microondas II

graças ao grande Ricardo Rainha (sim, aquele mesmo do Fast Facts About Ricardo Rainha), os arquivos deste blógue agora estão funcionando, basta que se clique ali no mês desejado, na coluna à direita.

quanto ao primeiro “life in slow motion”, aquele que atingiu o limite de cinco mil entradas e teve de ser “substituído”, ainda não está publicado. estou tentando buscar uma solução para isso, mas há certas complexidades e diletantismos no caminho. fora que, convenhamos, eu leio tudo que escrevi até 2005 e acho uma m****…

terrapin

reencontrei a Camila no MSN dia desses. ela ainda não sabia do resultado do concurso em que fui aprovado e, depois de sete dúzias de parabéns, fez a pergunta tradicional de todo concurso (“quanto é que você vai ganhar?”). falei o valor a ela, que disse que eu estava na fronteira entre “rico” e “milionário”, e depois me disse os valores de cada faixa.

sim, é claro, ela tem benchmarks muito pequenos.

*

outro que não sabia era o Bruno, que fez a mesma pergunta. quando lhe respondi, ele disse que eu “tinha garantido a permanência na classe média para sempre”.

mas eu não quero ser classe média para sempre, oras.

final

a dois dias de fechar o primeiro mês de nazi-fascismo dieta com exercícios, o saldo acumulado é de -7,5 kg. excelente. se eu conseguir perder mais quatro quilos até o dia 22, será perfeito. aí é só dar início à segunda fase do programa.

surrealismo

coluna do Nelson Motta, na Folha de hoje:

Sala, cozinha e banheiro

RIO DE JANEIRO – Em “O Discreto Charme da Burguesia”, o grande mestre Luís Buñuel contrapunha duas cenas surrealistas: num salão elegante, em volta de uma grande mesa, uma dúzia de convidados bebem, conversam e discutem educada e animadamente, todos sentados em vasos sanitários, de calças arriadas e vestidos levantados, fazendo o que neles se faz com naturalidade. Depois, um a um, se levantam e se trancam nos banheiros, onde devoram voluptuosamente pratos cheios de carnes sangrentas e gordurosas, restos de comida lhes escorrem pelos cantos da boca, grunhem e rosnam como animais selvagens.

A metáfora bestial é um comentário irônico do mestre sobre a precariedade da condição humana e as hipocrisias da civilização moderna. É o que eles são em essência, o comportamento à mesa é apenas uma representação, onde cada um faz um papel.

Mas até o surrealista Buñuel se surpreenderia com o Brasil real, com tantos homens públicos que são metáforas ambulantes que comem e descomem à vista de todos, sem qualquer vergonha de uma coisa ou outra. A burguesia não tem mais o charme dos tempos de Buñuel, a elite sindical que se aboletou à mesa do poder não tem nada de discreta, muito pelo contrário. Há uma grande confusão entre a coisa pública e a privada.

Quando comecei a escrever na Folha, o diretor de Redação me deu boas-vindas e plena liberdade e fez uma única recomendação: manter a classe, nunca baixar o nível, criticar de “black tie”.

Resisti sempre, mesmo navegando no mar de lama. Mas hoje, revendo a obra-prima de Buñuel, não pude deixar de me lembrar do Brasil e sucumbir às metáforas fisiológicas do mestre, que são apenas discretas e charmosas diante da escatologia e vulgaridade que dominam a vida pública brasileira.

nota zero

foi só falar da fase italiana que parece praga: uma das minhas músicas preferidas em italiano (se não a preferida), “L’appuntamento”, da Ornella Vanoni, está sendo utilizada na novela das 9 como música… de um casal de veados.

era só o que faltava.

segunda volta

O Lula, com a sua ausência nesse debate, mandou um recado aos brasileiros e brasileiras: “Eu não estou interessado na sua opinião. Eu não preciso prestar contas pra ninguém”. No domingo, mande um recado para ele: mude de presidente. Quero pedir o seu voto para mudar o Brasil. Não é possível nós acharmos que essas malas de dinheiro (…) são coisas normais. Não é normal. Nós não podemos perder a nossa capacidade de nos indignarmos frente ao que está errado.

só pela despedida do Geraldo Alckmin, no debate de ontem (foi o melhor momento dele), essa eleição já merece um segundo turno…

Itália

parece que na “Quatro Rodas” desse mês tem algo sobre a Fiat trazer o maravilhoso Croma para o Brasil, caso o carro tenha boa aceitação no Salão do Automóvel, mês que vem (Rogério, rola de você me passar tudo o que eles escreveram do Croma? quero saber de tudo).

se, no final das contas, o Croma for comercializado no Brasil e custar até uns cem mil reais, vai ser meu próximo automóvel.

dane-se, é só uma bomba-relógio

os brincos de diamante da Sophia Loren naquela foto.

(tic-tac-tic-tac)

os estranhos pensamentos que tenho tido de uma semana para cá.

(tic-tac-tic-tac)

meus sonhos: no de ontem eu pedia, em japonês, um Big Mac num McDonald’s em Tóquio – lá onde o trio do Big Mac é o número seis. no de hoje, um sonho político e uma mensagem absurdamente improvável de alguém que nunca mais vai falar comigo na minha caixa de mensagens.

(tic-tac-tic-tac)

o uso político das palavras, o uso privado do que é público. estamos afundando? não: estamos boiando. up and down. uuuuuup.

(tic-tac-tic-tac)

eu não vou te ouvir. nada do que você vai me dizer eu quero ouvir, então fico surdo pro que vem do seu lado. te falei que comprei um iPod só pra me isolar melhor? então some daqui.

(tic-tac-tic-tac)

“- essa bomba não vai explodir não?”
“- vai sim.”
“- então o que a gente tá fazendo aqui?”
“- você faz perguntas demais.”

(tic-tac-tic-tac)

“- aqueles dois ali não páram de falar.”
“- pode crer.”
“- do que será que eles estão falando?”
“- da bomba-relógio.”
“- ah, mas não é possível que uma bombinha de m**** dessas dê tanto assunto.”
“- não a subestime. você é um ser humano, ela é uma bomba. ela te liqüida sem remorso.”
“- eu também posso liqüidar essa bomba.”
“- ah é? então vai lá e desarma ela.”
“- não, não vou.”
“- viu? a bomba já deu bastante assunto.”
“- …”
“- termina seu suco.”

(tic-tac-tic-tac)

o medo de estar vendo tudo acontecer de novo.

(tic-tac-tic-tac)

a ausência de Twinings no bar Monumental, e o Guaraná dietético bebido de forma quase compulsória. ao menos, sem a laranja de praxe.

(tic-tac-tic-tac)

as mulheres chinesas, que só beijam depois de um namoro sério.

(tic-tac-tic-tac)

eu não devia lembrar dos meus sonhos. não desses que tenho à noite, pelo menos.

coordenadas, mapas e todo o tipo de coisa que você nunca consultou

tá na letra de “Jamais”, da Charlotte Gainsbourg: “nunca se apaixone por um(a) dublê de corpo”. anotado.

*

uma das coisas que eu mais tento seguir na vida é a lei de nunca ir contra mim mesmo e contra aquilo que eu acredito. só que eu parei de acreditar nesse blógue e estou morrendo de vontade de apagá-lo. mas não vou apagar: vou contra mim dessa vez e agüentar essa imperfeição que isso aqui se tornou.

um dia ele foi perfeito? claro que não. mas já gostei mais dele.

*

fui com o JP ao lançamento do livro do Júlio Mosquéra, repórter da Globo aqui em Brasília. boa parte daqueles repórteres que aparecem todo dia no “Jornal Nacional” e nos outros noticiários da emissora estava lá: Giuliana Morrone, Délis Ortiz. e, no meio dessa galera, JP se mexia com desenvoltura tamanha que eu não estranhei o que o Mosquéra escreveu na dedicatória do livro dele: “um profissional talhado para o jornalismo”. só que, na verdade, o real talento do JP não é esse – é apenas conexo. contei a ele ontem, en pasant, o que achava. ele levou no mau sentido, sem refletir sobre a parte boa – mas um dia ele se liga.

radiocarbono

é só um palpite: o Brasil tem leis demais e política econômica de menos. sendo assim, chega de votar em advogados, juízes e, especialmente, membros do MP. e mais economistas responsáveis na Câmara, por favor.

*

todo mundo sabe, eu só não botei aqui ainda: este blógue apóia a candidatura Luciano Bivar e, se fosse até o município de Deprelândia votar, seria pra ele o meu voto. além de não mentir na declaração de bens – disse ter R$ 9 milhões, contra os R$ 700 mil do cachaça – Bivar é o mais liberal de todos e o que tem as melhores idéias para o país, apesar de algumas hipérboles.

*

como o mundo está longe de ser perfeito e dificilmente o Bivar passará ao segundo turno, a ordem é votar no chuchu. não porque goste dele – eu não gosto (para maiores informações, favor ler “Alckmin é uma besta“, do Alexandre Soares Silva, e “Votem no chuchu“, do Olavo de Carvalho) – mas, num segundo turno, eu taparia o nariz e votaria nele com gosto. só pra expulsar o atual inquilino do Palácio do Planalto.

fora do mundo

então estava eu, na noite de domingo, a assistir em diferido ao Telejornal da Noite, da SIC Internacional. umas nove e pouco, e uma matéria curiosa apareceu na parte final do noticiário.

a reportagem era sobre João Paulo Diniz, um radialista português. dono de um vasto currículo nas maiores emissoras de rádio do país, e com um detalhe que eu gostaria que estivesse no meu currículo: ele era o locutor que estava no ar nos Emissores Associados de Lisboa quando anunciou a canção “E depois do adeus” – cuja execução era a senha para que a Revolução dos Cravos tomasse Portugal logo em seguida.

(parênteses rápido: a Revolução dos Cravos foi um levante militar que, a 25 de abril daquele ano, derrubou o regime político português, nas mãos de Marcello Caetano, depois de trinta e cinco anos de salazarismo. à época, Portugal era um país um tanto atrasado e predominantemente rural, apesar de bons indicadores sociais)

continuando: João Paulo, que atualmente deve estar na faixa dos sessenta anos, está desempregado. um problema que também assola Portugal, e que fica mais crônico quando se fala de gente sem experiência ou com bastante experiência, como é seu caso. e decidiu publicar um anúncio num jornal luso, oferecendo-se para trabalhar. lembro-me que o anúncio mencionava “alguns cabelos brancos de experiência”, e dava o mail para contactá-lo.

na entrevista que se seguiu, João Paulo (que é homônimo do playboy brasileiro mas não tem nada a ver com ele) falou das dificuldades pelas quais se passa na busca de um emprego e que tem, a despeito de todas elas, muita esperança para o futuro. não se prendeu ao passado em nenhum momento, falou de como a vida da gente é cíclica, e que agora ele está por baixo mas logo logo estará por cima de novo. demonstrou, ali, uma vitalidade e uma juventude que eu, com vinte e cinco anos incompletos, nem sonho em ter.

se eu tivesse uma emissora de rádio aqui em Brasília, far-lhe-ia uma proposta na mesma hora. como (ainda) não tenho, decorei o mail e enviei-lhe ontem uma mensagem desejando-lhe boa sorte e dizendo o quanto aquilo tinha me sensibilizado.

recebi uma resposta dele algumas horas depois, um pouco surpreso por alguém no Brasil ter visto a reportagem e decidido escrever, agradecendo pelas palavras e me dizendo para “nunca desanimar, sempre ir em frente!”. diante disso, o que é que me resta? desejar toda a sorte do mundo a ele, mais uma vez, e não desanimar, sempre ir em frente.

hooray!

olha a boa notícia:

Brasil poderá ter fábrica da Häagen Dazs

SÃO PAULO – Para a unidade brasileira da General Mills, dona da marca Häagen Dazs, a próxima temporada de verão será mais do que uma oportunidade de elevar as vendas. Dependendo dos resultados, o Brasil pode ser o escolhido pela matriz da empresa para a construção de uma fábrica na América Latina. A unidade será responsável pelo fornecimento em toda a região dos sorvetes Häagen Dazs, hoje importados da França.

O gerente de marketing da General Mills, Marcos Scaldelai, diz que a meta no Brasil é crescer 40% no próximo verão. “Reposicionamos a marca com uma redução de preços e abrimos novos pontos-de-vendas”. Os sorvetes e sobremesas geladas da Häagen Dazs, que tem os consumidores de maior poder aquisitivo como público alvo, custavam até o verão do ano passado, 100% acima das demais opções premium do mercado. Neste ano, diz ele, custam apenas 50% mais.

A distribuição da marca, antes concentrada nas lojas da locadora de vídeos Blockbuster e em algumas unidades dos supermercados Pão de Açúcar, agora estão em toda a rede de lojas da Companhia Brasileira de Distribuição (CBD). “Saímos de 350 para 990 lojas e aumentamos nosso raio de atuação para as principais capitais do país”, informou o gerente de marketing.

A empresa tem sete lojas próprias e há planos de abrir mais cinco até o final deste ano – no Rio de Janeiro, duas lojas, em São Paulo, Belo Horizonte e Brasília – com investimentos de R$ 3 milhões.

Segundo Scaldelai, serão investidos R$ 2 milhões no marketing da Häagen Dazs até março. Além de promoções nos pontos de venda e campanha publicitária, a cargo da agência TBWA, a empresa aproveita o mote das eleições e propõe uma votação. Os consumidores escolherão qual sabor a empresa trará para o Brasil. Sucesso no verão europeu, o cliente poderá escolher entre o sorvete de coco com biscoito e o de baunilha com frutas vermelhas.

velocidade máxima

depois de vinte e cinco dias caminhando dez quilômetros toda manhã, meu organismo já se sente um pouco melhor. sete quilos a menos, uma aparência mais condizente e próxima de um ser humano decente, mais disposição. ainda falta muito, claro, mas já é um começo.

todos os meus amigos gostam de correr. vários deles participam de corridas organizadas aqui em Brasília, inclusive. fui chamado várias vezes por eles para correr, e algumas vezes aceitei o convite. durante minhas caminhadas, incluí até alguns piques de corrida pra ver no que dava.

não corro mal. tenho um fôlego razoável e consigo correr um quilômetro num ritmo razoável. mas descobri uma coisa importante: eu não gosto de correr. na verdade, eu detesto correr. nada contra quem o faz, óbvio, mas eu me sinto meio humilhado quando corro – é um pouco ridicularizante, não sei explicar. gosto daquele reclame da Peugeot, a pior marca de carros estabelecida no Brasil, que diz “avançar, não correr”. é mais ou menos o meu slogan agora, com a diferença de que eu tenho mais resistência que qualquer veículo da marca.

tem um outro exercício que eu acho humilhante, mas esse já tem um bom tempo: flexão de braço. eu me recusava a fazer na educação física e cheguei a ter nota vermelha por causa disso. acho completamente degradante. mas de resto (abdominais, barra, aparelhagem), acho bem legal, mesmo não fazendo todos – barra, por exemplo, eu não sei fazer. mas flexão é de se perder a fé na humanidade.

just another corno collection

outra música que faz todo o sentido do mundo quando se está à beira do mar do Caribe é “Midnight”, da Nikka Costa. tem quem prefira a fase atual da carreira dela; eu, ao contrário, gosto mais da fase bobinha. não sei de quando é essa música, mas, na melhor das hipóteses, já tem dezesseis anos.

a letra, que segue abaixo, é daquelas coisas beeeeeeem água-com-açúcar mesmo, o tipo de amor que, infelizmente, não existe. ceticismo é meu nome do meio. mas, apesar de já ter perdido minhas esperanças de um dia ter algo assim (oh, que drama), eu adoro essa música.

Midnight, under the moonlight
You’re saying with your eyes
What I’ve always known
Sailor, wherever you wandered
The star that you followed
Was guiding you home

Always, now and forever
I promise to be there, you’re never alone

Midnight, the feeling was so right
We kissed for the first time
That moment I knew
Magic, the sound of the music
It all was so perfect
A dream coming true

Two hearts
Are wishing on one star
Are waiting an answer
Then out of the blue

(There) came a bird flying at last
First time out of the nest
You’re the sound of the wings
You’re the song that she sings
Just a kiss, that was enough
To begin in this love
For the rest of my life
I’ll remember that night

oceano

a única rádio que conseguia sintonizar no Ritz-Carlton Cayman era bastante esquisita.

ontem de manhã, tocou a nona do Mahler. na hora do almoço, “Dancing barefoot”, da Patti Smith – mas na deliciosa versão do U2. no final da tarde, o “A ghost is born” todo.

e veja só, “A ghost is born” já é um disco nota 7. já aprendi que havia a necessidade de “Spiders (kidsmoke)”, mas “Less than you think” ainda é um lixo. é a pior música que o Wilco já fez, e não cabe discussão. aquela uma em que se conta de um a nove também é podre. mas o que é essa “Theologians”, hein? de fato, acho que nenhum teólogo sabe nada sobre minha alma. nem eu sei.