mysterious ways

“The golden path”, novo compacto do Chemical Brothers, com o Wayne Coyne nos vocais, é bem legal, mas tem uma coisa: parece uma colagem de várias músicas que eu conheço. a introdução lembra “Pipi popô”, do Vestidos de Espaço. o começo do vocal remete a “Where the streets have no name”, hit do U2. a flauta que permeia os meandros da música é puro Cardigans fase “Life”, e um dos sintetizadores e uma parte da letra parecem coisa do Nightwish.

assustador, não acham? mas, repito, é bem legal.

invocação às férias

re-pensar

re-planejar

re-voltar a re-viver

férias, preciso de vocês como preciso de água

meu corpo quer ser 70% de descanso

pra se afogar melhor no trabalho quando a fonte secar

rever meus amigos

rever meu horário

rever minhas metas

matar angústias e problemas pequenos sem precisar de inseticida

viver mais precisando de menos tempo pra tanto

e ver a vida rendendo melhor

esqueça a preguiça

esqueça a velocidade

aqui e agora, não demora, minhas férias têm pressa.

catholic school girls rule

destaque para o cidadão dizendo “e eu não ia interrompê-las”, matreiro demais:

Colegiais perseguem e agridem “tarado” nos EUA

Filadélfia (Reuters) – Um homem descrito pelas autoridades como tarado foi perseguido pelas ruas de um bairro de Filadélfia (EUA) por um grupo furioso de estudantes católicas, que o chutaram e o espancaram assim que ele foi agarrado por vizinhos, disse a polícia na sexta-feira. Rudy Susanto, de 25 anos, que já havia se exposto para adolescentes em cerca de sete ocasiões nas proximidades da St. Maria Goretti School, apareceu novamente na quinta-feira, quando as estudantes estavam saindo da escola.

Desta vez, no entanto, um grupo de garotas furiosas de uniforme enfrentou Susanto com a ajuda de alguns vizinhos, contou a polícia. Quando ele tentou fugir, mais de 20 garotas o perseguiram pelo quarteirão. Dois homens conseguiram pegá-lo e as meninas resolveram se vingar.

“As adolescentes começaram a chutar e a bater no homem e eu não ia interrompê-las”, disse Robert Lemons, um dos vizinhos da escola, ao The Philadelphia Inquirer. Mais tarde, Susanto recebeu tratamento para os ferimentos em um hospital local. A polícia disse que ele enfrentará 14 acusações, incluindo as de assédio, má conduta e corrupção de menores.

conquistando o oeste

meu amigo Daniel veio aqui em casa hoje. eu odeio ser acordado e estava dormindo na hora, mas adorei que ele veio. estudamos juntos do pré à terceira série, viramos melhores amigos, cresci junto com ele e seus irmãos. anos atrás, ele foi morar em Jacareí, por saber que aqui, pobre aqui, não teria nada pra ele progredir (como de fato não tem pra ninguém, vide o amigão da vizinhança, estabelecido em Goiânia).

depois que ele foi embora (foi uma visita de médico), comecei a abstrair e abstrair. e lembrei que tenho o “Automatic for the people”, oitavo disco do REM, top 20 de todos os tempos e… um disco que me faz lembrar de lugares. pessoas. coisas. fatos envolvendo lugares, coisas, pessoas, aquilo que a gente passa de verdade e, quando lembra, às vezes imagina que tudo aquilo não aconteceu, mas sim, rolou.

o fato de ele ter vindo aqui me fez lembrar um texto do amigão da vizinhança, onde ele dizia:

“As amizades tornaram-se dispensáveis, o que vale são os negócios. Os romances tornaram-se mais cínicos, afinal, a moda é transar na internet. Se quiser falar comigo, me mande um e-mail, e não toque a campainha de casa sem avisar. A música ficou impessoal. Os escritores ficaram impessoais, quem ousasse se abrir em um texto, era/é um trouxa.”

mas eu não consigo dispensar esse tipo de relacionamento, muito menos quero.

daqui a um tempo, se esse processo se intensificar, será que nós:

a. vamos achar que as amizades eram anti-higiênicas;

b. vamos marcar um encontro frio pra ver se amizade dá pra se requentar no microondas

ou c. vamos chorar de saudades uns nos ombros dos outros.

eu não sei, apenas queria achar o rio (não o de janeiro, mas o de julho) e seguir minha vida no leito dele. eu estou em Brasília. estou indo embora com várias roupas que comprei na cidade, mas o coração, por debaixo de todas elas, fica. eu queria ter uma cidade tão bonita quanto Brasília para mostrar a quem me mostrou a capital do Brasil, aliás eu queria mostrar uma cidade tão bonita quanto Brasília pra quem quer que fosse. mas não dá pra considerar de onde eu venho.

“Nightswimming”. achar o rio, mergulhar nele, dizer adeus sem querer ir embora. tenho uma boa notícia pra te entregar junto com o café da manhã, só tenho medo que você se engasgue com ela. meus amigos estão ali, me esperando pra voar. Brasília não é só uma cidade dos sonhos, mas uma cidade que me mostrou que os sonhos são realizáveis. lá eu não preciso voar, embora o possa fazer acelerando meu carro na passagem da Asa Sul pra Asa Norte. e por mais que o avião se vá, eu volto. com meus amigos.

“- meu deus, quanto tempo!” – eu disse, porque realmente era muito tempo.

“- pois é, você sumiu…”

“- eu sumi ou você apareceu demais?”

ele riu. como é bom ver um amigo rir.

“- você só não apareceu pra mim. mas agora tá tudo bem. e nós temos umas décadas pra consertar isso…”

ele riu de novo. aí eu ri também. “Find the river” acabou, mas a amizade não. certas coisas são páginas viradas na minha vida, mas às vezes a gente tem que voltar uns capítulos na leitura pra entender melhor os próximos. quanto à enquete ali de cima, se você respondeu C, me escreva. se respondeu A ou B, me escreva também. e se não respondeu nada, escreva, nem que seja pra me perguntar algo que eu não saiba…

vermelho

teve um dia em que, dizem, choveu fogo sem parar, das seis da manhã às oito da tarde. eu não vi, estava dormindo. e a noite foi azul, como haveria mesmo de ser. queimaduras de segundo e terceiro graus eram regra, mas todas elas se curaram de um dia pro outro. choveu fogo e não foi de um vulcão, muito menos de você: ah, se fosse obra sua, eu teria acordado…

outro dia eu desmaiei e só retomei a consciência no meio de uma pista de dança. sem nunca ter desejado estar lá, nem sabendo como cheguei ao lugar. logo em seguida, uma menina de branco, toda desajeitada e com os cabelos presos, o que não combinava com o ambiente, me entregou uma garrafa de cerveja sem rótulo, bem leve. agradeci e fui dançar. tudo estava indo bem e eu já havia feito amizade com umas seis pessoas, já tinha ido pedir música na cabine do DJ, que era um cara grosso e não tocou o que eu queria ouvir. aí eu desmaiei de novo e acordei na minha cama. ao meu lado, o flyer da balada, uma garrafa sem rótulo vazia e uma dor de cabeça que só desapareceu no dia em que, dizem, choveu fogo…

e hoje eu sonhei com uma menina que sempre encontro no banco, mas com quem nunca conversei nem sei quem é. ela é uma graça, apesar de pouca gente concordar comigo quanto a isso… se bem que eu nunca comentei dela com ninguém. no sonho, a gente saía do Bradesco de Guará (uma agência em que nunca vou – acho que nem ela), eu logo atrás dela, jogando conversa fora, tentando marcar de sair com ela. descemos o calçadão e a rua da loja daquele hippie nojento mas, ao invés de chegarmos à margem do rio que corta a cidade, estávamos numa planície que lembra muito o antigo bairro do Ricardo. aí, na hora em que eu ia agarrá-la e dar um beijo, ela entrou numa Kombi estilo “lotação”, cor-de-carne, e eu desmaiei…

compras recentes

Neil Young – “After the gold rush”. o melhor disco que comprei em um bom tempo. maravilhoso, perfeito, é pouco pra definir esse disco de 1970. 27 BRD, com o frete.

Jimi Tenor – “Organism”. Jimi Tenor é um finlandês que tem a capacidade de surpreender. sendo assim, comprei esse disco sem ter ouvido nenhuma das faixas, nenhuma vez. 20 BRD, com o frete.

*Emiliana Torrini – “Love in the time of science”. disco de estréia (e o único até agora) da mulher da minha vida, uma islandesa (mesmo com esse nome) que, em relação à Björk, é menos afetação e mais inspiração. e como se não bastasse, é linda.

*Haven – “Between the senses”. trio de Cornwall, Inglaterra, também em sua estréia. data do ano passado, é produzido pelo Johnny Marr e essas já são boas referências.

*Lemonheads – “Come on feel the Lemonheads”. bom, esse aqui todo mundo conhece, powerpop delícia, perfeito pra ouvir aos sábados, seja debaixo de chuva ou numa praia ensolarada. uma unanimidade entre os quatro indies que já viveram em Aparecida.

*Luscious Jackson – “Electric honey”. canto do cisne do trio americano, data de 1999 (assim como o Jimi Tenor e a Emiliana Torrini supra citados). bacana, e extremamente descolé. sem contar que as meninas são (eram?) uma graça.

*Matthew Jay – “Draw”. único disco do cantor inglês, falecido mês passado, aos vinte e quatro anos (caiu de uma janela no sétimo andar). vocês sabem, estilo Jeff Buckley e Elliott Smith… tanto no som quanto, infelizmente, na morte trágica.

observação: os discos marcados com um asterisco foram comprados juntos. o total dos cinco, com o frete, foi de inacreditáveis 52 BRD. uma das grandes pechinchas da história. cruzes…

água na boca

aqui você encontra uma prévia da matéria feita a seis mãos sobre o Suede na Zero desse mês: o Jardel entrou com o texto de apresentação, o Luiz fez a entrevista e eu fiz parte da pauta e a resenha da coletânea. a versão completa, nunca é demais lembrar, tá na versão impressa da revista, já nas bancas.

momento Popbitch

um jornalista ligou pra assessoria de imprensa do REM semana retrasada, pedindo uma imagem da capa do disco que eles lançam agora. a moça da assessoria de imprensa foi grossa: “que história é essa de pedir isso agora? você nem ouviu o disco ainda!”. do outro lado, o jornalista respondeu: “ahmmm… é um greatest hits, sabia?”

o jogo

engraçado como o Rio de Janeiro do clipe de “The game”, do Echo & the Bunnymen (1987) lembra bastante Goa, pelo que eu conheço de lá, claro. não sei se a nossa pobreza era mais bonita naquela época, se Goa em 2019 vai ser igual ao Rio de hoje, não sei. mas é bom ver como meus heróis eram gloriosos àquela época, e melhor ainda é ouvir esta música. a Rhino deveria aproveitar o embalo da reedição dos cinco primeiros do Echo e colocar no mercado um DVD com os clipes da época (1979 a 1988).

royal correspondent

Jardel Sebba, directo de Paris:

você precisava estar anteontem a noite lá em Marselha para olhar na cara do Brian Molko. foi lindo. estou indo ver o Jane’s Addiction agora aqui em Paris e volto na terça.

cara de sorte, ahn?

limpando o armário

“tudo o que morre fica vivo na lembrança:

como é difícil viver carregando um cemitério na cabeça…”

(Biquíni Cavadão – “Impossível”)

tá aí uma verdade. de tão cheio que estava da minha vida, resolvi limpar minhas caixas no Outlook. apaguei nada menos do que 1145 (mil, cento e quarenta e cinco mensagens), sobrando agora “apenas” 4110 (quatro mil, cento e dez). apaguei várias coisas que havia deixado ali sem querer, umas de pessoas que a vida se encarregou de levar para mais longe de mim, outras que não faziam mais sentido em figurar no meu computador.

deve ter liberado algum espaço no meu disco rígido, mas o mais importante é que isso possa, de alguma forma, repercutir na minha vida e eu voltar a enxergar em paz, sem distorções ou daltonismos. conhecer novas pessoas sem abdicar das que já fazem parte do meu mundo, andar pra frente sem pensar no que ficou pra trás.

com essas mensagens agora no limbo, é importante dizer que eu não estou dando “tchau” a quem foi importante na minha vida tempos atrás e por algum motivo não é mais hoje: eu só não estou a dizer “oi”. desejo sorte a elas em tudo o que farão e, quem sabe, reencontrá-las mais à frente, se a vida assim permitir. não desejo varrer pra debaixo do tapete ou queimar o que passou, só quero que as lembranças, boas ou ruins, não prejudiquem o futuro e o que vai ser daqui pra frente. e eu não sei mais o que escrever aqui.

e-milagre

nem quem acredita em Papai Noel bota uma fé nessa mensagem:

Prezado Assinante,

Estamos enviando esta mensagem com a finalidade de complementar o atendimento efetuado através do nosso suporte via Bate-Papo em 26/10/03.

Agradecemos por ter respondido nossa pesquisa de satisfação do atendimento via Bate Papo.

Entendemos a sua posição e lamentamos que o atendimento não tenha sido satisfatório. Garantimos, no entanto, que iremos evitar que situações semelhantes ocorram novamente.

Ficamos à disposição

Atenciosamente

Iris Hayashida Julio

Central de Relacionamento UOL