8 ou 18
se tem dias em que eu só consigo dormir depois das quatro da manhã, tem noites em que durmo dez, onze horas seguidas. hoje, por exemplo: dormi até afundar. se bem que eu já tava na m****, nem precisei afundar tanto :)

herbalife
já viram aqueles carros adesivados que trazem a inscrição “perca peso agora – pergunte-me como”? pois bem, eu imagino que a resposta que a pessoa do carro dá seja aquele kit com emagrecedores que você paga uma facada pra comprar e que eu não me lembro de ter visto dar certo com alguém.

mas se você quiser perder mesmo peso, pergunte-me como, tenho um método infalível. duvida? perdi um quilo na última semana…

ffa coffi pawb
hoje, pela primeira vez em uns seis anos, eu não senti nenhuma vontade de viver. ou, mais claramente, senti vontade de me matar.

é claro que eu sou fraco e nunca teria coragem de fazer isso comigo. mas que dá vontade, dá.

conclave
e eis que o Sudoeste acordou com “My death”, com o Scott Walker, sendo tocada sete vezes seguidas num apartamento. e eu com vontade de ouvi-la dentro de um carro veloz, no Eixão, cantando alto (com os vidros fechados). na parte da letra que diz “my death waits in your arms, your thighs / your cool fingers will close my eyes”, a palavra cool seria trocada por cold, mais apropriada.

aliás, e o tal do disco que ele lançaria ano passado pela 4AD? já estamos em junho de 2005 e nada ainda… tô ficando preocupado. será que vem aí o disco do ano?

deserto de gelo
diz aí, Brett Anderson:

If they burned my brain away would you understand?
If they tried to hold me down would you hold my hand?

segura minha mão, e não me deixa cair nunca mais. por quê caímos? para aprendermos a nos levantar…

procurando um amor tão forte quanto a morte
metade coração, metade cabeça
e eu me pergunto se esse amor
que as pessoas dizem ser tão forte quanto a morte
está em algum lugar lá fora ou só nas cabeças delas

alguém indica o cara ao Nobel, por favor?

instantes
hoje fiz faxina no quarto, no toalete e na cozinha, embora não tenha lavado a louça. são onze e meia da manhã e já me sinto um pouco exausto. sendo assim, o melhor é não me esforçar demais na execução de certas rotinas, como, por exemplo, a de escolher as músicas a serem ouvidas. de qualquer jeito, o disco do dia é o “Exílio”, do Quinteto Tati, que é maravilhoso.

aliás, para quem não conhece o maravilhoso mundo do rock and roll lusitano, as duas bandas a serem descobertas são o Quinteto Tati e os Eleven Gash. que ainda não lançaram seu primeiro trabalho, mas são minha grande aposta para 2005. ou 2006, se o Pedro não levantar logo a peida da poltrona e chamar a banda pra ensaiar…

abridores
eis uma notícia a ser comemorada. confesso que ainda não provei a referida, mas eu olho com carinho toda marca de cerveja gringa:

Cerveja Stella Artois chega ao país
por Adriana Mattos

Após curto período de mistérios, a AmBev anuncia hoje a entrada da marca de cervejas Stella Artois no Brasil, como a Folha antecipou em fevereiro deste ano. O mercado aguardava o lançamento para o segundo semestre do ano. A bebida faz parte do portfólio de produtos “super premium” da Interbrew, grupo belga que se uniu à AmBev em 2004, e deve atingir um nicho pequeno de mercado.

O produto vai ficar um degrau acima da Bohemia, evitando dessa forma uma canibalização de marcas. A cerveja, que chega ao Brasil em contraponto à entrada da Brahma no mercado externo, terá como agência de publicidade a Borghierh. Fallon, DM9 e Lowe entraram na disputa pela conta e não levaram.

Deve ser anunciado hoje que o produto será fabricado no Brasil, uma das dúvidas iniciais do projeto de lançamento. O líquido pode sofrer mudanças no sabor quando fabricado fora de sua base fabril. A Sol, por exemplo, comercializada no Brasil pela Kaiser, teria sofrido rejeição inicial por conta de alterações no sabor da bebida -fabricada em Araraquara (SP) para a venda no mercado nacional. No ano de 2003, Stella e Beck’s, ambas marcas top da Interbrew, cresceram juntas em vendas 7,3%, informa o último relatório anual do grupo.

lembrete
Today’s fortune:
A cheerful letter or message is on its way to you.

isso me fez lembrar que não verifico a caixa de correio do apartamento faz quase duas semanas. sabia que o orkut servia pra alguma coisa…

quick, before it melts
“My death”, um Jacques Brel vertido para o inglês (“La mort”), entra na nona posição das melhores músicas da história, na interpretação do gênio Scott Walker que data de 1967 e faz parte de seu primeiro disco solo. e é a música do dia, até segunda ordem.

*

Today’s fortune:
You are the master of every situation.

até que esse oráculo do orkut acerta de vez em quando…

*

desde que cheguei em Brasília eu me entupo de besteiras alimentícias (biscoitos, chocolates), como porções assustadoramente grandes de tudo o que não presta (cheese-saladas, massas, feijoada) e mesmo assim já perdi dois quilos. vou perder ainda mais e chegar a uns 72, fácil. não é que eu amo mesmo essa cidade?

deeper in the void
a Americanas.com “corrigiu” o preço do disco do Gentle Waves mencionado num poste de ontem e assim ele caiu de 2.249,50 reais para 10,90. acho justo.

*

não ando muito inspirado para escrever aqui hoje, talvez reflexo dos últimos dias, onde escrevi mais do que esperava. mas ainda hoje prometo maiores notícias e coisas bem standard (dentro do que se pode esperar de mim), tudo bem? enquanto isso, vou ali exorcizar uns demônios e já volto.

resolução
eu já vi muitas declarações toscas de amor. muitas mesmo. mas “eu te amo, seu otário”, foi a primeira vez. e ainda foi feita pra mim. é por essas e outras que eu ainda perco a fé na humanidade…

americano com filé
aí, alguém aqui já se perguntou sobre qual é o disco mais caro do mundo? não digo dessas raridades, mas de um item de catálogo qualquer. provavelmente uma edição japonesa, não? quem sabe a deluxe edition de algum disco clássico, como “A love supreme”, do John Coltrane, ou o primeiro dos Violent Femmes, que vi por 160 reais na Fnac do ParkShopping.

mas não, não: graças ao Marcio, nosso futuro presidente (2018 tá aí), descobri hoje que o disco mais caro do mundo é a edição brasileira do primeiro disco do Gentle Waves, que não oferece nada de exclusivo em relação às outras. pelo menos é o que achei aqui, nas Lojas Americanas. cliquem cá e vejam qual o preço cobrado por eles para o “The green fields of foreverland”.

o mais engraçado é que, à esquerda do preço, rola um aviso de “frete grátis”. intrigado com a questão, vou escrever ao grande Dago, que faz parte dos quadros da Trama (que lançou o disco no Brasil) e dizer que, se essa for a nova política de preços do selo, estou peiplexo. se não for, vou perguntar às Lojas Americanas se o valor do disco é para cobrir o preço do frete e, em caso positivo, saber se o mesmo é feito por telecinese, pra ser tão caro.

grandes momentos da história
uma vez, há pelo menos seis anos, meu querido Alexandre Petillo escreveu, a despeito do sucesso de “Fake plastic trees”, do Radiohead, incluída num comercial sobre síndrome de Down, que ainda via um longo caminho até uma possível popularização do indie rock em terras brasileiras. passaram-se seis anos, a terceira onda indie aconteceu em 2001 (depois das de 1993 e 1998) mas nada do gênero pegar ainda.

e eu me lembro que um dos exemplos usados pelo Alê era a de que ele não conseguia imaginar uma dona de casa esperando o arroz secar ao som de “Paranoid android”.

pobre Alê. nem imagina que hoje, entre 12:27 e 12:47 da tarde, eu fiz arroz com curry ao som de “Satellite of love”, clássico perpetrado por Lou Reed em 1972. pode não ser o melhor exemplo de indie rock, mas dez entre nove bandas do gênero citam o cara e seu Velvet Underground como influência.

do meu lado, não espero que meu arroz com curry influencie muita gente não. na verdade, se influenciar meus roommates Lelo e Vinícius a lavarem a louça hoje à noite, já tá bom demais. se por um acaso o Alê ou algum outro leitor deste blógue (há mais algum, ainda?) quiser uma prova, podem ficar satisfeitos: tirei uma foto do arroz com curry enquanto ele era feito, e ela em breve adornará esta página.

finalmente, gostaria de mencionar que aprendi a fazer arroz com curry três minutos depois de começar a fazê-lo. comecei com a idéia de fazer arroz branco, mas dei Google em arroz+curry e achei váááárias receitas. entre elas, uma de La Cociña de Tia Clara, uma página dominicana de culinária. como a República Dominicana é terra de rum, praia e mulheres bonitas, confiei no taco e mandei ver. mas na verdade, só consultei a hora de colocar o curry na panela… não adicionei nenhum outro ingrediente.

glamourama
baixei dois discos do Jacques Brel e o único do Quinteto Tati essa semana. sobre esses, falo depois… o que interessa, para já, é que também baixei a trilha do “Velvet goldmine”, que me foi altamente recomendada pelo Marcelo.

achei estranhérrimas as versões do Venus in Furs, banda formada especialmente para a trilha do filme, para clássicos do Roxy Music. pelo menos não tocam a minha preferida deles, “Pyjamarama”. os sucessos gravados por Pulp e Placebo vão de encontro à minha satisfação: nota dez para os dois temas.

confesso que não entendi o que o Grant-Lee Buffalo, roots do jeito que é, está fazendo na trilha. mas sua contribuição, com uma faixa chamada “The whole shebang”, está ali entre as três melhores do disco. sobre a colaboração do Teenage Fanclub com a Donna “quero me casar com ela” Matthews, ex-Elastica, é… fofa. sério. fofa demais. quer dizer, por quê não poderia ser fofa? só porque tem duas guitarras distorcidas e uma pianola lá no fundo da mixagem? é cute as hell.

mas eu nunca vi o filme, o que espero corrigir muito em breve. Ewan McGregor é deus. ou é aquela banda belga que é deus? ah, sei lá…

atualização importante: a melhor faixa do disco, descobri depois desse poste, é a de número dezenove (e última): “Make me smile (come up and see me)”, de um tal Steve Harley. linda. alguém sabe algo sobre o cara? oiçam este tema o quão antes!

a banda
ontem foi o “Darklands”, hoje retrocedi pro “Psychocandy”. mas a banda do momento é o Jesus & Mary Chain. só a fase doce, que abrange esses dois discos mais o “Barbed wire kisses” e seus lados B maravilhosos.

to here knows when
eu estou brincando com fogo. eu não devia fazer isso. eu vou me ferrar feio, mais uma vez. mas teve uma descoberta que foi, no mínimo, curiosa.

*

aquela pilha de roupa lavada, passada e dobrada, vinda diretamente da moça que faz o serviço de lavanderia pra gente, como eu nunca tinha visto desde que cheguei em Brasília. minha reação, quase imediata, foi a de fazer faxina na casa inteira pra que ficasse à altura das roupas. acho que a faxina eliminou 97% dos seres que habitavam essa casa. os outros 3% devem estar na louça que o Lelo ainda não lavou – e ele vai lavar.

*

bom, a ordem é montar uma banda. vou pro piano (ou teclados), ficar ali, escondido atrás deles, aprendendo a marretá-los como o Freddie Mercury fazia, ou então como eu mesmo, de algum jeito que eu achar melhor. canto uma couve no bis, pra que ela fique marcada como “a música do tecladista”, não tento roubar a cena, apareço no canto esquerdo de todas as fotos e, quando me perguntarem isso, basta dizer que “é pra equilibrar as coisas, já que politicamente eu sou de extrema-direita”.

quando me perguntarem do porquê da minha presença no rock and roll, basta dizer que “é porque adoro brincar com fogo”. quando me perguntarem qual a melhor coisa de ser famoso, a resposta vai ser “é poder dormir cedo quando não estou em digressão e poder acordar cedo pra dar a volta de dez quilômetros no Parque da Cidade, antes que os fãs acordem”. quando me perguntarem qual o papel social que quero pra minha banda, dou risada e digo “quem tem papel social é professor de Antropologia, vá tomar no seu cu, eu sou do róque”.

finalmente, quando a pergunta for sobre como eu quero que minha banda seja lembrada, respondo “como a segunda melhor banda da história, logo atrás do Suede, porque é isso que ela é”.

*

“no final das contas, é um mundo pequeno”, pensei, pra logo depois suspirar e bater com a ponta do tênis no degrau da portaria, antes de subir pro primeiro andar sem pronunciar uma palavra sequer (falar pouco é legal) e dormir. apenas ir dormir. agora. antes que Brasília acorde. antes que as opiniões mudem e que tudo, de repente, vire nada. antes que o mundo se torne outra coisa e a cada novo dia a gente tenha que se acostumar com tudo de novo.

*

p.s.: beleza demais machuca. mas feiúra demais mata. por isso, se por um descuido da ordem natural, eu estiver todo quebrado, numa cama de hospital, provavelmente estarei apaixonado. se vou me recuperar, só o doutor pode dizer.

sentando a púa
hoje o dia não é para meias palavras. sendo assim, “Please”, do Chris Isaak, rolando sem parar no sistema de som. em várias posições. depois eu explico melhor, tenho que correr, antes que o mundo derreta.

músculos relaxados
tá. então depois de passar a noite em claro, agora são três e pouco da tarde e a minha vontade é de desmanchar na cama e só acordar quando for primavera.

bad, bad body. no chocolate for you.

decidi: não vou dormir antes da hora, que deve ser lá pelas dez da noite. baixei alguns sucessos das Scissor Sisters para me manter acordado. melhor sorte da próxima vez.

Marcio me apavorou com um comentário sobre a próxima prova da OAB aqui do Distrito Federal. de verdade. mas eu vou passar, ah se não vou. basta dormir direito na madrugada que antecede a prova. dormir direito, sacaram o trocadilho? arrã, eu sei, eu fico sem graça quando estou com sono. mas o Marcelo e eu sabemos que eu vou passar na próxima prova.

saldão da miséria
quatro horas de sono. o “Darklands”, do Jesus & Mary Chain, baixado. meus cabelos, eriçados como se tivesse tocado o gerador de Van Der Graaf. roupas para passar, quarto para arrumar. a possibilidade de rever o “Closer”, sonhos com uma BMW 850 Ci de dez anos atrás, discussões sobre vida acadêmica e profissional, discussões infundamentadas sobre assuntos sem pé nem cabeça, como a vida da gente. porrada. criação de alter egos. encher o filtro, lavar a louça, olhar as pessoas da janela da minha cozinha procurando manter o sorriso, a ordem e a calma, olhar pro céu e vir com o papo-clichê de “será que vai chover?” de forma a aborrecer alguém. agüentar resmungos de pechincha de preços, ausência de inspiração, ressacas morais, danos materiais, metal on metal, olho por olho, dente por dente. preparar-se para o verão. dizer a um amigo que ele precisa fazer abdominais. passar mais tempo no supermercado do que em casa. ter vergonha de pedir dinheiro pro pai, ler sobre a idéia italiana de voltar com a lira, preencher currículos e acompanhar a movimentação noutras capitais.

socorro.