agora é que eu quero aprender

mon dieu, e essa agora?

Falar chinês exige mais do cérebro, diz estudo

Falar chinês pode exigir uma maior atividade no cérebro do que falar inglês, de acordo com um novo estudo. Pesquisadores britânicos descobriram que pessoas que falam mandarim usam os dois lados do cérebro para entender a língua, enquanto aqueles que falam inglês utilizam apenas um lado do cérebro. De acordo com os pesquisadores, os resultados do estudo podem ajudar a entender como o cérebro processa as línguas.

Mapeamento

Os resultados podem auxiliar os cientistas a desenvolver melhores formas de ajudar as pessoas a reaprender línguas depois de um derrame ou acidente vascular cerebral. A doutora Sophie Scott e seus colegas do Wellcome Trust fizeram o mapeamento do cérebro de um grupo de pessoas que falam mandarim e inglês. Os cientistas descobriram que o lóbulo esquerdo, localizado na têmpora esquerda, fica ativo quando as pessoas que falam inglês ouvem a língua. Pesquisadores acreditam que essa área do cérebro liga os sons da fala para formar palavras. Eles esperavam encontrar resultados semelhantes nas pessoas que falam mandarim. No entanto, constataram que os lóbulos esquerdo e direito ficam ativos quando elas ouvem mandarim.

Difícil

“Pessoas que falam diferentes línguas usam seus cérebros para decodificar a fala de formas diferentes”, disse a doutora Scott. “Isso derrubou algumas teorias de muitos anos”.

O mandarim é uma língua conhecida por ser de difícil aprendizado. Ao contrário do inglês, os que falam mandarim usam a entonação para identificar significados totalmente diferentes de determinadas palavras. Por exemplo, a palavra “ma” pode significar mãe, megera, cavalo ou cânhamo, dependendo da maneira como é dita.

Os pesquisadores acreditam que essa necessidade de interpretar a entonação é o que faz com que as pessoas que falam mandarim necessitem dos dois lados do cérebro.

Criança

O lóbulo temporal direito é normalmente associado com a capacidade de processar música ou tons musicais. “Acreditamos que as pessoas que falam mandarim interpretam entonação e melodia no lóbulo temporal direito para dar o significado correto das palavras faladas”, disse Scott. “Parece que a estrutura da língua que se aprende quando criança afeta a maneira pela qual a estrutura do cérebro se desenvolve para decodificar a fala. Pessoas que têm o inglês como língua nativa, por exemplo, têm enorme dificuldade em aprender mandarim”.

Aprendizado

A doutora Scott disse que a descoberta pode ajudar os cientistas a entender como o cérebro aprende línguas. Segundo a pesquisadora, isso também pode levar a novos remédios para ajudar as pessoas que perderam a capacidade de falar. “Há evidências de outros estudos de que certos medicamentos afetam o aprendizado em regiões do cérebro que apóiam a escuta e a fala”, disse ela. “Isso é algo que se pode melhorar.”

Entendimento

O médico William Marslen-Wilson, da Unidade MRC de Ciências de Cognição e do Cérebro da Universidade de Cambridge, elogiou o estudo: “É uma descoberta interessante”, disse ele à BBC News Online. “A pesquisa de línguas que são muito diferentes uma da outra nos ajuda a entender como o cérebro processa a linguagem”.

“Isso pode nos ajudar a entender a reabilitação da linguagem”, disse o doutor Marslen-Wilson. “Esse campo está realmente se abrindo, mas ainda é cedo”.

A descoberta será incluída na exibição de ciência da Royal Society, em Londres, de 1º a 3 de julho.

lendo o diário

vendo a lista de mp3 da minha senhora, um remix do Kings of Convenience feito pelo Four Tet me chamou a atenção. baixei-o de outrem (não queria que o micro dela travasse, coisas assim) e adorei, por isso recomendo. a canção se chama “Weight of my words”.

cante junto

abaixo segue a letra de “(Amor) Teu pai é maconheiro”. observem que eu a “tirei” de ouvido, ou seja, pode (deve) estar cheia de erros. os versos entre parênteses são as heterodoxias proferidas por Ricardo Cima, devidamente embriagado.

(Obrigado.)

(Viva a noite! Viva a noite!)

Vai ser legal

Sensacional

Cai na real

Você não tem mais quinze aninhos

Amoooooor, teu pai é maconheiro!

Será que é?

Coroa chique

Cai na real

É descolado e tem dinheiro

O seu pai é hippie

Vive dos juros

Ele faz cooper

Cabelo duro

Amooooooor, teu pai é maconheiro!

Agora é com vocês

PÁ! PÁ! PÁ! PÁ! PÁ!

SUSTENIDO!

(Pó falá! Pó falá! O seu pai! Ô seu pai! Meu pai!)

O seu pai assiste CNN todo dia (é mentira dele)

Todos os sons do planeta

Preocupam muito a ele

(Não ouse me atrapalhar! Não ouse me atrapalhar!)

Ele pede!

Ele manda!

Ele salva!

De quinhentos!

Amooooooor, teu pai é maconheiro!

(Teje preso! Guri! Guri, teje preso! Tá preso, Guri! Maconheiro!)

nota: o PÁ-PÁ-PÁ-PÁ-PÁ da metade da música supostamente seriam cinco tiros disparados num choque de gangues, de acordo com o baterista Marcus “Urso” Dunlop. o “SUSTENIDO” logo depois é o apelido do baixista, que também é goleiro oficial do time da banda.

tchose

uma das melhores músicas do ano, se não a melhor, finalmente está ao alcance de quem não mora em Brasília. os locais do Chantilly foram “grampeados” durante um show e seu maior hit, “(Amor) Teu pai é maconheiro”, está disponível a um clique de você. pega, vai. se você precisa de argumentos pra pegar a música, vamos lá:

1. o vocalista, Ricardo Cima, fica gritando “viva a noite” de forma hilária no começo;

2. no meio da música, dá pra ouvir um tiroteio que realmente ocorreu na porta do recinto;

3. logo depois dos cinco tiros, a mulherada começa a gritar feito louca (a banda continuou tocando);

4. com a pá virada, Ricardo Cima começa a repetir “não ouse me atrapalhar”;

5. quer melhor refrão que “amor, teu pai é maconheiro?”

p.s.: não, não dá pra entender metade do que o cara canta, mas eu vou falar com ele e pegar a letra depois.

aloha

treino oficial da Fórmula 1 é sempre um oásis no meio da programação da TV aberta mandioca aos sábados de manhã. existe quem passe desenhos animados recauchutados de 1909, existe quem passe programas educativos, o que é o cúmulo, já que professor primário nenhum, após uma semana inteira agüentando dúzias de molecadas armando bagunças, acorda no sábado, às sete da manhã, pra discutir pedagogia. existe também aquela leva de programas evangélicos, mas eu acho um pouco desnecessário que existam tantos deles, visto que, a exemplo dos professores primários, o Belzebu* também não deve acordar tão cedo pra encarnar num(a) desavisado(a).

* – coloque aqui seu eufemismo predileto pro cão: eu adoro Anhangá Tinhoso e Carcará Sanguinolento.

uma lista

top 5 músicas dos Cardigans:

1. Step on me

2. Gordon’s gardenparty

3. For what it’s worth

4. Sick and tired

5. Been it (tocando air guitar, como recomenda mestre Fábio Bianchini)

enfim…

sete motivos para acreditar no Suede:

1. “Love the way you love”

2. “Oxygen”

3. “Attitude”

4. “Quiet/Loud”

5. “Teenage rose”

6. “Golden gun”

7. “I don’t need a high”

e muitos outros surgirão. isso não é apenas uma ameaça, é a pura verdade.

manteiga

eu chorei quando soube que o Suede tocou oito inéditas numa digressão na Grécia, no final de semana passada. chorei porque dão a banda por morta e eu sei que não tá. chorei porque eles estão lá, eu aqui. chorei porque eles tocaram mais músicas inéditas do que as que eu escrevi na vida. eu não escrevo canções, eu escrevo num blógue. e eu não sou cool.

imparare

eu ia colocar um guia de “Como ser cool” aqui, mas não vou mais, por dois motivos. primeiro deles, eu não sou cool. segundo deles, certamente ia ter gente ofendida. aposto uma cocada de leite condensado nisso.

bem-vindos

notícia velha, dando com atraso. mas o blógue é em câmera lenta, lembra?

Paramount Pictures pode filmar ficção científica em Brasília

por Cláudia Pires

BRASÍLIA (Reuters) – O estilo arquitetônico futurista de Brasília pode se tornar cenário de um filme norte-americano de ficção científica ainda neste ano. A capital brasileira despertou o interesse da Paramount Pictures, um dos maiores estúdios de produção cinematográfica do mundo. Neste final de semana, representantes do estúdio estão em Brasília para estudar possíveis locações para a filmagem, que deve começar no segundo semestre.

Segundo informações da secretaria de Cultura do Distrito Federal, o grupo, comandando por Dorcas Wright Gardener, vice-presidente executiva da Paramount, deve passar o final de semana visitando os principais pontos turísticos de Brasília.

Nesta sexta-feira, eles visitaram o Congresso Nacional, o Palácio do Itamaraty, a Universidade de Brasília e o Teatro Nacional. Durante o final de semana, o grupo deve ainda sobrevoar a cidade, conhecer a nova ponte JK, mais recente atração turística de Brasília e passear de barco no lago Paranoá. Além da vice-presidente, fazem parte do grupo o produtor do filme Ian Bryce, o diretor Karyn Kusama e o designer de produção Amdrew McAlpine.

De acordo com o secretário de Cultura do DF, Pedro Bório, o grupo se interessou pela cidade ao observar fotos em um catálogo de moda em Los Angeles. A partir daí, os produtores entraram em contato com o consulado brasileiro na cidade californiana para organizar a visita a Brasília. “Apoiamos a iniciativa pois, além de divulgar a cidade e atrair o turismo, a produção de um filme como esse proporcionará trabalho para extras no Brasil”, disse o secretário à Reuters.

Os representantes da Paramount não divulgaram detalhes do roteiro, apenas disseram se tratar de um filme de ficção baseado em um personagem de história em quadrinhos, semelhante à personagem Lara Croft, interpretada recentemente no cinema pela atriz Angelina Jolie. A Paramount não quis informar a atriz que deve estrelar o filme, divulgando apenas que o papel será de “uma atriz de primeira linha.”

nota: life in slow motion apóia Natalia C. Predtechensky numa eventual candidatura ao papel principal.

por entre as pedras

cinzas do céu ao chão, de oeste a este, de doer a vista, às vezes. vesti minha blusa preta e decidi ir caminhando até o mar. são só duzentos e quarenta quilômetros até o Rio mesmo…

certa hora, agitei os braços como se quisesse expulsar alguém de dentro de mim… e me sentei num banco caiado, esperando alguém passar e eu puxar um papo. não havia ninguém por perto, mas eu estava certo de que alguém, por fim, surgiria. apareceu então uma menina com quem eu sempre converso na internet mas nunca vi ao vivo. ela estava indo na direção contrária à minha, me desejou boa tarde e foi embora, depois de uns minutos (dez? vinte?) de conversa.

daí eu senti meu corpo gelado, graças ao vento cortante que chegara. então corri de encontro ao vento, margeando a linha férrea, para que meu corpo se aquecesse e eu me sentisse vivo de novo. quando caminho por muito tempo ou corro, me sinto morto por causa do cansaço, mas sei que não poderia estar mais vivo, e isso me dá forças pra caminhar mais, correr mais, esquecer que tenho limites, rotinas e metas na vida.

devidamente aquecido, agachei-me, peguei umas pedras do chão e me perguntei se já tinha feito alguma coisa na vida, e então joguei as pedras pra bem longe e caminhei até o rio (com minúsculas) onde fiquei pensando o que é que deveria fazer, então. ajudar alguém? conseguir um emprego de verdade, melhor do que o atual? passar a me esforçar na escola pra que o caminho até o diploma fique menos doloroso?

ah, pedras, por quê lhes joguei longe…

voltando pra casa, depois de respirar fundo e recusar água, achei que teria visitas e me preparei pra isso. o que ele iria querer dessa vez? o que guardava pra mim? era aquele mesmo o caminho pra casa, ou eu já tinha me perdido até de mim mesmo? silêncio. shhhhh, não estrague o que a natureza fez. e crie a sua própria, falando nisso. se a vida era tudo aquilo entre o céu e a calçada, em algum lugar eu teria de estar. shhhhh, não apresse com palavras a marcha do tempo.

então olhei pra mim mesmo: estava cinco anos mais velho, todo de preto, com olheiras me cerceando o rosto e as mãos com um pouco de pedra em pó, como se talvez eu tivesse tirado do coração. abri a boca e não consegui mais fechar, de tão estupefato que me sentia. eu havia feito o tempo passar, e não se tratava das horas que uma caminhada simples consumia. mas o que era, então?

cinza, e nenhuma concessão a amarelo, azul-claro, vermelho, nada forte. no princípio tudo era cinza, até que alguém se serviu do banquete das cores e a Terra nunca mais parou de comer. o céu estava cinza, minha cabeça cheia de microfonias… e com uma harpa. cinza, marrom, da cor que você quiser, mas uma harpa. senti a garganta seca (eu devia ter aceito a água, ou comprado uma garrafinha) e senti que estava vivo: o único senão da história era que cinco anos haviam se passado. e, quando eu chegasse em casa, era hora de ter olhos de alguém que tem vinte e um anos e não mais dezesseis.

white lights flashing

deixe-me perder

dentro de você.

até que a chuva pare

até que o sol se ponha

que o casamento acabe (devidamente consumado)

até que haja outro

motivo pra você sorrir.

importante

conforme o Jonas já havia me adiantado: “Amazing grace”, quinto disco de estúdio do Spiritualized, não vai ficar pro ano que vem e sim pro dia oito de setembro (lá fora, gente boa).

isso significa que o Pete Yorn acaba de perder o título de “disco do ano”.

o tipo de coisa que não muda

diz Luciano Vianna em seu londonblogging:

há duas semanas, o NME trouxe um suplemento especial dos Smiths, invocando uma verdadeira Smithsmania na Inglaterra. cinco dias depois, a AOL TimeWarner anunciou que havia comprado todo o catálogo da banda inglesa e que iria relançar tudo com grande estardalhaço. o curioso é que a AOL TimeWarner é a dona da IPC, que, por sua vez, é a empresa dona do NME. coincidência…

a partir disso, conclui-se que:

1. eu amo Smiths e vou ter de trocar todos os meus discos

2. a onda de reedições está de volta

3. mas pera aí: a WEA, empresa do grupo AOL TimeWarner, já não tinha comprado os direitos sobre a obra dos caras da Rough Trade, em 1992 (e relançou tudo em 1993)?

4. por isso é que a Spin é mais confiável.

cidade dos sonhos

eu não sinto saudades de ninguém com quem convivi/convivo. ninguém mesmo. sentiria saudades da minha avó, falecida em 1987, mas prefiro que tenha sido assim do que se ela continuasse de lá pra cá com o câncer que tinha. mas hoje eu surtei e desenterrei da minha coleção de cds (que passei a manhã de ontem inteira arrumando até ficar algo parecido com o teclado onde escrevemos, com as teclas/discos mais importantes nas posições mais acessíveis) o “Dois”, segundo disco da Legião Urbana, gravado no verão de 1986, no Rio de Janeiro.

à primeira audição/leitura, não é um disco tão brasiliense quanto o primeiro e o “Tempestade”, muito menos quanto o terceiro, que parece ter sido gravado num estúdio-fantasma onde hoje seria o Gate’s Pub, mas basta nadar até um pouco mais fundo que Brasília surge. a cidade é citada em “Eduardo e Mônica”, “Tempo perdido” surgiu a partir de uma canção chamada “1977″, hit local do Aborto Elétrico, “Metrópole” conta uma cena que, acredite, você só espera que tenha acontecido em Brasília, já que suas largas avenidas propiciam esse tipo de coisa e a tensão da música é típica da cidade. a foto em sépia da metade do encarte foi tirada pelo Ico Ouro Preto, que tocava no Aborto e hoje em dia é apenas um auto-exilado em Paris que tem um irmão rockstar. “Andrea Doria” é só uma das canções mais f**** já escritas sobre desilusão, em qualquer língua que você imagine. além disso, algumas letras ainda foram escritas a 1982, quando Renato ainda era o Trovador Solitário e morava no Planalto Central.

tudo isso só pra dizer uma coisa: eu sinto saudades de Brasília. mesmo quando estou lá, porque sei que essa felicidade, por enquanto, è finita.