de cadências

acabei de assistir “Match point”, depois de ver uma porcaria aí no Telecine Light. odeio admitir isso, mas é um belo filme. maldito Woody Allen.

*

e para agora, o que temos? os primeiros raios de sol
três revistas ainda por ler
o treino da Fórmula 1 às nove
mas acho que vou dormir. bom dia a todos.

niilismo

troquei o gesso hoje. dessa vez me deram um pós-moderno, menor, mal acabado e mais leve, que deixa meus dedos à mostra. penso em pintá-lo de lilás, com detalhes nas cores da bandeira de Gana (verde, vermelho e amarelo, burro) e em laranja. ainda não sei como vai ser, mas queria mesmo transformá-la em uma obra de arte. fico com ela por duas semanas, depois minha mão será imobilizada de outro jeito, como mencionei.

pode ser que tenha gente pensando que minha rotina é enfadonha. acordo meio-dia, penso no que vou comer e como. me arrumo para sair e fico no MSN tentando descobrir qual é a boa. daí dedico um tempo à juntada de documentos do caso e de umas outras coisas que preciso resolver. de vez em quando passo na XP Investimentos, para ver como estão meus papéis de ITSA4 e outros que andei comprando. bebo litros de Aquarius Fresh e refrigerante dietético. volto pra casa e espero pra fazer a boa da noite. estive em dois concertos e um jogo de futebol essa semana, e adorei. e cortei meu cabelo, voltando a ser gato.

paralelamente à recuperação da minha mão, estou um pouco preocupado com meu novo carro, que ainda não sei qual será mas, como disse, precisa ser doce como um beijo, espaçoso para caber meu ego e ainda não ser feio como o Corolla. mas tudo se resolve. e hoje, bora ver a Nancy no Gate’s e depois assistir a um filme água-com-açúcar de madrugada?

abono

terça-feira, na abertura da Copa América, jogaram Venezuela versus Bolívia.
eu torci pra que os dois perdessem.

hoje estão jogando Argentina e Estados Unidos, no exato momento em que escrevo isso o juiz pôs termo ao primeiro tempo.
queria que os dois ganhassem.

(e sim, eu adorei o cupim mexicano ontem, vocês sabem da minha política patriótica: quando o futebol ganha, o Brasil perde)

cisterna

nervos à flor da pele, que muda de cor. a respiração corre noutro ritmo, e em segundos sou sufocado… pelo excesso de ar. a pressão aumenta, o coração dispara: é tanto sangue nas veias que o gesso vai esourar – mas só depois do coração e da cabeça, nesta ordem. não é uma situação qualquer, é um banho de adrenalina. e daqui a pouco tem mais.

lucidez

lê-se hoje na coluna da Monica Bergamo:

NOSSA CAIXA
O governador do DF, José Roberto Arruda, quer seguir o governador de SP, José Serra. Ele pretende vender a conta-salário dos funcionários de Brasília ao BRB, como fez Serra, ou promover licitação para que outras instituições financeiras disputem a exclusividade na administração da folha de pagamento dos servidores.

VENDE-SE
Outra idéia de Arruda é privatizar o BRB, envolvido em escândalos. Ele foi recebido anteontem pelo presidente do BC, Henrique Meirelles, para discutir a nomeação de um novo presidente do banco -o último que ocupou o cargo foi preso na Operação Navalha.

só boas idéias. e eu, que achei que o Arruda fosse fazer uma m**** de governo, estou a morder a língua. felizmente.

Minsk

nesse momento é que você percebe que o país está em boas mãos…

Bernardo: sem consenso, inflação será decidida no “joquempô”

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse em Brasília que a decisão sobre a meta de inflação na reunião nesta terça-feira do Conselho Monetário Nacional (CMN) será por consenso e não por voto.

“Se não tiver outro jeito a gente resolve no joquempô (conhecido como Pedra, Papel, Tesoura – jogo popular do mundo para a tomada de decisões)”, brincou Bernardo.

Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não quer influenciar na decisão, porque a equipe é madura.

quem aí sentiu a ironia do “a equipe é madura” levante a mão engessada!

Skopje

atendendo ao pedido da Priscila, algo sobre o acidente em que me envolvi no último dia 16. é a última coisa que escreverei sobre o assunto (e a primeira também):

1. aconteceu às sete da noite, eu estava sóbrio, o cara do outro carro também. ambos estávamos sozinhos nas respectivas viaturas;

2. fui fazer uma conversão à esquerda numa via de mão dupla, ele veio dessa esquerda e houve a colisão, a minha frente na lateral dele;

3. a culpa? de ambos. minha porque achei que dava, dele porque tava acima da velocidade;

4. estava segurando o volante com a mão esquerda e, no impacto, o segundo metacarpo, um osso do indicador, partiu-se. senti o inchaço e a dor na mesma hora, minha mão ficou enorme, mas só procurei um hospital no dia seguinte, quando constatou-se a gravidade do negócio e a mão foi imobilizada;

5. o gesso foi colocado na última sexta e fico com ele por três semanas. depois eu sei que vai haver uma outra imobilização por pelo menos mais um mês e, depois disso, mais uns três meses de fisioterapia;

6. no final das contas, meu cronograma para o ano será pouco alterado, felizmente. e vou ter um carro novo, por supuesto;

7. quando procedi ao engessamento, semana passada, o dorso da minha mão estava amarelo, e a palma, por causa do edema, estava numa cor entre o azul e o verde. longe de me abalar, pensei nessas colorações como patriotismo puro;

bem, é isso. o gesso só atrapalha mesmo é na hora de dormir – já me acostumei a lavar os cabelos, já dancei quadrilha na Telerj, já cozinhei macarrão de sêmola e já sei a coreografia de “Love to hate you”, do Erasure, com uma mão só. meu próximo passo deve ser aprender a jogar golfe com a mão imobilizada.

Viena

o televisor desligado, as luzes da casa e o msn idem. não quero dormir, me recuso a esperar na cama pelo meu descanso noturno e abro caminho em meio à madrugada, enquanto meu corpo não se vê rendido pela força maior que nos recolhe por um terço da vida. levo a mão à cabeça e me localizo em meio a tantos cruzamentos, tantas transversais, tantas superquadras a percorrer: sou só eu, numa vastidão que só não arde os olhos porque o sono virá antes. e assim respiro fundo e retomo meu lugar, enquanto a inexorabilidade do tempo pede um abraço, um último gesto a preceder as coisas que se transformam e simplesmente deixam de ser.

Atenas

o Ivan, nesta segunda-feira, escreveu a primeira frase no meu gesso: “QUÉRCIA VEM AÍ”. para quem não é brasiliense, uma explicação: trata-se de uma pichação muito popular em Brasília nos idos de 1993/94, bastante comum e visível ali pelo lado da rodoviária do Plano Piloto. brasiliense que sou, essa eu tinha de ter…

Budapeste

pouco antes, um representante da companhia seguradora entrou em contacto comigo, para me dizer que meu carro teve perda total no acidente. previsível: o cofre do motor ficou destruído. o habitáculo, ao menos, ficou inteiro, era o que interessava. com isso, devo receber um tutu e adquirir um novo carro. como eu adoro carros grandes e com estilo, já estou à procura de um veículo onde caiba algo que nunca coube no meu antigo Fiesta: meu ego.

enquanto isso, domingo quero promover um churrasco pra comemorar a perda total. bora?

Lisboa

uma mulher do departamento de vendas daquela operadora de telemóveis cuja dona é a Portugal Telecom me ligou hoje, com uma boa oferta para trocar minha operadora mexicana por eles. ofereceu-me um desconto de 76% no preço do aparelho, cem minutos mensais de roaming e umas outras coisas legais. para melhorar, o aparelho oferecido era da cor azul. e ela nem sabia da minha ojeriza por aparelhos eletrônicos e carros da cor prata. topei. quando o aparelho chegar, informarei o número a quem se interessar.

o lembrete

bom dia, o mundo dá um sorriso colgate. boa tarde, a labirintite ataca, as coisas aparecem de outro jeito. boa noite, este reflexo não me pertence: é de outra pessoa.

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foi uma questão de nanossegundos, mas deu tempo: um pouco mais que eu olhasse e a confusão de que tanto procurei me distanciar esse tempo todo se faria, sem antecipações, preparações ou coisas do tipo. com a missão cumprida, o desvio realizado, o alívio tomou conta de mim e a marcha natural das coisas reencontrou seu caminho, rumo ao caos/cais mais tranqüilo em que possa aportar.

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chego cedo na fila. apresento a documentação, troco seis palavras em grego e cinco em búlgaro enquanto a fila anda. o clima ao meu redor é de euforia, as pessoas se apresentam umas às outras, parecem combinar algo festivo. sorvo todo o refrigerante da minha lata, pego meu tíquete e vou caminhando sem pressa, sem imaginar o que está acontecendo na minha vida, a dezenas de quilômetros dali. e não sinto pena alguma da pessoa que coloquei para viver tudo o que sinto enquanto me dei férias: a comédia é tão farta e inebriante que não há tempo de saborear a vida alheia.

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deixei tudo em casa: esvaziei os bolsos antes de sair. a cabeça, então, nem se fala. quer conversar um pouco?