dois roubos (na verdade furtos, art. 155, CP), dois caminhos

primeira trajetória:

1. o Muse roubou o barulho da introdução de “Bliss” de um jogo chamado Top Gear.

2. o Top Gear roubou boa parte do meu tempo durante a pré-adolescência.

3. depois que saí da pré-adolescência, roubei muita coisa do Chachacha pra colocar aqui no blógue.

4. o Chachacha rouba idéias como o email que o editor do NME teria mandado internamente para acabarem com essa história de “o novo rock”.

5. o “novo rock” de Vines, Hives e outras porcarias roubou espaço de bandas que não estavam aí nem há muito tempo, como o Muse. e fecha-se o círculo.

segunda trajetória:

1. o Muse roubou o baixo e a bateria de “Bliss” de “Parallel universe”, do Red Hot Chili Peppers.

2. o Red Hot Chili Peppers roubou o guitarrista Dave Navarro do Jane’s Addiction.

3. o Jane’s Addiction era uma roubada que se dizia rock and roll.

4. o rock and roll roubou muitos adolescentes da carreira eclesiástica e da igreja em geral.

5. a igreja literalmente roubou seus fiéis durante a inquisição.

6. a inquisição roubou a cultura e o progresso da humanidade.

7. a humanidade rouba da natureza os recursos, sejam eles renováveis ou não.

8. os recursos limitados do meu computador me roubam tempo (a partir daqui, use a primeira, ok?)

spiderland

programa para o final de semana / feriado prolongado: mofar. quer dizer, vamos ver se rola algo como uma pool party, uma viagenzinha pra São José, uma reunião qualquer perante uma tela, um reprodutor de películas e/ou uma garrafa de álcool.

até 2000, via o Carnaval como algo chato. quer dizer, se você se ater ao que a televisão mostra, aquilo realmente é chato. essa história de desfile das escolas de samba pra mim é o cúmulo da decadência e já não faz muito sentido. o Carnaval bahiano parece bem mais agitado e interessante, especialmente se você não estiver naquela história de pular usando abadás ridículos e não estiver em áreas delimitadas por cordolas bestas. porque, se o que vale é a farra, não existe motivo pra que você tenha uma cidade toda parada e só possa farrear numa área determinada. lembra um ringue de boxe, coisas assim.

em 2001, passei o Carnaval em Brasília, num misto de festas electrónicas (Underground Movement?), visitas guiadas e contorno de tesourinhas por L2, W3 e outras siglas melindrosas. foi ali que eu percebi que o que menos importa no Carnaval é o samba e a história foi contada de outro jeito, desde então. afinal eu havia percebido: o lance é a farra, mermão.

ou melhor, nem a farra: boto uma fé em quem simplesmente tira o período para recarregar as baterias ou vai pra algum lugar calmo, por exemplo. então a moral seria essa: Carnaval é pra sair da rotina. ótimo, perfeito: dali em diante virei entusiasta do feriado. me faz perder três dias de aula (que eu sempre emendo até o final da semana, rá rá rá) e pronto.

e vamos ver o que é que aparece para os próximos: pode ser uma temporada de descanso naquele mosteiro ultracool que mostraram numa VIP do ano passado (oi Jardel!), nova temporada na estação Brasília, um vôo pra Okinawa ou apenas a minha cama e um travesseiro macio. não tem problema: me tragam um sorvete que eu tô feliz. esquindô, esquindô!

auto-exílio

de tempos em tempos, blógues nascem, blógues morrem. eu já tive dois (sendo que o segundo nasceu com duração determinada) antes desse aqui, e precisei matar o primeiro por alguns motivos… um pouco porque o Diaryland, onde ele era hospedado, era bem limitado com essa história de templates, o outro porque, por se tratar de um servidor público, não oferecia a possibilidade de ocultar conteúdo de sites de metabusca como o Google (apesar de ter um providencial serviço de senha).

matar um blógue, ao contrário de matar uma pessoa (art. 121, CP) não traz conseqüências jurídicas. só traz um pouco de tristeza pra quem lia e gostava das coisas publicadas. sendo assim, tomei dois tiros no mesmo dia: Flora e Isabela resolveram acabar com os seus, duas penas. mas eu confio nessas meninas e sei que, cedo ou tarde, elas voltam (embora a Isabela continue escrevendo com um pessoal do Camboja).

então tá decidido

eu preciso, eu PRECISO do “Murmur”, disco de estréia do REM (1983). quem o tiver e me puder fazer uma cópia (especialmente se for do relançamento europeu, com faixas-bônus), agradeço desde já.

momento Popbitch

derrame uma lágrima pelos sofridos executivos do grupo Vivendi Universal: eles terão de vender seus jatinhos particulares Gulfstream IV, Gulfstream V e Bombardier Global Express Jet, por contenção de despesas ordenada pela empresa.

cobaia

depois de usar o Nivea Milk na semana passada, decidi agora testar o hidratante Dove, na esperança de achar algo que me faça parecer ter dezesseis anos, e não dezenove, como têm acontecido. até agora, o Dove se saiu melhor: teve uma secagem mais rápida e mais eficiente (em outras palavras: não deixou meu rosto muito grudento e nem por muito tempo) e a hidratação foi melhor. o Nivea, por sua vez, tem como grande virtude seu cheiro, imbatível (poucas coisas na vida são mais gostosas do que cheiro de creme Nívea). à medida em que for enriquecendo, vou comprar e testar novos cremes e um dia chegarei ao hidratante definitivo.

plantão life in slow motion

informa: “Ghost Children”, o amado blógue do Leo, saiu do ar porque ele deixou o provedor Terra. rumores dizem que o garoto do espaço comprou domínio próprio e em breve estará de volta, por cima da carne seca, transmitindo ao vivo do Lago Norte. aê trem bão!

música da manhã

Daniel – “Jiripoca vai piar”. sertanejo roots, mano. essas coisas que meu pai e o pai da Isabela curtem. ouvi ontem à noite no “Viola, minha viola” e me arrupiei total. sem contar que “hoje a jiripoca vai piar” é uma frase que nosso querido Marcio Porto (não o da Embrapa), quando em estado de euforia, gosta de entoar para si mesmo.

ai, que loucura

do começo do ano pra cá, parece que eu tenho falado mais de política do que de música em geral, exceção feita ao Suede. acho que jornalismo político/econômico/internacional é algo bem interessante, embora o que eu faça aqui não possa nem de longe ser chamado de jornalismo (até porque não sou pago pra isso, por exemplo). sem contar que, infelizmente, jornalismo musical no Brasil é uma área bem mais restrita. e eu já vi que não me daria muito bem nessa área…

enquanto isso, na política mandioca…

cada vez mais acredito que existem três senhores cheios de más intenções na política brasileira. gente com a mente fechada e uma megalomania incomum, tentando a todo momento atrair holofotes para suas besteiras. é óbvio que esses três senhores não devem estar sozinhos no que tange às suas respectivas ausências de carácter: muita outra gente na política mandioca deve ser tão ou mais podre quanto eles. só estou falando dos três porque são os políticos cuja mesquinharia e idiotice salta de primeira aos meus olhos. e eles estão tanto no governo quanto na oposição. pra mim, José Aníbal (presidente do PSDB e apelidado “José Inábil” por meu tio Valmir), José Dirceu (do PT, ministro da Casa Civil) e Jorge Bornhausen (presidente do PFL e, se não me trai a memória, senador por Santa Catarina) são os três grandes vermes da política brasileira.

alguns podem até perguntar “será que eles são piores que ACM, fulano, beltrano, sicrano, etc. e tal…?”. por enquanto, a resposta é “sim”. encarei ACM durante muitos anos como “o Paulo Maluf ampliado e revisto na Bahia”: um sujeito que juntou um punhado de dogmas e encampou uma forma de fazer política meio-populista-meio-liberal. marketing e rancor à parte, o fato é que, falem o que quiser do Toninho Marvadeza, mas ele tem uma grande virtude: passa por cima de meio mundo para defender os interesses da sua Bahia. além, claro, da ausência de papas na língua (o que não lhe impede de ser cortês e diplomático quando necessário).

de resto, são cinqüenta e sete dias de era Lula e, ao menos por enquanto, é como se fosse um terceiro mandato de Fernando Henrique Cardoso. o que não chega a ser algo negativo, visto que, na minha opinião, FHC só teve duas falhas, uma grande e outra média: a grande foi o egoísmo para fazer o ajuste cambial necessário, que acabou atando-lhe as mãos de 1999 em diante. e a média, o fato de que, mesmo sendo um social-democrata, FHC não se preocupou em fazer políticas sociais de cunho semelhante ao Welfare State, que continuará sendo por um bom tempo a melhor maneira de se tratar a área.

confirmando

valor mínimo da guerra contra o Iraque, se ela ocorrer: 200 bilhões de dólares

valor máximo: 1,9 trilhão de dólares

bases de comparação: a primeira guerra dos EUA contra o Iraque, entre 1990 e 1991, custou 76 bilhões de dólares (onde os EUA arcaram com 10% do valor e 34 aliados, incluindo países tão díspares quanto Alemanha e Arábia Saudita, assumiram os outros 90%). a segunda guerra mundial, um evento de dimensões e teatro de guerra maiores, sem contar o período (seis anos), custou 2,9 trilhões de dólares.

para manter um navio porta-aviões, o governo ianque torra 600 mil dólares ao dia. o disparo de um único míssil Tomahawk custa 2,5 milhões de dólares. caso o Iraque abatenha um caça F-15 dos EUA, lá estarão 100 milhões de dólares no chão.

o que isso quer dizer? que essa desculpa de que os EUA querem o petróleo realmente é algo passé, como escrevi ontem. continuo contra um ataque ao Iraque e a favor de um à Coréia do Norte.

fonte dos valores: Jornal da Band, 26/02/2003

onde a zona rural termina e a Flora começa

nesse último intervalo, estava eu aqui conferindo os blógues amigos até que, ao passar pelo Koolthing, nosso querido Rogério apareceu por aqui, e ficou maravilhado com as fotos de mme. Flora Versiani e seus diversos visuais nos últimos anos. chamou-a de “linda” e “maravilhosa” pra cima. e assim a Flora vai ganhando fãs no estado de São Paulo…

surfando sem mar

Libertines – “What a waster”

Cinerama – “Film”

Satanique Samba Trio – “O leviatã de Saquarema” (disponível para download na seção de mp3 daqui).

Muse – “Bliss” (pedras, por favor!)

Weezer – “Surf wax America” (essa é da metade boa do primeiro do Weezer, que ainda assim é o disco mais fraco deles)

Phoenix – “Too young”

mensagem

essa última polaróide me fugiu do controle, até porque chega em territórios que não domino. só está sendo publicada porque eu achei o final bonitinho (acho que boa parte dos leitores vai achar indecente e alguns vão chegar a ter nojo), sem contar que aqui o teor de ousadia vai além do beijo onde quase todas as polaróides terminaram. não sei se fico um tempo sem publicar polaróides, se mudo algo no teor delas ou se simplesmente não ligo. ah, sei lá.

polaróide

“- isso é um problema. um grande problema. duplo, comprido e bronzeado.”

Daniel andava pela casa de Andreza de um lado pra outro, com um copo de Fanta Maçã (levemente sem gelo) nas mãos. tentava se esconder. não estava diante de um ataque de mísseis, de um mandato judicial que lhe esperava na porta, de uma música ruim que tocava no aparelho de som: a desgraça que o fazia esconder, nesse caso, tomava a forma de pernas femininas.

mas como um par de pernas femininas poderiam causar isso? Daniel, se parasse por um instante pra responder a essa pergunta, diria algo como “não é um par de pernas, é O par de pernas”. claro, um artigo definido muda tudo. o curto espaço de duas pernas lindas também. existem algumas circunstâncias em que uma menina pode detonar um menino (a proporção e o gênero não são necessariamente esses), e esse era um caso: agora era pernas pra que te quero. correr? pouco adiantaria, as pernas de Bruna já estavam em sua memória. meu deus, por que é que ela tinha de usar um short pequeno e apertado como aquele?

era uma pergunta cuja resposta também pouco adiantaria. Daniel deixou o copo na cozinha e pediu pra que Andreza abrisse a porta para ele:

“- vou tomar um ar, Dê.”

“- vou com você, Dan.”

“- tá, beleza. muito calor hoje. juro que vou derreter.”

“- ainda não derreteu?”

“- por que?”

“- porque eu já derreti”.

ambos riram. Daniel respirou fundo: achou que, quando Andreza falou sobre “derreter”, ela tivesse percebido seus olhares pra cima das pernas de Bruna. talvez tivesse, e ele é que não tivesse como reagir. mas o perigo agora estava afastado, ao contrário da imagem das pernas na cabeça dele. seria obsessão? Daniel vira um clipe de uma banda chamada Suede na MTV, dias atrás. a música se chamava “Obsessions” e, a uma certa altura do vídeo, uma fã da banda dizia algo como “eu não me importo com minha obsessão, na verdade é ela que me mantém sã”. talvez então esses pensamentos todos o mantivessem longe da loucura também; além disso, pensar, ao contrário de agarrar, é inofensivo, pelo menos enquanto Bruna não aprender a ler mentes.

“- Daaaaan” – Andreza quebrou o silêncio.

“- que foi, Dê?”

“- derreti mesmo. vou lá dentro trocar de roupa.” – Andreza estava de calça jeans e camiseta. enquanto observava a amiga e anfitriã caminhar pra dentro de casa, Daniel lembrou que ela também tinha pernas bonitas. só faltava ela mesmo se lembrar desse detalhe. respirou fundo e pensou no que poderia fazer. entretanto, um outro pensamento obstruía sua mente. diabos, como é que duas pernas podem provocar todo esse estrago? pra piorar as coisas, Bruna tinha namorado (Rafael, um grande chato, por sinal), um cara de muita sorte. imaginou se eles já tinham chegado aos “finalmentes” e se sentiu ainda mais provocado. como é que se pára de pensar em algo de um instante pra outro? só sendo apunhalado?

Daniel então ouviu um grito feminino, logo abafado. de onde vinha? pra onde ia? o que queria? será que a dona tinha pernas tão bonitas quanto as de Bruna? por quê tantas perguntas em sua cabeça? olhou na direção da banca de jornais e não achou nada que justificasse um grito. do outro lado, nenhuma alma viva. poderia estar em alguma dessas casas, poderia estar num carro que passava… ou poderia estar dentro da casa de Andreza. um assalto, a essa hora da tarde?

entrou devagar na casa, em silêncio. nenhum ruído anormal, até que de repente sentiu uma respiração contínua e ofegante. deixou seu copo vazio na cozinha, atravessou o corredor rumo à última porta, a do quarto de Andreza, que estava com a porta semi-aberta, com uma fresta por onde um raio de sol escapava. à medida em que se aproximava, passou a ouvir ruídos de gente assustada. será que as meninas estavam se escondendo de algo? e do que seria: ataque de mísseis? mandato judicial? música ruim? ladrões? uma barata voadora? pegou um punhal no quarto do irmão de Andreza e chegou à última porta do corredor, onde Bruna e Andreza roçavam as pernas freneticamente e se beijavam, encostadas na parede, felizes e, pelo visto, bastante surpresas com o que estavam fazendo. ouviu-as murmurando:

“- Bruna, você é muito gostosa…”

“- são seus olhos…”

“- hmmm…”

“- suas pernas… sua boca… sua safada… não deu pra te agüentar trocando de roupa…”

“- e esse teu shortinho, hein…”

“- quer que eu tire?”

“- quero. quero que eu o tire…”

“- então manda ver…”

“- o Rafael já tirou?”

“- não. nem vai tirar… hoje à noite eu termino com ele.”

“- vai mesmo terminar?”

“- vou sim, Dê… descobri que sou boa demais pra ele.”

“- isso eu já sabia… suas pernas são boas demais pra ele… desde que você chegou, não conseguia parar de olhar pra elas… quero derreter por entre elas…”

e por falar em pernas, Daniel usava as dele pra sair dali. só queria um pouco mais de Fanta Maçã, pra não derreter naquele calor interiorano todo.

aê, vacilão!

ontem, no Jornal Nacional, foi veiculada uma reportagem sobre uma lavagem de dinheiro do Banco Noroeste no exterior. estavam a explicar que 120 milhões de dólares saíram do Brasil, foram “lavados” na Suíça e terminavam na Nigéria. na hora de fazer a rota no mapa, o dinheiro saiu do Brasil (ok), passou pela Suíça (ok) e… o desenhista gráfico do mapa apontou o Níger como sendo a Nigéria. coisa de menos de cinco segundos, que eu percebi simplesmente porque o país não tinha saída pro mar. consultando o mapa, vi mesmo que o país apontado era o Níger. aê, vacilão!

quando a força se faz necessária

nosso querido Marcio colocou em seu blógue (actualmente um dos grandes lugares para discutir política, um pouco em detrimento dos dois outros temas centrais de lá, mas isso não é problema) alguns textos que põem em cheque o movimento pacifista no século XX. confesso que sempre tenho receio e um pé e meio atrás toda vez que vejo uma passeata, um pouco por uma experiência que tive em setembro de 1992, durante protestos pedindo o impeachment do então presidente Fernando Collor. durante a passeata, ocorrida aqui nesse rancho emancipado mesmo, dava pra se perceber que muita gente estava ali apenas por estar, ou por interesses diversos. não cabe aqui discutir se isso é certo ou errado, mas apenas que desvirtuava o manifesto do propósito inicial, É CLARO.

assim, toda guerra deve ser evitada? à primeira vista, sim. mas, no próprio contexto actual, basta uma examinada pra perceber que não é bem assim. já deixei claro que não acho que os EUA, a Inglaterra e quaisquer outros aliados devam atacar o Iraque, por um misto de razões como a ausência de provas concretas. alguns acreditam que tio Bush quer atacar o país do tio Saddam por petróleo, outros contra-argumentam dizendo que o custo da guerra pode ser maior do que o valor de todo o petróleo ainda disponível no Iraque.

sinceramente, essa parece ser uma hipótese um tanto quanto plausível. dizem que o Iraque tem em seu subsolo uma reserva que garantiria 100% de todo o petróleo consumido hoje no mundo por mais uma década e meia. ou seja, por mais que quinze anos levando todo o mundo nas costas sejam importantes, não é eterno. sendo assim, quais seriam os reais motivos pelos quais os americanos querem a cabeça de Saddam?

eu acredito em três deles. o primeiro é algo que gostaria de chamar “efeito interno”. uma parte desse efeito interno é a intenção de alimentar a indústria da guerra: material bélico, aeroespacial e de artigos de emergência, por exemplo. a outra parte é, grosso modo, um revival do macarthismo. a diferença é que, ao invés de caçar comunas, Bush quer ter uma espécie de domínio sobre o chamado “eixo do mal” para supostamente dar segurança ao seu país.

o segundo é a vontade de agradar um parceiro estratégico, Israel. ninguém duvida que, na segunda guerra mundial, os judeus foram as maiores vítimas da máquina de morte hitleriana. entretanto, é uma pena que durante esse pouco mais de meio século desde então, boa parte deles tenha esquecido de como é ruim não ter pátria e hoje, com um estado criado especialmente para eles, reprimem o ideal palestino, tão legítimo quanto o deles. não é novidade que o Iraque (e metade do Oriente Médio) odeia Israel com todas as forças. além disso, um percentual entre 45 e 55% do PIB americano é produzido por empresas cujo controle acionário está em mãos judias. longe de mim ser anti-semita… eu só gostaria de saber qual o problema em se criar um estado palestino.

o terceiro, que pode parecer absurdo, é algo que eu acho bem possível: George W. Bush deve sentir que o “trabalho” de guerra feito por seu pai George Bush no mesmo Iraque (1990-91) está incompleto, pois, mesmo tendo expulsado as tropas iraquianas do Kuweit, não conseguiu depor Saddam Hussein do poder, coisa que provavelmente Bush pai achou que aconteceria naturalmente, após todos aqueles embargos e sanções aprovadas pelas Nações Unidas para o país. pequenos fatores isolados, como aquele hotel onde um mosaico com a cara do Bush pai está logo no chão da entrada (forçando todo visitante a pisar na cara de Bush para chegar ao lobby) e o inegável sentimento anti-americano do povo do Iraque, contribuem para essa espécie de revanche pessoal, que, se não é de forma alguma o único sentimento a mover as tropas para o Médio Oriente, é algo que colabora sim.

de toda forma, continuo a não achar que o melhor caminho para a solução do impasse iraquiano seja a guerra. entretanto, acho, no mínimo estranho, a pouca atenção que os EUA têm dado à Coréia do Norte, esta sim com más intenções declaradas.

pensem bem: o país assume deliberadamente que possui um programa nuclear e diz, com a cara mais deslavada do mundo, que é para produzir energia. a Coréia do Norte é um país economicamente isolado e que não faz qualquer tipo de exportações, ao contrário de China e Coréia do Sul, seus países limítrofes e grandes exportadores mundiais. por quê precisaria recorrer à energia atômica?

além disso, hoje mesmo a Coréia do Norte fez um disparo de míssil. em visita à Coréia do Sul para a posse do novo presidente, o secretário de Estado americano, Colin Powell, disse que seu país procura “uma solução pacífica” para a crise na Coréia do Norte, e que o míssil disparado pelo país era “obsoleto”. boa parte dos armamentos iraquianos tem o mesmo grau de obsolescência, inclusive esses mísseis que os EUA e as Nações Unidas exigem ver destruídos, e, como todos sabemos, o governo Bush não quer saber se o pato iraquiano é macho, ele quer é o ovo.

seria, então, Saddam Hussein o grande problema? sim e não. o “sim” se refere ao terceiro motivo americano supra-citado; o não tem uma explicação que é o óbvio ululante: o ditador norte-coreano (cujo nome me escapa da memória agora, damn) é tão ou mais sanguinário do que Saddam (tendo, além de dizimado milhares de coreanos, separado milhares de famílias que ficaram parte ao norte, parte ao sul), sem contar o fato de sua família dominar o país há cinqüenta anos e a megalomania em torno deles ser ainda maior que a adoração do Iraque por seu líder. some-se a isso a bundamolice hipócrita da Coréia do Sul (que adora xingar a Coréia do Norte mas não admite que nenhum outro país o faça) e o medo efetivo dos EUA em mexer num vespeiro que pode cair tanto no quintal chinês quanto no japonês.

assim sendo, sinceramente, acho que Bush está atacando onde a princípio não deveria atacar, e ignorando um perigo maior a que deveria oferecer combate. espero que, se a guerra no Iraque for realmente inevitável, espero que na seqüência (ou em qualquer outra hora, desde que breve) os EUA arrebentem a Coréia do Norte e que um processo de democratização/unificação com sua irmã do sul seja possível depois disso.

ademais, gostaria de falar sobre a hipocrisia de Turquia e Rússia, além de falar mais a fundo sobre a de Israel. mas fica pra próxima… o texto está muito grande e, se você chegou até aqui, parabéns e muito obrigado.

doença de Burma

parece que hoje uma doença típica dos países colonizados pela Inglaterra na Ásia chegou a Aparecida: a doença do sono. onde eu encosto, acabo por dormir. pelamordedeus. alguém tá indo pra Mandalay? se for, alguém por favor me traz um antídoto pra tal enfermidade?

se os ingleses estão deprê, eu não vou ficar pra trás

na edição de 16/09/2000, o New Musical Express trouxe uma lista com os discos mais tristes da história. na época eu cheguei a ver os dez mais, mas não consegui ver todos. achei a lista completa pesquisando por aí e a reproduzo abaixo. caramba, eu tenho 20 dos 56 discos (35,7% do total). que loucura. enfim… a lista dos redatores do semanário inglês foi a seguinte:

1. Big Star – “Third/Sister Lovers” (1978)

2. Joy Division – “Closer” (1980)

3. Spiritualized – “Ladies And Gentlemen We Are Floating In Space” (1997)

4. Nirvana – “In Utero” (1993)

5. Leonard Cohen – “Songs Of Love And Hate” (1971)

6. Billie Holiday – “Lady In Satin” (1958)

7. Frank Sinatra – “In The Wee Small Hours” (1955)

8. Nick Drake – “Pink Moon” (1972)

9. Sebadoh – Bubble And Scrape (1993)

10. Joy Division – “Unknown Pleasures” (1979)

11. REM – “Automatic For The People” (1992)

12. Jeff Buckley – “Grace” (1994)

13. Bob Dylan – “Blood On The Tracks” (1975)

14. Neil Young – “Tonight’s The Night” (1975)

15. The Verve – “A Northern Soul” (1995)

16. Scott Walker – “Scott 3″ (1969)

17. Husker Du – “Candy Apple Grey” (1986)

18. Mazzy Star – “She Hangs Brightly” (1990)

19. PJ Harvey – “Rid Of Me” (1993)

20. Smokey Robinson And The Miracles – “The Ultimate Collection” (1998)

21. Gram Parsons – “Grievous Angel” (1973)

22. Slint – “Spiderland” (1991)

23. Michael Head Introducing The Strands – “The Magical World Of The Strands” (1998)

24. The Cure – “Pornography” (1982)

25. Mogwai – “Come On Die Young” (1999)

26. Manic Street Preachers – “Gold Against The Soul” (1993)

27. Nirvana – “MTV Unplugged In New York” (1994)

28. Lou Reed – “Berlin” (1973)

29. Portishead – “Dummy” (1994)

30. Radiohead – “The Bends” (1995)

e a dos leitores…

1. Bonnie Prince Billy – “I See Darkness” (1999)

2. Tindersticks – “Tindersticks 2″ (1995)

3. Afghan Whigs – “Black Love” (1996)

4. Ride – “Nowhere” (1990)

5. Public Image Ltd – “Metal Box” (1979)

6. Low – “Secret Name” (1999)

7. Bob Dylan – “The Times They Are A Changing” (1964)

8. Primal Scream – “Give Up But Don’t Give Up” (1994)

9. The Smiths – “The Smiths” (1984)

10. New Order – “Technique” (1989)

11. Sophia – “Fixed Water” (1996)

12. Catatonia – “International Velvet” (1997)

13. Eels – “Electro Shock Blues” (1998)

14. Lee Hazlewood – “Requiem For An Almost Lady” (1971)

15. Death In Vegas – “The Contino Sessions” (1999)

16. The Replacements – “All Shook Down” (1990)

17. Tracy Chapman – “Tracy Chapman” (1988)

18. The Smashing Pumpkins – “Adore” (1998)

19. Joni Mitchell – “Blue” (1971)

20. The Beach Boys – “Surf’s Up” (1971)

21. The Beach Boys – “Smile” (1967)

22. Aphex Twin – “Selected Ambient Works 85-92″ (1992)

23. Nick Cave – “The Boatman’s Call” (1997)

24. John Lennon – “John Lennon Plastic Ono Band” (1970)

25. Labradford – “Mi Media Naranja” (1997)

26. Cowboy Junkies – “The Trinity Sessions” (1986)

… e algumas ausências sentidas, sem ordem específica:

1. Suede – “Dog man star” (1994)

2. Pulp – “This is hardcore” (1998)

3. David Bowie – “Station to station” (1976… ou seria 77? Jardel, ajuda aqui, faz favor)

4. The The – “Soul mining” (1985)

5. Depeche Mode – “Black celebration” (1986)

6. Morrissey – “Southpaw grammar” (1995)

7. Spain – “She haunts my dreams” (1999)

8. Mojave 3 – “Excuses for travellers” (2000)

9. Radiohead – “Kid A” (2000)

10. Cure – “Faith” (1981)

11. Nico – “Chelsea girl” (1968)

12. Spacemen 3 – “Perfect prescription” (1986)

13. Belle & Sebastian – “Lazy line painter jane EP” (1997)

14. Velvet Underground & Nico – Velvet Underground & Nico (1967)