ih, alá

recebi, em menos de seis horas, duas mensagens desancando a Citroën e um de seus carros, o C3. numa delas, um golpe da concessionária, que anuncia o carro “abaixo do preço de tabela” quando, na verdade, exclui o valor do frete; na outra, um cara relata do dia em que uma roda simplesmente se soltou do eixo, sem explicação alguma.

meu deus, tô desencanando de pegar um C5.

o Marcelo ainda há de lembrar que a Citroën é um dos braços da PSA, cujo outro integrante é a… Peugeot. e que os dois carros são feitos na mesma fábrica, na terra natal da minha bisavó, sob a mesma plataforma. que medo.

chouchou de la maîtresse

era uma e vinte da tarde, ontem, e eu estava à espera do ônibus para deprelândia-0, a capital de deprelândia. e vi que a etiqueta da viagem de ida para São Paulo ainda estava pregada em minha mala. arranquei-a da mala, para evitar problemas, e pedi ao dono de um bar logo à frente para que jogasse a etiqueta no lixo.

pegou-a e olhou o número do vôo: 1853. “vou jogar no bicho”, me disse ele. “talvez você tenha trazido sorte”. e ficou com a etiqueta em mãos. “cinqüenta e três é gato, não é?” – perguntei, ao que ele confirmou

horas depois, quando cheguei ao aeroporto, passei em frente a uma casa lotérica, e havia um bilhete de final 53. decidi apostar no gato também e trouxe uma fraçao do bilhete aqui pro DF.

lavando roupa

depois de ouvir o Ronnie Von falando sobre sua relação com o filho, resolvi falar com meu pai antes que seja tarde demais pra isso. todo mundo tá cansado de saber que eu amo ele e que, pelas inúmeras diferenças que temos, é melhor não viver por perto. tem também o fato de que eu não gosto de deprelândia (que ele ama) e que eu não teria uma carreira profissional por lá – ao contrário, viveria à sombra dele, agüentando comparações e tudo mais.

isso não tem nada a ver com o que eu falei com meu pai. apenas achei que era hora de dizer pra ele o que tá acontecendo na minha vida. que dei uma batida de leve com o carro, que não passei na OAB. obviamente, ele não gostou. mas foi menos chato do que eu esperava. primeiro, porque falei que continuaria tentando passar na prova. segundo, porque o acidente já aconteceu, não há como voltar atrás. e terceiro e mais importante de tudo, porque eu preciso perder o temor reverencial que tenho dele, assim como ele precisa aceitar que nem sempre eu acerto de primeira.

de toda forma, foi bom. e ainda comentei do Ronnie Von com ele – meu pai é fã do cara e gostou de confirmar que ele realmente é o cara.

Ronnie Von

no final da semana passada o Alexandre disse que alguém da produção do programa do Ronnie Von (“Pra você”, exibido na TV Gazeta, às 22:50 de terças e quintas) entrou em contato, querendo que fôssemos falar sobre o livro na tevê. e perguntou se eu tava a fim.

como disse um cara pro Bernardo Carvalho uma vez (e eu peguei no blógue dele), “boca livre e pênalti quem perde é otário”, ao que estou plenamente de acordo. como no programa do mestre Ronnie Von rola um rangui feito na hora, era ir ou ir. e fomos, mais a Giselle.

ao chegar lá, fomos informados que apenas um seria chamado para a entrevista, que não era possível botar os dois. sem problemas. o Alê ficou puto, o que eu achei despropositado. afinal de contas, eu sou tímido e só fui lá pela farra e pela oportunidade de conhecer esse grande cantor / ator / apresentador / showman. e que, ao vivo, é o cara mais simpático do mundo: atencioso com todos os convidados, sempre falando em um tom de voz assaz agradável, sempre bem humorado e com um fôlego de dar inveja até aos meus amigos no auge do vigor físico. gravou dois programas e várias vinhetas numa só tacada, num só take, sem deixar o ritmo cair nem quando tinha de ligar um assunto a outro.

quando foi informado que o prato do dia era um macarrão com presunto de Parma e alcachofras, o Alexandre surpreendentemente relinchou, dizendo que não curtia as verdinhas. mas quem se importa? eu detesto azeitonas mas, se estivesse ali, na presença da lenda, comeria um vidro inteiro e ainda pediria meu outro desafeto alimentício, o molho branco, para acompanhar. e tomaria vinho branco por cima, pra completar o mau gosto – que fatalmente me levaria a um revertério das mesmas dimensões do terremoto de Lisboa em 1755.

perguntei pro ilustre Ronnie se ele conhecia o Scott Walker, ele disse que “só de nome”. falei que via muitas coincidências na carreira dos dois, que começaram como ídolos do pop, aventuraram-se pelo experimentalismo e pela erudição, tiveram fracassos comerciais na virada para a década de 1970 e acabaram apresentando programas de tevê para donas de casa. ele se interessou. uma pena que eu não tinha um cd-r do “Scott 3″ para presenteá-lo.

sempre solícito, ainda conversou com todos sobre sua carreira, falou de como a família esteve contra sua vocação de pop idol – eles eram donos de um banco e Ronnie, estudante de economia, vinha sendo preparado para a sucessão. e ainda falou um pouco dessa coisa de pais e filhos discordarem, o que me motivou a falar com meu pai sobre umas coisas importantes no outro dia – assunto para a próxima entrada neste blógue.

posou para fotos conosco (em breve, aqui neste blógue) e falou que sua gravadora está preparando um box-set com seus discos – uma cópia já é minha. despedi-me dele, encantado com sua simpatia, e fui comer alfajores argentinos, numa rara transgressão à dieta.

nova geração

o Alexandre me comunica que a cidade de São José dos Campos terá, em setembro, alguns outdoors com frases cunhadas por mim, especialmente para um projeto dele. fico com medo, depois surpreso, finalmente feliz. e imagino que pelo menos não é a minha cara com o peso atual. quando eu atingir a minha meta de emagrecimento, vou perguntar pra ele se não rola de botar uma 3×4 minha no canto de cada reclame…

guia prático para pagar de gatinho

já tenho as roupas para quando ficar magro. insensível ao controle de gastos, entrei numa loja em deprelândia 2 e só saí de lá quando me senti o máximo dentro das roupas. meu pai, que não liga para moda, provavelmente me perguntaria “sabe quantos meses um trabalhador precisa suar pra conseguir pagar essas roupas?”.

mas eu sei. e nunca fiz pouco caso de quem não tem grana pra isso ou coisa assim. só que, ao contrário do meu pai, eu tenho preocupações estéticas apuradíssimas – ele devia ter também. afinal de contas, se eu pago de gatinho, é muito por conta da genética dele, e outro tanto por conta do bolso dele. acho que cairia bem se ele encarasse um extreme makeover

então eu comecei a caminhar. são doze quilômetros toda manhã, o que faz com que eu acorde às seis, me prepare rapidamente e comece as pernadas. step in your shoes, there is so much to do, dizia o Brett Anderson.

e há mesmo.

não estou fazendo isso por alguém, estou fazendo por mim. porque não adianta ter roupas legais se o conteúdo não estiver à altura. um dia eu estava sentado na rua, vendo uma batelada de feios passarem em carros bonitos, e pensava coisas do tipo “meu deus, como é que uma negação estética dessas tem um carro tão legal?”. no outro segundo, imaginei-me a bordo do meu sonhado Volvo S80, e constatei algo triste: eu não estava à altura do carro. e decidi fazer alguma coisa para reverter isso. vai que eu ganhasse o Totoloto no dia seguinte e pudesse comprar um.

sendo assim, aproveitei e equipei o frigorífico da melhor forma possível: pão integral de 40 calorias por fatia, queijo magro, bebidas light, sopas instantâneas com sabor a nada, filé de frango, alfaces e pacotes de legumes congelados. estou pronto para perder meia arroba em um mês, para início de conversa.

au vent mauvais

oi, tudo bem? faz tanto tempo e parece que foi agora. desembarquei no aeroporto Juscelino Kubitschek às 20:45 de ontem e, sem ter o que dizer na hora, deixei para resolver este blógue hoje. mas já admito que não vou mudar a vida de ninguém com o que escrever até o fim do dia.

*

às vezes dá vontade de voltar a morar em deprelândia por algumas pessoas que lá vivem. e que não, não são você (e que bom que não são). mas aí eu me lembro que tenho a vida dos meus sonhos no Sudoeste e que tenho muitas coisas ainda por conquistar, conhecer, et cetera. então venço a preguiça e pego o avião de volta, antes que deprelândia termine por me, ahn, deprimir.

*

duas horas de antecedência no aeroporto: a garantia de um check-in doméstico rapidíssimo e um bom assento. dez voltas sem rumo, perguntas numa livraria, pessoas conversando em japonês, os aviões estacionados no pátio, o refrigerante de maçã verde que tomei.

eu adoro aeroportos.

toda aquela gente indo e voltando me faz bem. dá vontade de não me acomodar nunca, de sempre perseguir o que eu quero, como se fome fosse, como se minha vida dependesse disso.

na verdade, ela depende.

*

voar de Gol, ainda que com o serviço de chão impecável, é garantia de aborrecimento. pouquíssimo espaço para as pernas, o infame amendoinzinho, a ausência do meu refrigerante preferido, de qualquer chá, de um conforto qualquer. e turbulência sempre no mesmo lugar.

eu queria que o fato de o avião ter turbulência toda vez que sobrevoa Goiânia fosse coincidência. talvez até seja, mas para mim nunca vai ser. só não peço o pára-quedas porque, às vezes, não basta apenas estar em Goiânia.

*

minha bagagem foi para São Paulo com uns sete quilos, voltou com vinte e nove. comprei roupas, trouxe vários discos, incluí um cobertor (e agora posso devolver o meu, depois de limpo, ao Felipe). eu emagreci um quilo por lá, e hoje sou a prova viva de que dá pra emagrecer comendo comida de mãe. mas um quilo é pouco, e eu já comecei a caminhar todo dia, às seis da manhã – só que isso é assunto para outro post.

onde

a formatura da minha irmã foi legal. estou dançando valsa cada vez melhor (o que não quer dizer que já aprendi), batemos pavão de uma garrafa abandonada de suco de batatas destiladas na Suécia, que ainda tinha um quarto de seu conteúdo, coisas assim.

o tempo passa arrastadésimo aqui em Deprelândia, de modos que eu permaneço entediado. momentos de euforia rolam quando eu ponho esse Bill Evans nota dez que incorporei ao patrimônio. e, aliás, preciso passar na casa da avó da Virgínia amanhã, pra pegar meu cd do Glenn Gould tocando as variações Goldberg do Bach – imagino que seja uma trilha excelente para o chuvoso verão brasiliense.

deprelândia blues

dez minutos aqui e eu já queria ir embora.

*

meia hora depois, estava naquele dilema: almoço ou ataco a bicicleta ergométrica? escolho a segunda. e depois repito o prato.

*

top 5 coisas que eu gosto em Deprelândia:

1. o pacote de TV por assinatura aqui de casa tem a RTPi
2. …
3. …
4. …
5. …

acho que é isso.

*

a moda dos locais investirem 30 mil reais num sistema de som automotivo para seus carros de 10 mil reais continua. com um agravante: disputam a atenção sonora com os candidatos à eleição e com a minha família, que aparentemente ficou surda e se comunica por berros.

*

dão-me problemas para resolver. “procure uma van para irmos à formatura”, “fale com seu pai sobre isso-e-aquilo”, “avise sua irmã que o horário no cabeleireiro é 3:15, na manicure é 4:00, e sua outra irmã tem cabeleireiro 3:55 e manicure 3:20, mas eu estarei em Guará até 3:00, então você e seu cunhado façam isso-isso-isso-e-mais-aquilo porque, na hora marcada, não percam: nada vai acontecer”.

eu não vim de tão longe para resolver problemas.

*

conhecer um cunhado é como dançar no campo minado: você pode fazê-lo explodir a qualquer momento da conversa. e eu fui pisando em ovos no meu primeiro contato com o novo cunhado, que é um cara maneiro mas ahn, heterodoxo demais. às vezes sinto falta de gente normal na minha vida.

*

“A ghost is born”, quinto disco do Wilco (descontados os “Mermaid avenue”), é um disco que eu aguardei com muita ansiedade quando de se lançamento, em 2004. ouvi, não gostei e não tive, de imediato, coragem pra dizer o que achei. depois, quando o Rodrigo disse que era um disco chato, saí do armário e disse o mesmo. comprei uma cópia dele há uns dois meses e despachei-a para cá, pra escapar da fúria arrecadadora do fisco brasileiro. e só fui encontrá-lo agora. comprei apenas porque, na pior das hipóteses, “Theologians” é uma bela música.

e surpresa: o disco nem é tão ruim. já subiu de nota 1 para 4. quem sabe um dia chegue em um 7, de onde dificilmente subirá. isso de incluir suítes aleatórias não dá certo.

mas depois eu até pensei: será que eu não gostei mais do disco porque estou em Deprelândia e, portanto, não se tem o que fazer? é o meio determinando o homem…

força maior

estou indo, dentro de alguns minutos, para o município de Deprelândia, interior paulista. por tratar-se de roça sem cobertura wireless, não tenho como atualizar este blógue de lá. assim sendo, as atualizações diárias retornarão na noite de terça-feira ou na manhã de quarta.

para quem fica na civilização, até mais ver. e com licença, que vou ali tomar meu soro anti-ofídico contra as línguas venenosas do gentio deprelandense.

praia

dias atípicos, noites com sentido. lá fora a chuva voltou, aqui dentro eu me sinto aquecido. são coisas que batem na porta e dizem “oi, vim para ficar”. gosto disso, peço para que entrem, sirvo-lhes algo pra beber e convido para que tirem os sapatos. é bom ter esse tipo de visita.

*

será que eu fui muito longe dentro da minha mente?

que país é esse?

ontem, no Manhattan Connection, a Lúcia Guimarães selecionou um tema do Loudon Wainwright III para ilustrar uma matéria. na hora de explicar quem ele era, ela falou algo sobre a trajetória do cara e terminou com um “ele é pai do Rufus Wainwright, que faz muito sucesso no Brasil”.

acho que estou vivendo no Uruguai e não sabia.

what become of the likely lads

descobri um lugar legal pra comer algo que, se não é original, é bem competente. faz pouco tempo o Burger King abriu sua segunda loja aqui, no Brasília Shopping, no lugar de algum restaurante que não me lembro agora qual era. com o mesmo cardápio competente, cujo Whopper prima pelo custo-benefício e pelo sabor, e é a estrela do menu.

só que essa nova unidade do Brasília Shopping tem um diferencial: as mesas estilo lanchonete americana dão para a W3 norte, no único pedaço em que ela é bonita. e ele não é tão movimentado quanto o do Pátio Brasil… tudo bem que eu fui lá numa noite de segunda, mas até pra uma noite de segunda ele estava deserto. e isso faz com que, dentro do possível, seja um lugar romântico. por exemplo, para se levar alguém depois de passar umas horas com ela, seja resolvendo problemas, fazendo compras ou apenas desfrutando da companhia. aí é só pedir um trio, carregar o copo com o que quiser (o refil continua presente, amém) e ficar vendo o dia se encerrar ali, encostado à janela.

filminho

depois que meu Santos tomou aquela naba no capricho, no jogo de ontem, fui com o Marcelo assistir “Eu, você e todos nós”, o filme que a Isabela me recomendou sem nenhuma restrição e que a Lucia achou um lixo. como o cartaz também era genial, trocamos “Obrigado por fumar” por ele – mas em breve assistiremos esse um também.

o filme é uma polaróide de um grupo de pessoas que têm algum vínculo comum e, ao mesmo tempo, não têm nada. e mostra bem como se pode sentir algo por dentro e exteriorizar algo completamente diferente. tipo aquele cinismo que eu passo minha vida combatendo, mas às vezes se faz necessário. então tem o vendedor de sapatos que taca fogo na própria mão como um ritual a ser cumprido no divórcio, tem a menininha de oito anos que compra eletrodomésticos pra montar um enxoval de casamento, tem a diretora de um espaço cultural que, por trás daquela fachada de mulher bem-sucedida, esconde uma dona mal resolvida e adepta de fetiches bizarros.

tem uma hora em que o filho mais velho do vendedor de sapatos se deita no chão com a menina do enxoval e começa a perguntar sobre o futuro pra ela, que conta exatamente como quer a casa quando se casar. e ela fala da cozinha, dos filhos, de tudo. e ele, ali do lado, mal fala alguma coisa, mas sente, de algum jeito, vontade de fazer parte disso. foi a parte que eu mais gostei do filme, porque é como eu me sinto com muita gente, incluindo com ela. mal a conheço (talvez fosse melhor dizer “não a conheço”), mas gostaria de fazer parte da vida dela, de alguma forma.

isso me remonta a “There there”, do Radiohead, e seu refrão que diz “just ’cause you feel doesn’t mean it’s there”. de fato: eu sinto, mas não significa que seja alguma coisa, que esteja ali, que exista na prática. eu disse ontem que queria estar ali, ao lado dela. nem que fosse pra não dizer nada, apenas ficar ouvindo. depois eu diria que as coisas vão se ajeitar – como de fato vão – e a abraçaria. acho que é isso.

começando de novo

e então acabou: não passei na prova da OAB. 41 pontos de um total de 100, precisava de mais nove.

o sucesso no concurso, que não precisa de inscrição na ordem, me anestesiou desse baque, então eu não tenho com o que me preocupar. como disse a minha mãe, assim que soube que eu não passei “ah, tenta de novo”. e é isso mesmo que eu vou fazer. não sei se já no próximo exame, mas vou. porque, como diz o Nick Drake na música mais bonita do mundo, keep on trying ’til there’s no more to hide. e é isso mesmo. uma hora eu passo.

*

“Time has told me”, a música citada logo acima, diz logo antes do verso mencionado: o tempo vai te dizer para ficar do meu lado. queria que o tempo dissesse isso a ela, já que não disse no contato que tive, com medo de assustá-la. vi que ela também não passou para a segunda fase, uma pena. mas eu ficaria do lado dela e diria para que ela continuasse tentando, porque é isso mesmo que ela também tem que fazer. tem muita coisa que eu queria dizer a ela mas, muito mais importante que isso, eu queria ouvi-la. sobre qualquer coisa, sobre o que ela quisesse. só pra estar ali, do lado dela.

e sobre não se ter o que dizer, assisti “Eu, você e todos nós”, que às vezes é exatamente sobre isso. falo sobre o filme já, já.

exame

algumas considerações sobre o exame da ordem prestado agora há pouco:

- minha professora de Direito Civil disse que a prova é feita para utilizar as cinco horas de tempo e que, se você sai muito antes, é porque não a leu direito. discordo: a prova tinha questões facílimas, que resolvia como se estivesse colocando Coca Light no copo, e questões dificílimas que eu, depois de lê-las cinco vezes, descobri que tanto fazia ler a sexta, porque não sabia mesmo;

- não sei dizer se fui bem e não vou criar expectativas;

- o mau hábito de etiquetar telefones celulares sem ao menos rolar um saquinho plástico está a ganhar espaço;

- acho que não vejo mesmo necessidade de beber água ou comer durante uma prova dessas. e olha que não tomei café da manhã e meu jantar de ontem limitou-se a um copo de suco de uva;

- não a vi por lá, pena. sabia a sala em que ela estava porque todas as meninas com o mesmo nome lá estavam;

- na saída, a tradicional profusão de panfletos e papeletas divulgando cursinhos, livrarias, eventos jurídicos, festinhas no Café Cancun, etc. sempre mantenho minhas duas mãos ocupadas para não pegar nada. mas dentre os propagandistas havia uma menina linda, maravilhosa, de fazer chover ao contrário. só não peguei o papelzinho que ela distribuía porque ela não estava lá para me dar mole e dificilmente daria mesmo;

- sobre o tempo: fiz a prova em pouco mais de três horas, agora é ver no que dá.

síndrome de Spielberg

sabe a síndrome de Spielberg? é um mal que faz com que determinadas pessoas e órgãos se manifestem mais do que o devido e, principalmente, sobre assuntos que desconhecem. nasceu por conta da onipresença do diretor de cinema nos canais documentarísticos e programas do tipo. desde o ciclo reprodutório da ostra até a influência do Tranca-Rua nas semifinais do Campeonato Bahiano de futebol, Steven Spielberg está lá. falando sobre o que sabe e sobre o que não sabe também.

outros afetados pela síndrome são o Led Zeppelin, os one-hit-wonders e noventa por cento das celebridades brasileiras. quer dizer, tirando o Tony Ramos, acho que todos os famosos do Brasil sofrem. afinal de contas, como se explicariam tantas revistas de fofocas num mercado editorial tão crítico quanto o brasileiro?

só estou falando disso porque hoje a coisa chegou num ponto grave: a Folha de São Paulo publicou, na edição de hoje, um editorial “a favor de Plutão“, defendendo a permanência de sua classificação como planeta. quer dizer, em que pese a Folha ter repórteres científicos e mesmo um colunista no setor, ela não é uma publicação científica. pesquisadores brasileiros dificilmente a procuram para publicar um artigo, o jornal raramente publica a íntegra de estudos relevantes, limitando-se a dar notinhas. e agora vem publicar um editorial “a favor de Plutão”? ah, pelamordedeus, pára com isso. amanhã tô reclamando pro ombudsman disso.

por outro lado, qual é a minha legitimidade pra levantar uma coisa dessas aqui num blógue? nenhuma. parece que também fui alvo da síndrome de Spielberg.