rodízio de pizza

- quando o garçom chegou oferendo “pizza angolana” na nossa mesa:

eu: “carau, nem sabia que rolava pizza em Angola”

minha mãe: “ainda bem que não é pizza do Haiti, senão explodiria dentro da gente”

- é tradição dentre os italianos comer sete gnocchi no dia 29 de cada mês, em pé, com dinheiro embaixo do prato, pois dizem que isso traz dinheiro. minha mãe já tinha comido os sete dela na hora do almoço, e como o rodízio era de massas e pizzas, rolou gnocchi lá. pedi um pouco (sete, claro), falei que colocaria meu cartão de crédito embaixo do prato e comeria em pé. no final coloquei só uma nota de 10 dólares brasileiros e comi em pé, para que meu filme fosse queimado em público, claro. ao final disso, peguei a nota e guardei de volta na carteira:

eu: “não quis colocar o cartão embaixo do prato, com medo que ele derretesse”

minha irmã: “ah, achei que você não o colocou porque tava com medo que viessem mais faturas pra você pagar”

- eu: “quem ia gostar desse sistema de comer pizza é o Marcelo

minha mãe: “do sistema não, ele ia gostar é de comer”

- sete pedaços de pizza salgada, mais três de pizza doce, uma porçãozinha de gnocchi e outra de lasanha. será que saí no lucro?

clap clap clap

e finalmente a Lost Highway cedeu: “Love is hell”, sensacional disco do Ryan Adams (parte 1 nota 7, parte 2 nota 10) será relançado em maio como um único álbum. espero que tenha lançamento no Brasil. uh, people are screaming, people are screaming…

avança, Brasil!

chegou ao meu conhecimento esta semana, através do sapiente J. Malcher, que recentemente a raça Brasileira de gatos foi reconhecida, e que o padrão de pelagem dela é semelhante ao da Anita. como ele mesmo disse, “pois é, orgulho de ser brasileiro.”

tira o pé do chão

sem querer, coloquei pra tocar aqui no micro o concerto que o Suede deu no Róskilde de 1999 (o do palco vermelho, acho). que delícia. parece que quando é inesperado, fica melhor ainda…

máximas filosóficas

extraídas da edição de novembro do ano passado da revista espanhola DT, que só chegou às bancas aqui de Hollywood esta semana:

- não sou um completo inútil, pelo menos sirvo de mau exemplo.

- fuja das tentações, deixe que elas te alcancem.

- estudar é desconfiar da competência de quem senta ao seu lado.

- não há mulher feia, mas belezas raras.

- toda questão tem dois pontos de vista: o equivocado e o nosso.

- a preguiça é a mãe de todos os vícios – e se é a mãe, temos que respeitá-la…

- a verdadeira felicidade está nas pequenas coisas: uma pequena mansão, um pequeno iate, uma pequena fortuna…

- se buscas uma mão disposta a ajudar-te, a encontrarás no final do teu braço.

figurinhas

eu coleciono figurinhas sobre a Islândia. mas as figurinhas vêm em forma de textos, como este do Mário Sérgio Conti, publicado no No Mínimo:

Islândia visitada: neve, lava, nada

28.02.2004 | “Por que, você poderia indagar, alguém pensaria em visitar a Islândia no inverno?” – a pergunta, surgida do nada, estava num dos guias que li depois de comprar a passagem para passar a semana do Carnaval na Islândia, vem no meio do inverno. E o pior é que o guia (australiano) conseguia citar só um fato positivo na resposta: não há turistas. Em compensação, dizia que no inverno os dias são curtos, que boa parte dos hotéis e museus fecha, que o frio é polar, que a falta de luz solar faz com que a depressão adquira dimensões de catástrofe etc, etc.

Coisa de australianos, pensei. Mas um outro guia (franco-islandês) sequer imaginava a hipótese de se visitar o país no inverno. Todas as fotos e verbetes diziam respeito ao verão islandês, que dura quarenta e cinco dias, e no qual a temperatura média é de estonteantes dez graus centígrados.

Por quê, então? Porque de Paris a Reykjavík são três horas de vôo. Porque o avião e os hotéis são relativamente baratos. Porque alguma lembrança infantil (seria a “Viagem ao centro da Terra”, de Jules Verne?) me empurrava para lá. Porque o nome “Islândia” é sensacional. Porque amigos – o Joaquim, a Branca e o João – estiveram lá e adoraram.

***

Neve é muito bacana no cinema, que sonega uma informação essencial: o frio. Quase às nove horas da manhã, quando o sol se levanta do Atlântico Norte, tinge de rosa uns fiapos de nuvem e acende de branco montanhas e geleiras eternas faz da aurora islandesa um espetáculo único. Um espetáculo melhor apreciado da janela da fazenda que serve de hotel (e na qual não há outros hóspedes) com uma caneca de café aguado. Porque lá fora faz sete graus negativos e venta tão forte que, digamos, meia hora ao ar livre são o suficiente para detestar e fugir da natureza.

A neve real é hostil, não tem nada do encantamento cinematográfico.

Dirigir na Islândia é difícil. Além de nevar, chove. Uma camada de gelo cobre trechos do asfalto. Quando se breca, ou se vira a direção com rapidez, se perde o controle do carro. Mesmo com sol, venta. Venta furiosamente, balançando e desequilibrando o carro. Em alguns campos de lava, a areia marrom bate com força na lataria, provocando um barulho aterrorizante.

Não há quase ninguém nas estradas. É possível dirigir horas sem ultrapassar ou ser ultrapassado por outro automóvel. Casas, só ao longe de quando e quando. As estradas são boas mas nem tanto (graças aos céus, não há rodovias de pista dupla) e estão sempre vazias. É preciso calcular, com o guia na mão, até quando a gasolina dá.

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A paisagem islandesa muda. Numa hora, montes brancos de neve. E imensos lagos congelados. Outra hora depois, escarpas marrom-escuro altíssimas. Mais uma hora e o chão virá um deserto ocre. Depois, lava, só lava: rochas negras cobertas de musgo verde-escuro. Nada que lembre paisagens visitadas. Poder-se-ia estar em Júpiter ou Marte.

Não há árvores na Islândia. Quando muito, mirrados pinheiros (vi quatro) obviamente transplantados e mal adaptados. Todos os legumes e frutas são importados. Ou então são cultivadas em estufas. A vegetação, quando existe, é rasteira.

Animais há: os cavalos islandeses. Que são os únicos que resistem ao inverno. São pequenos e peludos. Parecem saídos de contos de fadas.

Não há propaganda nenhuma nas estradas. O que reforça o vazio, o inusitado da paisagem islandesa. De desolação, pois se associa (erradamente) a ausência do humano à tristeza ou à esterilidade.

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A Islândia é um país novo, no sentido geológico. A atividade vulcânica é intensa, mormente a sub-glacial. O que faz com que metade da energia consumida pelos 370 mil islandeses seja de origem vulcânica. Uma energia limpa e barata que, literalmente, brota da terra.

Há duas palavras islandesas conhecidas internacionalmente: saga e gêysir. Saga significa história e estória, relato. Gêysir era o nome de um geiser, hoje extinto, que cuspia água de sete em sete minutos.

Mas felizmente há outros em atividade. É um fenômeno maravilhoso: a água sobe quase cinquenta metros de uma vez só, num jato, num barulhão, parece que vai cair em cima de nossas cabeças, e desaba célere sobre si mesma, desparecendo num passe de mágica.

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A Islândia cheira a ácido sulfúrico, de tanto vapor que brota de dentro da terra. Um dos locais turísticos de maior movimento é a Lagoa Azul. A lagoa tem margens de rochas de lava e fundo de silício. De dentro e das bordas sobem rolos espessos de fumaça branca.

A dois quilômetros de profundidade, na lava em estado de fusão, a temperatura é de 240 graus centígrados. A água, que é salgada, chega à superfície a setenta graus. E é canalizada para a Lagoa a mais de trinta e menos de quarenta graus.

No inverno, é claro, não há turistas na Lagoa Branca. Não há, na verdade, ninguém. De modo que o vestiário, imenso e limpíssimo, fica a seu dispor. Você toma banho de chuveiro (nu e de sabonete, conforme as regras), bota o calção, sai, quase congela, e entra na Lagoa quente, com sua água espessa, azul-leitosa.

Quanto mais você se aproxima dos rolos de fumaça, mais quente a água fica (“Papa, je suis en train de brûler mes fesses!”), mas logo se acha o ponto ideal. E não se quer mais sair desse ambiente irreal.

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A mesma atividade vulcânica explica a proliferação de saunas e piscinas pela Islândia. Qualquer vilarejo com trezentos habitantes tem a sua piscina pública – com água quente, sauna e vestiário impecável – geralmente de cinquenta metros, cercada de piscinas menores, e mais quentes, e saunas secas e a vapor.

O programa no final da tarde é ir para a piscina. Inclusive no inverno. E lá ficar, indefinidamente.

Na piscina de Hveragerdi, tive a experiência inédita de nadar debaixo de neve.

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Todas as pessoas com quem falei na Islândia sabiam inglês. É virtualmente impossível se orientar em islandês. As palavras são enormes: até ler o nome da próxima cidade, a placa já passou. Não dá para visualizar as palavras, imaginá-las sonoramente.

Para ficar no exemplo extemo, segue a palavra mais longa da língua, que quer dizer mais ou menos chave-mestra-que-fica-com-a-estagiária-de-um-escritório-de-advocacia: Haestarjettarmalaflutrunesmanskiftstofustulkonutidyralykill.

O que é problema também para ler as sagas, que têm centenas de personagens, todos com nomes enormes, indistinguíveis.

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A televisão islandesa começa suas transmissões às seis da tarde e as encerra às dez da noite. O telejornal mais importante vai ao ar às sete horas e dura sessenta minutos. Num restaurante de beira de estreada, jantávamos olhando a televisão, junto com uns islandeses. O telejornal mostra todas as noites alguns trechos de discursos no parlamento. Um deputado falou algo, o islandês ao lado me olhou, bufou e balançou a cabeça: o gesto universal de reprovação aos políticos, imediatamente compreendido.

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A Islândia abalou uma das minhas opiniões mais firmes, a de que as brasileiras são as mulheres mais mal-vestidas do mundo. Como as islandesas conseguem, é um mistério. São aconpanhadas também pelos homens.

Metade das islandesas parece com a cantora Bjork, que parece ter feito grande sucesso no Carnaval baiano. A outra metade é loira e de olhos azuis. A altura média delas é 1m90.

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Pior que a elegância, só a culinária islandesa. Nada de bom para comer. E tudo caríssimo, pois tudo deve ser importado.

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Lagos, cachoeiras, rios e mares congelados provocam uma sensação estranhíssima. João escreveu dizendo que o rio, a imagem por excelência do tempo, quando congelado, sugere que o tempo parou. É verdade. Mas parou também a própria noção de espaço: não há barulho, as gotas estão imóveis no ar, a paisagem ficou em suspenso, esvaziada de sentido.

Uma das cachoeiras, imensa, jorrava normalmente, espalhando bilhões de gotículas que, iluminadas pelo sol, formavamarco-íris em movimento.

Uma das praias, de basalto, era de areia negra, mais negra que a asa da graúna.

A Islândia é ao contrário.

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Visitá-la no inverno é ter acesso ao avesso, é ver a vida ao inverso: neve, lava, nada.

picaretagem

dia desses eu descobri que tem um cara que me copia. que tanto imita que irrita, e que faz tudo que eu faço – e, sério, eu faço primeiro. não chega a ser um genérico, porque genéricos pelo menos têm algum valor terapêutico. quanto a ele, ainda não descobri se tem algum valor.

*ceticismo*

bom, acho que não tem; se o cara não desenvolve uma identidade própria, o que é que ele faz direito? o serviço dos outros? grande m****…

encaixando as peças

tem músicas que são como as melhores pessoas – poéticas, envolventes, bonitas e te estendem a mão (ou os ouvidos) quando você precisa delas.

eu me envolvi com todas as músicas do Suede. todas. conheço todas as que foram lançadas, de 1990 (Wonderful sometimes) a 2003 (a fase Attitude). tem uma que eu vivo mencionando aqui, chamada “High rising”. data de 1993 e é um lado B, do compacto de “So young”, lançado, se não me falha a memória, em maio daquele ano. se não foi maio, é junho. a música tem uns teclados esparsos, uma guitarra acústica (pega mal falar “violão” nesse caso, porque sempre me lembra da galera que “toca Raul”), um ar de mistério. mas também de saudade, de gente que não volta, do fim do inverno e, exagero meu, um pouco do que acontecia a seis mil milhas de distância de onde ela foi gravada.

onde você estava em 1993? eu estava aqui nessa cidade mesmo. freqüentava a casa do Paulo, meu amigo que hoje mora em Jacareí; estava matriculado na sexta série, numa escola que, lembrando hoje, me dá uma mistura de nojo, calafrios e revolta – foi o pior lugar onde estudei – não queria saber de nada, só de videogame. perfeitamente normal pra quem tinha onze anos àquela época, metade do que tenho hoje. e “High rising”, cuja letra é sobre desfechos, me lembra perfeitamente daquela época onde eu não fazia idéia de quem / o quê era o Suede.

there’s nothing to say

when you sleep all day

but bye-bye

naquela época eu já não tinha o que falar. hoje talvez ainda não tenha. mas não quero dormir o dia todo nem simplesmente acordar pra dizer “adeus”. e quem me dera que, assim como a letra diz, mais à frente, que ela chegasse assim que eu apagasse as luzes e fosse dormir. provavelmente eu dormiria por anos e acordaria apenas mais velho, sem idéia alguma pra exprimir. de toda forma, comecei esse post querendo dizer alguma coisa e até agora não consegui – talvez fosse melhor tomar o rumo da cama. mas eu não posso me entregar assim… (um dia continua)

sinal de menos

oi, tudo bem? alguém aí tem alguma reclamação a fazer contra mim? se sim, por favor, espera até terça, vai. tudo bem que nunca é bom ouvir esporro, mas eu realmente não tô em condições de ouvir nenhum até lá. valeu.

tocando o horror

como já dizia meu pai e ídolo Fábio Bianchini, “Bill Drummond é gênio”, como atesta essa sandice:

BILL DRUMMOND IN THE SOUP!

Former KLF man and renowned art terrorist BILL DRUMMOND has turned to soup for his next project. Drummond, who once burnt £1 million in cash on a Scottish island, will spend a week in Northern Ireland in May preparing soup. The stunt is part of Drummond’s The Soup Line, and will run as part of Belfast’s Cathedral Quarter Arts Festival from April 30 to May 5.

“In May 1998, Bill made soup for people in a house in Belfast,” said Sarah Hughes, a festival spokesperson. “In January 2003 he made soup for a people in a house in Nottingham. He’s now taken a map of the British Isles and drawn a line across it – right through Belfast and Nottingham – and called it The Soup Line.

“Anybody living on the line is welcome to invite him to their home and have him make soup for their family and close friends.” The line passes through some curious towns, including Inch Burnfoot in Donegal and Portavogie outside of Belfast.

In 2002, Drummond launched the silent protest playing cards, which were used as a silent call for peace. Most notoriously, in 1994 he and fellow KLF cohort Jimmy Cauty burnt £1 million in new banknotes on the Scottish island of Jura.

desacelerando

depois que a deixei em casa, talvez fosse o caso de ir embora cantando “See you”, do Depeche Mode, cuja letra é uma sutil paulada, um tiro de pistola com silenciador. o tipo de música que não devia passar despercebida nunca. a versão original data de 1982 e, em 1996, uma banda sueca chamada Daybehaviour, que só durou uns três compactos, regravou a música em ritmo de trip-hop para um tributo sueco ao DM, chamado “Your world in your eyes” – eu vi o cd pra vender em Brasília, quatro anos atrás, numa loja que nem existe mais. e as duas versões, original e cover, podem ser chamadas de definitivas. e por falar em definitivo, eu definitivamente estou, ahm, afundando num pântano. quá quá quá. boa noite, até amanhã.

o rei da rodovia

disco da noite: Chris Isaak, “Heart-shaped world”. pertence ao selecto rol de álbuns que parecem feitos pra ouvir dirigindo à noite. queria mostrar a ela o disco. queria cantar “Wicked game” pra ela e ser agarrado como retribuição. mas somos todos um bando de burocratas pela estrada…

riding a black swan

eu a vi de novo. e a abracei, e conversei com ela, e ri junto com ela, e dei carona a ela na volta. senti de novo seu cheiro, sua pele macia, suas conversas tão agradáveis e tranqüilas. é só uma pena que desse mato não saia cachorro, meu deus.

ah, menina, eu sou tudo, você é tudo, nós ainda não somos nada. e se continuarmos assim, mais do que uma tragédia do destino, vai ser mesmo é uma merda. e se o período noturno te causa estresse, vem descansar comigo no período da manhã – a hora é agora, e não é tarde…