Brasil e França
não assisto a novela “América”, já que, tendo uma irmã ativista dos direitos dos animais, simpatizei com os argumentos dela e boicotei. sei que não assistiria de jeito nenhum, já que agüentar Murilo Benício e Deborah Secco é sofrimento semelhante ao sofrido pelos animais em rodeios.

mas alguém poderia por obséquio solicitar à Mariana Ximenes para que seja um pouco menos linda, por favor?

trilhas sonoras
sim, sim, guitarras e palavras. é só o que tenho, e às vezes nem isso.

Teenage Fanclub, “Mellow doubt” – eu sabia que, depois de “mordido”, o veneno faria efeito em pouco tempo. coisas do amor. eu me lembro de ti, os traços do teu rosto, dividindo um momento num lugar perfeito. fundo nos teus olhos, dentro da tua cabeça, e eu tento alcançá-la quando estou em minha cama. assobiando, que é pra fingir que nada aconteceu e que não, você não existe, é apenas uma invenção minha, como todo o resto do mundo. não há escolha pro que eu preciso fazer, nada é melhor do que estar com você.

Garbage, “Why do you love me?” – acordei com essa pergunta na cabeça, e nenhuma resposta em ponto algum dentro de mim. não precisaria da resposta se tudo já estivesse certo entre a gente, mas as coisas ainda não estão totalmente resolvidas. e você ainda tem o rosto mais bonito, e isso me deixa triste a maior parte do tempo. mas um dia eu te vejo de novo, e o rosto mais bonito do mundo vai ter as melhores conseqüências do mundo.

Raveonettes, “Uncertain times” – de uma semana pra cá, o mundo pode desabar sobre mim que eu não tô nem aí. culpa sua. agora pode aparecer a maior tempestade, que o máximo que faço é escolher a roupa que vou usar quando o sol sair e comer biscoitos de damasco com café. e se a bomba atômica fosse acabar com nós dois, eu ficarei feliz em ir às estrelas com você. ou até mais longe, meu amor. você é quem manda, como sempre.

Air, “Venus” – Vênus, por exemplo. não é tão longe quanto uma estrela, mas seria um ótimo lugar para visitar, no caminho até elas. feche os olhos e coloque os fones de ouvido. consegue ver? são seis e meia da tarde e estamos numa BMW preta, no meio do trânsito em Paris. é hora do rush e ninguém consegue se movimentar. como eu estou com você, nem quero… vou desligar o motor, abrir o teto solar e procurar Vênus. os faróis na contramão que voltem pra casa, pois.

homeopatia
minha mãe conheceu uma médica heterodoxa uns tempos atrás, marcou uma consulta e saiu de lá fissurada. toda e qualquer palavra que ela ouve no consultório, repete aqui, para ver se talvez eu siga e viva mais. não reclamo disso. dia desses ela apareceu aqui com um tubo de incensos indianos (esse é “made in India” meeesmo, nem eu cri quando vi) e cujo cheiro eu não saquei até agora.

sabendo das minhas indisposições onírico-gástricas pela ansiedade da mudança iminente, ela falou com a doutora, que, mesmo sem nunca ter-me visto na vida, receitou dois remédios. um deles se chama Azianon, e o nome me conquistou: “azia, non”. fora que é ótimo pra rimar com “Trianon”, aquele parque ali na avenida Paulista… não precisamos mais da palavra “maçon” para isso. e o outro remédio, pelo que sei, deve ser deitado embaixo da língua durante um minuto, antes de engolido.

tenho medo de ter um ataque epilético com esse, já que minha coordenação motora é limitadíssimo e dificilmente algo dura um minuto na minha boca – o único caso conhecido é a língua da mulher amada, mas deixa pra lá. amanhã a remedieira chega e eu arrumo um jeito de equilibrar o comprimido embaixo da minha língua, embora isso me pareça, pelo menos à primeira vista, coisa para um acrobata. e eu, quando muito, sou a esposa de um.

comoção
meu deus, como tem gente hipócrita no mundo…

Receita faz apelo pela aprovação da MP 232
por Patricia Zimmermann, da Folha Online, em Brasília

O secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, fez hoje o último apelo técnico para tentar convencer os deputados de que a medida provisória 232 não aumenta a carga tributária.

Em reunião na Comissão de Finanças e Tributação, Rachid disse aos deputados que a MP, no seu conjunto, reduz a carga tributária e coíbe a evasão de impostos. Segundo o secretário, o aumento da tributação ocorrerá apenas para os indivíduos que não seus impostos devidamente.

“Não faz sentido haver brechas na legislação onde uns pagam mais que os outros”, disse.

Apesar da tentativa do secretário, o presidente da comissão, deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), disse que não há mais tempo para o convencimento. “Ele [Rachid] teve sensibilidade suficiente para saber que não há mais tempo para apelo”, afirmou o deputado.

Segundo o secretário, se confirmada a rejeição da MP 232, o governo irá estudar o mecanismo mais adequado para corrigir a tabela do IR e coibir a evasão tributária. A promessa do governo é a de que um projeto sobre o assunto seja apresentado em 15 dias.

O presidente da comissão avisou, no entanto, que uma cópia da MP-232 em forma de projeto de lei também não será bem aceita pelo Congresso. “Espero que a Receita seja mais criativa que simplesmente copiar a medida provisória”, disse.

Rachid esteve na Câmara para uma reunião mensal de rotina para falar sobre a arrecadação federal, mas admitiu que “teve a oportunidade de apresentar os aspectos técnicos da MP”, mesmo reconhecendo que o debate agora está na esfera política.

suave é a noite
esses dias eu me lembrei de um texto lindo que o Álvaro Pereira Júnior escreveu quando da morte do Paulo Francis, ainda o maior jornalista que este país já conheceu. saiu na “Folha de São Paulo” de 10 de fevereiro de 1997 e, me lembro, fiquei emocionado na época – o que não me impediu de chorar quando o reli, hoje.

Apresentação tardia a Paulo Francis
Álvaro Pereira Júnior
especial para a Folha

A coluna de hoje não é sobre rock, é sobre o maior ídolo que tive na vida. Ele não tocava guitarra e cantava muito mal. A coluna de hoje é sobre Paulo Francis (1930-1997).

Nunca me apresentei a ele. Trabalhei a seu lado uma única vez. Foi em 1988, quando a Folha publicou a polêmica “lista dos improdutivos” (uma relação de docentes da USP que segundo a reitoria tinham produção científica insuficiente). Correspondente em Nova York, Francis visitava a Redação em São Paulo e foi convidado a escrever sobre esse tópico que tanto o incomodava: a inépcia acadêmica nacional.

A editora se aproximou dele, explicou do que se tratava e pediu o texto. Ainda facilitou: “Não precisa se preocupar com o computador. O Álvaro, nosso redator, digita tudo para você.”

Francis respondeu: “Tudo bem, mas preciso pensar um pouco.” Deu meia-volta, andou cinco passos, virou-se de novo para nós e disparou: “Pronto, já pensei. Vamos lá.”

Até hoje, como jornalista, nunca passei por emoção igual. Francis ditou para mim, então um completo “foca”, um texto de meia página. Sem parar. Até fiquei um pouco chateado, porque ele soletrou o nome Schlesinger (o texto fazia uma menção a Arthur Schlesinger, biógrafo de John Kennedy). Mas a emoção era maior do que desconfiança de que Francis tivesse me achado meio burro.

Depois disso, disputei com outros jovens jornalistas da Folha uma vaga de correspondente-júnior em Nova York. Perdi o concurso e a chance de conviver com ele. Decidi nunca mais concorrer.

Vi Francis de perto muitas outras vezes. Na Folha e, já mais recentemente, passando pela Redação do jornalismo da Rede Globo.

Há poucos meses, ele parou na frente da minha sala e acenou para o Pedro Bial.
Através da porta de vidro, vendo os dois conversando, cheguei a cogitar de dizer ao Francis: “Olha, eu sou o Álvaro, admiro muito você e quase fui seu correspondente-júnior em Nova York, mas perdi o concurso.” Temeroso de que ele me achasse burro uma segunda vez, desisti. Desperdicei minha última oportunidade.

Tudo o que escrever aqui será pouco para dimensionar a formidável influência de Francis sobre minha geração de jornalistas. As citações caudalosas, o inconformismo com a inércia da cena cultural brasileira, o desinteresse pela MPB, a revolta contra a triste ação entre amigos que é o jornalismo de cultura neste país. Tudo isso nos moldou e não é exagero dizer que muitos de nós nem teríamos seguido a profissão, não fosse a admiração por Paulo Francis.

Fica aqui um obrigado e uma apresentação cruelmente tardia: “Francis, eu sou o Álvaro, e admiro muito você.”

razorblade suitcase
a reunião de cúpula realizada em Yalta, Criméia, terminou ontem sem que eu chegasse a um acordo comigo mesmo. dessa forma, a rodada Doha de negociações permanece infrutífera, caminhando para… o nada, mesmo.

entressafra para escrever, produzir, viver. acidez. antídotos para o marasmo sem fim já estão a caminho, bem como as forças de segurança. o medo é latente e aparece nos rostos de toda a população. perguntam-me “quando?”, e eu respondo “assim que possível”. mas querem números, como se fossem a chave para um melhor entendimento. são?

subi ao alto de uma roda-gigante no Japão e torci pra que, vendo Tóquio iluminada naquela noite, tivesse alguma inspiração sobre o que fazer com a minha vida. tudo que vi foram pessoas andando sem rumo, mas aquilo de fato me inspirou: era uma forma de não ficar parado, esperando o próximo movimento do oponente ou coisa assim. voltei pra casa e decidi que arrumaria meu armário no outro dia, deitando fora tudo aquilo que não era mais interessante pra minha vida. e decidi que não iria me jogar fora, junto com o que fosse selecionado.

ter tempo é algo incômodo. saber que não estou produzindo nada é a coisa mais triste do mundo. mas infelizmente não há uma máquina no mundo que tenha cem por cento de produtividade – quanto menos um humano. eu quero trabalhar, acordar de manhã e saber que estou ajudando em alguma coisa, por menos que seja. useful is beautiful.. e eu quero as coisas de uma forma bonita.

nielsbório
bom, vamos começar pelo que todo mundo gostaria de saber: eu não passei no exame da OAB.

não vou me permitir a tristeza numa hora dessas. ao contrário, vou dar ouvidos à Ana Paula, que disse apenas que a minha carteira será brasiliense. e será mesmo.

outros caminhos
furando uma fila onde estão Louis XIV, Raveonettes, Teenage Fanclub e Kent, descobri hoje que preciso, urgentemente, baixar o novo disco do Brendan Benson. ele entra direto no segundo lugar da minha lista de most-wanted, só atrás, óbvio, do disco dos Tears.

se algum leitor deste blógue adiantar-se e baixar o novo disco do senhor Benson, opiniões serão muito bem-vindas.

glider
você nunca vestiu rosa para mim. logo eu, que tirei meu luto ao primeiro beijo seu e comecei a ver a vida com uma vermelhidão tão rósea que mais parecia roxa, enquanto o cinza dos bancos era pouco pra tua pele branquinha e pras flores que pareciam brotar por todo lado. tudo estava azul, não havia sorrisos amarelos num raio de dois quilômetros e o sol nascente era multicores feito um arco-íris no final do horizonte. eu não sabia dizer qual era a cor dos meus sentimentos, mas eu te via mesmo de olhos fechados – portanto, a cor era o que menos importava.

tremolo
uma tarde em Campos do Jordão. chuva, folhas de plátano, treze Volvos (quatro V40, três S40, dois S80, dois S60, um 960 e um S70), outros carros lindos, cafeína em suas mais variadas formas, jaqueta nova (ou duas, já que é dupla face), sorriso bem largo, um céu em 256 tons de cinza, vontade de comprar um charuto e ouvir Damien Rice e encontrá-la por ali.

é, foi legal.

distorção
… e foi só hoje que prestei atenção a um belo verso de “Taste in men”, do Placebo, aquele que diz “killing time in Valentine’s”.

que é tudo o que não gostaria de fazer a partir do próximo dia 14 de fevereiro.

balada de um homem magro
hoje, na MTV latina, vi o clipe de “Matador”, dos Fabulosos Cadillacs. é de 1993 ou 94, não sei. e depois passou o de “Usted”, do Diego Torres, com o Vicentico (cantor dos Cadillacs) cantando junto… isso já em 2004.

ele engordou pelo menos vinte quilos. mas o talento decuplicou.

for life
hoje recebi um informativo da Sister Ray informando que já estavam aceitando encomendas antecipadas de “Refugees”, o primeiro compacto dos Tears, a ser lançado em 18 de abril. melhor de tudo, estavam cobrando pelos três um total de 7 libras, contra 9 libras que pedia a HMV, a outra loja que aceita o pre-order até agora.

não tive dúvidas: corri e encomendei os dois cds e o vinil de sete polegadas, pra não correr o risco de ficar sem, depois, e ter de disputar a tapa no eBay. vou lutar por todas as paixões que tiver, até o último fio de esperança se perder no lago Paranoá. ok, a metáfora soa exagerada e um pouco passé, mas o fato é que eu PRECISO ter isso.

só vou ver a cor dos singles em novembro, porque, para escapar dos impostos e do frete alto, decidi mandá-los pra casa da minha amiga Fernanda Weber, atualmente passando temporada em Londres ao lado do nosso querido Fernando “Trissomie” Midena. quando ela voltar a Brasília, no mês onze, trará os referidos pra mim. antes tarde do que nunca…

I was looking for a job, and then I find a job…
a senhorita Lívia me escreve, anunciando uma oferta que você não vai achar em nenhum bolsão de empregos por aí…

Seguinte, o grandprix tá precisando de tecladista e se vocês conhecerem alguém do Rio (de preferência uma menina) que toque e goste de Teenage Fanclub, Oasis, Ride, Beatles, Flaming Lips, Wilco, Radiohead, Placebo, bossa nova, flores e dia dos namorados por favor peçam para que ouçam as mp3. Caso a pessoa goste e se interesse, é só falar pra me mandar um email.

A segunda coisa é que o grandprix também tá precisando de um trompetista para gravar uma participação em uma faixa do álbum que já já fica pronto, se vocês souberem de alguém que esteja disponível e a fim, procedam da mesma forma!

Desculpem pela encheção e valeu de qualquer forma!

Beijo,

Liv

(velha) nova onda
oito anos e meio atrás, quando compramos o segundo computador aqui em casa, veio instalado um simpático joguinho da Maxis chamado “SimTower”. a empresa, que fizera furor com seu “Sim City 2000″, e que, anos depois, atingiria o megaestrelato e receitas estrondosas com seu “The Sims”, criou um simulador onde você deveria construir um arranha-céu e colocar nele o que bem entendesse: escritórios, residências, flats, áreas comerciais. era bem legal, e minhas irmãs e eu jogamos ad nauseam.

pois essa semana as duas ficaram com saudades do joguinho e me encarregaram de procurá-lo por aí, para que o reinstalássemos e voltássemos àqueles tempos. como o jogo está fora do mercado, pode ser considerado “abandonado”. no jargão da informática, trata-se de abandonware, um programa obsoleto que não é mais atualizado ou comercializado. assim como os videogames de outrora tem seus fãs, há por aí uma pá de entusiastas de abandonwares. uma rápida busca Google sobre o termo já revela um número considerável de páginas onde se pode baixar abandonwares gratuitamente, e sem que isso agrida leis de direitos autorais – afinal, se a própria empresa cessou a comercialização do produto, é porque não tem mais interesse em levantar dinheiro com ele, certo?

bem, localizei o SimTower no website Abandonia, um catálogo bem completinho de abandonwares que, curiosamente, tem até uma versão traduzida para o islandês! muito bom, muito bom mesmo. e desde então, minhas irmãs voltaram a experimentar a sensação de construir monstros de concreto armado. particularmente, decidi não voltar a jogar… prefiro gastar meu tempo com outra coisa. tomando café, por exemplo.

salle des pas perdus
brasilienses, meus queridos conterrâneos: tô sabendo que o posto de gasolina ali ao lado da torre de TV tá com uma promoção durante as madrugadas. nela, o litro de combustível sai por míseros 2,07 dólares brasileiros. mas você tem que abastecer entre meia-noite e seis da manhã. e aí, bora abastecer o carro e emendar um capuccino atrás do outro? ou qualquer coisa que leve cafeína? tô nessa… :)

die mensch machine
oi, tô postando só por obrigação. das minhas quatro horas regulamentares de acesso à internet hoje (entre 5 e 9 da tarde), gastei três pra escrever um texto sob encomenda, vinte minutos em atividades como Coca Light e chocolate e só tenho quarenta minutos para atualizar este blógue.

como toda a minha inspiração se esvaiu (adoro essa palavra) na confecção do texto sob encomenda, lamento por não trazer nada de muito ético, poético ou estético hoje. quero comida salgada e um prato de você como sobremesa, já que não há nada mais doce. quero jogar golfe e assinar a GQ, quero ter um Cadillac conversível e você no banco do carona.

erm, então, sanduíche de bacalhau é uma beleza, tal como o bacalhau às ceboladas ou o bolinho, por exemplo. sei lá. o que eu escrevo aqui? ah, claro, vai passar “O poderoso chefão 1″ no A&E Mundo, às dez da noite, horário de Brasília. quem puder, assista, é uma excelente metáfora sobre valores. sem contar que é o único filme no IMDB a ter nota 9 (ninguém tem mais que isso).

o Fabiano postou uma fota da Natalie Portman no Aleatório, razão pela qual você deve fazer uma visitinha right now. quero ouvir “Talk tonight”, do Oasis, antes de dormir. e lembrar como você salvou minha vida, ao me mostrar que eu ainda tinha ela, e que isso não era pouco.

tome meu pulso, minha mão, tome meu coração. leva tudo de uma vez, safada. diz que me ama, antes que a calota polar derreta e me leve para o meio do oceano, longe de você. porque aí sim eu vou ter certeza de que não estou mais vivo…

idiotice não tem limite
e não tem mesmo:

PC do B força secretário a sair por trás
por João Batista Natali, enviado especial a Manaus

O secretário da Defesa americano, Donald Rumsfeld, precisou, ontem à tarde, deixar pelos portões dos fundos as instalações do Sindacta (Sistema Integrado de Defesa e Controle do Tráfego Aéreo), em Manaus, porque um grupo de 27 militantes do PC do B bloqueou as entradas principais.

Foi o único contratempo durante os 95 minutos em que Rumsfeld permaneceu na cidade, antes de embarcar para a Guatemala, às 15h10 (16h10, hora de Brasília).
Sua breve passagem pela capital do Amazonas deveria ter sido discreta. O governador do Estado, Eduardo Braga (PPS), nem foi convidado para que, segundo a Aeronáutica, não se implantasse o protocolo de visita oficial. Mesmo assim, o governo local cedeu seis batedores da Polícia Militar para abrir passagem ao comboio em que Rumsfeld estava.

O PC do B interveio de modo improvisado. Chegou com atraso à entrada do Sindacta -instalações da Aeronáutica ao lado das quais, em região rodeada por matas, também funciona o Sipam (Sistema de Proteção da Amazônia), órgão da Casa Civil da Presidência da República com preocupações ambientais.

Eram de início apenas sete militantes do PC do B e um carro de som. Em três outros automóveis, foi chegando o reforço para aquilo que o principal orador, Anderson de Souza, 25, presidente da seção local da União da Juventude Socialista, qualificou ao microfone como “protesto contra a presença em Manaus do império guerreiro” e de “visita para meter o bedelho na soberania do Amazonas”.

Souza não estava com a linguagem calibrada. Chamou Rumsfeld de “Rothsheld” e de “Rothfield”. Classificou-o de “secretário da guerra”, cargo inexistente no organograma americano.

Os cartazes tinham um esquisito erro de inglês (“Sir of War”, em lugar de “Lord of the War”, senhor da guerra). E, para coroar os contratempos, ninguém trouxera uma bandeira americana que Souza em certo momento queria queimar.

Mas o grupo de militantes teve seus 15 minutos de glória quando 12 deles, postados diante de um portão, e 13, diante de outro, forçaram Rumsfeld a deixar o local pela “entrada de suprimentos”, na gíria interna do pessoal da Aeronáutica.

As bandeiras vermelhas do PC do B foram novamente levantadas pelo mesmo grupo quando o secretário da Defesa embarcava no Aeroporto Eduardo Gomes, localizado nas proximidades, também na zona oeste de Manaus. Dois militantes tentaram atirar pedras contra o Boeing militar americano. Mas estavam muito longe para atingi-lo.

O coronel Renato Scariot, um dos oficiais presentes à visita, disse que o barulho do carro de som passou despercebido para Rumsfeld, “que provavelmente nem notou que havia uma manifestação” contra sua presença. (…)

considerações:

1. vinte e sete otários. considerando-se a população de Manaus, é um índice relativamente baixo. quisera eu que em Brasília só existisse um contingente assim.

2. se você vai se dedicar a combater algo que é contra seus princípios ou qualquer coisa em que você acredite, é bom saber do que se trata. certamente essa gente, pra além de não saber de p**** nenhuma do que rola no Iraque, não sabe p**** nenhuma de nada. lutar contra os EUA sem saber o cargo do senhor Rumsfeld e escrevendo “sir of the war”? HAHAHAHAHA, me poupem.

3. “Rothsheld”, “Rothfield”. e olha que nem é complicado dizer “Rumsfeld”. vamos lá, todo mundo agora, um, dois, três e: RWAMS-FELD. pronto, pronto. doeu?

4. se eu fosse o presidente brasileiro, ofereceria ao senhor Rumsfeld um direito regressivo: autorizaria o secretário de Defesa estadunidense a atirar pedras nos veículos à disposição dos comunas, assim como estes tentaram fazer no Boeing que estava à sua disposição.

5. lembrem-se, comunas: onde há fumaça, há fogo. mas se vocês não conseguem providenciar nem uma bandeira pra servir de combustível, não há nenhum dos dois, HAHAHAHAHAHAHAHA.

quer dizer…
plantão especial: parece que o Donald Rumsfeld, secretário de defesa dos Estados Unidos, desembarcou em Brasília nessa noite, para uma visita oficial de dois dias.

se algum dos caríssimos leitores encontrar com ele por aí (Piantella? Lake’s? onde um cara desses jantaria no DF?), por favor, diga, sem ironias, o quanto eu admiro a política militar norte-americana, peça um autógrafo pra mim e peça também para que os EUA por favor deixem de corpo mole com a Coréia do Norte, invadam o país, joguem uma bomba atômica e façam a esperança voltar a existir. porque só uma bomba atômica ou uma erupção vulcânica como a do Krakatoa, que dizimassem cem por cento da população, podem me fazer acreditar que um dia a Coréia do Norte vai ser um país, e não esse negócio risível que aí está.

agora sim, boa noite / bom dia / whatever. e alguém diga ao Fabiano pra atualizar o Aleatório o quanto antes. com qualquer coisa.