hoje

hoje é feriado aqui em Brasília, um tal de “dia do evangélico”. uma péssima idéia do governo atual, porque se fôssemos coerentes haveria o dia do budista, o do macumbeiro, o do rock industrial orgânico e o de cada religião organizada que tenha um devoto aqui no Distrito Federal. mas na verdade é o tipo da medida feita para agradar funcionário público, que já aproveita e emenda tudo e só volta na segunda, no caso do feriado desse ano.

se for pra que seja feriado hoje, prefiro que seja por outro motivo: foi no dia 30 de novembro de 1907 – noventa e nove anos atrás, portanto – que o patriarca da família da minha mãe, o Palandi que veio da Itália, contraiu núpcias com minha bisavó, a carioca da família. uma pena que, de lá para cá, esse casal ítalo-leblonense só tenha gerado um monte de paulistas. mas eu saí do estado justamente para corrigir isso.

setenta

e lá fomos nós para uma balada (???) em Taguatinga (!!!). é, também não sei como topei, mas ontem estava com vontade de encarar qualquer coisa no estilo.

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ou qualquer falta de estilo também: em duas horas, o grupo de forró e sertanejo que tocava ao vivo deu lugar ao funk carioca e ao “trance muito irado”.

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havia algumas semi-gatas por lá. mas fui advertido para ser cuidadoso no trato com elas, já que seus cafetões namorados estavam na área. foi a senha pra não mexer com mulher, como sempre.

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o Victor é sem-noção? demais. mas o Gustavo ontem se superou. cercava as moças, chamava pra dançar, pra festinhas na casa dele, coisas assim. não rendeu muito dessa vez e ele saiu na zorra, mas bem, o quê esperar de Southguatinga?

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minha garganta, péssima, deu trabalho a noite toda, assim como a velha inflamação do nervo ciático. sim, eu sou um velho na balada, e completamente estragado.

musa

eu nunca assisti a um capítulo de novela sequer por causa de alguma menina bonita. eu também não assisto o “Oi mundo afora”, nem sabendo que é a Mel Lisboa que apresenta.

mas meu deus, eu tenho visto o Disk MTV todo dia por causa da Luísa. ô menina linda: por ela eu agüento até clipe da Pitty. no dia em que aquelas chatinhas voltarem a apresentar o programa eu fico no Multishow pra sempre.

p.s.: segundo meu patrão, ela ao vivo é “bem boa”. yummmmm…

razão

nove coisas que vão bombar na minha vida em 2007:

- apartamento duplex
- champanhe
- coordenação integrada
- iluminação
- MacBook (e isso já estava resolvido muito antes daquela miserável do 02 Neurônio dizer que é tendência)
- musculação com suplementos alimentares
- pós-graduação
- small talk (profissionalmente)
- vocal feminino em músicas esquisitinhas

chuva

não vi o final de “American psycho”, o filme, e não li o livro. ou seja, não sei o que aconteceu ao Patrick Bateman e não gostaria que me contassem. provavelmente deve ter sido morto ou condenado à morte. no meu dia de Patrick Bateman, não matei ninguém e não fui morto até agora, faltando pouco mais de duas horas para que amanhã comece. mas fui pego pela chuva enquanto caminhava no meu bairro e voltei pra casa correndo em meio à torrente, sozinho, à la Hemingway.

considerei isso como um fim. exagerando um tanto no drama, o meu final é bem menos sangrento, mas igualmente trágico.

esperas

ela era uma garota de classe média
ela estava acima de sua cabeça
ela achou que pudesse
permanecer em pé à beira do abismo

ele tinha um sorriso à prova de balas
ele tinha dinheiro para queimar
ela achou que tinha a lua
em seu bolso

mas agora ela morreu
ela está tão morta
morta e adorável para sempre, agora

disseram para que eu sempre me
lembrasse disso…
não deixe uma idiota te beijar
nunca se case por amor

ele era difícil de se impressionar
ele sabia os segredos de todos
ele a colocou em seus braços
como se fosse joalheria

ele nunca cedeu mas conseguiu
ele a mantinha sob suas rédeas
ele não é o tipo de gente
com que você contaria

mas agora ela morreu
ela está tão morta
morta e adorável para sempre, agora

chegue mais perto, olhe com atenção
você caiu rápido
como um avião no mar
em meio a uma tempestade

ela inventou alguém para ser
ela inventou um lugar de onde viera
isso não é um problema
em lugar algum do mundo

tudo aquilo plantado lá atrás
será sempre germinado
logo todos que você conheceu
terão ido embora

mas agora ela morreu
ela está tão morta
morta e adorável para sempre, agora

disseram para que eu sempre me
lembrasse disso…
não deixe uma idiota te beijar
nunca se case por amor

tudo tem seu preço
o que é mais romântico
do que morrer ao luar?

agora todos olham para o mar
o que se perdeu não pode estar partido
ela tinha raízes tão doces
mas elas eram tão rasas

mas agora ela morreu
ela está tão morta
morta e adorável para sempre, agora

essa é a letra de “Dead and lovely”, uma balada do Tom Waits gravada dois anos atrás e que só agora eu dei a devida atenção. a forma como a voz cavernosa dele vai contando a história, como se estivesse num bar mal iluminado na beira de alguma estrada no interior do Tennessee, é fantástica.

e é claro que não, ela não precisa estar fisicamente morta para estar morta. aliás, é o que menos acontece.

fim

toda vez que eu entro num fórum e, especialmente, na Justiça Federal de Brasília ou no Tribunal Regional Federal, é como se tivesse morrido um pedaço de mim.

dos grandes.

eu odeio fórums, odeio trâmites burocráticos, odeio entrar em agências da Caixa, recolher DARFs e outras coisas. odeio qualquer coisa que não possa ser paga por cartão, tirando a Pizzaria Dom Bosco.

é constrangedor ver a choldra advocatícia tão mal-vestida, dando carteirada por aí com seu plastiquinho da Ordem. é ridículo ver que existe uma associação de advogados que atuam em tribunais superiores, bem como é ridículo ver que existe um sindicato da categoria.

a cada vez que pego um processo, é como se estivesse desperdiçando minha vida. a parte legal do direito é a negociação: a partir do momento em que aquilo é codificado, vira uma merda. sim, eu não gosto de palavrões, mas direito codificado é uma merda e é por isso que eu gosto tanto da Common Law anglo-saxã. o tal do direito codificado emburrece, distorce, destrói.

bem como toda aquela papelada. e como todo o ordenamento jurídico brasileiro.

vitrola

disco do dia: “Cinema”, do Rodrigo Leão. ele foi um dos fundadores do Madredeus mas saiu da banda quando ela despontou para o estrelato, ficando com a carreira solo. esse “Cinema” é o primeiro long play, de 2004, e tem participações da Rosa Passos e da Beth Gibbons. é, ela mesma, a Beth Gibbons.

parte das canções do disco são apenas instrumentais. legal que o disco me evoca lembranças de Portugal inteiro: o clima de “Deep blue” me lembra Fernando Pessoa e os cafés lisboetas da década de 1930; as instrumentais com guitarra portuguesa me lembram Portugal insular, aquelas paragens da Madeira que aparecem no “Atlântico”, da RTPi; “Uma história simples” podia bem ser a trilha da minha chegada ao aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, e por aí vai.

ah, se no Brasil fizessem umas coisas assim…

846

a vontade de não escrever é grande, mas o impulso natural é bem outro.

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ano passado eu peguei uma camiseta na Zara apenas pelo que estava escrito nela: “Regallo dell’amico riservato” (“presente de amigo secreto” em italiano). óbvio que eu não iria dar de presente pra ninguém e que não era uma mensagem cifrada – apenas gostei de achar uma estampa em italiano e sem palavrões ou coisas às quais me oponha. e a camiseta ficou um tanto justa, embora não a ponto de inviabilizar seu uso.

uns meses depois eu fui adicionando umas libras ao meu peso e ela ficou ridícula em mim, assim como aquela camisa social rosa que peguei lá também. fiquei um bom tempo sem vesti-las por causa disso, até que ontem vesti a camiseta e, surpresa, ela está um pouco folgada – e não foi por acostumar-se com a minha pança. coloquei-a e me vi no espelho: magro, afinal.

claro que ainda há um looooongo caminho a se percorrer, mas foi estranho me ver magro depois de quinze anos, haha. ou dois, depende do ponto de vista.

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o tema do Manhattan Connection de ontem foi “pessimismo”. um mês depois de o Brasil ter feito esta cagada decisão política, o panorama no assunto não é muito animador. mas a política teve pouco espaço na discussão otimismo / pessimismo que pautou o programa, e eu gostei de um negócio que o Diogo Mainardi levantou: a questão das expectativas.

é óbvio que 2006 tem sido o melhor ano da minha vida, mas não era tão óbvio que um ano tão bom assim fosse uma ratoeira armada para me pegar em 2007: acordei ontem para a verdade acaciana de que preciso zerar minhas expectativas pro ano. não só por algumas dificuldades que imagino que vão aparecer como porque um ano tão bom quanto o atual só faz crescer a pressão por um subseqüente tão bom ou ainda melhor.

felizmente eu trouxe o Tao Te King surrupiado do meu tio aqui para Brasília, e já vou tomar as medidas necessárias para me esvaziar das high hopes e viver um pouco melhor.

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começou a temporada aeroportuária, e ontem descobri que os pontos meu cartão de crédito pode me dar muito mais do que um desconto de 50 reais numa máquina de panificação: com a conversão de seis mil deles para o frequent flyer da TAM e mais uns vôos que tinha feito, cheguei aos dez mil pontos ao comprar minha passagem para Deprelândia. ou seja, um trecho nacional a ser resgatado. como devo voltar de lá com os Chad, vou deixar a passagem à disposição. nunca se sabe quando é preciso voar daqui para Noronha, não é verdade?

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o silêncio pode, sim, incomodar. e chegar a te dar vontade de estar num concerto de hardcore, só para que algo seja dito, escrito, lido. na real, não precisa nem ser o silêncio sonoro.

miríade

hoje o dia promete: não há nada pra fazer. minto: tenho umas deliberações e umas entregas a serem feitas.

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provavelmente esse blógue será censurado durante a semana. não alimentem grandes esperanças e nem esperem grandes textos, se é que alguém aí um dia fez isso. vai rolar um contingenciamento forte.

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estou ficando louco. ouvi meu celular tocando em duas ocasiões que ele não tocou. que medo…

SMS

SMS é a sigla de “short message service”, um serviço para você resumir sua vida em 151 caracteres e enviá-la de um celular a outro. de vez em quando não cabe tudo nesse espaço (que pode ser de até 160 caracteres às vezes). de vez em quando eu mando alguns para meus amigos, tipo hoje.

ainda estava no décimo sexto andar do Grand Bittar e mandei um SMS triplo. e é isso.

porco-espinho

oi, tudo bem? estou no último andar do Grand Bittar, um dos hotéis mais maneiros de Brasília, desfrutando da companhia de uma galera em um truco com vista para a Esplanada e para o lago Paranoá. Brasília é uma cidade linda, estou apaixonado por esse lugar. o plano original é ficar aqui jogando até duas da manhã, parar para ver Brasil no voleibol e… sei lá o que mais. enquanto isso, tome blefe e refrigerante dietético. cheers!

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atualizações aqui? ah, passem amanhã…

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almoço em família hoje em Assombradinho: os amigos são a nova família. cedo ou tarde isso rola, especialmente com quem vai morar sozinho. na real, tenho duas famílias diferentes, e amo as duas. com opcões da dieta de South Beach no menu, joselitei de tanto comer e estou estufado até agora. que beleza…

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hoje nosso querido Victor L. Bicudo está colhendo a vigésima terceira couve na horta da vidahmmmmmmmmmm. levantem suas taças mais uma vez e brindem ao garoto, meus caros: ele merecehmmmmmmmm.