chicote elétrico
- uma pena que não se possa exigir bom acabamento das montadoras de automóveis sediadas no Brasil. e mais uma pena ainda que não se interessem nem em lançar os bons compactos (Citroen C2, Lancia Ypsilon, Toyota Yaris, o novo Mercedes-Benz A-Klasse) no país. quem nasceu pra Celta (com todo o respeito) nunca chega a Cadillac.

- enquanto isso, dois pescadores seguem dentro de um barco equipado com ADSL e GPS, no meio da lagoa, numa paciente espera pelo big fish. se a comida acabar, dá pra pedir pela página do McDonalds. mas o peixão vem, ah, se não vem.

- fazendo como os romanos, comecei a jogar um jogo de tênis para o Dreamcast. só tomo surra dos calejados jogadores daqui, como no tênis da vida real, mas esse jogo vira. falando nisso, mais alguém aí nunca jogou tênis, pra gente entrar numas aulas? agora que vou ficar rico, preciso saber dessas coisas…

- discutindo ontem com o baterista do Phonopop e o guitarrista do Prot(o), chegamos à conclusão de que bom mesmo é Cardigans das antiga (sic). e só.

aí…
aí que eu sei lá. bebidinhas no Moisés, promessas não-cumpridas, um carro da Renault e a minha cabeça girando. todo de azul, estava com vontade de escrever um grande poema sobre como é ver tudo acontecendo e se sentir feliz sem saber o que fazer estando no olho do furacão. você está pronto? eu também. vamos ao Octogonal fazer algo outonal, então.

ok, candango
o The Sun então diz que a Katie Holmes, atualmente namorando o Tom Cruise, está se guardando para o cara certo. ela tem vinte e seis anos e é uma das meninas mais lindas do showbiz.

depois dessa, eu tenho a obrigação moral de me guardar pra menina certa. como diz o U2, I will follow.

bad trip total, Felipão
meu espírito até se eleva depois de cada sessão de “Casablanca”. caramba, é bem mais que um mero filme… não sei explicar o que é. “obra de arte” é clichê pra definir…

devaneios de outono
estou a fim de algo com violoncelo, então a boa do dia é ouvir “The upper classes”, dos Auteurs, uma pequena obra-prima que nem é tão pequena assim – tem quase sete minutos. e muita classe, claro.

o asilo
hoje, dirigindo pelo Eixão, na volta da casa do JPráxis, peguei-me com uma indagação no ar: por quê eu acho Brasília tão perfeita?. sorri, enquanto ouvia “Sway”, com as Pussycat Dolls, e procurei uma resposta.

depois de ver meus amigos o dia todo, de um jantar mexicano onde comi o que pude e o que não pude e de uma passada na Blockbuster, onde peguei “Casablanca” (o meu filme), acho que cheguei a uma resposta: eu acho Brasília tão perfeita porque ela é perfeita. e pronto.

cenários
- minha mente já está se acostumando ao facto de que estou em Brasília e não vou mais voltar a morar em Aparecida. isso é bom. o medo do futuro é menor que a vontade de ficar aqui e a alegria que sinto por estar no Distrito Federal. boa.

- enquanto isso, penso em menos frames do que em Aparecida… ou seja, tô lerdo. mas estou vivo, e é isso o que importa. com o tempo, volto a pensar na velocidade do som.

- arroz cozido sem passar pela refoga, como os nipônicos preparam, é muito mais gostoso do que o refogado! como é que eu não sabia disso, meu deus? agora sim…

- vou sentir saudades do Romário, que hoje se despede do selecionado brasileiro e, num futuro próximo, despedir-se-á também dos clubes. mais do que anotar tentos e fazer umas jogadas djeniais, qualquer pessoa que chame os outros de “peixe” e que diga que não vai ser treinador de equipes porque não gosta de acordar cedo merece minha admiração.

- o melhor momento do concerto do Placebo foi quando o Brian Molko disse “the good things come for those about to wait”, e então iniciou “Without you I’m nothing” em sua guitarra. eu estava de terno e em cima de um banco desses de sentar… e vibrei como se fosse uma final de campeonato.

- a Popbitch de hoje atribui ao papa Bento XVI uma frase que diz que o rock and roll traz mensagens anti-cristãs. sei não. pra mim, é coisa de quem gosta de canto em falsete, com todo o respeito que o gênero e a igreja merecem.

- visitei o Congresso Nacional na semana passada e mandei um postal para o meu pai, convidando-o para a minha posse no Senado Federal, que realizar-se-á em 2022, pelas minhas contas. excursões de leitores deste blógue serão bem-vindas, as well.

- já comecei a ficar rico aqui em Brasília. só não descobri isso ainda…

- tem uma coisa que eu nunca falei sobre essa cidade mas é uma grande verdade. em Aparecida eu não me sentia bem sendo eu mesmo, autêntico, real deal. aqui, por outro lado, dá pra eu ser quem eu quiser – inclusive e principalmente eu mesmo. não sei dizer… não sei se é porque estou longe dos meus pais (saudade deles), se é porque aqui tem gente que pensa como eu e eu não conheço (eu conheci todos os aparecidenses com raciocínio não-linear), se é porque a identidade cultural de Brasília bate com a minha (será?), se é porque tudo é uma grande novidade (duvido). mas não cabe a mim achar respostas… cabe é viver, porra.

da série “diálogos impertinentes”
Lacroix, com notas de raios de sol diz:
to aqui escolhendo nomes p/ minha sobrinha
kevlarsjäl diz:
hmmmmm
kevlarsjäl diz:
quais estão ganhando?
Lacroix, com notas de raios de sol diz:
to fazendo uma lista, com o significado
kevlarsjäl diz:
qual o significado de francineide?
Lacroix, com notas de raios de sol diz:
MEDO
kevlarsjäl diz:
zxzxzxzxzxzxzxzxzxzxzx
kevlarsjäl diz:
excelente
kevlarsjäl diz:
vai pro blógue

hit parade
tempo nublado, chuva caindo… só musiquinhas docinhas e fofinhas e bonitinhas hoje… “Galapogos” e “By starlight” dos Smashing Pumpkins, “Brainchild” dos Auteurs, “Breakdown” do Suede, “Single” do Everything but the Girl… coisas amenas.

não tem
não tem algo que eu possa te dizer sem perder a respiração. e enquanto dura a minha pausa para o ar, as palavras voam, e eu não posso te dizer nada.

não posso te dizer nada porque, por mais que eu diga, não vou chegar a lugar nenhum. mas quero te levar para onde as palavras não existem, mesmo que esse lugar não exista também.

se o lugar não existe, às vezes eu acho que isso se aplica a nós dois. quer dizer, eu aqui, você aí. nós? por enquanto não. sei que te assustei, mas às vezes eu não sei lidar com a felicidade. especialmente quando ela mora comigo.

a felicidade mora comigo, sim. mas mesmo tão perto, a gente mal se fala, porque eu só tenho olhos, ouvidos, respiração, palavras e admiração por você. vamos ficar juntos, vai. antes que digamos qualquer coisa…

extratos
o concerto do Placebo ontem foi nota sete, uma vez que eles tocaram muitas músicas de seu horrível último disco, “Sleeping with ghosts”, e deixaram de fora maravilhas como “You don’t care about us” e “Allergic (to thoughts of mother Earth)”.

*

(este fragmento do poste foi retirado do ar, porque temo eventuais transtornos que ele possa causar. grazie).

*

(essa aqui também. como disse o Marcelo, agora há pouco, oompa-loompa)

every you, every me
aquela velha sensação de que tudo vai dar certo e tudo vai se acertar tem me perseguido por aqui. ainda que não tenha resolvido nada por ora, ainda que tenha que consertar umas coisas que já fiz, ainda que mal tenha tempo para organizar meu raciocínio. ouço Placebo e penso num Jaguar desacapotável de 50 anos atrás, um dia de sol e uma conta HSBC Premier, hahahaha. peixes grandes no lago, guitarras estridentes, eu e ela, coisas assim. eu amo a minha vida. Brasília, agora e sempre. ai ai.

(não, eu não tenho nada mais pra colocar aqui. sim, eu estou feliz. e estou batendo os pés enquanto ouço Avril Lavigne e olho pro teto, longe do teclado, perto de ter um orgasmo por estar onde quero)

don’t be scared, you are alive
oi, tudo bem? comigo sim. cheguei em Brasília e estou arrumando as coisas, ainda que lentamente. não posso dar uma data de quando as coisas estarão finalmente encaminhadas, só sei que… ahmmmm… estou feliz. muito. eu amo essa cidade e por mais dificuldades que eu venha a experimentar, não quero mais sair daqui. ha ha. top of the world, hein?

prometo responder logo as mensagens, encher logo a cara, repetir para mim mesmo e para quem mais quiser ouvir que eu amo Brasília e que eu amo a minha vida. eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeehhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

(ah, delícia)

chegou o dia
era sete de julho de 2000 quando eu cheguei a Brasília pela primeira vez, vindo do vôo 4283 da recém-falecida Vasp. já nos meus primeiros minutos na cidade, aconteceu alguma coisa que eu não sei explicar o que era, mas eu me apaixonei por Brasília logo de cara.

daquela vez, permaneci dez dias em solo brasiliense, antes de voltar pra cá. e chegando aqui, contei que havia me apaixonado pela cidade, mas não conseguia explicar o motivo. era uma das coisas que eu havia aprendido: não existe um motivo para as nossas paixões, a gente gosta e pronto.

naquela época, meu pai achou que a paixão logo arrefeceria e eu voltaria à minha vida pré-Brasília. não foi bem isso o que aconteceu. voltei lá no Carnaval de 2001, em maio de 2002, nas férias de julho de 2002 e 2003, em março de 2004 e nas férias de dezembro de 2004. sete viagens em quatro anos e meio. e contava os dias para que a faculdade terminasse, eu me graduasse e fosse viver lá, como se tudo fosse tão fácil assim. talvez não seja mesmo, mas isso não quer dizer que seja difícil.

e no começo desse ano, então, chegou a hora de eu conversar com o meu pai sobre isso. depois de quase cinco anos, ele percebeu que eu não estive brasiliense, eu sou brasiliense. há uma diferença. e a diferença era a de que eu queria voltar a Brasília e não sair mais de lá. conversamos e ele topou me ajudar a voltar lá e me arriscar e conseguir um emprego, uma vida comum de brasiliense, essas coisas. depois de uma previsão para março, acabamos acertando o dia 13 de abril de 2005, meio a contra-gosto dele, que acharia qualquer data cedo demais.

mas não é cedo demais. aliás, 13 de abril de 2005 é hoje.

então hoje o meu futuro chegou e dentro de algumas horas vou fazer a oitava viagem da minha vida para a capital do Brasil. que também é a capital da minha vida, embora eu não seja exatamente o Brasil. mas é lá, por enquanto, que eu fui mais feliz – e, se você não vai atrás da felicidade, o que é que você persegue, afinal?

a passagem do ônibus já está em minhas mãos. o futuro começa ali, na rodoferroviária, e cabe a mim levá-lo para onde quer que as coisas apontem. eu sei que tenho condições de conseguir algo legal e ficar em Brasília para sempre, e é pra isso que vou trabalhar, mesmo que apareça algo ainda melhor noutras paragens. às vezes, parece que estou diante de um relacionamento amoroso. pode ser. foram poucas as pessoas e as coisas que amei tanto quanto essa cidade… e não há explicação para isso. e também, se tiver, pouco importa. eu quero voltar a Brasília e, como o papa João Paulo II, dar um beijo naquela terra e dizer “lembra que eu disse no avião que te amava e que voltaria? pois eu estou aqui”. e vou estar mesmo.

nunca pensei se em Brasília começa uma nova fase da minha vida ou se é a minha vida que começa por lá, pois o que eu tenho aqui é só uma almost life, still life ou qualquer coisa assim. mas o que importa é que, dentro de algumas horas, estarei a caminho de lá.

*

dessa forma, então, esse é o último post escrito com base em Aparecida. o blógue não vai acabar. eu preciso dele. talvez fique alguns dias sem escrever… mas eu mando notícias, de um jeito ou de outro. vocês ainda vão ouvir falar de mim, nem que seja nos meus funerais, ha ha.

e por falar em funeral, tem uma música que eu gostaria que fosse tocada tanto no meu casamento quanto no meu funeral. chama-se “Ladies and gentlemen we are floating in space”, é interpretada pelo Spiritualized e, lançada em 1997, é um dos clássicos da modernidade. ela toca na cena do elevador do “Vanilla sky”, filme que vai ser exibido pelo SBT no sábado, e quem a conhece sabe do seu poder. os versos principais da música dizem o seguinte:

all I want in life
is a little bit of love
to take the pain away
getting strong today
a giant step each day

não consigo deixar de sentir que a mudança para Brasília é um grande passo na minha vida e vai me transformar, ainda que aos poucos, numa pessoa mais forte. pode não ser um grande passo para a humanidade, mas, pra usar mais um clichê, as revoluções começam dentro da gente, não é?

enfim… obrigado. obrigado pelo eventual prestígio, vejo vocês todos em Brasília. eventuais comentários, mensagens de “boa viagem”, críticas, reclamações, declarações de amor e convites para festinhas no Lago Norte podem ser destinados ao meu mail, que será checado oportunamente. um beijo e até logo.

é tendência
então agora a GQ tem guias de compra em seu website. o que me chamou a atenção foi o de máquinas de café expresso. estou naquele ponto da vida onde as pessoas se perguntam “oh, mas seeeeerá que eu preciso de uma máquina de café expresso em casa?”, e ainda não tenho a resposta para isso, a despeito do meu vício em cafeína.

se eu me chamasse Pedro Matiello e tivesse grana, a resposta seria taxativamente afirmativa. por outro lado, se eu fosse a minha irmã, que não gosta de nada que leve café, a máquina seria uma inutilidade sem tamanho. então fica difícil ter um referencial. como eu (ainda) não tenho grana pra comprar uma máquina dessas, a decisão está protelada. mas que as máquinas são lindas, são mesmo…

fever pitch
quando a Inter de Milão derrotou o FC Porto pela Champions League, com o Adriano a marcar três vezes, pensei “ih, f****”, porque ela, por sorteio, enfrentaria o Milan na rodada seguinte. pensei isso porque, cruelmente, eu tenho apreço semelhante pela Inter e pelo Porto, mas sei que o time italiano sempre se encolhe quando vai enfrentar seu rival milanês. foi assim no campeonato italiano, também haveria de ser assim na Champions.

escrevo essas linhas na metade do primeiro tempo, com o Milan ganhando pelo placar mínimo, graças ao Shevcenko. a Inter precisaria fazer quatro golos para classificar-se às meias-finais, coisa que não acontecerá. fosse o Porto, por pior que o primeiro jogo fosse, eu teria esperança. como é esse saco de pipocas que veste preto, branco e grená, quero mais é que vá pra puta que o pariu mesmo.