cajado
dia de dupla vingança na política: não bastassem as cajadadas no Zé Dirceu, ainda teve uma galera iluminada que aprovou um relatório de CPI dizendo que invasão de terra é crime hediondo. às vezes eu acho que o Brasil tem solução, hein…

tauromaquia
saio do apartamento pensando em cenas do próximo capítulo. destranco o carro, coloco o “Summerteeth”, hoje não é noite de começar pelo começo. faixa dois, faixa três, ganho a L2 norte. tento dirigir de olhos fechados. não convém ouvir a próxima música, então faixa seis.

we’ll find a way regardless / to make some sense out of this mess

“we” não: só se eu fosse esquizofrênico, com diálogos entrecortados com a água que caiu na via. dirijo meu Fiesta como se fosse uma BMW 740iL, sinto ganas de correr, mas vou calmo. o limite pode ser 60 km/h, mas vou a 50, apreciando os traços que a água desenha no chão. não estou falando comigo mesmo, apenas cantarolando tudo aquilo que o Jeff Tweedy já vem dizendo desde 1999. são as mesmas palavras, mas não espere alguma originalidade de mim depois de doze mil anos de civilização, meu amor.

um relógio que faz tic-tac está em volta do meu pulso:
de qualquer jeito, eu sou uma bomba

então explodo, enquanto ganho o Eixo Monumental. nothing’s ever gonna stand in my way (again), canta o Wilco. nada. tenho o controle da situação, não estou num carro desgovernado a 260 km/h. não. procuro alguma forma de vida no canteiro central, na rodoviária, na subida da Torre, no McDonald’s fechado. penso no meu pai, e numa pergunta que quero fazer a ele mas tenho medo: “pai, alguma vez na vida você já teve medo?”. ele não me responderia, mudaria de assunto. se eu fosse pequeno, me pegaria no colo e cantaria uma canção de ninar. é a senha pra correr à faixa 11, “My darling”, aumentar o volume, subir os vidros do carro e mergulhar no túnel da imensidão dessa música.

corta. eu estou no palco com a minha banda, que só toca couves. eu falo alguma coisa antes de cada música, pra ver se alguém se alguém se identifica e quem sabe volte melhor pra casa. eu anuncio “My darling” e digo que é pra minha filha mais velha, que vai nascer daqui a uns dez anos, e que quero que ela aproveite a vida ao máximo, que cresça no tempo certo e que faça os bons momentos durarem, que vou manter os pesadelos longe, que ela vai ser a menina mais linda do mundo, junto com a mãe dela, que pra mim sempre vai ser uma menina, e com as irmãs dela. toco a música, quem sabe a futura mãe dela esteja na platéia, a versão fica boa.

corta. a música acaba no carro, a minha couve acaba nos meus sonhos: quem está voltando melhor pra casa sou eu. volto a canção e escuto mais uma vez, to make all the good times last. desço a comercial do Sudoeste, mudando um pouco o caminho habitual, ainda dez quilômetros abaixo do limite de velocidade. a música acaba, o carro estaciona, é o fim do poste. todos descendo.

nike a go-go
ainda em tempo: alguém viu a entrevista do prefeito de Deprelândia ontem no Jô Soares? não? bem, eu fiquei acordado até as duas e meia pra ver. foi nota seis, relativamente paia. mas em se tratando de Deprelândia, não dava pra esperar muito…

bases nitrogenadas: pentano
bem, estou no meio do meu segundo grande projeto (o primeiro, já concluído, espera o lançamento para janeiro de 2006), e como ele envolve escrever, escrever, escrever, os postes deste blógue podem vir a ficar (notem a partícula do subjuntivo, grafada em itálico) menores e mais escassos.

mas eu posso continuar atualizando todo dia as well. isto é, se a inspiração permitir. permite, vai, inspiração. você é legal que eu sei…

hit parade
apresento-lhes “Corno collection”, o mais novo cd que compilei:

1. Kings of Convenience – “Winning a battle, losing the war”
2. Nick Cave – “Into my arms”
3. Foo Fighters – “Walking after you”
4. Ryan Adams – “Come pick me up”
5. Kent – “Kevlarsjäl”
6. Moby – “Porcelain”
7. Spiritualized – “Broken heart”
8. Twilight Singers – “Black is the color of my true love’s hair”
9. Radiohead – “Lurgee”
10. Portishead – “Pedestal”
11. Elvis Costello – “So like candy”
12. Carly Simon – “Hurt”
13. Postal Service – “Against all odds”

encomendas podem ser feitas diretamente pra mim, ou então corram para o Soulseek…

autores convidados
na verdade, o amor é um alucinógeno que nos desvia de nossos propósitos. ademais, dificilmente haverá alguém bom o suficiente a ponto de merecer testemunhar a nossa breve existência. para você, que é ateu, esse sopro de consciência. não tenha dúvida: o único caminho para o sucesso é a solidão.

Ana Paula Rocco, direto ao ponto, num SMS hoje cedo.

momento João Paulo Gomes
sanguedebarata@hotmail.com diz:
ontem o pneu do táxi que nos trazia de volta da cidade do rock furou
sanguedebarata@hotmail.com diz:
eu, ila, ivan e denise
sanguedebarata@hotmail.com diz:
eu saí do taxi e mandei pro taxista
sanguedebarata@hotmail.com diz:
“aí, tu não topa dividir um táxi com a gente não?”

de partida
Nascido na cidade de Mênfis, Tennessee (sul dos EUA), no dia em que o presidente Ronald Reagan levou um tiro numa tentativa de homicídio, Micah (pronuncia-se “my-kah”) Paul Hinson cresceu numa família cristã. Quando era adolescente, Hinson e sua família se mudaram para Abilene, Texas, onde ele se tornou membro da cena musical local. Foi lá onde Micah encontrou pela primeira vez sua então-musa: uma modelo que já fora capa da Vogue e viúva de um conhecido rock star local. Apresentado a ela, ao Valium e a alguns narcóticos, não demorou muito para que a musa de Micah se transformasse na “Viúva negra”, como ele hoje se refere a ela, e ele passou por uma horrível seqüência de eventos. Na primavera de 2000, foi pego falsificando uma receita médica e mandado para a prisão do condado – “Eu acabei perdendo meu carro, minha casa, todo o meu dinheiro, meus instrumentos e equipamentos de gravação e, basicamente, minha família inteira”.

Aos dezenove anos, Micah se viu sem casa e sem um centavo, vagando por aí, dormindo no chão da casa de amigos. Ele até foi forçado a declarar sua falência pessoal e se mudou para um motel, empregando-se mundanamente como operador de telemarketing. Durante esse período, Micah ainda escreveu 30 canções com instrumentos e equipamentos emprestados.

No inverno de 2003, com a ajuda de seus velhos amigos do Texas, The Earlies, Micah revisitou as canções de seu período “perdido” para gravar seu disco de estréia, “Micah P. Hinson and The Gospel of Progress”. Como produtores do disco (sob o nome “Names on Records”), a marca registrada dos Earlies – cordas sofisticadas, lindos teclados e climas de fundo – harmonizou-se perfeitamente com o estilo honesto e exposto de Micah (…)

lendo a biografia do cara, parece que eu não tenho uma vida. parece também que nunca tive uma. não que seja necessário descer ao inferno pra saber… ou é? de toda forma, o disco dele é bem legal…

ha
cansei desse negócio de rock and roll.

baixei o novo do Cardigans ontem e achei uma decepção que só. esse disco, somado à cena brasiliense, fez com que minha vontade de conhecer outras coisas, de preferência sem guitarra, fosse reacendida. e aqui estou eu baixando Talvin Singh, Nina Simone, Esa-Pekka Salonen (obras próprias), música da máfia siciliana, do Mali e até um Ben Harper. tudo para não ter de ouvir essa galera que só sabe tocar os acordes de “Last nite”. até pensei em cair umas noites pro trance, aí lembrei que essa galera usa drogas e desisti…

musculação
música da noite – Caetano Veloso, “Você é linda”. tocou na novela, eu apenas ouvi.

*

coisas gravadas. sentimentos. um filme que não vi, uma cena que não teria coragem de fazer. nada digo, desvio meus olhos para as mãos. não leio as cartas e não leio os lábios, não tiro conclusões precipitadas. conversas paralelas e mentiras sinceras aparentemente não me interessam, e as aparências enganam.

*

milho, vagem, cenoura e pizza semipronta hoje. batatas, chocolate com flocos de arroz, sardinhas e azeite português amanhã. as experiências culinárias continuam.

*

nesse último final de semana, graças ao Pedrivo, pude recuperar o prazer de ouvir o “Honey’s dead”, último grande disco do Jesus & Mary Chain. e que estranhamente saiu em 1992, quando o mais lógico seria ter saído quatro anos depois. visionários? pode ser.

*

e então eu descubro via Pedro Matiello que o shopping Buritis, o de Guaratinguetá, não tem escada rolante. não tem problema: we’ll always have Riachuelo, diria Alexandre “Humphrey Bogart” Petillo.

*

impressão minha ou eu não consigo escrever nada ultimamente?

Largo do Senado
o Stanley Ho, homem mais rico de Macau graças a seu quase-monopólio sobre os cassinos de lá (o Casino Lisboa, maior do departamento, é dele, fora uns menores), faz parte do grupo de investidores liderado pela TAP que está adquirindo e reestruturando a Varig. se isso significar um vôo direto para Macau, mesmo que a partir de São Paulo, vou chamar o homem pra tomar um chá aqui em casa e agradecer.

música para acampamentos
se todos bem se lembram, o Brian Molko disse, na apresentação do Placebo aqui em Brasília, que “the good things come for those about to wait”. eu esperei. agora tá rolando.

terra média
coisas para as quais não tenho mais idade:

- festas de indie rock
- acreditar que certas coisas foram “por acaso”
- bandas de lésbicas belgas
- conformismo
- suco em pó (Tang, etc)
- aceitar truco tendo menos que um 3 na mão
- comprar a “Playboy” todo mês (se bem que, pra essa, a culpa também é da qualidade editorial da revista, que zerou de 1998 pra cá)
- cerveja barata
- comprar discos só pra “completar a coleção” de certas bandas
- fazer esse tipo de lista

new born
a barba continuará no meu rosto até o Natal, graças a cancelamentos inesperados de coisas com efeito razorblade.

*

o Buff veio com uma teoria sensacional ontem: a de que a principal responsável pela carreira do Nelson Piquet é a cidade de Brasília. ele morava aqui desde a criação da cidade, e pouca gente na cidade (inclui-se aí a família dele, filho de ministro) tinha automóvel.

imagine-se bodinho e com carro numa cidade de largas avenidas e pouca frota de automóveis, numa época em que ainda não havia pardais (radares) de limite de velocidade nas vias. daí pra Fórmula 1 foi um pulo…

*

de onde surgiram esses bem-te-vis que estão ali fora?

atualizando a coleção

começando com o “It’s a wonderful life”, do Sparklehorse, saiu em 2001 e é o terceiro da banda. tem a PJ Harvey cantando em umas músicas, mas ainda assim é muito bom. 16 reais no eBay, uh.

essa é a “Cruel smile”, coletânea de lados B e outtakes do “When I was cruel”, melhor disco do Elvis Costello ao lado do “This year’s model”. 18 reais no eBay.

outro do mestre: “North” é o disco de jazz que ele gravou um ano depois do “When I was cruel”, também excelente. 13 reais no Submarino.

“‘Round about midnight”, pérola que o Miles Davis gravou em 1955, em edição dupla, remasterizada e tudo o mais. 32 reais no Submarino, mas dia desses tinha caído pra 27.

da banda que eu não vi no festival da TIM, esse é o segundo lançamento do Kings of Convenience pro mercado mundial, “Riot on an empty street”. conta com minha musa-mor Feist cantando em dois temas e é um frescor que só. 27 reais no Submarino.

wireless
e o prêmio “melhor iniciativa de comunicação móvel” vai para…

Engenheiro é preso com orelhão no carro

O engenheiro Dony Everson da Silva, 30, foi preso em flagrante na madrugada de ontem em Ribeirão Preto (SP), acusado de furtar um orelhão completo, que estava preso ao carro dele por uma corda. Preso, ele disse à PM que alguém havia amarrado o orelhão ali sem que ele percebesse, mas uma denúncia anônima derrubou a versão. Ele foi levado ao Centro de Detenção Provisória. Nenhum advogado havia se apresentado até o final da tarde para defendê-lo. (da Folha Ribeirão)

bloody Ibiza
Celulares ameaçam rede de esgoto na Finlândia

Os celulares atirados aos vasos sanitários acidentalmente estão, acredite, ameaçando a capital finlandesa. Mais e mais celulares estão indo parar no sistema de esgoto da área metropolitana de Helsinque, de acordo com a Helsink Water, responsável pelo tratamento de água da cidade de cerca de um milhão de habitantes.
O que é causado por uma simples distração, pode um dia acarretar problemas mais sérios “congestionando” os esgotos. A Helsink Water não sabe qual é exatamente o número de celulares que vão embora pela privada.

Entretanto, como os aparelhos estão ficando cada vez menores, os acidentes com eles são cada vez mais comuns. No Reino Unido, calcula-se que as pessoas dêem a descarga em cerca de 600 mil celulares por ano.

futurologia
bom, arrisco um palpite: o grupo do Brasil na Copa será completado por República Tcheca, Gana e um quarto país que pode ser o México ou a Holanda. pela primeira vez desde 1982, a seleção mandioca terá um grupo tora pela frente, e não será surpresa se classificar-se em segundo.

ressaca medieval
as horas de truco. os anúncios decifrados em classificados de emprego, as entrevistas decupadas, os molhos barbecuee agridoce e a mostarda de Dijon. as mesmas palavras repetidas pelos alto-falantes e para si mesmo, as cem mil possibilidades, a constatação de this world is not my home, I’m just a passing-through. o saldo de depois dos jogos universitários e a análise laboratorial da Smirnoff Caipirosca, a formação de núcleos, o clipe de “What else is there?” do Röyksopp, a Nicole rolando no sofá, pedindo carinho de quem estava no apartamento. as mensagens enviadas, as surpresas no visor do celular, a caixa do Vinícius de Moraes, o cardápio do China in Box, a Asa Norte que dá um pau na Asa Sul em termos de “comida de superquadra”. os dezessete dias de barba – que fazem com que me sinta como se tivesse amarrado um porco-espinho ao meu rosto, as opções de hospedagem, a obtenção do visto dinamarquês, a doçura que vem de fora, o fatídico dia vinte e quatro, as ferramentas de workflow. o novo projeto, o velho projeto, o pré-projeto da dissertação de mestrado, a frase ao telefone: “esqueça o Direito, você nasceu pra ser jornalista” – não, não quero passar fome. as idéias que fogem pela madrugada, o cheiro de tchose que eu não fumo, o convite para ir ao Landscape – Saddam Hussein não visitaria os EUA em 2002, visitaria? – o três de espadas que saiu para os adversários e agora é usado para me trucar, o tubo de cds virgens, o licenciamento do carro, a facada da certidão, o parágrafo do poste do blógue que vai ficando grande demais. a palavra post e suas acepções, a ida ao Google para confirmar que “acepções” é com C e Ç, o medo de não dar conta. o interurbano, o vento frio, a pneumonia que não peguei, o Pneumonia que não ouvi (hoje). a parada para gravar conversas telefônicas, o medo de morrer sozinho, a foto mais linda que um passaporte brasileiro já ganhou, a empresa que prestará serviços de CPD para o banco estatal a partir do ano que vem, aquele frescor de menina doce recém-saída do banho. a discussão sobre as últimas faixas do “Morning glory”, as primeiras faixas cujas letras foram escritas por mim, a importância de ser agrédi na sociedade, o legado perdurará no tempo? – eu torço para que sim. a vida em todas as suas acepções, o “Heartbreaker”, a menina que foi minha “heartbreaker”, o jardim do vizinho que alguém diz ser mais verde, o verde inglês de competição, a assistência, o periódico, a aspirina, o fim do termo, o fim dos tempos, o fim do poste.

ressaca pós-moderna
meu irmão me liga de Goiânia, identifico o número:

“- a lenda voltou, vamos homenageá-lo.”
“- Pala, tá dentro?”
“- tô.”

e assim, sem nem perguntar o quê, eu tô dentro. maneiro demais…