razorblade suitcase
a reunião de cúpula realizada em Yalta, Criméia, terminou ontem sem que eu chegasse a um acordo comigo mesmo. dessa forma, a rodada Doha de negociações permanece infrutífera, caminhando para… o nada, mesmo.
entressafra para escrever, produzir, viver. acidez. antídotos para o marasmo sem fim já estão a caminho, bem como as forças de segurança. o medo é latente e aparece nos rostos de toda a população. perguntam-me “quando?”, e eu respondo “assim que possível”. mas querem números, como se fossem a chave para um melhor entendimento. são?
subi ao alto de uma roda-gigante no Japão e torci pra que, vendo Tóquio iluminada naquela noite, tivesse alguma inspiração sobre o que fazer com a minha vida. tudo que vi foram pessoas andando sem rumo, mas aquilo de fato me inspirou: era uma forma de não ficar parado, esperando o próximo movimento do oponente ou coisa assim. voltei pra casa e decidi que arrumaria meu armário no outro dia, deitando fora tudo aquilo que não era mais interessante pra minha vida. e decidi que não iria me jogar fora, junto com o que fosse selecionado.
ter tempo é algo incômodo. saber que não estou produzindo nada é a coisa mais triste do mundo. mas infelizmente não há uma máquina no mundo que tenha cem por cento de produtividade – quanto menos um humano. eu quero trabalhar, acordar de manhã e saber que estou ajudando em alguma coisa, por menos que seja. useful is beautiful.. e eu quero as coisas de uma forma bonita.