movimentação
quinta-feira, tradicionalmente, é dia de feira livre na rua da minha casa. das cinco da manhã ao meio-dia, temos o melhor das hortaliças à nossa disposição, além de legumes, verduras, peixe, derivados e pastel de bacalhau e até x-salada. depois, à tarde, o caminhão da prefeitura municipal joga jatos de água para minimizar a sujeira e um pool de varredores junta as “sobras”, coisa que os próprios feirantes deveriam fazer.
só que hoje a noite não tem luar: em vez disso, bem na porta da minha casa, tá rolando um comício político, de um loser que é candidato a prefeito municipal pela quarta vez (já foi prefeito em duas oportunidades e vice noutra). para quem é de Portugal, esclareço: “prefeito” é o nome dado ao presidente da Câmara Municipal. para quem é brasiliense como eu… é tipo um Roriz, sacam?
enfim, esse comício na porta de casa é praticamente a ruína: a janela da frente da minha casa tá quase explodindo, meus tímpanos também. sem contar que, do melhor das hortaliças que me era colocado à disposição pela manhã, passei a dispor, na porta de casa, dos piores caráteres da cidade (esse candidato que escolheu a porta de casa é, coincidentemente, o maior dos escroques a disputar a eleição este ano). alguns momentos de humor minimizam a situação, como estes:
minha mãe: “quando você sair pra ir à escola, tranque bem lá embaixo pra não entrar ladrão”.
eu: “não, mãe, eles vão ficar ali do lado de fora gritando, mais nada”.
ou então essa…
locutor (tentando organizar os 14 gatos-pingados): “atenção, atenção pessoal das bandeiras, precisamos organizar aqui, por favor, gostaria que vocês pegassem as bandeiras…”
eu: “e enfiassem no %#^%@$%*&$”
enfim, que lástima. sorte que daqui a cinco minutos vou indo pra escola, fazer aquela prova que tem metido medo em mim. porque eu encaro minhas assombrações mas não voto nesse pária aqui do lado nem por medida provisória…