chegou o dia
era sete de julho de 2000 quando eu cheguei a Brasília pela primeira vez, vindo do vôo 4283 da recém-falecida Vasp. já nos meus primeiros minutos na cidade, aconteceu alguma coisa que eu não sei explicar o que era, mas eu me apaixonei por Brasília logo de cara.
daquela vez, permaneci dez dias em solo brasiliense, antes de voltar pra cá. e chegando aqui, contei que havia me apaixonado pela cidade, mas não conseguia explicar o motivo. era uma das coisas que eu havia aprendido: não existe um motivo para as nossas paixões, a gente gosta e pronto.
naquela época, meu pai achou que a paixão logo arrefeceria e eu voltaria à minha vida pré-Brasília. não foi bem isso o que aconteceu. voltei lá no Carnaval de 2001, em maio de 2002, nas férias de julho de 2002 e 2003, em março de 2004 e nas férias de dezembro de 2004. sete viagens em quatro anos e meio. e contava os dias para que a faculdade terminasse, eu me graduasse e fosse viver lá, como se tudo fosse tão fácil assim. talvez não seja mesmo, mas isso não quer dizer que seja difícil.
e no começo desse ano, então, chegou a hora de eu conversar com o meu pai sobre isso. depois de quase cinco anos, ele percebeu que eu não estive brasiliense, eu sou brasiliense. há uma diferença. e a diferença era a de que eu queria voltar a Brasília e não sair mais de lá. conversamos e ele topou me ajudar a voltar lá e me arriscar e conseguir um emprego, uma vida comum de brasiliense, essas coisas. depois de uma previsão para março, acabamos acertando o dia 13 de abril de 2005, meio a contra-gosto dele, que acharia qualquer data cedo demais.
mas não é cedo demais. aliás, 13 de abril de 2005 é hoje.
então hoje o meu futuro chegou e dentro de algumas horas vou fazer a oitava viagem da minha vida para a capital do Brasil. que também é a capital da minha vida, embora eu não seja exatamente o Brasil. mas é lá, por enquanto, que eu fui mais feliz – e, se você não vai atrás da felicidade, o que é que você persegue, afinal?
a passagem do ônibus já está em minhas mãos. o futuro começa ali, na rodoferroviária, e cabe a mim levá-lo para onde quer que as coisas apontem. eu sei que tenho condições de conseguir algo legal e ficar em Brasília para sempre, e é pra isso que vou trabalhar, mesmo que apareça algo ainda melhor noutras paragens. às vezes, parece que estou diante de um relacionamento amoroso. pode ser. foram poucas as pessoas e as coisas que amei tanto quanto essa cidade… e não há explicação para isso. e também, se tiver, pouco importa. eu quero voltar a Brasília e, como o papa João Paulo II, dar um beijo naquela terra e dizer “lembra que eu disse no avião que te amava e que voltaria? pois eu estou aqui”. e vou estar mesmo.
nunca pensei se em Brasília começa uma nova fase da minha vida ou se é a minha vida que começa por lá, pois o que eu tenho aqui é só uma almost life, still life ou qualquer coisa assim. mas o que importa é que, dentro de algumas horas, estarei a caminho de lá.
*
dessa forma, então, esse é o último post escrito com base em Aparecida. o blógue não vai acabar. eu preciso dele. talvez fique alguns dias sem escrever… mas eu mando notícias, de um jeito ou de outro. vocês ainda vão ouvir falar de mim, nem que seja nos meus funerais, ha ha.
e por falar em funeral, tem uma música que eu gostaria que fosse tocada tanto no meu casamento quanto no meu funeral. chama-se “Ladies and gentlemen we are floating in space”, é interpretada pelo Spiritualized e, lançada em 1997, é um dos clássicos da modernidade. ela toca na cena do elevador do “Vanilla sky”, filme que vai ser exibido pelo SBT no sábado, e quem a conhece sabe do seu poder. os versos principais da música dizem o seguinte:
all I want in life
is a little bit of love
to take the pain away
getting strong today
a giant step each day
não consigo deixar de sentir que a mudança para Brasília é um grande passo na minha vida e vai me transformar, ainda que aos poucos, numa pessoa mais forte. pode não ser um grande passo para a humanidade, mas, pra usar mais um clichê, as revoluções começam dentro da gente, não é?
enfim… obrigado. obrigado pelo eventual prestígio, vejo vocês todos em Brasília. eventuais comentários, mensagens de “boa viagem”, críticas, reclamações, declarações de amor e convites para festinhas no Lago Norte podem ser destinados ao meu mail, que será checado oportunamente. um beijo e até logo.