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—–Mensagem original—–
De: Gabriel Garcia
Enviada em: sexta-feira, 30 de setembro de 2005 14:44
Para: eduardo.palandi@uol.com.br
Assunto: o quadril magnus norman e as coxas da pitty

já que você quer saber onde está o magnus norman , aí vai :

leif magnus norman está hoje com 29 anos , aposentado ( por cause de seguidas lesões no joelho, quadril e no joelho de novo), vive em Filipstad , uma pequena cidade de 12 mil habitantes no norte da suécia , onde dirige sua ferrari e joga seu “bandy” (a “pelada” deles pro hóquei no gelo) semanal. ainda hoje ele lembra do forehand para fora que deu o bicampeonato de roland garros para o também ex-tenista gustavo kuerten, e que lhe tirou a oportunidade de ser número um do mundo . depois deste jogo , ele nunca mais foi o mesmo .

e você quer queimar meu filme mesmo: apesar de a pitty ser gostosa (algo que eu vi com meus próprios olhos no tim festival , ano passado), e de pela primeira vez na vida ela estar gata (é o que eu vejo pela reprise do vmb que está passando agora) , eu gostava dela apenas por conveniência. é feio falar isso , mas é a verdade . por isso eu exijo uma errata no seu blógue. vai que alguém que eu conheça lê isso … o que é que eu vou falar lá em casa?

abraço

gabriel

sueco para dummies, lição 2
sexta-feira braba, ânimo pra nada, resolvi ter mais uma aula de sueco por conta própria. coloquei o disco do Kent e tentei seguir o Joakim Berg, cantando com a letra na minha frente. só que eu não tenho toda a ginga e a malícia do sueco médio, então tomava uma surra da letra. como assim “sj” tem som de “kr”? e então o “j” tem som de “r” se vem depois do “s”, mas tem som de “i” se vem depois do “g”?

não tava dando muito certo, mas talvez eu esteja querendo resultados muito imediatos. vejamos essa frase, tirada de “Dom andra” (“os outros”):

och skylta’ med vår kärlek, vårt rika inre liv

em português, a pronúncia aproximada fica algo do tipo “orril talavoxarlen, vrica inrrêliv”. é ou não é de desanimar, torcida brasileira? e isso porque uma frasezinha dessa só quer dizer “e anunciamos nosso amor, nossas ricas vidas íntimas”. depois de uma dessa, só posso dizer que estou cada vez mais interessado em aprender sueco, e que se o Chico Buarque acha que o húngaro, pela complexidade, é a única língua que o tinhoso respeita, ele que experimente fazer uma couve de “Dom andra” no próximo disco. no suecão original, claro. na próxima lição da série “sueco para dummies“, veremos como preparar um apfelstrudel à Magnus Norman. isto é, se eu descobrir por onde anda o Magnus Norman e se descobrir como se diz apfelstrudel em sueco.

momento Spalding
“a cultura custa caro? experimente a ignorância.”

essa pichação ele viu (em francês, claro) na estação Égalité de tramway, em Nantes. é ou não é a coisa mais fera do mundo?

no reino do faz-de-conta
bom dia. acordei faz 50 minutos e acabo de ver que o Leela (queeeeeem?) ganhou o VMB como banda revelação do ano. nessas eu imagino que nem tudo no universo deveria ser revelado.

mais pra frente, descubro que a Pitty ganhou o título de “vocalista dos sonhos”. com todo respeito ao Gabriel e a todos os demais fãs, acho que não, hein?

mundo indie
notícias desse mundo de onde saí no ano passado para entrar pro jazz:

no Globo de hoje, mais precisamente na “Gente boa“, vem essa:

Luciano Vianna, produtor e DJ da festa Ploc, avança, de olho em mais uma fatia do mercado dos anos oitenta. Dia 8, ele lança a grife Ploc, com camisas do Mussum, da Smurfete e do Playmobil, e o DVD com shows de Rosana e Paquitas.

se por um lado o LV só vai comercializar lixo, por outro é bom saber que ele é capitalista. a outra notícia desse poste é que na coluna de amanhã o Lúcio vai falar de críticas negativas a artistas, mencionando a resenha do Pitchfork sobre o último do Weezer e, talvez, a deles sobre o Dandy Warhols novo, uma do Guardian sobre uma apresentação do 50 Cent e o crítico do New York Times descascando o Coldplay. não tem nada de notícia, no final… é só pra estragar a surpresa da coluna e dizer “você leu aqui antes”. acho que é só.

já?
uma semana sem horários. sem regras. porque qualquer tentativa de ter uma regra vai me valer tempo e esforço em vão. acordar às sete e meia da manhã, dormir de novo às dez, acordar às onze, dormir à uma e acordar às três e meia da tarde, para almoçar às quatro. mas anteontem eu só fui comer às seis, então estou melhor – estatisticamente. aí vem a frase do Marcelo – “se eu comi dois frangos e você nenhum, estatisticamente cada um comeu um” – uma música do Elvis Costello (sim, “Alison”), umas vontades inconcebíveis, um trabalho sobre esferas públicas de discussão, a intromissão na vida dos outros, um email do meu irmão dizendo “parabéns, você tem uma Alison”.

às vezes eu gostaria de poder fazer você parar de falar,
quando escuto todas as coisas bobas que você diz
acho que alguém deveria apagar as luzes
porque eu não consigo te enxergar dessa maneira

não estou com a cabeça no lugar, só geograficamente mesmo. algum dia já estive com ela onde deveria? não, mesmo com o trocadilho. talvez fosse melhor voltar pra cama e ficar dormindo-e-acordando e não pensando nessas coisas. as coisas não estão perdidas, eu não estou perdido, o condicionador fez efeito nos meus cabelos. pena não ter mudado certas coisas dentro da minha cabeça.

*

tenho de ver o Elvis Costello no rio. isso é um exemplo de frase no imperativo, mesmo sendo na primeira do singular, que os gramáticos dizem não existir nesse tempo. às favas com eles, eu tenho de ver o mestre e esperar que ele toque “Alison”. se não tocar, já vai ter valido a pena viver. e muito.

*

it’s business time.

Haiti
eu defendo o cara, mas essa piadola da Popbitch é maneiríssima…

Donald Rumsfeld is briefing the President, “Yesterday, three Brazilian soldiers were killed. “OH NO!” cries the President, “…but how many is a brazillion?”

… e o primeiro mundo humilha a galera
msn morto. diz:
ja assegurei cinco ingressos para shows
msn morto. diz:
dEUS, segunda feira
kevlarsjäl diz:
morra, spalding
msn morto. diz:
andrew bird + laura veirs, quinta feira
kevlarsjäl diz:
CARALHO
msn morto. diz:
antony and the johnsons + the go team + devandra banhart + artic monkeys + futureheads + kaiser chiefs + maximo park + hard-fi em novembro
msn morto. diz:
e um tal de tom vek, que era de graça

comum
aí o alarme por telecomando do Peugeot 206 de um vizinho de frente resolveu falhar e ele passou um pequeno vexame em público, enquanto eu assistia a tudo da varanda e pensava, desolado: “que marca amaldiçoada”…

horas de atraso
não, Palandi. ligar pros outros às duas da manhã é crime federal. mesmo que seja gente da família.

*

insônia. cansaço. três da manhã e eu de pé, louco pra não estar, só isso. o texto pronto, as pressões do dia seguinte, as decisões que tenho de tomar. se ando assim sob o efeito de anti-ansiolíticos e desodorante livre de alumínio, imagino como seria sem isso.

*

Benjamin Biolay – “La pénombre des Pays-Bas”. maravilha.

*

agora que o plebiscito idiota sobre o desarmamento está chegando no mês decisivo, hora de ativar a campanha “Vapen och ammunition” para que essa proposta seja derrubada, apesar do odioso lobby dessas ONGs que propõem abraçar favelados. não tenho a mínima vontade de ter uma arma, mas quem quiser – e souber manuseá-la – que tenha.

*

em três horas, uma decisão. em cinco, outra. em sete, mais uma. AAAAAAAAH

brasilienses
o Marcelo dormiu catorze horas e vinte minutos essa noite, o que faz dele o novo recordista de sono da Asa Sul. pelo menos do lado de cá do eixão (200/400).

*

choveu assim que amanheceu, coisa que raramente eu via em deprelândia. lá a chuva tinha uma certa vergonha e só aparecia de madrugada. isso me deixou feliz demais, e marcou o final da estação seca aqui no cerrado.

*

tem uma Vogue, aqui na casa do Marcelo, com a Ana Beatriz Barros na capa. sempre achei ela muito bonita, mas tem um editorial de moda com ela, nessa edição, com roupas que beiram o unissex, e é a coisa mais linda do mundo. sempre que venho aqui, me pego vendo as fotos, perdido.

*

e esse creme dental cor-de-rosa, hein?

young men
o tema da noite é a “Rumba dos inadaptados”, do Quinteto Tati. porque, de Lorena ao Porto, de Anchorage a Dili, tem algum young man encaixando-se no que o JP Simões diz. e é tudo por hoje.

losing yourself
trilha de agora: Wilco – “When you wake up feeling old”.

medo. delírio. vontade de me jogar contra uma parede de concreto e ficar lá, ou debaixo do cobertor, pro resto da minha vida. feels like it’s ending. acabando o quê? acabando eu mesmo. três sinucas de bico, três horas para escrever, três semanas pra se arrepender, três meses pra acabar. ou nascer de novo. corridas, linhas discorridas, conversas não acontecidas, oportunidades perdidas. eu estou morrendo de medo e tendo pesadelos. eu não quero acordar com eles, e às vezes eu simplesmente não quero acordar, mas tudo o que consigo é não dormir. era tarde da noite quando tentava achar uma solução e não consegui. quando acordei, estava sem ela, sem ela e com um pesadelo pra resolver e umas horas a menos. menos. menos. eu quero mais, eu tenho menos. a febre avança, eu recuo, ninguém mais sabe de nada.

cortem minha mão
como é que eu ainda não sei fazer o maravilhoso solo de guitarra de “Kärleken väntar”, alguém me explica? meu deus, se eu pudesse aprender uma única coisa para já, seria esse solo. nem que fosse só por uma noite.

toró
ontem à noite choveu forte aqui em Brasília. chuva de vento, com granizo, rápida e sem rodeios. comemorei. pelo Distrito Federal todo, as pessoas comemoraram – a grande maioria delas. era um prenúncio de que a estação seca está no final, e que daqui pra frente tudo será mais equilibrado. pode parecer estranho aos não-brasilienses, mas só quem mora aqui sabe dar valor à chuva.