comprei quatro discos, exatamente a quantidade que tinha comprado durante todo o ano de 2007. ei-los:

REM, “Reckoning”. segundo disco deles, ele é de 1984 e tem algumas das músicas mais angustiantes da história, inclusive o clássico de quem mora no interior de São Paulo ou de Minas Gerais, “So. central rain”. já experimentaram pegar a rodovia dos Bandeirantes às oito da manhã, ouvindo essa música? é inesquecível. peguei a versão com cinco faixas-bônus.

Echo & the Bunnymen, “Echo & the Bunnymen”. a maior parte dos fãs dos homens-coelho acha que o melhor disco da banda é o “Ocean rain”. tem quem defenda que é o “Porcupine”. eu sou, até prova de contrário, o único que defende esse disco aqui, o mais pop de todos e que, além dos hits óbvios, tem uma música linda que atende pelo nome de “Bombers bay”. foi através dela que eu soube da existência da cidade de Mandalay, na Birmânia, e que passei a ter vontade de conhecê-la. peguei a versão remasterizada, com sete bônus.

Wilco, “A. M.”. é uma vergonha, mas preciso admitir: ainda não tenho tudo que o Wilco fez até 2002. segunda à tarde eu tava na Telerj, na hora do almoço, e coloquei o clipe de “Box full of letters” pra ouvir a música. em trinta segundos de canção eu tava entrando no eBay pra dar lance nesse disco, que é uma das coisas mais inacreditáveis do pop americano. também é outro clássico da série “morar no interior”, porque tem coisas que um habitante da metrópole talvez não sinta da mesma forma que um caipira que puxa o R. (para efeitos dessa teoria, o Gabriel é piracicabano)

Uncle Tupelo, “89/93: An anthology”. eu não conheço uma música sequer do Uncle Tupelo. mas conheço todas do Wilco. enough said.

*

a era do mp3 fez os preços dos cds importados baixarem aos níveis em que sempre deveriam estar. e hoje em dia eles custam metade de um cd nacional. contando o frete, paguei 70 reais pelos quatro discos aí de cima, todos zerados. não é algo que eu vá fazer sempre, mas ainda é gostoso, já que eu preciso de música no carro e sempre que me lembro de você, meu amor.

HP 12C

o Anônimo, estatístico, matemático e ex-cowboy, publicou, nos comentários do post passado, um estudo sobre as chances do Gama de subir para a primeira divisão. imperdível, e as contas fecham, ao contrário das do Craudio sobre o timinho dele. que vai, no ano que vem, enfrentar o Brasiliense de igual pra igual.

yummm

Kopenhagen testa expansão do modelo de negócios

Líder no mercado brasileiro de chocolates finos, a Kopenhagen planeja expandir sua área de atuação para além dos doces. A empresa inaugura esta semana uma espaço dentro da loja do Parque Dom Pedro Shopping, em Campinas, no interior paulista, onde servirá pratos salgados, sobremesas e bebidas.

A área nova, batizada de Kopenhagen Gourmet Station, servirá como termômetro da aceitação dos consumidores, durante cerca de seis meses. Serão avaliados o mix de produtos, o tíquete médio e o perfil do público atendido. Caso a experiência seja bem sucedida, a empresa passará a instalar o espaço também em outras unidades e regiões.

No cardápio do Gourmet Station, haverá opções como saladas e quiches, croissants recheados com o chocolate da própria marca e milk-shake de Nhá Benta, doce de chocolate e marshmallow que se tornou um dos produtos mais conhecidos da empresa.

O novo espaço, de 50 metros quadrados, deve aumentar em 1 milhão de reais o faturamento atual da loja, hoje em 3 milhões de reais por ano. Essa estratégia de ampliar a variedade de serviços oferecidos é uma tentativa de aproveitar a imagem de inovação associada à marca da Kopenhagen, segundo a vice-presidente da companhia, Renata Vichi.

dilúvio

Brasília se prepara para um dilúvio que vai acontecer nessa tarde ou à noite. já estou com tudo adiantado: janelas fechadas, alguma coisa para comer durante a chuva, um plano B para algumas coisas, até um plano C para umas tantas.

eu gosto da chuva. eu nasci num dia chuvoso, nunca tive problemas em relação a aguaceiros. menos ainda depois que me mudei para Brasília.

*

não preciso dos teus arranha-céus
dos teus vendavais e da tua ajuda humanitária.
então agora, se me dás licença,
vou ali tomar um banho de chuva.

*

e se a chuva é um prenúncio da guerra, como uma vez disse um professor sobre a segunda guerra mundial, que fique claro que eu vou te atacar para poder me defender.

preguicite

texto muito bom do Man in the Box, que eu só fui ler hoje. alguém dá uma medalha pra ele, por favor?

Futuro

O dia está só na metade e você já participou de reunião, entregou uma pilha de jobs, almoçou China in Box sentado na mesa do computador e ouviu três vezes a palavra “urgente”… E de três pessoas diferentes. E o dia está só na metade.

Saindo daqui você vai chegar na cama, tirar o sapato sem desamarrar os cadarços e se entregar ao sono dos justos, certo? Piiiiii, errado! Você vai é respirar três vezes, encarar o trânsito descomunal desse dia chuvoso e se jogar na academia.

Onde vai puxar ferro por uma hora, correr meia hora e fazer bike na outra meia, aliás, o único momento que consegue ler um livro. No caso, mais um romance-suspense do Dan Brown (sem criticas ok?).

Então, quando hoje já tiver virado amanhã, você finalmente vai pra casa, realizar que a geladeira não faz compras sozinha. Então vai comer meia banana enquanto coloca o despertador pra tocar sete horinhas depois.

E antes que alguém pergunte, não, você não quer uma medalha. Só um vidente muito bom, pra dizer que isso tudo um dia vai valer a pena. É pedir muito? Hein, hein?

vassoura

você mexe e remexe no passado
como quem mente quando disse que estava tudo resolvido
que não há mais nada, que se sente bem com isso
e que eu é que não consigo enxergar.

mas se você fala isso e se comporta de outro jeito
sinto muito em lhe dizer:
alguma coisa está errada
e não sou eu essa coisa.

voz do deserto

um final de semana gostoso e com agitação na medida, como há muito tempo não havia: essa tal de socialidade nunca sabe se manifestar na quantidade certa.

*

dezoito horas de sono, bastante o que se fazer: almoço de aniversário do Marcelo, com aquele belo vinho argentino mencionado antes, depois uma ida ao Mané Garrincha com o Anônimo para ver nosso Gama tomar de 4×3 do Paulista de Jundiaí. um time horrível, de um lugar horrível, com uma trajetória horrível no futebol: perder para o Paulista foi uma vergonha. paciência, sendo assim o Gama terá de se contentar em enfrentar, de igual para igual, o Corinthians na série B, ano que vem.

*

depois, à noite, fui com a galera ver de colé a desse Beirute da 107 norte. e gostei do que vi: um boioléu menor, o atendimento melhor, os azulejos ainda brancos e uma sensação de limpeza. em se tratando de Beirute, todo brasiliense sabe que isso tudo é inimaginável. não foi perfeito, claro, mas tava maneiro. até mandaram bilhetinho pra uma dona de outra mesa em meu nome, pra me constranger – e, obviamente, o bilhetinho não deu em nada.

porque, se desse, eu tava perdido.

*

depois disso, marquei com a Licota de ir até a Casa Cor Brasília 2007, que se encerrou neste domingo. a previsão original era de ir hoje à tarde, mas a Lia me mandou uma mensagem pra que a gente fosse na hora do almoço, que provavelmente teria menos gente. a mensagem me acordou (eram 11:20 da manhã) e eu bati meu recorde de me arrumar rapidinho: tomei banho, lavei os cabelos, passei gel, bloqueador solar, saquei dinheiro e cheguei no prédio do Touring em 26 minutos. e, detalhe, eu acordei.

sempre tive vontade de visitar a Casa Cor, e a desse ano tinha um agravante: o prédio do Touring é lindo e, por um lado, tem uma localização extraordinária (por outro, fica do lado da rodoviária e do Conic, duas das maiores vergonhas brasilienses). mas, por dentro, a coisa tava assim, assim: os arquitetos que montaram o circo por lá não quiseram saber de utilizar a luz dos ambientes, tudo tava fechadão, um saco. de toda forma, tinha alguns momentos bem legais, especialmente quando estávamos no ambiente “Consultório Médico” e, no meio daquele mobiliário todo, vimos uma radiografia em cima da mesa do médico que ali ficaria.

era um eletroencefalograma do próprio arquiteto que tinha projetado o ambiente. achei genial.

*

pausa para um sanduíche e, depois, fui com Lelo e Felipe assistir ao “Tropa de elite”, finalmente. todo mundo sabe da minha política para o cinema nacional: se não tem Mussum nem Mazzaropi, tô fora. não quero saber de comédia romântica sobre carioca-ator-da-Glooooobo nem de filme de favela glorificando o marginal. eu não quero saber o ponto de vista do pobre: meu pai nasceu pobre, estudou e subiu na vida. pode até ser que nem todo pobre tenha condição de subir tanto, mas isso não justifica virar bandido. nunca.

mas meu deus, “Tropa de elite” é muito bom. valeu os quinze reais empatados, numa boa.

*

acho que tinha alguma outra coisa para colocar aqui, mas não me lembro o quê. quando lembrar, registro.

le tourbillon

ontem eu tive um momento Marcio Porto no carro. tava saindo do trabalho, indo pro Friday’s (bota-fora de um amigo que tá trocando de departamento na Telerj), descendo ali da L2 pra L4 sul. tava um céu cinza lindo armando chuva, um Sparklehorse no som, as lanternas do carro já acesas, apesar de ainda estar claro. e na hora eu pensei “meu deus, isso é muito Marcio Porto”.

*

aniversário do Marcelo hoje (parabéns a ele!), e a irmã dele trouxe um vinho argentino cujo nome não me lembro agora, mas que é feito com uvas pinot noir. sempre achei essa história de enologia uma grande bichice, já que prefiro uísque e vodca, mas esse foi o primeiro vinho realmente gostoso que tomei na minha vida. e olha que tomei muitos… inclusive um monte de argentino, chileno e italiano para o qual pagam um pau violento. vou comprar umas dez garrafas dessa belezinha, mas antes preciso perguntar o nome do vinho para a Cissa. assim que souber, coloco o nome aqui, prometo.

*

esse final de ano pede uma postura diferente. mais relaxada, mas ao mesmo tempo mais centrada. será que eu dou conta de me transformar assim?

chega de saudade

durante muito tempo eu ouvi que ter uma boa memória ajuda. é um diferencial, você teoricamente pode ter mais assunto para conversar, mais conhecimentos, coisas assim.

mas descobri que ter boa memória não é bom. porque você pode se lembrar de coisas ruins ou tristes com muito mais facilidade.

timão

(não tem fonte certa porque a imprensa só cobre primeira divisão)

Corintiano agride namorada por causa de roupa

Um office-boy de 22 anos foi preso ontem em São Paulo acusado de espancar a namorada, uma cabeleireira de 20. Cleidson de Souza disse em depoimento que a roupa de Vandira Moreno motivou o acesso de raiva.

“Mano, nóis tá no maior aperto lá no timão. Os porco e os bambi tudo zuando nóis. E daí eu chego em casa, pá, mó stress, e a mina tá usando tomara-que-caia? Já saí distribuindo corretivo, tá ligado?”, afirmou Souza.

ohm

(trilha sonora: “Gold day”, do Sparklehorse)

ontem foi um dia e tanto. trabalhei como alguém da iniciativa privada, subi e desci, fiquei em pé, deixei meu traseiro flat durante reuniões cheias de cerimônia, bebi café amargo, fiz minha politicagem (ainda que a conta-gotas), fiz tudo o que era preciso. depois voltei para casa no piloto automático e assim passei a noite de ontem: eu já tinha vivido o dia todo em menos tempo.

correio sentimental #2

Anónimo declarou…
Pomps,

Estou viciado em entrar no blog do Cráudio e rir de seus confusos cálculos matemáticos que colocam Náutico e Goiás na segunda divisão ao invés do Curinthians. O que eu faço?

resposta: procure um matemático, estatístico ou engenheiro e mostre os confusos cálculos que o economista Craudio fez. e riam de galera deles. logo em seguida, perguntem-lhe porquê o corintiano não vai ao cinema em 2008.

glicerina

texto maravilhoso do João Pereira Coutinho na Folha de hoje:

A arte de recomeçar

Os pesadelos acontecem. Uns tempos atrás, um conhecido escritor português contava-me que, chegando ao aeroporto de Caracas, o seu laptop foi roubado sem deixar rastro. Mas o pior não foi o laptop. Nunca é. O pior foi o conteúdo do laptop: um romance original, ou uma parte generosa dele, que só existia no computador. Nenhuma cópia de segurança em casa. Nenhum manuscrito. Nada de nada capaz de compensar a perda absoluta. Meses de trabalho, anos de trabalho, perdidos em segundos.

Ouvi o infortúnio com certo horror e fascínio. E depois recordei a mais bela história intelectual da Inglaterra do século 19, que sinceramente me comove até às lágrimas. Aconteceu com Thomas Carlyle, o notável historiador escocês, tal como ele a relata nas suas memórias. Durante anos de intenso labor e habitando uma pobreza excessiva, Carlyle completara o primeiro volume da sua história da Revolução Francesa. Contara com a ajuda do filósofo John Stuart Mill, que emprestara livros e dinheiro. E quando Stuart Mill, no final da odisséia, pediu de empréstimo o único manuscrito do trabalho para ler, aquele manuscrito que consumira a saúde e a juventude de Carlyle, este o emprestou, grato e honrado.

Foi uma hora funesta. No dia seguinte, Mill regressava, branco como um fantasma, para comunicar que o manuscrito fora acidentalmente consumido pelas chamas.
A descrição que Carlyle nos deixou nas “Reminiscences” ainda hoje emociona qualquer cristão: o estoicismo com que a notícia é recebida, apesar da mortificação interior; as três horas de conversa esforçadamente banal, como se fosse Mill a necessitar de consolo; e quando este deixou finalmente a casa do historiador, para infinito alívio do casal, a mulher de Carlyle, incapaz de fingir normalidade, abraçando um homem destroçado e chorando com o dramatismo que apenas concedemos às óperas clássicas. E as palavras de Carlyle, finalizando a cena, dirigidas a um Deus em que ele, para tragédia sua, não acreditava.

Mas a história não acaba aqui. A história acaba na minha estante, quando folheio, com uma reverência absoluta, a sua história da Revolução Francesa. Porque, depois da notícia das chamas, Carlyle sentou-se à mesa e recomeçou a partir das cinzas. Cada palavra, cada linha. Cada página.

Hoje, quando releio esse monumento de erudição, paixão e estilo, não encontro apenas um dos mais poderosos relatos sobre a glória e a miséria de 1789: as aspirações igualitárias e libertadoras da Bastilha que terminaram, como usualmente terminam, no terror das guilhotinas.

Encontro a evidência de que a nobreza do espírito humano não está na coragem com que recebemos o infortúnio. Mas na forma como o recebemos e, apesar de tudo, somos capazes de continuar. Mesmo quando o mundo nos parece perdido.

Livros de auto-ajuda? Sim, leitores; afinal, eles existem. Nas minhas piores horas, olho para esse volume aparentemente anônimo entre tantos volumes anônimos e há uma gratidão silenciosa e interior que me faz, tantas vezes, recomeçar.

bloco

belo texto do João Mellão Neto, provavelmente publicado no “Estado de São Paulo” de sexta-feira passada:

Somos das elites, sim

Se você se formou em alguma faculdade; se você, por acaso, aprendeu mais de um idioma; se você é um profissional liberal bem-sucedido ou ocupa um cargo elevado na empresa em que trabalha, cuidado. Esconda os seus diplomas no armário, jamais torne a usar os seus ternos sob medida e trate de comprar um carro velho ou popular.

Demonstrar mérito ou ostentar sinais de prosperidade, no Brasil, agora é pecado. Essas coisas significam que você faz parte das nossas pérfidas elites e, portanto, carrega consigo grande parte da culpa pela miséria em que vive razoável parcela da população.

É curioso. Eu nunca interpretei o termo elite por um ângulo pejorativo. Ao contrário. Elite, para mim, sempre significou os melhores dentre os melhores em cada área.

Há a elite dos empresários, como existe a elite dos médicos, a dos políticos ou a dos advogados. Com exceção de parcela da elite econômica, cujo patrimônio veio por hereditariedade, ninguém vem a ser reconhecido como membro de alguma elite se não demonstrar mérito, talento e empenho pessoal. São todos pessoas de peso, merecedoras da admiração geral. Ou, pelo menos, era assim até a chegada da companheirada ao poder, há quase cinco anos.

Confesso que não me surpreendi com essa total inversão de valores. Quando cursava a faculdade, em meados dos anos 1970, um dos mitos mais caros do pensamento esquerdista era o que pregava que todas as mazelas do Brasil eram culpa exclusiva de suas execráveis elites.

O povo em geral, os cidadãos humildes, era puro de alma, solidário por natureza e sempre pronto a empenhar o melhor de si em prol da coletividade. Mas ele não tinha chance de fazê-lo porque as elites, egoístas e gananciosas, não lhe davam oportunidade. É mais ou menos a forma como os marxistas tradicionais idealizavam a classe burguesa.

Elimine-se a burguesia e os seus valores, e a sociedade, quase que naturalmente, se tornará justa, fraterna, cooperativa e voltada para o bem comum. Quatro décadas depois, mesmo com a utopia comunista já devidamente sepultada, alguns cacoetes do pensamento esquerdista ainda remanescem.

Um deles é este da dicotomia entre um povo bom e generoso e uma elite perversa e individualista. Todo raciocínio simplista é eivado de contradições.

Os companheiros ainda não se deram conta de que, uma vez no poder – e com amplo controle sobre o Congresso -, são eles, agora, a elite política do País. E elite não no sentido de mérito, como referido acima, mas, sim, pelo fato de que são eles a classe dominante da Nação.

Embora execre as elites, essa gente, paradoxalmente, faz parte delas há muito tempo. Desde o final dos anos 70, são eles, incontestavelmente, que compõem a elite sindical do proletariado deste país. Sempre ocupando cargos na diretoria dos sindicatos, boa parte desse pessoal nunca trabalhou, de fato, no chão das fábricas.

Além disso, em função de seus postos na burocracia sindical, eles sempre perceberam vencimentos integrais e gozaram de estabilidade absoluta no emprego, algo que nem os mais renomados membros das demais elites jamais ousaram sonhar.

Paladinos dos miseráveis, pobres, por sua vez, eles nunca foram. Com salários nunca menores que o equivalente a sete ou dez salários mínimos, todos eles sempre lograram possuir casa própria e automóvel, o que os classificaria, no mínimo, como classe média.

Por que, então, esse ódio às elites e a tudo o que elas representam? Note-se aqui que o designativo elite não vale apenas para o topo da pirâmide social, mas abrange, também, toda e qualquer pessoa que demonstre auferir rendimentos acima da média, tenha algum estudo e cultue hábitos minimamente refinados.

A contraditória “elite antielites” que nos governa não se dá conta de que, se Lula pode dar-se ao luxo de distribuir o Bolsa-Família a 11 milhões de famílias, isso só é possível graças aos escorchantes impostos que as nossas odiáveis “elites” recolhem ao Tesouro.

A carga tributária que incide sobre a classe média é proporcionalmente muito maior do que a do resto da sociedade. Os petistas que me perdoem, mas eu sempre tive e terei orgulho de fazer parte dessas elites que eles tanto condenam. São essas elites que formam o sal da terra de toda e qualquer sociedade. São elas que produzem riquezas, criam valor e fazem a economia andar.

Devemos a elas o fato de, graças a sua especialização, a sociedade poder oferecer serviços de qualidade em todas as áreas do conhecimento. São elas que, pelo hábito de ler livros e jornais, compõem a opinião pública de uma nação.

Se o presidente Lula não quis estudar (tempo ele teve para isso), é um problema exclusivamente dele. Mas que não venha a nós fazer proselitismo de sua insuficiência acadêmica.

Que não tente, por seu exemplo pessoal, influenciar os nossos filhos no sentido de que a indigência cultural é uma virtude e que o pouco saber é uma ferramenta útil para preservar a pureza e as boas intenções das pessoas.

Paralelos de obscurantismo, na História, nós só encontramos na Revolução Cultural chinesa, quando, a partir de 1964, Mao, em seus delírios, decidiu humilhar e “reeducar” todos os chineses que tinham um grau mínimo de instrução.

O resultado, como era de esperar, foi desastroso. Após 14 anos, os mentores da tal “revolução” foram todos para a cadeia, Deng Xiaoping, com a inestimável ajuda dos antigos intelectuais, logrou reerguer a nação e a China, hoje, é o país que mais leva o ensino a sério e envia estudantes para aperfeiçoamento no exterior.

Somos elite, sim, sr. Lula, e com muito orgulho. Nós lutamos para chegar lá. Somos esforçados, esclarecidos e, sobretudo, independentes. É por isso que nós sempre relutamos em sufragar o seu nome. A nós nos repugna a idéia de alienar os nossos votos a troco de uma mesada de alguns poucos reais.

Reykavík

ontem teve show do Bonde do Rolê em Reykavík, capital da Islândia. o Rodrigo chegou bêbado e entrou no MSN, e eu fiquei honrado em conversar com alguém que esteja lá. até pedi para que ele entrasse nesse blógue, para dizer que, um dia, algum islandês se interessou pelo que se passa aqui. eu não tenho contador de acessos no palandi.com, mas meu deus, é muita honra de todo jeito. falei pra ele que a Islândia não é primeiro mundo, é zerinho mundo, e ele concordou. e ainda jogou na minha cara que tava indo hoje no Blue Lagoon, sonho absoluto de consumo deste que escreve essas linhas.

meu deus, preciso virar logo um popstar.

zero

o Anônimo e o Marcio me chamaram pra ir a um show muito do foleiro hoje. três bandas que eu não suporto e uma que eu apenas tolero. apesar da presença dos amigos por lá, eu não vejo porque ir. pela presença, era melhor ir pro Martinica ou pro Segundo Clichê, ou qualquer outro bar assim. se a intenção fosse encher a cara, uma reprise da fuzarca da semana passada, aqui em casa, seria bem mais legal. e se eles estivessem solteiros e o negócio fosse mexer com mulher, eu não consigo pensar em porque ir a uma apresentação de bandinhas sem graça, ainda por cima paga.

sem contar as más vibrações do povo que vai a esses lugares.

flash

neste sábado, 20 de outubro de 2007, às 22:04 pelo horário brasileiro de verão (GMT -2), eu, Eduardo Palandi, afirmo: estava assistindo ao “Flash”, do Amaury Jr., e ele se aproximou do Orestes Quércia, ex-governador de São Paulo, e sua esposa, na festa de aniversário do presidente do Jóquei Clube paulista. disse, em tom eufórico, que tinha uma boa notícia pro Quércia. fez lá um suspense e disse que a filha de um amigo deles, dono da churrascaria Plataforma, iria se casar com o filho do Robert de Niro.

e eu fiquei aqui, com cara de otário, sem acreditar que a boa notícia era isso.